Notas iniciais
Maus a demora... Boa leitura!

As mãos eram grandes quando tocaram no rosto de Syo, contudo pesar do tamanho, eram delicadas e carinhosas. Traçaram cada canto do rosto e o sorriso do Natsuki somente aumentava.

Os dedos tocaram os lábios de Syo, seu coração verdadeiramente estava batendo muito rápido. Não era por Syo estar sentado em seu colo, ou por estarem com os rostos próximos.

Ele realmente estava muito nervoso.

Aproximou o rosto e lhe deu um pequeno selinho de primeira e se afastou um pouco, sorrindo com o coração a mil.

– Os lábios de Syo-chan são macios! – comentou.

Kurusu corou violentamente falando um “baka’’ constrangido.

Kurusu ainda mantinha os olhos fechados. Estava tremulo, não só por estar no colo de Natsuki, mas por ter sido beijado. Nunca havia parado para imaginar como poderia ser a sensação do primeiro beijo.

A sensação foi tão boa, podia imaginar diversas borboletas voando dentro de sua barriga e suas mãos suavam.

As pequenas carícias que Natsuki fazia em sua mão eram tão suaves, como sempre se preocupando no bem estar dele. Mesmo sentindo que poderia ter um tipo de ataque devido as batidas de seu coração, pousou a mão sobre o ombro de Shinomya e aproximou os lábios novamente.

Era tão doce quanto quem os possuía, nunca teve estes tipos de pensamento sobre alguém como tinha por Natsuki.

– Me beija de novo... Na-chan! — pediu Syo com a voz fraca sentindo calafrios com a respiração quente do outro.

– Syo-chan...

O sussurro morreu quando Natsuki voltou a se aproximar, pressionando novamente os lábios. Dessa vez ele levou mais alguns segundos, sentindo-se cada vez mais quente.

Não soube definir quem abriu primeiro os lábios, mas lentamente as línguas deles estavam se tocando. Natsuki apertou Syo em seus braços na hora, ao sentir um choque em sua espinha. Estava sentindo-se diferente ao fazer aquilo com a língua.

Sentindo a língua do Syo. Quente, úmido e contra a sua. Algo surreal, sentir os cabelos dourados em sua mão, o corpo de Syo contra o dele e o calor dos lábios também.

Quando não mais pôde respirar, se afastou lentamente e puxavou o ar com força. Syo tentava puxar o ar lentamente. Aquela foi uma sensação ainda melhor que a anterior, acabou por abraçar Natsuki forte para esconder seu nervosismo.

– Na... Natsuki, eu... Amo você. — sussurrou com certa dificuldade apertando o maior com sua pouca força. — Amo você!

– Também amo Syo-chan! – Natsuki estava muito feliz, apesar que era nova essa sensação quente que sentia no corpo. Não queria soltar Syo, queria estar abraçadinho assim pra sempre. Por isso o puxou para se deitarem abraçados e acalmar Syo, que estava tremulo. – Quero beijar você de novo, posso?

– Baaka... É claro que pode... Somos namorados, não somos? — disse baixo em tom brincalhão. Sorriu ao sentir as pernas de Shinomya se enroscar com as suas.

– A língua do Syo-chan é tão macia... – o maior sorriu voltando a beijar Syo, dessa vez com mais vontade agora que tinha aprendido como era feito. Syo sentiu as pernas enfraquecerem, mas não deixou de dar um leve tapa nas costas do maior por deixa-lo tão molinho.

– UTA -

Tokiya estava sentado organizando as coisas que havia trazido por ultimo em sua mala. Até que o quarto parecia ser confortável, as cores lhe agradavam, eram em tons levemente quentes, gostava de tons quentes por contrastar com sua personalidade que muitos a julgavam fria.

Abriu uma caixa cheia de livros que havia ganhado por fãs, inclusive não só livros como outras coisas também.

Mas algo no local o perturbava demais, a metade de Otoya que estava completamente bagunçada. Varias caixas escritas “mangás” e “CDs”, e era bem o tipo que ele imagina de Otoya, uma criança bem animada que curtia o mundo mais surreal da vida. Nem percebeu que aquilo lhe havia roubado um sorriso de canto, o que era bem difícil de acontecer realmente. Otoya iria lhe causar algumas mudanças e aquilo lhe assustava.

Balançou a cabeça, mas só acordou com uma mensagem de seu produtor. Girou os olhos pensando que iria voltar a sua rotina louca. Passou a mãos nos cabelos fazendo que os fios que estavam em perfeita ordem ficassem um pouco bagunçados. Sentou próximo a cama encostando as costas na mesma.

Um estrondo e a porta foi aberta batendo contra a parede. A pessoa estava ofegante e feliz demais. Aquele raio de sol vermelho lhe ofuscando com intensidade. Era Otoya, estava totalmente feliz e vermelho. Quando ele parou para olhar para Tokiya, seu sorriso aumentou ainda mais e ele correu para o lado de Tokiya, colocando as mãos nos joelhos e olhando as coisas do colega de quarto.

– Neah, Tokiya-kun... – olhou para o colega. – Que coisas legais que você tem.

– Já chegou... Ittoki, por favor, não faça demasiado barulho, sim!? — disse olhando para o ruivo, ele realmente iria muda-lo com toda aquela alegria. — Não acha que deveria arrumar suas coisas? – sugeriu em tom autoritário. Era tão barulhento, intrometido e irritante que chegava a ser indiscreto e bagunceiro, mas algo nele lhe agradava por isso permanecia calmo sem ser rude.

– Minhas coisas? – Otoya olhou para trás e fez uma carinha depressiva. Ele tinha que arrumar tudo aquilo, mas eram tantas as coisas que tinha ficado com preguiça. Ele se sentou no chão ao lado do amigo, também encostando as costas na cama de Tokiya. – Tokiyaaaaa... – ele fez bico. – Eu arrumo depois, é rapidinho... – encostou a cabeça no ombro de Tokiya e continuou sorrindo levemente. – Você tem um monte de livros.

Tokiya havia ficado paralisado com aquela ação de Otoya.

–Tenho muitos livros que vão além da sua capacidade de entendimento, por isso não vou lhe mostrar. Não quero ver você frustrado por não conseguir me acompanhar. — disse sentindo um mínimo de calor humano por sentir Otoya tão perto. – Eu acho que vou dar uma volta enquanto você se organiza. – avisou se afastando e se levantando, fugindo do contato.

– Neah, Tokiya-kun... – Otoya ainda o olhou do chão, os olhos vermelhos maiores e curiosos. – Nós nem passamos um tempo juntos. – levantou-se do chão, mas acabou por sentar na cama de Tokiya sem preocupação. – Vamos passar um tempo juntos. – sorriu para o colega e juntou as mãozinhas na frente do rosto. – Fica aqui um pouquinho, vamos nos conhecer... Eu te mostro minha coleção de mangás! – ele somente estava fazendo isso porque queria que eles fossem amigos, ele tinha notado que toda vez que estavam próximos, Tokiya dizia que tinha algo para fazer.

Otoya estava sentindo que provavelmente estava incomodando. Ele só queria que eles fossem amigos.

Tokiya olhou o ruivo considerando a ideia de passar um tempo com ele.

– Eu... Vem! Sei que não tenho obrigação, mas vou te levar para conhecer a escola. — disse passando a mão na nuca, talvez não seria uma má ideia gastar um tempo com o ruivo. – Você é muito transparente, Ittoki. — falou – Deveria procurar reter suas emoções! Depois se quiser eu te ajudo a arrumar. – não, ele não era bonzinho, mas sabia que se Otoya fosse fazer sozinho levaria horas e só a respiração de Otoya já era muito barulhenta.

– Obrigado... – Otoya se levantou mais contente do que nunca. Estava feliz com a aceitação de Tokiya. Jamais quis ser inconveniente. – Você não está cansado? Pode me mostrar a escolar mais tarde se quiser.

– Não! Não terei outra oportunidade. –Tokiya falou ficando já sem paciência, mas contou mentalmente até dez. – Se não vier irei só! – disse serio já se encaminhado até a porta.

– Eu vou... – Otoya se assustou com as palavras do outro. Era um pouco assustador. Jamais teve que lidar com uma pessoa que era assim, sem paciência. Ele sempre lidou com pessoas espontâneas. Mas tudo bem, ele adorava conhecer pessoas diferentes. – Me espere.

Correu até seu lado do quarto, pegou seu fone de ouvido, o colocando pendurado no pescoço e correu para a porta. Olhando para trás e sorrindo para Tokiya, este fitou o ruivo por alguns segundos, mas balançou a cabeça e o acompanhou, voltando sua expressão séria.

Ao final do dia, depois que todos se alocaram em seus quartos, alguns ainda conheciam a escola e outros conheciam os outros colegas. Ren estava no jardim da escola, olhando o céu e assobiando uma canção conhecida para ele.

Sozinho, sentado na grama. Apesar de que gostava de belas companhias ao seu lado, a atenção e risos, ele gostava também desse tempo sozinho. Tempo bom para pensar.

Agora seus pensamentos viajavam para Masato, e nesse momento não continha o sorriso.

Uma pessoa que não via há anos. Alguém que conheceu em uma festa, que logo após se tornou seu melhor amigo na infância. Era considerado tão lindo, chegava até mesmo a invejar aquele menino.

Sempre recebendo a atenção do pai, o primogênito da família, enquanto ele era praticamente esquecido pelo pai. Mesmo assim, apesar de tanto rancor, quando conheceu Masato e escutou as palavras dele, se sentiu muito bem.

Por isso se tornaram amigos.

Ren o valorizava tanto. Era a pessoa mais preciosa para ele naquela época. Cuidava de sua saúde frágil, quando soube que Masato era propenso a isso. Passava horas o olhando, independente o que fosse. Gostava de olhá-lo ler. Apesar de muito novo, ele lia com uma presença e perfeição. A voz aveludada, silabando cada palavra, enquanto a língua vermelha e pequena lambia as pontas dos dedos finos e virava a página do livro.

Era uma obra de arte.

Ele nunca escondeu isso. Quando Masato o olhava e ficava vermelho por alguma razão, era uma graça.

Era interessante olhá-lo usar aquele kimono. Combinava com ele perfeitamente. Enquanto ele usava roupas informais, Masato o recebia tão tradicional. Achava-o belo, sentado com postura servindo o chá tradicional. A achava-o fofo quando ele tinha que tomar leite.

Divertiam-se rindo.

Quando Masato o tocava era outra sensação. Ficava minutos calado, o encarando e olhava para aquelas mãos pequenas.

Mãos de pianista.

Mãos que precisavam ser cuidadas. Como lembrou antes, quando as tocou depois de anos. Era outra sensação, a macieis e a delicadeza. Eram horas perdidas olhando Masato tocar piano. Não se importava quando o outro lhe questionava, simplesmente dava de ombros e dizia que gostava de vê-lo tocar.

Mais uma vez Masato era bom no que fazia. Tão pequeno, mas maduro e firme ao tocar. Quando ele fechava os olhos e os cílios azuis contrastavam com a pele pálida, a concentração tomando conta do rosto pequeno, a respiração profunda, e as mãos trabalhando sobre as teclas, Ren descobria que era a melhor coisa do mundo olhá-lo tocar.

Foi desesperador ver Masato furar o dedo com um espinho, achou que nunca mais o veria tocar piano. Tão infantil na época, porém cuidou dele. E nunca mais esqueceu o sorriso que o Masato lhe deu quando o curativo estava pronto.

Mas não podia negar, nunca pôde, que amava vê-lo tocar.

Estava pensando demais. Teria que descansar. Levantou-se do chão e seguiu para o dormitório, ainda olhando para o céu. As estrelas estavam belas hoje, de algum modo eram nostálgicas. Ele poderia olhar para trás e se ver deitado na grama quando criança.

Masato e ele, olhando para as estrelas, não se preocupando com os problemas, os deveres e obrigações. Eles eram eles mesmos, sem status ou nome de família para honrar. Sem preocupações ou algo parecido.

Aquele era somente o momento deles. Mais necessariamente o momento dele. Segurando as mãos, ele assobiando. Era extremamente bom e tranquilizante. Assim como era bom de dia, olhar as nuvens, ver cada imagem, imaginar e olhar para o lado e ver o sorriso tímido de Masato.

Era engraçado pensar que eles eram diferentes demais, mas se davam tão bem juntos. Até o momento que Ranmaru estragava tudo e o roubava quando aparecia. Era o momento de ver, com ódio, seu amigo de roupa tradicional ser roubado bem diante de seus olhos.

Ódio.

Quando abriu a porta do seu quarto, lentamente, se surpreendeu ao encontrar Masato sentado no futon e lendo um livro. Parou na porta, encostado no batente e olhando para o colega.

Kimono! Masato estava usando um Kimono. Diferente de quando eram crianças, Masato não estava exatamente fofo, estava atraente. Novamente era muito pano cobrindo algo que era muito belo. Não compreendia muito bem da onde veio essa atração repentina pelo Masato.

Essa atração nunca existiu.

Mas no momento que entrou naquele quarto, ele o viu trocar de roupa, ele se sentiu quente.

Quente para alguém que foi amigo de infância.

– Ainda gosta de usar Kimono? – perguntou, colocando as mãos no bolso e olhando para as costas do outro atentamente.

Masato desconcentrou-se por um segundo ao ouvir a voz de Jinguji. Jinguji Ren, seu ex-melhor amigo.

"Masato estava tocando uma nova canção no piano quando sentiu uma essência que conhecia muito bem, por isso parou de tocar e se virou para olhar a pessoa com um sorriso.

– Não precisa parar de tocar... — disse o pequeno Jinguji com um lindo sorriso. — Adoro ver você tocando me traz paz. — falou.

Aquilo enchia Hijirikawa de vida. Logo voltava a tocar e podia perceber o olhar de Ren sobre si, isto trazia certa segurança.”

Jinguji foi o maior dos presentes que recebeu na vida, sempre o fazendo esquecer o motivo que nasceu. O loiro o levava para os lugares mais lindos, e podia dizer que os momentos mais belos de sua vida foram com ele. Mas toda vez que o lindo sorriso de Ren o deixava a escuridão voltava a assombra-lo. Seu chichi¹.

Era algo que o pai de Hijirikawa sempre falava com o filho, sobre Masato ser seu herdeiro, alguém que só foi feito para negócios. Era sempre um pesadelo estar perto do pai, este nunca se preocupou com sequer os pequenos desejos do filho, nunca o levou para passear, nem o colocava para dormir.

Ren era seu escape, sua fuga para a vida.

Era uma visão bela que sempre tinha quando Jinguji Ren vinha lhe visitar, sempre trazendo os mais belos sorrisos de Hijirikawa. Era simples, pois a visita de Jinguji era como uma luz que sempre lembrava Masato que ele poderia ser feliz.

Uma vez saíram para ver as estrelas. Foi um dos passeios mais belos, pois foram para uma clareira em um bosque perto da casa de Jinguji, este levou alguns sanduiches e suco.

“Ren deixou as coisas perto de uma arvore e depois sorriu para Hijirikawa dizendo que ele teria surpresa então se aproximou e foi tapando os olhos de Masato com a mão, este protestou, mas deixou ser conduzido, mas quando Ren parou de andar ficou um pouco agitado, porém Ren sussurrou em seu ouvido que estava tudo bem.

As mãos de Jinguji foram removidas dos olhos de Hijirikawa, este levou alguns segundos para acostumar à visão, mas ao recupera-la abriu a boca em surpresa, era o lugar mais lindo que havia ido com Ren.

Estavam próximos a um riacho, dava para ver o céu perfeitamente, as flores enfeitando a borda, sapos coaxavam, e podia ouvir corujas também. Ren havia o virado gentilmente segurando suas mãos, era algo que nunca entendeu, Ren adorava segurá-las, e então apontou para um local, e de lá saíram vários vagalumes que deixava a cena ainda mais bela, mas nada era comparado com o lindo brilho azul que eram os olhos de Ren, naquele momento Masato se deu conta que queria dividir todos os momentos de sua vida com Ren.

Hijirikawa havia corado ao receber o olhar de Ren, sem perceber sorriu ao loiro e disse um ‘’arigatou’’ sim ele agradecia Ren por ser seu amigo, por estar com ele sempre quando precisava, por afastar seus medos, por escuta-lo. Por tudo de belo em sua vida.

Então havia decidido casar com Ren quando crescesse, por isso iria escrever uma carta colocando tudo que sentia em palavras.”

Descobriu que amava seu melhor amigo. Mas seu amor foi interrompido por seu pai, então decidiu esquecer, fora forçado a esquecer a melhor parte de sua vida.

Masato balançou a cabeça afastando algumas memórias inconvenientes, fechou o livro e se deitou ignorando a presença de Jinguji, não valeria mais a pena pensar no passado.

Ren ficou sério por poucos segundos, mas voltou a sorrir. Ele não tinha o costume de ficar estressado. Isso era desconfortável e atrapalhava e muito. Era natural o silencio de Masato. Era estranho dizer isso, mas estava acostumado.

Entre eles dois, Ren era o que mais falava.

Sorriu ao fechar a porta, por um instante pensou e trancou-a com o sorriso aumentando cada vez mais. Hijirikawa devia a ele. Uma explicação, mas devia.

Tirou a gravada e a jogou sobre a sua própria cama, desabotoou a camisa, sentindo o calor do quarto e voltou a olhar para Masato.

Não importava se era Kimono, hanfu ou qualquer outra peça da tradição oriental, Masato ficava magnífico nela. Agora dava uma vontade enorme de puxar aquela peça, porque se lembrou que ninguém usava nada debaixo de kimono.

Imaginou-se tocando a pele imaculada.

Chegava a salivar.

Andou lentamente até o futon de Masato, sentou-se nela e colocou a mão sobre a cintura fina do outro. Firme para segurar. Aproximou o rosto, o cabelo roçando de leve a outra pele.

– Não quer falar comigo, Hijirikawa? – sussurrou, aproximando mais. – Lembre-se que me deve uma explicação. – tudo que recebeu foi o silencio de Masato. Isso foi muito irritante, mas ele não diminuiu o sorriso. – Sabe, sempre gostei de vê-lo vestido de kimono. – olhou para a própria mão sobre aquela cintura.

O tecido macio, não deixando a desejar quando tocava. Típico de um garoto riquinho, ele poderia dizer. O melhor material, o mais tentador a ser tocado.

Quando crianças ficava horas encarando Masato vestido com o kimono.

Uma boneca japonesa.

Quando dormiam juntos, fazia questão de tocar o tecido e dormir bem próximo, sentindo a maciez e o cheiro bom que tinha. Agora, depois de muito tempo, ele podia tocar mais uma vez. Por mais que Masato estivesse fingindo que estava dormindo ou que sua existência nada o atrapalhava.

Agora gostava duplamente de tocar naquele kimono. Principalmente quando sua mão desceu da cintura para os quadris acariciando com o polegar a textura. Aproximou-se mais, usando os próprios pés para tirarem o seu calçado. O sorriso nunca morrendo, e um calor interno subindo ao sentir cada vez mais o tecido sobre a pele em baixo.

– Fico a imaginar... – continuou, ao se deitar atrás de Masato, descendo lentamente a mão até sentir que realmente Masato somente estava usando o kimono e subiu a mão, voltando até a cintura, mas não conseguiu parar até seguir até as costelas. – Se está usando algo... – sussurrou ainda mais, encostando a virilha e sua semi ereção na bunda de Masato enquanto a boca se aproximava da orelha. -... Por debaixo.

Aquilo causando-lhe calafrios.

Por pouco segundos Masato congelou, se apavorou com aquilo e por impulso se afastou se desequilibrando, sentiu o corpo tremer, passou a recuperar a respiração que fora perdida com os toques de Ren. Quem ele achava que era para fazer aquilo? Sim perdeu a postura, pois mostrava a Ren o quanto perturbado estava, passou a mão nos fios recentemente desalinhados.

– O-oque acha que esta fazendo Jinguji? Não te dei permissão para me tocar! — disse rude sem poder conter a ruborização do rosto e os batimentos descontrolados. — Saia daqui!

O que foi aquilo? Ren estava estranho, fazer aquilo o deixando perturbado e o fazendo perder a postura. Se enrolou com uma coberta, pois sentia-se invadido pelo olhar do outro.

– Oras, Hijirikawa... – Ren riu levemente, jogando a cabeça para trás, gargalhando. Ele colocou uma mão para apoiar a cabeça e se deitou mostrando todo o peito com a camisa aberta. – Só estava matando a saudade da nossa infância, não se lembra de que dormíamos juntos? – esticou a mão, tocando um pouco no cobertor, achando cada vez mais adorável como Masato estava constrangido. – Venha, deite-se aqui...

Masato arregalou os olhos por um instante com o convite absurdo de Jinguji.

– Jamais! Nunca mais seremos daquele jeito. Eu já me acostumei, faça o mesmo! — disse se arrastando no chão para evitar contato com Jinguji e do sorriso lindo que tanto amou quando menor. — Vá para sua cama e não me perturbe mais, entendido?

Seu peito ainda subia e descia com a emoção do contato, mas sabia que teria que se controlar, então fechou os olhos e procurou manter a respiração controlada.

O brilho estava lá e sabia que o estava encarando o lindo brilho azul.

Aquilo era uma tentação para Ren. Ele se sentou sobre o futon, olhando Masato sentado no chão, encolhido com o cobertor e totalmente vermelho. Ele engoliu seco ao sentir seu membro inferior vibrar.

Ele realmente desejava Masato que chagava a doer.

Quando mais jovem tudo que queria era proteger e abraçar Masato, mas agora também queria o ter por completo. E se Masato não tivesse se distanciado? Se eles tivessem continuados juntos? Eles teriam algo? Ele estaria o desejando tão ardentemente como estava desejando agora?

Não poderia negar que o sentimento naquela época já era forte.

Por isso a saudade.

E agora Masato falava tudo aquilo tão facilmente como se tudo o que tiveram juntos fosse nada.

– Eu senti a sua falta. – arrastou-se no chão lentamente, olhando o rosto perfeito perturbado e com os olhos fechados. – Fiquei desesperado atrás de você, e você não me respondia. Nenhuma das minhas cartas... – parou próximo, segurando o cobertor, notando como Masato estava tremulo. Ele estava abalado, ele provavelmente deveria saber o que estava se passando com ele. Por isso o segurou e lentamente o trouxe próximo de si. – Mate a saudade comigo... – pedia, parecia implorar, ao abrir um pouco da coberta do outro e pegava a mão delicada a beijando. – Venha!

Masato segurava a louca vontade de chorar, não faria isso na frente de Ren, não poderia se mostrar vulnerável. Daquele jeito ele havia crescido, havia tentado superar a perda de Jinguji já estava até esquecendo até este momento, quando sentiu a mão ser beijada tão delicadamente. Não pode suprimir as lembranças que agora rodavam em sua mente.

Abaixou a cabeça se sentindo fraco a cada momento, ele não poderia ficar junto a Ren, tudo foi ao ralo quando seu pai disse que a vida dele já havia sido determinada. Nunca se casaria com Ren como desejou quando criança.

Contudo teria que ser forte, pois aquele desejo não passava de uma mera lembrança. Abriu os olhos lentamente e fitou Ren por uns segundos antes de puxar a mão bruscamente e se levantar, cambaleou um pouco, mas se segurou na parede.

– Já disse, esqueça isso de uma vez, Jinguji! — pediu indo em direção a porta, já ia abrir a boca para avisar que tomaria um ar, mas não devia satisfações a Jinguji por isso destrancou a porta, ajeitando o Kimono antes de sair. “Não dá mais para ficarmos juntos, me perdoe.’’ – Não posso matar algo que nunca senti. – mentiu, e com isso saiu do dormitório sentindo o rosto esquentar.

Dentro do quarto, Ren fechou as mãos em punhos contendo a raiva que sentiu. Após contar até dez, ele se levantou e seguiu até a porta, pouco se importando se alguém o visse assim, de camisa aberta. Agora seu peito doía, era uma dor insuportável. E tudo porque Masato disse que nunca sentiu falta.

Masato nunca sentiu falta, enquanto ele passava horas, dias e meses de sua vida perguntando se tinha feito algo errado que os separaram. Ele tinha perdido alguém que foi tão importante como a sua mãe.

Doeu, assim como doeu quando perdeu a sua mãe.

Agora tudo não teve um significado para Masato. Mas como? Colocaria isso a limpo. Jamais Masato ficaria tão abalado se tudo o que tiveram foi nada.

Por isso corria pelo corredor. Ele queria colocar tudo a limpo com o Masato, as palavras, os acontecimentos. Tudo. Ele queria pegar Masato, falar com ele, beijá-lo e o carregar para aquele quarto para provar a quem Masato ficaria. Mostrar o quanto sentiu falta.

Queria monopoliza-lo somente para si.

– Hijirikawa! – chamou chegando ao jardim ofegante e olhando para todas as direções. Até encontrar Masato distante no jardim, pertos das flores. – MASATO! – gritou não se controlando e perdendo a pose, ao notar o que tinha feito, ele respirou fundo e se acalmou. Assim conseguiu andar até o outro.

Masato limpou os olhos rapidamente apagando qualquer resquício de lagrimas então se levantou e olhou Ren se aproximando. Se espantou Ren havia perdido a compostura.

– Vai embora Jinguji, já disse para esquecer. Me deixe em paz! — disse segurando as lagrimas teimosas que insistiam em cair. — Fique longe de mim. – pediu se contendo, assim como voltando a postura seria e centrada.

Era duro demais mentir para ele, para a pessoa que amou, que desejou por tanto tempo, ate queria que Ren o sequestrasse e o levasse para longe mais isso foi antes. Agora ele teria que aceitar que tinha responsabilidades e que não nascera para amar ou ser amado, mas para ser substituto e aquilo doía, pois aquilo lhe impedia de sonhar.

– Você chorou... – Ren não conteve a surpresa e o sorriso que surgiu nos lábios.

Ele compreendia que tinha algo errado com Masato, ele não choraria por nada. Nem por algo que ele disse que não sentiu. Agora mais do que nunca, a pessoa que se parecia com boneca japonesa era bela. Os olhos mais brilhantes do que nunca, os cílios brilhando com a luz do luar, o rosto vermelho assim como os olhos úmidos.

A vontade de beijar crescia e ele não conseguia se controlar. Passos lentos, o cabelo loiro voando com o vento, os olhos fixos sobre Masato. De longe aquele kimono parecia Yakata, mas era realmente um quimono. Algo que Ren queria puxar para o lado e morder a pele do pescoço. Ou simplesmente beijar.

Ao chegar perto ele não queria que o outro fugisse como fez no quarto, segurou a cintura de Masato firme, trazendo-o para perto e o abraçando. Fechou os olhos, sorrindo quando teve a certeza que a cintura de Masato era realmente fina em suas mãos.

– Não diga que não foi nada... – pediu sorrindo e sussurrando, encostando a cabeça nos ombros de Masato, e fechando os olhos para não perder o cotrole. – Quando pra mim foi tudo!

– ... O que quer que eu faça? Não posso mudar o que aconteceu. — disse em tom baixo, sentindo o corpo amolecer nos braços de Ren.

Não sabia dizer o porquê de não conseguir se separar de Ren, talvez o brilho dos olhos ou a sensação de segurança. Era tão bom que estava com receio de ser apenas uma ilusão. Mas era passageiro não poderia se enganar jamais poderia ficar com ele.

O causador de toda sua felicidade.

– Jin... Ren, por favor me deixa, eu não posso ficar com você. — disse em tom baixo, sentindo as mãos de Jinguji fazer pequenas caricias em sua cintura. As mãos protetoras. — eu já tenho um destino e ele não tem você incluído, lamento. – disse se afastando de Ren. Sem coragem de olhar nos olhos deste. “Para mim foi tudo... Eu digo o mesmo. Me perdoe” — Não da para ser. Será que não entende eu estou em outra?

Nem acreditou que Ren estava o querendo, era difícil demais, para acreditar quando Ren tinha a reputação de pegador.

– Não ma faça rir! – Ren estava muito irritado e sentindo uma dor insuportável no peito. Ele tentava sorrir, apesar de ser um sorriso baixo, e passou a mão pelo cabelo para ocultar o nervosismo. Ele jamais foi rejeitado na vida. Garotas de todas as formas caiam em sua graça, assim como os poucos rapazes que chegou a se deitar. Mas jamais quis tanto alguém como agora. – Não me venha dizer que é Ranmaru, pelo o que percebi vocês não se veem há um tempo também. – levantou o olhar e afundou-se nos olhos de Masato. Levantou uma mão, tocando em seu pescoço e a outra foi até a cintura, voltando a lhe trazer de volta. – Eu provo que sou melhor que ele.

Masato tremeu um pouco ao voltar a sentir o toque de Ren, mas foi magoado por ouvir aquilo, Ren era orgulhoso demais para entender que Masato não era essas meninas que ele pegava, brincava e depois a esquecia.

– Você não sabe o que eu passei e não tenho intenção de contar. Você não entende japonês? Eu disse que não tem como nós dois ficarmos juntos, já se esqueceu do por que eu nasci? — disse fitando o brilho azul a sua frente. — Não quero provas, agora por favor esqueça o que tivemos. — disse descendo o olhar para as orelhas de Ren, ele havia furado. — Me solte! — mandou

– Eu não posso esquecer!

Ren parou e até ele mesmo ficou surpreso com a voz firme que teve. Colocar em palavras que jamais esqueceu e que sentia falta era difícil demais para alguém que estava escutando seu ex-melhor amigo dizer que aquilo foi nada e pedia para esquecer.

– Eu não consigo esquecer, por mais que eu tente... – ele sorriu triste, acariciando o pescoço, do modo que tinha imaginado. A pele realmente macia em seus dedos, formigando e o aquecendo. Subiu os dedos delicadamente, com medo de quebrar. – Eu tentei, eu juro que tentei, mas não conseguia te esquecer. E você sumiu... – tocou a maçã do rosto, achando tudo lindo, incluindo aquela pinta no rosto. Por isso beijou aquele canto, enquanto sua outra mão descia e pegava a mão de Masato. – Sentia tanto a sua falta, de te ver, de te tocar. – voltou a beijar os dedos das mãos, primeiro nas pontas e depois descendo para os nós dos dedos.

Masato arregalou os olhos então Ren jinguji não conseguia esquecer, ficou aliviado, pois pensou que só ele se sentia daquele jeito, como se todo o sentimento fosse engoli-lo a qualquer momento. Tinha horas que até ele não conseguia resistir e se pegava imaginando como seria se estivesse com Ren, todo este longo período.

Sentiu o calor do corpo de Jinguji e fechou os olhos quando sentiu seus dedos serem beijados, porque Jinguji era tão delicado ao tocá-lo, nunca imaginou o quão bom seria isso.

– Ren.... -disse em um tom baixo sentindo o rosto esquentar novamente. — Eu não posso, por favor não faz assim! – pediu abaixando o rosto.

Ren o olhou e tocou de leve o seu queixo, o levantando. Seu olhar era firme e penetrante. Ele não desviava o olhar e não parecia perturbado ao fazer aquilo. Lamber as pontas dos dedos de Masato com um sorriso sem igual. Ele não aguentou ver Masato assim, tão vulnerável.

Continuou a segurar a sua mão, só que ao invés de beijar os dedos ele beijou o pescoço. Beijos leves e macios, subindo e descendo naquela pele. O cheiro de Hijirikawa o dominando, consumindo a sua ordem mental.

– Por favor, não diga que não pode... – falou bem próximo, o halito quente atingindo a pele que se arrepiava. – Senti tanta falta de te tocar, me toque também... – pedia ao levar uma das mãos de Masato até o seu cabelo, assim retornando aos beijos no pescoço de Masato. Beijos, estes, que subiam pela garganta e chegavam até o queixo.

Hijirikawa estava hipnotizado não conseguia se mexer, muito menos se concentrar, os olhos de Ren brilhavam mais do que tudo, o que causava fraqueza nas pernas assim como não conseguia evitar os pequenos gemidos que saiam de sua boca com espontaneidade, malditos que entregavam que ele estava apreciando aquilo.

Sentia seu corpo chamar o do outro, era tão errado, estava indo contra sua própria vontade, porém não era algo que ele pudesse segurar já que Jinguji estava praticamente o enfeitiçando com aqueles toques e palavras. Sua mão estava onde Ren havia deixado, mas não teve coragem de tocá-lo então ela acabou caindo molemente ao lado do corpo. Não conseguiria retribuir.

– Jinguji, por quê? Por que não para com isso? — perguntou em tom baixo fechando os olhos.

Por quê?

Era essa a pergunta que Masato queria fazer? Se ao menos soubesse a resposta, era o que Ren pensava.

Anos sem se verem, ele tinha sobrevivido. Enterrado lá no fundo todas as dores que sentiu com o abandono. Por mais que teve tudo na vida, dinheiro, a fama que o seu nome lhe propusera, ficar sem Masato foi doloroso.

A solidão lhe consumiu e ele guardou rancor.

Ele queria tanto esquecer, saía, conhecia novas pessoas, mas todas sem graça. Nenhuma com as mãos macias, nenhuma com o sorriso lindo que poderia passar horas olhando. Nenhuma pessoa lhe fez sentir essa necessidade de cuidar.

Mesmo quando beijou pela primeira vez, quem veio em sua mente foi Masato.

– Por quê? – sussurrou contra a garganta, ambas as mãos viajando até o rosto de Masato, olhando-o nos olhos, os dedos acariciando os lábios, sentindo uma maciez sem igual. Apertou o inferior e seu coração ficou apertado no peito ao pensar que teria sido bem melhor que seu primeiro beijo tivesse sido com Masato. – Por que senti sua falta... – ele abaixou o olhar novamente para os lábios, o polegar puxando levemente o lábio, deixando uma abertura perfeita. – Por que eu quase enlouqueci sem te ver... – ele não conseguia segurar as palavras, mesmo quando tentava morder a língua pra que nada saíssem. – Por favor... – ele estava prestes a se bater por implorar, ele nunca implorou a ninguém. Aproximou lentamente, pegando agora ambas as mãos de Masato e levando até seus cabelos. – Preciso que me toque... – sussurrou contra os lábios que tanto estava desejando no momento.

Ou sempre desejou e nunca percebeu.

E não aguentou em morder de leve o lábio inferior de masato.

Hijirikawa não conseguia resistir mais, não com aquele pedido vindo de Ren. Era quase como um anjo pedindo.

Perfeito. Jinguji era perfeito.

Estava sem ar sem reação. Tomou coragem e passou a fitar o lindo céu infinito, os belos olhos de Jinguji. Talvez ele nunca soubesse, mas sempre quando olhavam as estrelas ele se sentava para poder desviar a atenção do céu para os olhos de Jinguji. Sempre achou lindo.

Agora estava surpreso com a atitude do outro ele estava pedindo para tocá-lo, era tão complicado. Sempre imaginou os dois em uma cena como aquela. Mesmo com suas mãos tremulas as sustentou no mesmo local onde Ren havia deixado.

Tão sedoso. Aos poucos adentrou os dedos finos nos fios dourados de Jinguji. Parecia surreal. Quando suas mãos estavam cobertas com aqueles belos fios dourados, ele parou por um breve momento, até que voltou a mexer fazendo pequenos círculos com as pontas dos dedos.

Sentia seu coração disparar mais forte.

Seus olhos se encheram de água. Um sonho.

–... R-Ren... Eu nunca fiz. — disse abaixando o olhar, não conseguiria mais voltar atrás estava completamente entregue. — Por favor, me perdoe!

Ren fechou os olhos lentamente, engolindo seco e a felicidade que jamais sentiu tanto na sua vida, somente quando escutou aquela música que sua mãe havia feito para ele. Olhar o Hijirikawa com aquela feição, com aqueles olhos cheios de água, sentir as caricias tremulas em seu cabelo.

A melhor sensação do mundo.

E agora se sentia maravilhosamente bem em saber que Masato nunca tinha beijado.

Ninguém nunca o tocou. Era dele por completo.

Voltou a abrir os olhos, o coração parando uma batida ao voltar a ver o rosto de Masato tão vivo, tão perto. Mostrando tantos sentimentos. Descobriu que não foi somente saudade que sentiu. Ele sentiu algo que não poderia decifrar, mas era tão forte que desejava que o tempo parace e que eles ficassem assim.

A melhor visão do mundo.

Assim como era ver Masato tocar piano e sorrir.

Uma obra de arte. Uma obra que agora o tocava. E ele queria tocar também. Afagou a cintura, ficando colados. Dessa vez o abraçou, adorando ser tocado por Masato. Beijou o rosto mais uma vez sussurrando que Masato não deveria pedir perdão.

– Você é lindo... – as palavras transbordavam em sua boca, ao beijar o rosto e seguir para os lábios, beijando o canto dos lábios de leve. – Eu te quero... – beijou mais uma vez o canto, não querendo assustar, tocou com seus próprios lábios superficialmente os lábios de Masato.

Macios, perfeitos. Respirava contra eles, tentando manter o controle, apesar que apertava Masato contra si. Pressionou mais uma vez e voltou a mordê-los de leve, dessa vez os provocando ao puxar. Quando se deu conta, sua língua passou por eles lentamente, provando um sabor sem igual, enlouquecedor.

Ele queria tudo.

Por isso que quando voltou a pressionar os lábios, ele pediu passagem com a língua.

Hijirikawa estava se sentindo tão perdido, perdido em um mundo paralelo e nele só existiam os dois. O calor do corpo de Ren lhe passava a mesma sensação. Proteção. Jinguji o queria.

“Eu o quero mais que tudo!’’

E pedia como nunca pedia para que pudesse ficar com ele. Não conseguia conter as lagrimas que caiam. Era impossível ficarem juntos. Seu pai daria um jeito de separá-los.

Aquele momento estava sendo melhor do que o imaginado. Com um simples toque de Ren ele esqueceu tudo, o motivo porque se separou. Era por isso que passou a amar Ren, pois ele sempre seria o motivo dele ter aguentado tudo.

Lentamente ele permitiu a entrada da língua de Jinguji em sua boca, tendo uma explosão de sabores. Tão quente. Tão suave.

“Não me deixe cair!’’ pedia mentalmente.

Seus pensamentos foram ficando embaçados aos poucos. Tudo o que conseguia visualizar era o calor de Jinguji o envolvendo.

Os sentimentos embaralhados, a sensação tomando o corpo de ambos. O paraíso da terra. Era a melhor coisa do mundo, em especial para Ren. As mãos trêmulas em seu cabelo, o corpo quente e mole contra o dele. Segurou firme quando sentiu o corpo de Masato ceder.

Ele não o deixaria cair.

O seguraria para sempre agora que Masato era dele. Assim, provando o doce saber dos lábios de Masato, a língua tímida correspondendo a sua lentamente, uma palavra sussurrava em sua mente.

Meu...

Hijirikawa era dele, somente dele e de mais ninguém.

Ninguém o tomaria, não agora que estavam juntos. Não agora que Ren sentia-se completo ao batalhar contra o calor daquela boca, contra os sons que escapavam quando o beijo tomava uma intensidade lenta. Acompanhando o desenvolvimento e o quanto Masato deixava.

Não o assustaria. Não o afugentaria para longe. Batalhou contra a língua, a sugou, provou o céu da boca do outro.

O apertou com um braço e levou a outra mão até o rosto, sentindo que Masato chorava enquanto o beijava. Estava tudo bem, deveria ser o susto, ou o medo. Era o primeiro beijo dele e Ren estava radiante com isso.

Quando se separou lentamente, ele não quis mais abandonar aqueles lábios, agora mais do que nunca depois de vê-los inchados e abertos daquele jeito. Úmidos e pecaminosos. E aquele rosto. Céus, nunca mais deixaria Masato escapar de seus braços.

– Cuidarei de você! – arfante conseguiu falar, ao abaixar um pouco, passando as mãos pelas costas de Masato e por trás de suas pernas e o levantou do chão, o caregando de maneira nupcial. Dessa vez voltou a beijá-lo.

Mas uma vez Hijirikawa cedeu aos encantos de Jinguji.

Masato tentava entender o que acabava de acontecer. Tinha acabado de realizar seu sonho. Seu primeiro beijo foi com quem ele amava. Sua cabeça estava a mil. Havia parado de acariciar a cabeça de Ren, então as mãos foram deslizando para o ombro do maior. Sentiu que estava suspenso aquilo lhe assustou um pouco. Mas ao olhar para os olhos de Ren relaxou.

– Não deveria ter feito isso... — disse baixo segurando a vontade de chorar. Não queria mais chorar na frente de Ren. — Não poderemos levar isso adiante. Eu... Me perdoe. – pediu novamente forçando Jinguji a soltá-lo.

Havia voltado a dura realidade, não poderia ficar com Ren, se seu pai soubesse seria cruel.

– Por favor, não se arrependa... – o pedido de Ren vinha com um sorriso. Era para considerar Masato tão leve quando eles quase tinham o mesmo peso? Mas ele estava sendo tão tolo agora, pensando nessas trivialidades enquanto Hijirikawa estava em seus braços, tocando o seu ombro. Nunca mais o largaria. – Eu quero você, e nunca mais irei deixá-lo ir. – voltou a beijá-lo.

Dane-se tudo, era noite e ninguém poderia vê-los. E se vissem? Com certeza guardariam para eles o segredo de Jinguji e Hijirikawa. Não aguentava andar e saber que Masato estava em seus braços sem beijá-lo mais um pouco, na cabeça, na testa, na pálpebra, na marca em seu rosto e novamente em seus lábios.

Parou na frente da portado quarto e a abriu devagar, entrando e chutando a porta para fechá-la. Seguiu para sua própria cama, queria o cheiro de Masato nela. Viciou-se naquele aroma. Deitou Masato sobre a sua cama lentamente e olhou para os seus próprios pés sorrindo, no desespero ele tinha saído de meias. As tirou e se deitou sobre o outro, acariciando sua cabeça e voltando a beijá-lo.

– Jinguji, não! – disse desesperado pondo as mãos no peito de Ren, se vissem os dois e contassem a Jii ou a seu pai estaria perdido, e mais do que nunca queria ficar. — Não continue, não posso fazer isso! — então por mais que doesse e fosse contra seu desejo empurrou Ren e se levantou de vez, ficou um pouco zonzo.

Aquilo não poderia acontecer. Merda.

Começou a tatear para sua metade. Todos os momentos que teve com Jinguji foram marcados, porém não passariam de recordações. O que o fez ficar mais perturbado.

Ren o olhou da cama pasmo, seu coração doendo vendo Masato se distanciar. Ele não queria isso. Seria sua morte ter que olhar e não poder tocar em Masato. Aquele ser lindo, que estava cambaleante ao andar até o futon era provocante demais daquele jeito. Tremulo, com o Kimono totalmente amassado e mostrando um ombro.

Não pode conter o sorriso, Masato era mesmo um menino mal o tentando deixar daquele jeito. Tirou a camisa de vez e andou até o Masato com a devida calma e o abraçou por trás. O segurou de modo que não o assustasse e beijou o seu pescoço, subindo até o nódulo da orelha e mordeu levemente.

– Masato... – sussurrou de leve e trouxe Hijirikawa de volta para o seu lado do quarto. – Terei calma e esperarei você ficar mais calmo. – o deitou na cama e voltou a se deitar por cima. – Por enquanto, fique aqui comigo. – abaixou a cabeça beijando o pescoço branco e depois o chupando com volúpia que não conseguia conter. – Por favor, quero sentir seu cheiro. – rosnou as palavras e voltou a beijar aqueles lábios. – Quero dormir com seu cheiro e o seu calor, como antes.

– NÃO, já disse para me deixar! — disse ficando mais desesperado, não devia ter começado aquilo. — Se afasta de mim, Jinguji! — disse o encarando, como uma expressão aborrecida.

Ele não queria ter que se separar de novo de Ren, seria seu fim saber que morreria casado com uma pessoa que não amava e ainda por cima fazer algo que não queria.

Seu corpo lutava de todas as formas para ser manter centrado. Para ignorar todas as caricias feitas por jinguji.

Tinha que sair dali.

– Se não me soltar, assim que eu sair pedirei para me trocarem de quarto. Me respeite eu não quero isso! — disse usando todo seu talento como ator, porém era uma grande mentira. – Agora, Jinguji!

Não queria mais sentir o calor de Jinguji sobre si. Tudo o que vinha dele o estava torturando. O cheiro, os beijos, o sussurrar no ouvido, por isso ele era rodeados de garotas. Sempre tão galante. Educado.

Apaixonara-se pela pessoa errada e iria pagar caro por isso.

Por mais que parecesse estranho Jinguji era seu príncipe. Sim, quando ele lia historinhas sempre imagina sendo resgatado por Ren. As vezes até imaginava ele vindo em um cavalo branco.

Conto para crianças.

Ren parou e levantou o olhar para Masato, surpreso. Que grande mentira, era ele que estava chorando há minutos atrás, o beijado com toda felicidade do mundo e falando que eles não poderiam ficar juntos sendo que ele queria. Se ele não quisesse, ele não teria ficado tão abalado. Ele tinha que ser calmo, contudo parecia ser novo com Masato, ele tinha que ter calma.

– Masato... – falou com calma, tocando no rosto dele com delicadeza. – Durma ao meu lado essa noite, prometo que não passará de abraços.

– Não, quero que me solte. – disse voltando a expressão séria no rosto. — Não quero mais que isso ocorra entre a gente.- disse retirando a mão de Ren sobre seu rosto.

Era doloroso dizer não, mas era necessário.

– Saia de cima de mim, sabe o que “não” significa? — perguntou impulsionando-se para frente. — Acabou aqui!

Ren segurou a sua mão e voltou a tombá-lo contra a cama. Agora era o loiro que estava sério. Ele se deitou sobre Masato novamente, colocando a cabeça sobre o seu ombro e fechando os olhos enquanto as mãos seguravam os lençóis contendo a raiva. Ele não queria ser rejeitado, não agora que se viciou naquele rapaz.

– E você sabe o que significa “não irei perdê-lo novamente”? – ele falou tão baixinho que mal poderia escutar. O peso do corpo caindo totalmente sobre Masato, assim abraçando este de forma possessiva. – Não quero te perder, quero você e vou ficar com você!

Jinguji estava sofrendo por ele. Novamente por sua culpa por ter deixado as coisas irem longe demais. Mas não conseguia se mover, já que Ren estava colocando todo o peso sobre ele. Não poderia se perdoar por fazê-lo sofrer.

– Jinguji, isto não e uma escolha sua! — falou ficando com a voz seria também. — Eu quero que saia de cima de mim agora. – disse fazendo força para retirar o loiro de cima.

Hijirikawa sabia que Ren era teimoso e quando colocava algo na cabeça não tirava até conseguir, mas este caso seria diferente.

Mesmo que o que ele queria fosse ficar ali com Ren, ele não poderia desde pequeno sabia que querer algo nem sempre era sinal que teria. Aprendeu sobre prioridades e deveres. E direitos, mas estes eram bem limitados. Limitados a vontade de seu pai.

– Não... – a voz grossa chegou até os seus ouvidos e o movimento do corpo de Ren sobre o seu se intensificou e quando deu por si, Ren tinha puxado o cobertor sobre eles. – Ficarei com você. – beijou o pescoço do outro. – Iremos dormir juntos. – pressionou mais, ficando entre as pernas de Masato e este sentindo a ereção do loiro roçando firme contra ele. – Estou me controlando muito para somente dormirmos assim, abraçados. Então, por favor, não me afaste... – beijou os lábios de Masato de surpresa. – Fique e durma aqui.

Hijirikawa sabia que daria naquilo. Não era sim para Jinguji. Agora teria que ficar ali sendo assediado. Ren estava abusando dele.

– Para Ren, eu não quero você! – disse voltando a ficar nervoso, tomou um impulso, ficando sentado e derrubando Jinguji para o lado. Porém não pôde continuar sentiu uma tontura, talvez não tivesse comido o suficiente. – Acho que vou... — pôs as mãos na cama para se apoiar para levantar-se.

– Masato? – Ren ficou preocupado vendo o outro tombar um pouco e o segurou por trás, totalmente preocupado, levando a mão até o seu cabelo e o puxando para trás. – Está tudo bem? – ele tinha até se esquecido que Masato estava prestes a lhe deixar. – Está passando mal? Não estava se cuidando? – lembrava-se da saúde frágil de Hijirikawa. Era algo que ele nunca pode esquecer, desde a primeira vez que o viu passar mal.

– Eu me esqueci de tomar minhas vitaminas... E o leite. – fez uma expressão desgostosa ao se lembrar do gosto horrível que o leite tinha. — Será que pode pegar elas para mim? Estão na primeira gaveta do armário. — indicou se sentindo aliviado pela presença de Ren. Por se preocupar. Tinha se tornado muito orgulhoso, mas se levantasse cairia.

Então era melhor se tratar primeiro.

Jinguji estava preocupado que aquilo fosse uma desculpa para soltá-lo, mas teve que fazer devido a preocupação. Deitou Masato na sua cama, lentamente e o olhou nos olhos. Depois sorriu levemente e se levantou seguindo para o armário. Ao abrir a gaveta lá estavam as vitaminas, Hijirikawa não tinha mentido. Foi até o frigobar e pegou um pote de leite, não contendo mais o sorriso.

– Nem acredito que terei que tomar isso – disse com cara emburrada se referindo ao leite, mesmo a contra gosto tomou suas vitaminas em formato de ursinho uma por uma, com o leite, era realmente desagradável. Após tomar todas as vitaminas. Fitou Ren por uns instantes — Obrigado! – disse tentando se levantar.

Era engraçado lembrar as carinhas que Masato fazia quando criança quando ele precisava tomar leite. Ficava vermelho, emburrado e fazia um bico. Ele não conseguia desviar o olhar quando Masato fazia aquele bico.

Empurrou Masato novamente para a cama, puxou o cobertor o cobrindo e se levantou para retirar a calça. Ficou simplesmente e cueca. Ele dormia nu, mas para não assustar Masato, ele ficou assim. Deitou-se ao lado de Hijirikawa e o puxou para dormirem abraçados.

– Descanse... – pediu, beijando os lábios de Masato. – Amanhã continuamos onde paramos.

– Jin... — mas não terminou, talvez merecesse aquilo, uma folga de suas obrigações, porém havia ruborizado violentamente por Ren ficar daquele jeito. -Não se acostume, não farei nada. Está se aproveitando da minha fraqueza... — disse fechando os olhos. Sentia-se um pouco enjoado. – Oyasuminasai², Ren!

E assim realizou outro desejo dormir com seu príncipe.

Notas finais
1 - Pai 2 - Boa noite Desculpem mesmo a demora, tentaremos o possível para ser atualizado uma vez por semana. Pelo menos com capítulos grandes... ^^ Agradecemos aqueles que leram até aqui e para aqueles que comentaram. Os comentários são importantes, motivam a continuar. Obrigada mesmo!! Até a próxima!! XD