Notas iniciais
Nos desculpem a demora. Boa leitura. ^^

Talvez fosse obra do destino, ou brincadeira de mau gosto, mas a pessoa que estava sendo o centro da conversa chegar ao refeitório cantarolando uma música do Hayato. O sorriso enorme, brilhando e ofuscando alguns olhares que eram lançados. Talvez fosse a musica em sua cabeça, ou seu jeito feliz que não fazia ele escutar os que os outros falavam, nem reparar nos olhares.

A primeira pessoa que ele procurou foi Haruka, mas não a encontrou. Achou estranho, ela parecia ser uma pessoa que acordava cedo. Só se ela foi dormir tarde estudando. Ela era uma menina muito aplicada. Ou se ela saiu, seria algo razoável também, talvez ela precisava de materiais. Ficou preocupado, ele achava que ela era do tipo de pessoa que poderia se perder fácil. Esperava que ela estivesse bem.

Sorrindo mais uma vez, ele olhou para todos os lados, notando que as pessoas pareciam agitadas. Deveria ser a animação pelo domingo. Mas parou de olhar ao encontrar a mesa onde estavam os garotos. Ficou extremamente feliz em ver Tokiya interagindo com eles. Seus mais novos amigos, precisava se socializar.

Correu até eles, acenando e nunca diminuindo o sorriso que dava.

– Bom dia para todos. — sorriu segurando uma cadeira. — Que bom que estão todos juntos. — olhou mais uma vez. — Cadê Masato?

– Deu uma pequena saída, deve voltar daqui a pouco. — Ren sorriu maliciosamente ao olhar para Otoya.

– Ahhh, então está tudo bem! — Otoya sorriu mais e puxou a cadeira para perto de Tokiya. — Desculpa, quando fui arrumar sua cama, acabei dormindo nela de novo.

– Você dormiu na mesma cama que Ichii? — Ren questionou surpreso e seus olhos caíram sobre Tokiya, com o sorriso aumentando. — Que interessante.

– Fique calado Jinguji, ele dormiu na minha cama por ter que ceder a cama para kurusu, que não sei por que motivo foi para nosso quarto. — disse desviando o olhar para um ponto qualquer. Agora sabia que o colega iria importuná-lo por aquilo.

– Mas está dizendo que e Hayato... Ele tem algo haver com você? — perguntou Syo curioso, era impossível deixar aquilo passar.

– Não quero falar sobre isso! – Tokiya respondeu pondo as mãos cruzadas na frente do rosto.

– Quem está dizendo que é Hayato? — Otoya olhou para todos confuso. Afinal, do que eles estavam falando?

– Hayato-sama... — Natsuki abaixou a revista. — Tokiya te abraçou ontem.

– Sim, mas como você sabe disso? — o ruivo nem estava desconfiado de nada até o momento que Natsuki estendeu a revista e ele viu sua foto com Tokiya. — Olha, Tokiya-kun, somos nós. — riu apontando a revista e a pegando. — Por que estamos em uma revista?

– Por que descobriram o encontro de vocês. — Jinguji não conteve sorrir mais. Otoya era bem mais receptivo para lidar com as noticias que Tokiya. — Vocês deveriam evitar certos tipos de toques em publico.

– Mas o quê que tem dar um abraço? — Otoya levantou o olhar, ele ainda não tinha começado a ler. Mas já estava questionando certas coisas. Ninguém deveria se importar de ver um abraço de desculpas entre dois amigos.

– É verdade, o que tem abraçar? — o maior de todos, Natsuki, questionou e voltou a puxar Syo para um abraço. — Abraços são bons e quando estamos amando são melhores.

– Você não entende mesmo, não é Ittoki? Acham que você esta saindo com Hayato. – Syo disse impaciente. — Não é nada bom para Tokiya, que é a copia de Hayato, agora acham que ele está namorando com você! — disse Kurusu.

– Chega! Não quero mais ouvir isso. Eu não... — não continuo a falar pois tocaram em seu ombro, ao olhar viu seu colega de cabelo azul. — Hijirikawa!

– Bom dia! — cumprimentou educadamente. — Eu vi as noticias!

– É mentira! Eu acho que eles são irmãos gêmeos. — disse Kurusu.

– Irmão? — Otoya olhou para Tokiya, com os olhos bem atentos. Irmãos gêmeos. Lógico que deveria ter pensado, Tokiya conseguiu facilmente que Hayato aparecesse para ele e o levasse para casa. E Hayato também conhecia Tokiya intimamente. Claro que eles eram irmãos gêmeos. Tão diferentes nas personalidades, e tão iguais na aparência. Irmãos... Só queria saber o que tinha ocorrido para que Tokiya ficasse tão nervoso ao ponto de escondê-lo.

– O que acha, Hijirikawa? — agora todas as atenções de Ren eram sobre Masato. — Tokiya e Otoya estão ou não estão juntos? Eles dormiram na mesma cama. Pelo o que me parece bem juntinhos.

– Tokiya já explicou o que ocorreu. — o ruivo não estava nervoso, parecia até calmo por mais que seu nome rolasse por aí e seu rosto estivesse em uma revista. — Cedi minha cama para Syo. Ele parecia precisar dormir lá. — deu de ombros. — E essas são só noticias. — olhou para a revista rapidamente. — Aqui é Tokiya e não Hayato-sama e nós dois só estávamos passeando, não ligo pra essas noticias... Neah?! — sorriu para Tokiya.

– Só eu acho que eles formam um lindo casal? — disse Mikaze se aproximando da mesa. — Vocês sabem o que irão dizer ao diretor? — perguntou olhando para Tokiya.

– Não, não pensei nisso. – disse Ichinose pensando em como iria se virar, para explicar ao diretor. — Eu vou me retirar, tenho que falar com ele! — avisou se levantando.

– Eu posso me explicar com você! – o ruivo se levantou também, apreensivo que Tokiya levasse toda a culpa por fofocas que as pessoas inventavam.

– Explicar o que? – a voz grave e apavorante atingiu os ouvidos de Otoya quando ele percebeu que atrás de Ai estava o assustador presidente Camus de braços cruzados o olhando com aquele olhar penetrante. Tinha medo dele, desde a apresentação. Ele parecia ser simples, não muito irritado, mas muito centrado e sério. – Que você está em um relacionamento com o Ichinose ou com aquela piada do Hayato-sama?

– Ele não é uma piada! – Otoya falou sem pensar, chamando a atenção de alguns, e os olhos mais atentos de Camus. – Eu...

– Ele não é uma piada? – a sobrancelha de Camus levantou, sorrindo sarcasticamente com a atitude de Otoya. – Ele, aquelas roupas, a música e o jeito irritante dele.

– Ele não é irritante! – Otoya realmente não estava sabendo o quanto estava chamando a atenção, e logo agora que parecia um pouco mais sério.

Ele não poderia deixar que falassem de uma pessoa que foi tão gentil com ele.

– Como sabe se nunca o conheceu? – Camus sorriu ao ver o rosto de surpresa de Otoya e a boca dele ser aberta para falar algo, mas se fechando e ele olhou para o chão. Um coelho encurralado. Camus, ou qualquer um com senso, poderia ver que Otoya estava escondendo algo. – Eu não sou cego, vi as fotos... Vi o que se passava na TV. – aproximou mais do ruivo, não ligou para os outros rapazes. Em relação a Tokiya, Otoya era bem mais fácil de ser pressionado e fazê-lo falar. – Aqueles abraços, o jeito que vocês andaram juntos, gravaram você saindo com um urso que os funcionários da loja juram que foi um presente de namoro. Ou seja, ou você está com Hayato, ou com Tokiya. As regras da escola são bem claras quanto a esse tipo de relacionamento.

– Não, eu... – Otoya estava se sentindo pressionado. Estava soando frio. Camus estava falando tudo tão tranquilo. Falando como se tudo aquilo fosse errado, logo aquilo que ele tinha achado tão normal. Confuso olhou para todos, percebendo todos olhando para ele, até mesmo Haruka estava parada na entrada do refeitório não entendendo o que estava acontecendo.

Por que isso tudo estava acontecendo mesmo? Só por que Tokiya e ele estavam sendo amigos?

– Então jure por tudo que mais ama que não está namorando com Tokiya. – exigiu o presidente.

– Eu juro! – ele não estava mentindo. Eles não estavam namorando. Eles eram amigos. Tokiya era o melhor amigo que ele poderia ter. O compensou com um grande presente. Por isso que o olhou, ele estava jurando por tudo que fosse mais sagrado, que eles eram somente amigos. – Tokiya é meu amigo, posso até dizer que o melhor de todos.

Camus ficou um pouco surpreso e olhou para Tokiya, mas foi um gesto rápido, pois seu olhar novamente estava em Otoya. Aproximou-se mais.

– Então jura que nunca se encontrou com Hayato-sama? – falou e ficou mais surpreso quando Otoya parecia ficar gelado e morder o lábio. Sabia que dava medo em alguns, mas aquilo era ridículo. Era somente para ele dizer que nunca viu o comediante Hayato. Só se... Ele não podia acreditar. – Não vai jurar?

– Eu não posso jurar isso. – o ruivo olhou para o chão. Ele não conseguia olhar pra ninguém. Ele tinha honra demais para mentir em um juramento. Ele sempre foi muito sincero com tudo, com seus sentimentos, atitudes e gestos.

– Então já se encontrou com Hayato-sama? – agora o surpreso era Camus, e mais uns espectadores. Contudo o presidente sorriu e começou a andar em volta de Otoya, com os braços cruzados e sempre com os olhos atentos para o ruivo. – Posso concluir que aquela pessoa que está na foto não é o Ichinose, mas sim Hayto? – Otoya levantou o olhar, querendo dizer que não era aquilo, mas levou um susto quando a mão de Camus pousou em seus ombros. – Posso dizer que você é um grande mentiroso, ou sortudo. Mas qual seria a verdade? Está com Ichinose ou Hayato?

– Chega! Tire as mãos dele. Está sendo imprudente, presidente. — disse Tokiya se levantando e colocando Otoya para trás dele. — Se o diretor não se manifestou até agora é porque julgou isso de pouso importância. – disse vendo o que havia feito aumentado mais as suspeitas sobre os dois, mas não podia deixar de defender o amigo.

– Então estão namorando, ou você e cunhado dele! — disse Mikaze com sua expressão habitual, ficando ao lado de Camus. – Por que está o defendendo? Sabe que está se complicando. Você gosta dele? — perguntou olhando para Tokiya.

– Com todo respeito, prefiro ficar calado. Pelo o que eu sei, vocês só podem investigar a fundo alguém com a permissão do diretor. – Tokiya respondeu sério.

– Quando nos tornamos presidente e vice-presidente, o diretor nos deu toda permissão para investigarmos. – Camus voltou a cruzar os braços. – Pelo o pouco que me foi informado, vocês são gêmeos, a piada que chamam de ídolo e você! – ele sorriu de lado. – Seria bem mais fácil para vocês se dissessem logo com quem ele está porquê... – ficou sério. – Porque o diretor chamou vocês! Isso já não é considerado importante o suficiente, Ichinose?

Ichinose olhou para Camus com uma cara nada boa.

– Senpai, falarei somente com o diretor. Se me der licença. — disse abrindo espaço entre os demais, não iria ficar ali para discutir sem necessidade.

Camus o olhou e depois olhou para Ai e os outros alunos. Ele sorriu mais uma vez, dando alguns passos para trás e deu de ombros. Para aqueles que o conhecia, sabiam que ele não falaria mais com Otoya, ou com Tokiya depois disso. Ele somente ficaria observando. Foi por este gesto que os alunos curiosos se aproximaram de Otoya, esquecendo os outros quatro que o acompanhava. O circularam e ficaram o questionando.

– Você conheceu mesmo Hayato-sama? – alguém perguntou de um lado, ele não soube identificar.

– Hayato poderia ter um pouco mais de bom gosto, não gostei desse aí... – Otoya voltou a se virar, queria explicar que estavam equivocados, mas estava perdido em meio de tantas pessoas, perguntando e falando ao mesmo.

– Ai! – sentiu alguém puxar um fio de seu cabelo.

– É verdade, ele é meio sem graça. – ele levou a mão para a cabeça e voltou a olhar, com tantas pessoas se aproximando. O que estava ocorrendo? Isso só por causa de Hayato?

– Ele é fofo, acho que combinam. – sentiu mais alguém o tocar, pareciam querer arrancar um pedaço. Ele tentou encontrar os demais para pedir ajuda.

– Mas Tokiya e Hayato não são a mesma pessoa? – ele estava confuso com tantas perguntas, mãos rostos, sorrisos e cara feias e até mesmo alguns celulares em seu rosto.

– Acho que são irmãos gêmeos...

– Então Otoya é uma vadia que está ficando com os dois irmãos? – agora Otoya não entendia o que se passava na cabeça das pessoas. Tentou sorrir educado, falar para que se afastassem, ele iria explicar tudo com calma.

– Esperem...

– Eu não quero Hayato-sama com ele. – alguém o empurrou e as pessoas se juntaram mais.

Ichinose virou a cabeça lentamente se irritando com aquela situação, mas também estava um pouco preocupado com aquilo. E se alguém o machucasse? Foi até o ruivo e o puxou daquele meio de pessoas, o levando para fora.

Pode-se ouvir gritinhos de meninas, pedindo para Otoya largar Tokiya. Como Ichinose odiava aquilo, atenção, saiu o mais rápido que pode.

– Tokiya. – Otoya chamou, sendo ainda puxado. Ele sorria, um pouco confuso e passava a mão no cabelo. – Isso foi... Diferente. – ele não sabia classificar o que tinha ocorrido agora. Gritos de ódio, gritos com uma palavra extra “yaoi”, e especulações. Hayato-sama deveria sofrer muito com isso. – Está tudo bem!

– Desculpe por isso, essas pessoas são muito sem noção. – disse controlando a respiração. — Realmente sinto.

– É claro que sente senhor Ichnose. — disse uma voz sinistra, ao se virarem viram o diretor. — Bom dia para os dois. — falava apesar de estar se referindo aos dois ele olhava para Otoya.

– Bom dia, senhor diretor! – Otoya acenou. Estava mais contente agora que Tokiya estava mais calmo e o diretor apareceu para que eles pudessem se explicar adequadamente. Apesar de que era assustador de ver o diretor aparecer do nada. Ele não era uma figura muito bonita de ser vista. – Nós queríamos falar com o senhor mesmo.

Shining os olhou por um tempo.

– Quero vocês na minha sala amanha as oito da manha. — avisou com um sorriso estranho antes de se despedir, fitou Otoya e se retirou.

– Ohhh... Pensei que fosse agora! – Ittoki deixou os ombros caírem, mas voltou a sorrir olhando para Tokiya. – Então não deve ser grave, Né?! Ele não precisou falar nada. Podemos curtir nosso domingo. – o sorriso ficando enorme. – Vamos aproveitar que estamos todos juntos e vamos fazer alguma coisa, jogar talvez! – estava tão animado, nada abalado com os acontecimentos que ocorreram com ele, ou preocupado com o que falavam. Ele acreditava que logo passaria.

Tokiya balançou a cabeça negativamente. E se afastou “vou para o quarto’’ tinha dito antes de sair da vista de Otoya.

Otoya primeiramente cruzou os braços e bateu o pé. Ele não estava chateado, mas teve uma sensação que Tokiya não queria ficar perto dele, parecia evitá-lo. Tanto no quarto como agora. Ele não conteve sorrir. Tokiya não o conhecia mesmo. Ele deveria saber como Ittoki era cabeça dura quando queria, e no momento queria deixar muito feliz mesmo o Tokiya.

Um jeito de dizer obrigado.

Ele correu, diferente do que Tokiya fez e o encontrou andando no meio do corredor. Diferentes mesmo, ele e Hayato. Como ele reparou o jeito de Hayato andar, feliz e quase saltitante, aquele jeito não era nada parecido com Tokiya. Realmente cogitou eles serem irmãos gêmeos. Tokiya não negou, mas também não confirmou.

Correu mais uma vez e o abraçou por trás.

– Vou com você! – avisou alegremente.

Tokiya arregalou os olhos, primeiro ficou pasmo com a reação do outro em seguida segurou suas mãos e saiu do abraço.

– Será que não percebeu que foi por isso que estão comentando coisas sobre nos? — disse fazendo Otoya olhá-lo. — Vem vamos conversar no quarto. – seguiu em direção aos dormitórios.

– Eu não fiz por mal, Tokiya. – ele ficou triste agora. Se fosse a culpa dele toda a confusão, ele tinha que se desculpar. Mas era meio hipócrita, as revistas tinha pegado Tokiya o abraçando. Ou seja, certa culpa era de Tokiya também. – É que é tão comum fazer isso!

–Tudo bem! – Tokiya respondeu pensando em como esse acontecimento era ruim, não achava que Otoya tinha estragado, porém era uma situação delicada, que causava muita dor de cabeça, e a ultima coisa que ele queria era dor de cabeça. Já bastava o produtor maluco que achava que eles tinham algo. — Muito bem, preciso me preparar para falar com o diretor. — disse parando na porta do quarto.

– Eu também irei falar com ele, já disse. – o ruivo avisou, sorrindo ainda. – É mais fácil com duas pessoas. Mas, Tokiya-kun, eu também mereço algumas explicações, não acha? – tombou um pouco a cabeça para o lado.

Tokiya sabia exatamente o que ele queria saber, não tinha mais jeito teria que contar. Mesmo não tendo que dar satisfações. Entrou no quarto e esperou o ruivo entrar. Ao fechar a porta foi até o lado que lhe pertencia.

– Bem, tudo o que te posso dizer é que Hayato e eu temos uma ligação forte, e que como percebeu é a grande causa de nos confundirem. — disse olhando o rosto confuso do amigo.

– Vocês não são irmãos gêmeos? – piscou e se sentou na cama oposta a do Tokiya. – Vocês não se dão bem? Hayato-sama estava falando algumas coisas... – diminuiu o tom de voz. Ele não sabia ao certo se poderia falar ou não o que Hayto tinha dito para ele, que Tokiya não gostava de falar sobre aquilo. – Vocês são irmãos, certo?

– Mais ou menos isso. — disse Ichinose, não queria mentir, mas não podia contar a verdade. — Tente entender que eu não me sinto a vontade falando disso. — fez uma pausa. — O mais importante é esclarecer a situação que nem eu nem Hayato temos algo com você! — concluiu.

– Vocês têm sim. – o sorriso de Otoya voltou. – A minha amizade! – ele se calou por um momento analisando isso. Ele gostava da amizade de Tokiya, apesar de que as vezes ele parecia um robô sem sentimentos, era o jeito dele. Ele se preocupava, por isso lhe deu aquele presente maravilhoso, a presença de Hayato. Também se preocupou em salvá-lo do meio daquelas garotas. O interessante era que Tokiya e Hayato estavam distantes, como ele desconfiou, provavelmente brigados. Ele poderia pensar que ambos sofriam, Tokiya não gostava de falar sobre isso, e Hayato com um semblante triste tinha dito que Tokiya não gostava de falar sobre eles. Se Hayato sofria, tinha saudades do irmão, certo? Talvez Hayato somente tivesse aceitado o pedido de recebê-lo mesmo com a agenda lotada para agradar o irmão. – Espero que vocês dois não continuem brigados, Hayato-sama é muito legal e divertido. Ver vocês juntos seria bem legal!

– Não será possível. Agora irei aliviar um pouco minha mente. — disse se levantando, por favor, não faça nada louco sem eu por perto. — disse olhando o ruivo com um olhar triste. — Até mais! — saiu do quarto.

– Louco? – Otoya deitou-se na cama e olhou para o teto. – Eu fazer algo louco... – ele estava cogitando mais que fosse Natsuki ao fazer algo louco. Ele não fazia nada exatamente louco, também não tinha feito ainda. – Gêmeos... – sussurrou para ele mesmo.

Gêmeos eram bem interessantes, no período que tinha ficado no orfanato ele tinha conhecido alguns gêmeos, mas por pouco tempo. Eram engraçados. Lembrava que eles não viviam distantes, mas Tokiya e Hayato não se viam e parecia que Tokiya não estava interessado em vê-lo.

Como seria conviver com Tokiya e Hayato? Somente de imaginar os dois juntos, vinha a imagem na sua cabeça de Tokiya rabugento e de braços cruzados com o Hayato pendurado nele tentando o fazer rir. Somente isso já o fazia rir muito. Ele ficou bem mais interessado em saber sobre os gêmeos.

Rolando na cama, ele puxou sua mochila do chão, algo que Tokiya odiava, mas não tinha jeito. Ele retirou um notebook já meio antigo e o ligou. Não faria mal nenhum pesquisar um pouquinho, algumas evidencias poderiam ajudar a compreender Tokiya e Hayato e ajudá-lo a uni-los. Somente pesquisando as curiosidades ele encontrou algo que lhe chamou atenção.

“Gêmeos idênticos são sempre do mesmo sexo e representam 1/3 das gestações gemelares. Nesse caso, provavelmente um deles será canhoto.” Lendo isso ele se perguntou se Tokiya era canhoto. Não tinha reparado em algo tão simples no seu amigo. Nossa, e o considerando como melhor amigo e não sabia isso. Na próxima vez ele prestaria bastante atenção em Tokiya. “Gêmeos possuem diferenças de personalidades e que muitas vezes, são extremamente conflitantes.”, isso Otoya não poderia ter duvidas de como Tokiya e Hayato eram bem diferentes.

Essa pesquisa estava ficando muito interessante. Depois ele olharia mais para Tokiya para ver algum sinal de nascença diferente.

– UTA –

– Acredita mesmo nisso? – Camus seguia a frente de Ai apenas dois passos. De braços cruzados e pensativo pelos corredores. – Depois daquilo, querem que nós acreditemos que ele não estão juntos. Esses... Quebrando as regras.

– Não adianta forçar, se estão fazendo algo errado não falariam. — disse Mikaze o seguindo. — Camus, você sabe que não podemos dizer muito. — falou, estavam namorando.

– Nós... – Camus olhou para trás, um gesto rápido devido que ele olhou para frente novamente. – Somos diferentes, seguimos todas as regras. – estava sendo hipócrita. – Não nos mostramos por aí! – parou e olhou para trás. – E isso é somente entre nós dois. Não conte nada para o Kurosaki e o Kotobuki.

– Não vejo sentindo nenhum em contar o que eles já sabem. — disse baixo. — Vou checar o clube de natação, não demoro. — avisou.

– Como assim eles já sabem? – um arrepio passou pela espinha de Camus em imaginar que sua reputação estava arruinada e que poderia ser expulso, ou pior, ter que ver aquele sorriso sínico no rosto do Kurosaki.

– Você já se esqueceu? Se declarou na frente dos dois, qualquer um com um mínimo de inteligência vai ligar os pontos. – Mikaze respondeu seguindo para a ala das piscinas.

– Então os dois não estão sabendo, não possuem capacidade intelectual para nada. – resmungou, mas permaneceu preocupado. – Irei verificar os dormitórios. – inventou e seguiu para o lado oposto que Mikaze estava seguindo.

Não que ele estivesse totalmente desconfiado dos amigos e estava aproveitando a posição que se encontrava na escola para investigar algo ao seu favor. Bem, ele estava. Depois que ele seguiu a solicitação do diretor em conversar com o mais novo casal da escola, isso se eles não fosse mesmo e Otoya estivesse namorando com Hayato, agora ele estava com o seu pouco tempo livre preocupado com aquilo.

Quando chegou à frente do quarto dos seus abrigos, ele estava prestes a abrir sem bater, mas se lembrou do dia que encontrou Reiji nu. Foi sem querer e Reiji não pareceu se importar com isso, ficou rindo dele durante dias e falando sobre como se seduziu. Sorte dele que Ranmaru não estava por perto para escutar aquelas coisas.

Aquele idiota, estava claro os sentimentos pelo Kotobuki, mas ficava se fazendo de estúpido, a parte positiva disso era que pelo menos eles não quebrariam as regras tendo algum tipo de relacionamento.

Respirou profundamente e bateu na porta. Esperou cinco segundos pacientemente e estreitou os olhos. Ele odiava esperar. Bateu mais um e mais outra e não parou mais.

– Kotobuki se está aí, é melhor abrir agora!

Dentro do quarto Reiji levantou a cabeça do peito de Ranmaru e esfregou os olhos. Quando percebeu era Camus batendo na porta ele se levantou de vez, saindo dos braços do maior e arrumou a roupa de dormir. Seguiu até a porta a destrancou sem ao menos olhar para trás e sorriu para seu visitante.

– Myu-chan! – sorriu alegremente e abriu a porta completamente. – Sentiu saudades?

– Você demorou. – o rosto fechado de Camus demonstrou a insatisfação em esperar. – Com licença. – pediu e entrou no quarto. – O que estavam fazendo?

– Myu-chan é muito curioso. – Reiji piscou um olho colocando a língua para fora. – Nada demais, estávamos apenas dormindo. Aproveitando para descansar, antes que os trabalhos comecem novamente.

Ranmaru sentiu frio, tentou procurar algo, mas não achou por isso fechou a expressão e se sentou na cama, abrindo os olhos. Se sentia cansado e a primeira coisa que viu não foi agradável.

– Camus, o que quer tão cedo? — disse com tom irritado. Olhou para seu namorado e viu que este estava bem, estralou a língua estava muito irritado.

– Não é cedo. – Camus permanecia de braços cruzados, o olhando de cima ao se aproximar e chutar a cama. – Está tarde, levante-se. Odeio pessoas preguiçosas que não sabem aproveitar o tempo!

– Myu-chan está como sempre hoje. – sentiu Reiji atrás de si o abraçando. – Quer café da manhã?

– Já tomei. – Camus não se afastou, mas também não retribuiu. Aquilo era tão típico que ele não poderia questionar mais. – Mas aceito chá!

– Pra já! – o menor fez posição de sentido e se afastou. – Mas o que devemos a sua visita?

– Estávamos resolvendo um problema com dois alunos em questão, quando Mikaze resolveu verificar a área da piscina e eu os dormitórios.

– E quais são os alunos em questão? – Reiji parecia bem mais feliz do que o normal, isso somente fazia Camus desconfiar. – Se posso saber.

– Ittoki Otoya e Ichinose Tokiya…

– Meus kouhai? – Reiji parou o que fazia para olhá-lo.

– Sim... Esses...

– E cedo sim! – Ranmaru disse emburrado não gostava de Reiji próximo a Camus, mas logo mudou a feição — Acho ótimo permitir que Ai vá cuidar da piscina. — disse com um sorriso venenoso. — Sabe, os alunos do terceiro ano tem um treino hoje. — disse se espreguiçando. — Irão cuidar muito bem do Ai! — falava com um sorriso de lado.

Camus estreitou os olhos ao olhar para Ranmaru. Aquele demente fazia questão de dizer aquelas coisas por raiva por ter que acordar “cedo”. Antes que pudesse falar alguma coisa foi interrompido por Reiji.

– Eu também preciso ir para lá, me informar sobre a minha entrada no clube. – Reiji deixou as coisas de lado. – Está certo, primeiro irei ver o que meus kouhai fizeram e depois irei ao clube de natação com Ai-Ai. – tirou a camisa começando a se trocar na frente dos outros dois. – Será divertido.

– Não será nada divertido, você não vai Reiji. — disse Kurosaki serio olhando para o menor. — Já disse que você já tem obrigação na enfermaria. — falou.

– Meu trabalho na enfermaria é meio período. – Reiji não ficou abalado. – E eu posso conversar com o sensei que ele me libera para os treinos. – ficou somente de cueca, procurando as roupas para se vestir. – Será muito divertido, afinal, eu quero fazer.

– Ótimo, faça como quiser. — disse saindo do quarto, não mostraria a raiva que estava sentindo muito menos o ciúme. Se Reiji iria fazer, ele faria a mesma coisa.

Camus olhou para a porta e depois para Reiji, vendo este de cabeça baixa e segurando a camisa. Ele não compreendeu muito o que estava havendo lá, somente sabia que Ranmaru sentiu um ciúmes idiota, dizendo que outro não iria participar. Recebeu a facada no peito do mesmo jeito que lhe deu ao falar do Mikaze na natação.

Ele não proibiria Mikaze da natação, apesar de sentir um enorme desconforto com isso, ele sabia de um caso: Mikaze não se importava com ninguém! Doía um pouco pensar que Mikaze estava com ele para descobrir as coisas, não por algum sentimento, mas o alivio seria que todos poderiam cobiçar, porém jamais o teria. Ele sim, ele possuía o Mikaze, algo que ninguém teve.

Ele não se importava se achassem que ele estava considerando Mikaze um premio, o importante era que ele próprio sabia o que sentia e o que Mikaze representava para ele.

– Kotobuki... – tentou falar, mas se surpreendeu com Reiji levantou a cabeça sorrindo para ele.

– Está tudo bem, Myu-chan! – Reiji voltou a por a camisa e desviou o olhar. Camus o observou, viu que aquele sorriso era triste. Ranmaru era idiota mesmo, ele era o único no mundo capaz de fazer Reiji perder aquele sorriso iluminado. – Ran-Ran é cabeça quente. Logo, logo ele volta como se não tivesse ocorrido nada.

– Kotobuki, isso que ocorreu não é atitude de amigo é atitude de...

– É somente preocupação! – Reiji piscou. – Ele acha que vou afundar rapidinho, pode deixar que serei o melhor junto com o Ai-Ai.

– Não estou dizendo isso, Kotobuki. – Camus cortou. – Pare de me tratar como um idiota que eu não sou.

– Eu sei que você não é, Myu-chan. – novamente aquele sorriso triste de Reiji o fez se calar. Ranmaru deveria ser um sádico se gostava de deixar Reiji daquele jeito ou era um fetiche.

– Você... – começou a falar ao ver aquele lado de Reiji que ele mais odiava. Esses sorrisos que escondia tristeza. Eram os piores. Pessoas que se machucavam e guardavam essa dor para não entristecer os outros, enquanto a rachadura somente aumentava. – Eu poderia...

– O que Otoyan e Toki fizeram? – Reiji o cortou.

Camus fez uma careta com os apelidos. Somente Reiji mesmo para dar aqueles tipos de apelidos horríveis para os outros. Há anos tinha desistido de ser chamado por um nome descente. E se Reiji queria mudar de assunto, não poderia fazer o contrário.

– Bem, se você não sabe o melhor seria se sentar para eu explicar...

– UTA –

Quando Otoya saiu do quarto, ele somente queria andar um pouco, conversar com os amigos e curtir o seu tempo livre. Somente não esperou que ao andar pelos corredores escutaria sussurros com o seu nome, os olhares, os dedos apontando para ele, as pessoa disfarçando.

Seu nome em bocas de muitos e em histórias misteriosas e sua maioria inventadas. Ele estava pasmo como as pessoas poderiam acreditar em um artigo de revista, como uma historia inventada para chamar atenção.

Ele não estava com Hayato, ele nem estava com Tokiya, era amigo de ambos.

– Ittoki-kun...

Virou-se ao ser chamado, seus olhos se iluminaram ao ver a pequena Nanami Haruka. Ela estava em um canto, longe das demais pessoas e ele não demorou em chegar próximo à ela. Seu coração estava disparando e suas mãos suadas somente em estar perto dela, sentiu seu cheiro de flores e se sentiu vermelho.

– Nanami... – era realmente, seu rosto estava quente.

– Eu acredito em você, Ittoki-kun. – ela se inclinou. – Sei que aquele era Ichinose, que não era Hayato-sama. – ele olhou para os próprios pés. – Eles são diferentes, vendo assim.

– Acredita? – ele sorriu para ela e lhe pegou a mão. – Que ótimo, todo mundo acredita do contrario.

– Você conheceu mesmo Hayato-sama? – ela perguntou vermelha ao ver sua mão segurada.

– Bem... – soltou a mão dela e coçou a cabeça. – Conheci, mas não é o que pensam... Eu... Eu só não posso falar muito sobre isso.

– Tudo bem. – ela sorriu. – Eu acredito em você, não precisa falar nada. – com isso ele poderia jurar que ela era perfeita.

– UTA –

– Isso é fofo. – Reiji riu ao sair do quarto com Camus. – Acredita mesmo que eles estão juntos?

– Não exatamente. – Camus estava de braços olhando para frente. – É confuso, o garoto alega que ele e o Ichinose são amigos, mas aquela foto mostra algo diferente entre eles, e tem o caso do Hayato. As revistas mostram que é Hayato, e o Ittoki também disse que conheceu o Hayato... Porém não diz mais nada.

– Independente de quem seja isso é fofo. – Reiji continuou sorrindo.

– Se for Ichinose, isso não poderá ocorrer. Não é permiti relacionamentos entre...

– Alunos. – o menor entrou na frente de Camus, ainda sorrindo. – Nós sabemos, mas você beijou... – a boca de Reiji foi tampada.

– Não diga nada. – Camus olhou para os lados. – Ninguém poderá saber.

– Sei... – Reiji destampou a sua boca e ainda continuou sorrindo. – Estão juntos?

– O que?

– Você e Ai-Ai. – o sorriso de Reiji aumentava. – Estão juntos agora?

– Eu não sei o que quer dizer. – Camus virou o rosto.

– Tá bom, fingirei que acredito. – Reiji sorriu ao piscar um olho e se distanciou. – Vou para o clube, se encontrar o Ran-Ran por aí, diga a ele que estarei esperando ele lá. – correu acenando, deixando um aflito Camus para trás.

– UTA -

Ranmaru estava sentado próximo ao lago, estava pensando no que havia sentido, seu ciúme havia crescido consideravelmente depois de ter começado a namorar Reiji, não era algo que ele pudesse explicar, mas sabia que havia crescido.

Sentiu a brisa quente bagunçar seus cabelos, sentiu uma presença e ao virar viu Mikaze.

– Você se deu mal com Reiji. — disse se sentando ao lado dele. Ranmaru fez um tsc com a língua.

– Como sabe?- perguntou voltando a olhar para o reflexo do sol na água. Será que era tão previsível ao ponto de alguém saber de cara o que havia acontecido?

– Você é bem previsível – Ai disse olhando para um ponto qualquer. — Mas posso dizer que enxergo você além das suas mascaras porque te conheço há um tempo logo tem certo conhecimento sobre você. — disse não demonstrando expressão. — Sei que não deveria me meter, e nem me interesso, mas diga o que houve desta vez.

– Ah. — Ranmaru odiava este lado de seu amigo, mas enfim o aceitava, assim com suas palavras amargas. — As vezes Reiji se expõe demais e isso me deixa irritado. – falava baixo sentindo o olhar do menor sobre si. — Hoje ele se trocou na frente de Camus. Sei que somos amigos e que ele gosta de você, mas mesmo assim eu não gostei.

– Camus o viu? — perguntou baixo. — Iria te dizer o que está cansado de ouvir, peça desculpas. Mas é uma situação diferente, então o que posso te aconselhar é falar com ele. — disse voltando a olhar a água.

– Às vezes você parece humano Ai — disse sorrindo de lado.

– Eu posso dizer a mesma coisa. — respondeu sério.

– Espera aí, então eu sou o que para você? – Ranmaru perguntou levantando uma sobrancelha.

– Algum animal selvagem. — respondeu olhando o outro se irritar a cada minuto, mas não esperou que este pulasse nele. — Está me machucando.

Ao longe, Camus veio de braços cruzados. Pensava pelo fato que Reiji não acreditava que ele e Mikaze não estavam juntos. Era incrível que as vezes Reiji não deixava ser manipulado facilmente. Certo, mais uma coisa a ser resolvida na sua lista.

Agora ver como Mikaze estava era sua prioridade, aproveitaria o tempo restante com ele. Quando o viu ao longe com Ranmaru ele sorriu de lado e seguiu em direção a eles, porém o seu sorriso morreu ao ver Ranmaru pular no Mikaze e o prende-lo no chão. De longe não poderia saber o que estava havendo, mas seu peito afundou e o ciúmes cresceu.

– Kurosaki... – se aproximou correndo. – Mikaze. – parou e retirou Ranmaru sobre o outro. – O que pensa que está fazendo? – segurou a gola da roupa dele. – Não o toque desse jeito!

– Hey, calminha Camus. — disse Ranmaru em tom zombeteiro. — Não estou fazendo nada. Não é Ai? — disse piscando para o menor.

– Camus o que está fazendo? – Mikaze perguntou olhando a situação e arrumando a roupa. — Isso não é uma atitude de pessoas racionais, se não quiser ser igual a Ranmaru então não aja como ele. — disse ouvindo um ''ei'' do de cabelo cinza.

– Ele estava te machucando, Mikaze. – soltou Ranmaru e consertou as próprias roupas, respirando profundamente e arrumando o cabelo. – Mikaze não é alguém que deve sofrer esse tipo de agressão, Kurosaki. – olhou para o de cabelo platino. – Não o ataque desse jeito! – ordenou.

– Como quiser. — disse o olhando sério. Ele estava reclamando sendo que viu seu namorado semi nu, ele era muito idiota. — Tá, depois nós conversamos. — disse olhando para Mikaze, se afastando em seguida.

– Kurosaki. – Camus o chamou, com o volume um pouco mais intenso. – Kotobuki está esperando-te no clube de natação.

O outro apenas acenou com a cabeça e seguiu para o clube de natação só não esperava ficar mais irritado.

Camus olhou, vendo os passos e Ranmaru. O rapaz caminhava de forma medíocre. Céus, cogitava várias vezes o porque de ser amigo dele. Não tinha perfil, nem porte, muito menos classe. Andava de forma engraçado. Perfil incomum, não merecia colocar as mãos no Mikaze, que tinha classe.

– Afinal. – olhou para o menor, atento e sério. – Que liberdade ocorreu aqui, para Kurosaki ter a coragem de pular em você?

– Um assunto nosso. – Ai respondeu com sua voz habitual. — Por onde esteve já checou o que tinha que checar? — perguntou se direcionando para os dormitórios.

– Estava com Kotobuki. – seguiu Mikaze, o olhando atendo. – Contei sobre aqueles dois alunos, pois ele estava interessado. – estreitou os olhos. – Não vai me dizer mesmo o que vocês estavam falando?

– Não é do seu feitio ser curioso. — disse com uma voz séria. — Viu ele sem roupa, agora já pode assistir seus treinos. – disse. — Tenho que procurar minha roupa para natação. — avisou.

– Do que está falando? – Camus parou e o segurou. – Roupas, ver treinos? – o olhou. – Está falando do Kotobuki e eu?

– Se não entendeu não sou eu que vai te dizer. — disse serio andando a seu ritmo lento.

Passavam por um grupo de meninos animados, cochichavam entre si e sorriam.

– Senpai! – um deles chamou alto. — Mikaze senpai. — disse fazendo Ai o olhar. — Amanha você já estará nos supervisionando no clube certo? — perguntou.

– Após, as aulas logicamente estarei lá, senão não teria me inscrito. — respondeu frio seguindo seu caminho, e até fingiu não escutar um ''senpai gatinho''.

Camus estava com o rosto fechado, olhou para o grupo de garotos, com uma sobrancelha levantada e um olhar frio como aviso. Não poderia conter Mikaze a nada, sentia-se orgulhoso por o acharem lindo, mas ao mesmo tempo ciumento. Chamar Mikaze de “gatinho” foi uma falta de respeito e perigoso.

Sorte que conseguia se controlar. E se não se enganasse, aquele rapaz especifico deveria fazer parte do mesmo grupo de judô dele. Sua vingança seria consumada lá.

– Então você irá supervisioná-los? – perguntou voltando a olhar para Ai. – Sendo um membro novo do clube não seria diferente? Você sendo ensinado? – independente da forma que pensasse, ambas as opções eram ruins para ele.

– Sim, eu irei aprender com um senpai do terceiro ano, e irei supervisionar para que não façam nada de idiota como tentar brincadeiras na piscina. Somente isso. — disse adentrando o corredor. — Você já fez o que iria fazer? — perguntou.

– Não! Ainda estou cuidando de você! – essa era a sua tarefa naquele momento. Era domingo, ainda não tinha com o que estressas com os seus deveres, por mais que Mikaze possa questionar isso. – Quero passar meu tempo com você!

– Então quer fazer o que? — perguntou, ele iria responder algo curto como ''não sou criança'' , mas queria agir de um jeito mais afetivo com Camus.

– Nós poderíamos sair. – era a única ideia plausível, em imaginar os melhores lugares escondidos para o namoro, ele já tinha descoberto todos. Aparecia de repente para os alunos delatores e os encaminhavam para a direção. Então eram lugares que os demais conheciam. Tinha perigo de encontra-los. – Ou irmos para nosso quarto e aproveitarmos um tempo somente para nós.

– Acho melhor ficarmos por aqui, eu não tenho autorização de sair e você sabe disso. — disse baixo, em seguida foi indo para o quarto. – Vamos! — chamou.

Camus olhou para os lados, vendo que o corredor estava vazio. Era domingo, era uma boa oportunidade para fazer aquilo que estava pensando. Segurou a mão de Mikaze rapidamente e o puxou para atrás de uma coluna o prendendo lá. Olhou mais uma vez, se certificando que ninguém estava vindo e beijou Mikaze rapidamente, sorrindo ao levar as mãos até os cabelos macios e lhe beijar a testa.

– É mais torturante saber que posso tocar e não poder durante horas. – confessou o abraçando. – Tem um cheiro tão bom. – beijou o seu pescoço. – Estou com ciúmes, mas ao mesmo tempo feliz que você também chegou próximo dos ciúmes por mim. Isso quer dizer que se importa.

Não poderia dizer se Camus viu, mas o menor havia ruborizado levemente com o que o outro havia dito, se sentia muito bem quando o maior o beijava, nem sabia explicar o porque.

– C-camus, não se pode fazer isso aqui. Se vai me beijar, então devemos ir para o nosso quarto. — disse baixo, ainda com as bochechas rosadas, sentia um pequeno calor dentro de si.

– Sim. – Camus o encarou, os olhos atentos quando o seu polegar foi até as bochechas de Ai, o admirando. Ele se afastou e olhou para os lados, arrumando o cabelo ou se controlando. – Vamos, Mikaze. – sorriu mais. – Seu rosto está vermelho.

– Deve ser a temperatura — disse seguindo com o maior, se sentia tão estranho, não se lembrava se já havia se sentindo daquele jeito.

– Sei que é. – o sorriso de Camus era sarcástico, não acreditando na hipótese de temperatura para deixar Ai vermelho. Mikaze nunca tinha ficado vermelho daquele jeito com o calor. – Mikaze, você somente está envergonhado pelo o que ocorreu. Agora se foi pelo o que acabou de ocorrer ou pelo o que disse isso é um mistério para mim.

– Eu já disse que deve ser a temperatura. — disse ficando ainda mais vermelho. oO que estava acontecendo a final? Será que era mesmo por que Camus o estava deixando sem jeito?

– O clima está agradável hoje, Mikaze. – Camus voltou a se aproximar, mas antes que tocasse parou antes que chegasse a isso. – Não precisa disfarçar, você está constrangido. – o sorriso de Camus somente aumentava. – Eu fico tão feliz em conseguir emoções de você.

– Eu também. — disse olhando o loiro. Nunca pensou que se sentiria daquele jeito por alguém. — Agora vamos não quero ninguém bisbilhotando nossos atos.

– Meu coração disparou de repente. – Camus estava pasmo com as palavras de Mikaze, tanto quanto seu peito não aguentava seus batimentos rápidos e loucos como estavam. Eles eram jovens, plausível, mas não estavam acostumados com isso. Muito menos ele, escutando que Mikaze estava feliz com ele. Agora entendia como Ranmaru ficava com um olhar de tolo toda vez que via Reiji sorrindo de forma angelical. – Devemos ir para o quarto, quero muito... – abaixou o volume de voz. – Te beijar nesse momento.

Mikaze só confirmou com a cabeça e seguiu como o maior para seu dormitório.

Camus seguiu logo atrás de Mikaze. Seus olhos atentos aos movimentos do menor. Ele estava andando de maneira dura, um jeito robótico e nada convencional. Quando ele olhou direito, não conseguiu e levou a mão para tampar a boca que abriu com a surpresa. As pontas das orelhas de Ai estavam vermelhas.

Não conseguiu mais. Ele perdeu a compostura e correu, pegando a mão de Mikaze no processo e o puxou o mais rápido o possível. Correu e passou bem rápido por tudo. Quando chegou no quarto, ele puxou Mikaze para dentro e fechou a porta. O puxou novamente e o prensou contra a porta.

– É como se fosse um sonho, sermos namorados! – sussurrou ao mexer nos cabelos de Mikaze e os soltá-los. – É um sonho, te ver tão perto e te tocar. – beijou. – Sinto-me honrado por você está começando a sentir algo por mim! – beijou os lábios macios de Ai várias vezes e acariciou aquela parte carnuda, os abrindo levemente.

Ela fora de si, mas estava feliz, por isso beijou mais e mais. Prendeu Mikaze em um abraço para beijá-lo mais profundamente.

Notas finais
Nos desculpem mesmo pela demora. Queríamos analisar se tínhamos tirado todos os erros. hahaha Agradecemos muito quem nos acompanha, seus comentários são importantes e nos motivam a continuar. Deixem a sua opinião! ;) Beijos e até a próxima.