Orpheus
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Após saírem do auditório, Masato puxou a mão e parou de andar. Tinha saído daquela situação, porém uma hora ou outra Ren descobriria. Ranmaru estava disposto a contar, então teria que fazer o trabalho sujo, mas Ren o encarava e isso dava medo. Ele não queria partilhar aquilo.
– Eu... Vou voltar para o dormitório! – disse Masato abaixando o olhar e fazendo um gesto de esquivar do colega. Seria melhor assim, talvez Ren se magoaria se descobrisse o motivo.
– Está fugindo, Hijirikawa? — a voz rouca de Ren atingiu os seus ouvidos, mostrando a seriedade daquela pergunta. — Tenho uma sensação que todo o momento só tem fugido de mim... Afinal, por quê? Por que desapareceu? Não me atendeu? Não recebeu minhas cartas?
–... — o silencio tomou conta, mesmo tendo vários alunos saindo por aquele caminho, até pareceu que o tempo havia congelado, e cada minuto era longo. Céus! Por que eles ficaram juntos novamente? Hijirikawa encarou o chão, se o ignorasse talvez ele entendesse que eles nunca voltariam a ser como antes.
– Hijirikawa... — Ren voltar a chamar, dessa vez o sorriso tinha sumido de vez. — Olhe pra mim, Hijirikawa! — pediu mantendo a compostura, ele nunca a perdia.
Levou um tempo para que Masato tomasse coragem e levantasse o rosto para olhar nos olhos do colega. Aquilo era doloroso, a separação foi dolorosa, pois ele havia começado a gostar de Ren, no dia que ele ia se declarar foi chamado por seu pai que havia descoberto os sentimentos do filho e não lhe agradou por isso o proibi-o de ver Ren, a cortar qualquer tipo de relação e sentimento. Como se fosse fácil! Por isso havia crescido seco.
– Não tem coragem de me dizer a verdade? – se aproximou lentamente. – Eu aceito o que for me falar, ou simplesmente não sabe? — parou próximo e levantou uma mão, tocando o queixo do outro. – Masato... – mas não concluiu, infelizmente alguém esbarrou nele e o jogou um pouco para longe, ao olhar se deparou com uma imensidão de vermelho, assim como os olhos.
– Gomen... – Otoya respirava profundamente. – Estou perdido. – olhava de um lado para o outro, tentava achar Tokiya para ajudá-lo achar o caminho. – Sabem onde fica as inscrições para os clubes?
– Jinguji sabe, ele vai te levar. — disse Masato voltando a realidade, pois havia ficado assustado com aquela insistência da parte de Ren. — Além do mais eu tenho afazeres. Se me dão licença... — disse com uma expressão leve no rosto se afastando.
Ren suspirou e seu sorriso sedutor novamente retornou, teria que ter a compostura. Ser o cavalheiro, e ao olhar com o sorriso para o outro rapaz, percebeu como este ficava sem graça. Todos, independente se eram mulheres ou homens, ficavam um pouco abalados com seu sorriso.
Eles se apresentaram conforme diz a educação e Ren foi o guia para seu novo companheiro Otoya. Depois colocaria as palavras em ordem com Masato.
Tokiya estava indo para o dormitório masculino, olhava como o local estava barulhento cheio de meninos contando sobre expectativas, garotas e jogos, algo que lhe incomodava muito era o barulho.
Nunca gostou de ser filho único, contudo aquilo lhe ensinou a prezar o silêncio, porém sua mãe não tinha conhecimento disso, isso em muitas áreas de sua vida, pois ele mantinha tudo guardado não queria partilhar o que pensava.
Muitas pessoas diziam que era egoísmo ou simplesmente coisa de menino mimado. Aquilo era algo muito presente em sua personalidade, ser reservado, não fazer as pessoas sofrerem com problemas que não tinha nada a ver com elas, como o abandono por parte de seu pai, a única coisa que ele lembrava era de ter fugido por três dias, e ninguém o ter procurado, e quando havia chegado em casa não ter encontrado a mãe apenas um bilhete ‘’volto mais tarde’’, desde então ele se acostumou a ser independente.
Uma pessoa que não iria mais demonstrar o que sentia porque não tinha valor o suficiente para despertar atenção da mãe, nem o amor do pai que nunca havia respondido nenhuma carta sequer. Acordou daquele pequeno devaneio com alguém que havia esbarrado nem pensou em falar algo, era melhor fazer as inscrições para os clubes que ele estava interessado. Mudou o percurso e foi em direção as salas, parou na frente a uma. Era oficina de musica, pensou um pouco antes de entrar, mas acabou por seguir em frente, ele já havia decidido que iria ser alguém que seria valorizado. Mal pisou na sala e alguém havia pisado no seu pé
– Esta começando a ficar bem chato seu descuido... Ittoki! – disse Tokiya com uma voz arrastada percebendo que ele estava acompanhado de um rapaz loiro.
– Perdão, Tokiya-kun... – Otoya se afastou um pouco, sacudindo as mãos na frente do rosto e então parou. – Você veio se inscrever? – sorriu largamente e colocou as mãos atrás do corpo. – Neah, Tokiya-kun, eu já me inscrevi. Ahh... Esse é Jinguji Ren. – apontou para o loiro que carregava um sorriso elegante. – Ele também se inscreveu.
– Ichinose Tokiya, prazer em conhecê-lo. — disse o de cabelos azul fazendo uma pequena reverencia olhando o estilo do outro. Jinguji Ren, já havia ouvido falar sobre ele, filho de um homem importante. Voltou a olhar Otoya se perguntando como ele podia fazer amizades tão rápido e naquele momento sentiu um sentimento que podia ser chamado de inveja. — Se me derem licença irei me inscrever.
– Iremos com você! – Otoya deu um passo a frente, mas parou e olhou para trás, quando percebeu que Ren não se móvel.
– Eu tenho que ir para outro lugar... – o sorriso aumentou um pouco mais, quando fez um gesto com a mão seguindo até o cabelo. – As minhas damas me esperam.
– Tudo bem, Ren-kun... – Otoya sorriu e acenou se despedindo, observando Ren sair da sala. E algumas meninas saírem logo atrás dele.
Tokiya olhou para onde o loiro estava alguns segundos antes e depois voltou a olhar Otoya em seguida foi até a mesa para se inscrever.
No corredor Masato vinha lentamente, sabia que havia arrumado uma desculpa para sair de perto de Ren, mas era por um bom motivo não queria ficar sozinho com ele. Era doloroso lembrar de que há uns anos eram os melhores amigos e hoje não passavam de meros conhecidos, mas talvez fosse melhor assim já que provavelmente teria que se casar com alguém que seu pai já deveria ter arranjado, mesmo se não tivesse não valeria mais a pena, seus sentimentos não tinham mais valia para esses tempos.
Sentiu uma mão tocar no seu ombro se afastou um pouco assustado, mas ao ver quem era e aliviou um pouco.
– Kurosaki-senpai! – Hijirikawa falou percebendo o sorriso brincalhão que o outro tinha no rosto. — Pensei que estaria com seus amigos!
– Eu... Até queria, mas eles estão bem ocupados e... — disse Ranmaru fazendo uma pequena pausa colocando um dedo no peito de Masato. — Estava procurando você. Sabe que você não pode andar com jinguji, se eu fosse você não ia querer ser visto com ele! — disse vendo que o loiro se aproximava com algumas garotas. — Ele não está nem ai para seus sentimentos. — jogou, vendo que Masato mordeu a isca ao corar, sempre duvidou que Masato gostava de Jinguji.
– Hijirikawa... – Ren parou próximo, deixando também o grupo de meninas pararem. Ele sorriu de lado para Masato e olhou para o outro rapaz. – Kurosaki... – agora sua voz, apesar do sorriso, não transmitia aquela hospitalidade que sempre tinha e atraia os olhares. – O senpai não deveria estar cuidando dos alunos, como um membro do concelho? Cuidar de um aluno especifico seria fora dos padrões, Kurosaki-senpai.
– Eu ajudo quem necessita, e até agora só Hijirikawa pediu minha ajuda, se houver alguém que precisa saberá onde estou já que sempre ando por ai. Estar com Hijirikawa não me impede de ser atencioso, Jingunji-kun. Se nos der licença! — disse segurando o braço de Masato e o conduzindo em direção as oficinas.
Masato olhou rapidamente a Jinguji e depois as meninas que ignoravam qualquer um ao redor de Ren. Realmente ele havia mudado, a única coisa que não havia mudado era a forma fácil de atrair atenção para si.
Ren perdeu o sorrio por um instante. Seu corpo tremia ao ver Masato seguir com Ranmaru. Como sempre, típico dele. Ele não poderia mentir que dessa vez Masato não estava com ele, que Ranmaru não o roubou, que nem ocorria na sua infância. O problema era que ele não conseguia conviver com a ideia que perdeu.
Mais uma vez.
Ele poderia ter ido atrás, mas não seria do seu feitio.
– Ren-chan... – piscou e sorriu, olhando para as meninas, em especial, uma pequenininha, que lhe sorriu. – Está tudo bem?
– Melhor impossível, pequena Lady. – seu sorriso se tornou mais sedutor quando ele fez um pequeno carinho no queixo dela a arrepiando e provocando inveja nas demais.
Masato abaixou a cabeça, se sentiu tão mal, não queria ter jogado Ren de lado com tantas garotas, mas não podia fazer nada, seria estranho se ele o chamasse, ou se inventasse qualquer desculpa para tirá-lo de perto daquelas meninas.
Tokiya estava saindo da sala com Otoya ao seu lado, talvez ter alguém tão barulhento ao seu lado não seria de certo mal. Seguiram corredor a fora observando os detalhes da escola, e por um momento passou na cabeça de Ichinose que seria bom ter uma amigo, já que não possuía nenhum.
– Estou indo à lanchonete, está com fome? — perguntou parando e olhando o ruivinho com sua expressão habitual.
Nesse momento a barriga de Otoya roncou bem alto, o deixando um pouco envergonhado. Ele sorriu e coçou a cabeça, acenando afirmativamente.
– Desde que cheguei comi nada... – olhou para os lados, o sorriso ainda nos lábios. – Vamos comer muito. – chamou com a mão e a deixou estendida. – Vamos, Tokiya-kun.
Por sua vez Ichinose o olhou estranhando o modo do outro mal conhecia e já estendia a mão. Toques no primeiro dia, certo que Otoya já o havia tocado muitas vezes, era um desastrado, mas não queria ser tão ruim então aliviou a expressão e se aproximou do menor e fez um gesto com a cabeça para que Otoya o seguisse.
Otoya olhou para sua mão e colocou no bolso constrangido. Seu sorriso permaneceu, quando seu olhar ainda se manteve em Tokiya e o seguia para o refeitório. Ele estava curioso sobre o seu novo colega. As pessoas viviam o chamando de Hayato, não compreendia muito bem, mas as pessoas viviam o confundindo com o outro. Até mesmo, Natsuki e aquelas meninas o confundiram.
– Tokiya-kun... – ele sorriu, abaixando um pouco a coluna para o rosto ficasse um pouco a frente enquanto caminhava. – Quem é Hayato?
Tokiya parou e ficou em silencio, não sabia se era o certo se envolver com alguém, pois, tinha medo de se envolver com outras pessoas por medo se machucar.
– Ittoki... Você disse que estava com fome? Não acha melhor comermos primeiro? — disse mudando do real assunto, apesar de manter a voz seria queria passar um tom mais suave, de uma forma ou de outra teria que conviver com o ruivo.
– Neah, Tokiya-Kun... – Otoya foi para a sua frente, dessa vez andava de costas para o corredor. – Mas ainda não chegamos... Heim, Tokiya-kun... Quem é Hayato?
Mais uma vez Tokiya respirou bem fundo. Era isso que dava se socializar, pessoas achavam que ser educado era uma entrada para saberem mais sobre a vida alheia, fitou Otoya por alguns segundos com expressão séria.
– Não tem um mínimo de percepção! Não é porque estou me socializando com você que vou dizer que eu quero abrir o livro da minha vida, então, por favor não pergunte nada que eu não disser! Se eu não disse e porque não quero que saiba. — disse fazendo uma expressão de impaciência, mas acabou por engolir em seco, talvez foi um pouco rude demais. — Vamos Ittoki!
Otoya parou de andar e perdeu o sorriso e abaixou a cabeça, mas voltou a levantar a cabeça com um sorriso baixo. Ele retornou para o lado do Tokiya, em silencio, com o sorriso praticamente sumindo. Calado, andando lentamente, atento ao caminho que estava fazendo.
– Desculpa, Ichinose-sama! – ele falou baixo, desculpando-se por ter sido irritante com o colega. Eles mal se conheciam, nem tinham passado o dia juntos direito e Tokiya já estava bravo com ele. Só queria que eles fossem amigos.
Entraram no refeitório em silencio, Tokiya se sentiu mal pela primeira vez por agir daquela forma, ficou sem saber como agir pela primeira vez por ter visto o sorriso de o ruivo ter desaparecido. Aproximaram-se da fila, podia sentir a alegria do outro contida, para não irrita-lo, Otoya estava se esforçando para serem próximos, e tudo o que ele fez foi ser rude.
Após terem feito os pedidos, procuraram um local mais tranquilo longe daquelas pessoas barulhentas. Ichinose havia se sentado de frente para Otoya e passou a fitá-lo.
– ...Ittoki... — disse em um tom baixo suavizando as feições.
– Sim? – Otoya levantou o rosto, contendo a vontade de comer aquilo como um louco, devido a fome que sentia. Ele segurava alegremente o garfo e faca, mas ao cruzar o olhar com o olhar de Tokiya, ele voltou a tentar ficar sério para não desagradar.
– Me... Desculpe... Eu tenho sido rude com você. – disse baixo passando a mão no pescoço alvo. – Escute, eu realmente sinto por ter sido rude, mas só peço que não fique muito em cima. Sabe, somos japoneses não é certo ir falando tudo que vem na cabeça. Pode me chamar de Tokiya... Eu não me importo! — disse analisando cada movimento do ruivo, ele realmente estava se esforçando para serem próximos.
– Está tudo bem, Tokiya-kun! – Otoya sorriu abertamente, mal aguentando segurar a felicidade que sentia agora. – Seremos bons amigos, tentarei ser o melhor de todos!
Desta vez Otoya pode presenciar uma feição mais amigável vinda de Ichinose, sim Otoya estava acabando de ganhar uma oportunidade de ficar próximo do de cabelo azul.
– Muito bem... Vamos comer! – disse mostrando o que poderia ser chamado de sorriso.
– Itadakimassu. – Otoya falou feliz, dessa vez com um sorriso mais radiante.
Mas antes que o rapaz radiante pudesse comer, ele foi agarrado por alguém bem forte. Apertava-o, balançava e estava choroso. Quando foi para frente de Otoya, o abraçando.
– Oto-chan!! – era Natsuki, balançando Otoya. – Não estou achando o Syo-chan... Ele pediu para que eu pegasse água e sumiu.
– Ham... – Otoya ficou um pouquinho confuso com o que ocorria e tentava respirar com o aperto. Ele até chegou a sorrir ao lembrar que Syo tinha dito sobre casamento. – Por que não se senta? Talvez ele apareça.
Natsuki o olhou por alguns segundos e acenou afirmativamente com a cabeça e se sentou ao lado de Otoya. Ele olhou para Tokiya e acenou um “olá” feliz. Eles ficaram uns minutos conversando. Os mais falantes eram Otoya e Natsuki, o outro rapaz se mantinha calado.
Otoya estava gargalhando com algo que Natsuki dizia quando sentiu alguém o cutucar nas costas, ele se virou e deparou-se com a Nanami. Automaticamente ele se levantou, torcendo ao máximo que seu rosto não estivesse vermelho.
– Ittoki-kun! – ela sorria tão animada ao vê-lo, que era notável que ele também estava feliz. – Está tudo bem? Conseguiu achar o dormitório?
– Consegui sim! – ele riu, coçando a cabeça e achando graça como ainda continuava sendo formal com ele. – Deixa eu te apresentar meus amigos. – ele se virou para os garotos, primeiro para o de óculos. – Esse é Shinomya Natsuki e esse...
– Hayato-sama! – a menina ficou surpresa ao olhar para Tokiya e fez uma reverencia muito longa e ela estava totalmente envergonhada. – Sou sua fã, Hayato-sama.
Ichinose fechou os olhos para evitar que os demais pudessem ver seus olhos girando, abriu-os lentamente e viu como Otoya estava sem jeito provavelmente havia se interessado na menina e por ela saber o nome do ruivo foi nela que Otoya havia esbarrado. Teria que ser ‘’delicado’’ para não magoar o provável amigo.
– Não sou Hayato, sou Ichinose Tokiya. – se apresentou olhando para a menina, ela era de certa forma estranha, não por aparência, mas pela cor dos olhos. Eram mistos e sem combinação e aquilo o deixava irritado, era perfeccionista e não suportava algo tão medonho quanto aquilo, desorganização. — Ittoki, você está muito bem acompanhado eu irei me retirar!
– Ichinose? – a menina tombou a cabeça enquanto Otoya a olhava e depois olhou para Tokiya. Natsuki parecia olhar para aquilo divertido. – Mas você parece com Hayato-sama, até a voz...
– Desculpe, mas você tem problemas de audição? Eu já disse que não sou Hayato! Ittoki eu irei esperar no dormitório. – disse fazendo uma pequena reverencia para os presentes e se retirando. Como pensou aquilo estava começando a ficar irritante.
– Hamm... – Otoya ficou um pouco assustado, olhou para Tokiya e o deixou se afastar. Ele parecia muito irritado agora. Realmente esse assunto Hayato era delicado. Será que era algum irmão? Parente próximo? Provavelmente alguém muito parecido com Tokiya. – Desculpe, Nanami-chan... Ele está muito cansado, mas ele não fez por mal.
– Tudo bem... Ittoki-kun. – ela sorriu e se sentou com eles. – Prazer em conhecê-lo, Shinomya-sama.
Otoya também se sentou, mas olhou para onde Tokiya tinha saído. Ele sabia que Nanami tinha se sentido mal, pela forma que ela segurava a saia um pouco nervosa. Ele a animaria, com certeza. Só queria compreender o que se passava na cabeça de Tokiya. Ele balançou a cabeça e olhou para Nanami, sorrindo e achando graça na carinha confusa dela ao escutar algo de Natsuki referente a alguém chamada de Elizabeth.
Masato havia terminado de se inscrever nas oficinas desejadas, Ranmaru estava sempre ao seu lado conversando sobre alguns acontecimentos da infância e aquilo só o fazia pensar mais em Jinguji, que não mudara nada sempre rodeado por meninas, aquilo o tirava do sério.
– Masa... Vamos tomar um soverte de morango? — sugeriu Kurosaki vendo o desanimo de seu kouhai. – Vamos! O dia apenas começou, tenho certeza que está animado por não estar trancafiado em sua fortaleza. — disse em seu tom brincalhão, bagunçando um pouco os fios rebeldes.
Hijirikawa ficou em silêncio por mais alguns segundos.
– Senpai, não quero falar sobre isso. Não podemos simplesmente ir comer? — disse em um tom baixo olhando para o movimento que havia crescido no corredor.
– Eu sei que esta fugindo, mas acredite isto não vai durar! E quando seu chão desabar você é que ira sofrer mais por-
– Chega, não quero mais ouvir, meu passado não e seu livro favorito e ao menos que se tornou vidente vá tomar conta dos seus assuntos. Não solicitei serviço. — disse perdendo um pouco a compostura habitual, mas ao ver a face assustada do outro respirou fundo.
Ranmaru parou de sorrir e projetou uma expressão séria no rosto, sabia que havia ido longe demais.
– Ele só quer brincar com você, disse que ia te mostrar a escola e foi atrás de garotas... Ele nunca vai se interessar por você, eu sou a melhor pessoa para ficar ao seu lado cuidando de você!
– Acho melhor voltar ao dormitório... Eu já passei tempo demais ouvindo o que eu não quero. – disse em baixo tom, mas na verdade sentiu o peso de cada palavra dita, o medo de ser verdade e aquilo lhe fazia seu coração palpitar assim como trazia uma súbita vontade de chorar.
– Claro! Já percebi, você esta fugindo de novo. Você quer estar nos braços dele, mas isso será impossível. — disse se aproximando do menor, vendo que este estava paralisado. – Custando a acreditar?
–... — ouve mais um período de silencio, Ranmaru poderia ser bem venenoso, mas ele estava sendo sincero agora, Ren Jinguji nunca olharia para ele como ele. No que ele estava pensando afinal? Não nutria mais sentimentos por Jinguji há muito tempo, fechou os olhos. – Não tenho interesse em ninguém, você está completamente enganado senpai.
– Honto? Então vamos almoçar juntos. — disse Ranmaru com seu sorriso de lado pondo a mão no ombro de Masato. — Te farei relaxar! — disse encaminhando Hijirikawa para o refeitório. Ouvindo um ‘’que seja ‘’ de Masato.
Os dois foram lentamente pelo corredor ouvindo as conversas altas e os risinhos histéricos das meninas, aquilo de certa forma fazia lembrar Jinguji, Masato apenas olhava para o chão.
– Vai ser meu namorado?- perguntou Ranmaru para quebrar o clima estranho que havia se instaurado entre eles, acabou por rir ao ver a face assustada de Masato se virando para ele. — É brincadeira... Mas pode se tornar realidade. – disse pondo a língua para fora e pondo o braço no ombro do menor de um jeito protetor.
– Senpai, não brinque deste jeito. – disse voltando a olhar para o chão, porém percebeu que Ranmaru o havia apertado então levantou o olhar para reclamar mas viu Jinguji novamente segurando a mão de uma das fãs dele.
– Viu, Masa? Foi exatamente o que eu te falei.. .-sussurrou Ranmaru no ouvido de Masato o fazendo o ter um frio na espinha. — Vamos!
Ao longe, o sorriso de vários significados conquistava mais uma garota. A mão pequena, delicada, parecia tão frágil na sua mão. A criatura a sua frente estava vermelha, perfeita para cair aos seus braços.
Tão fácil.
Ao se virar para ver as outras ovelhinhas, o sorriso que mantinha em seu rosto quase se desfez. Masato e Ranmaru. Sim, Masato e Ranmaru. Novamente Masato com ele? O que aqueles dois tinham? Era totalmente desagradável.
O senpai sorrindo daquela forma que Ren conhecia muito bem. O braço sobre o ombro de Masato, o sorriso de lado conversa no ouvido. Ren sentiu algo em seu estomago e peito. Um sentimento ruim, uma necessidade incontrolável de afastar Masato de tudo.
Vê-lo vermelho daquele jeito, encolhido ao lado de Ranmaru, suando frio. Ao longe poderia ver como a garganta alva de Masato descia e subia ao engolir seco enquanto se sentava. Garganta, essa, que chamava atenção. Imaginava como seria tocar, sentir a textura. Ver através da pele clara os vasos sanguíneos. Morder seria bom.
Mas essa sua imaginação não o convinha no momento, sentia-se totalmente irritado. Ranmaru sempre tinha e ganhava a atenção de Masato e agora não parecia diferente.
– Ren-chan?
Ele olhou para o lado, para a pequena que outra hora esteve segurando a mão. Agora ela estava parada ao seu lado, com ambas a mãos livres, mas ele não se lembrava o que queria com ela. Ele queria saber o que Masato fazia ali. Com ele, Ranmaru.
Ranmaru olhou para Ren com um sorriso maroto, pois percebeu que o outro estava irritado então passou a guiar Masato para o refeitório vindo na direção deles
– Neah, Masa-chan, podemos ver um filme no meu dormitório também. — disse piscando para Ren.
Masato não sabia o que fazer ficou calado, mas ao passar por aquele grupo virou o rosto parcialmente para olhar Ren, mas logo virou fazendo um movimento suave com os cabelos soltando sua fragrância.
Seguindo para dentro do refeitório.
Enquanto os dois entravam no refeitório, o rapaz de óculos saia sorridente. Natsuki estava feliz com seus dois novos amigos. Claro que ele não poderia esquecer Tokiya, este poderia estar muito cansado agora. Mas Nanami e Otoya eram ótimos amigos, pareciam sempre animados para conversar, especialmente Nanami que lembrava e muito a sua cadelinha.
Continuou andando feliz, mesmo passando ao lado de um grupo de garotas ele não ficou abalado com os gritos e sussurros sobre “Ren-chan”. Agora ele queria encontrar Syo, para lhe falar sobre seus novos amigos. Bem, Otoya ele já conhecia, então ele falaria da Nanami.
Também falaria que seus novos amigos concordaram em comer o seu bolo. Estava tão empolgado para cozinhar agora.
Kurusu estava deitado em sua cama olhando para o teto pensando que talvez fosse um pouco mal de sua parte enganar Natsuki afinal de contas ele era seu amigo, e amigos não agiam daquele jeito. Parecia algo do destino ou algo parecido. Acabou por ficar confuso com os próprios pensamentos então por um ato de nervosismo bagunçou os próprios cabelos.
Teria que ir atrás de Natsuki.
Porém nem precisou sair. A porta foi aberta e por ela passou Natsuki cantarolando, mas ele parou e olhou para Syo abrindo um sorriso fenomenal. Ele correu até Syo e pulou na cama o abraçando.
– Syo-chan, te procurei por toda a parte. – ele apertava o menor e ria espontaneamente.
O loirinho menor primeiro se assustou, porém depois de sentir seus ossos estralando caiu em si.
– Natsuki, calma! Sente-se. Vamos conversar. – disse o Kurusu tentando manter a calma, mas podia-se ver uma veia na lateral de sua testa começando a pulsar, nunca entendeu o porque de ser tão estourado, mas era assim nunca teve paciência.
– Sim... — Natsuki sorria ao se sentar com as pernas sobre a cama, em posição de lotus, mas não soltava Syo, o mantinha em seus braços, sobre o seu colo. — Fui buscar água, mas Syo-chan sumiu.
– Hehehe! Tive um probleminha a resolver. — disse Kuruso sentindo culpado pela mentira, pôs a mão na cabeça coçando sem graça. — Entao... — disse mudando a posição, pondo as mãos no joelho, um pouco incomodado com a posição — Você já comeu alguma coisa? — perguntou sem jeito, sentindo as bochechas ficarem levemente coradas.
– Hai... — o maior parecia sonhador ao falar e apertar Syo. — Com Otoya-kun e Nanami-chan... Ahhh... Você tem que conhecê-la, é tão fofinha!!
– Hum, tá! Depois eu irei conhecê-la, mas eu estava pensando em ir me inscrever para algumas oficinas, não que ir junto? — disse ficando mais sem jeito ainda. — Mas se você já tiver se inscrito tudo bem, eu só... — disse começando a ficar mais nervoso. — Droga... VAMOS COMIGO! ESTE É MEU TIPO DE PEDIR DESCULPA POR TER DE DEIXADO SÓ! — disse irritado bagunçando os cabelos. — E então?
A mão grande passou pelos fios de Syo carinhosamente. Ele foi virado, sem brusquidão e os olhos verdes o encararam. Natsuki sorria, e parecia feliz e doce e voltou a abraçar Syo de frente agora e sem aperta-lo.
– Não precisa pedir desculpas... – ele sussurrou. – Vou feliz acompanhar Syo-chan!!
– Drooga. – disse baixo sentindo ainda mais corado. — Não me faz sentir pior... — disse pondo a mão no peito de Shinomya e se afastando um pouco, não importava o quanto Natsuki o irritava ou ele era mal com o maior ele não conseguia ficar mal com ele. – Vem! — disse saindo do abraço e ficando de pé na frente do amigo. Pensou um pouco e estendeu uma mão, coçando a cabeça com a outra. – Vamos, ainda não comi nada!
Quando a mão de Natsuki segurou a sua, ele foi cegado por um flash. Ele piscou e viu Natsuki segurando o celular na frente de seu rosto.
– Syo-chan fica tão fofo vermelho... – Natsuki tirou mais fotos.
– Ahhhh não quero mais que vá comigo. — disse se revoltando e puxando a mão do outro que por sinal era grande e acolhedora — Já te disse que não gosto de fotos. Ande, pare com isso! Ou nunca mais vai me ver. — disse bufando com a atitude do outro.
– Eu não quero deixar de te ver! – Natsuki fez uma carinha triste e guardou o celular. Ele voltou a sorrir como se não tivesse ocorrido nada e segurou a mão de Syo. Ele era desse jeito, não tinha vergonha de sorrir ou demonstrar carinho para Syo na frente de ninguém. Ele era puro e sincero em cada gesto. – Syo-chan decide o caminho.
– Tá, tudo bem. Contudo, você ainda não me disse se já se inscreveu. — comentou vendo Natsuki se levantar, e naquele momento se sentiu pior Shinomya era tão alto que dava vergonha, então pegou o chapéu e pôs na cabeça se sentindo um pouco melhor. — Vamos!
– Vamos... – Natsuki puxou Syo para fora do quarto, segurando a mão dele enquanto praticamente arrastava o pequeno pelos corredores. – Me inscrevi nas oficinas de musica, culinária, costura... E mais alguns... – ele ficava feliz a cada palavra. – Vou fazer muitos doces e roupas fofas para Syo-chan!
Quando entraram no refeitório, Natsuki não encontrou Nanami e nem Otoya. Eles já deveriam ter ido para outro lugar, mais tarde os apresentariam para Syo. Por enquanto ele somente foi para a fila com Syo para escolherem o que poderiam, no caso do Syo comer.
Masato havia dispensado Ranmaru depois de terem ido comer, não estava se sentindo muito bem como as investidas do amigo de infância, muito menos em ter que aceitar a verdade sobre Ren era tão ruim ter que acreditar que provavelmente depois que saísse daquela escola teria que aceitar seu destino, nem percebeu que seus pés o levaram para as janelas amplas da escola mostrando a bela paisagem. Era tão verde e calmo, era disso que ele precisava, de paz.
Havia vários alunos em baixo se divertindo. ‘Amigos’’ o que sempre foi complicado em sua vida, já que era afastado de tudo e de todos. Uma pessoa chamou sua atenção alguém que conhecia muito bem “Jii”, merda agora teria que ver se Ren estaria no dormitório. Seu mordomo não poderia saber que dividiam o mesmo quarto, com passos apressados foi para seu dormitório o que por sorte não estava longe.
Entrou no quarto um pouco ofegante e encontrou Jinguji deitado.
– Jin-Jinguji! — disse Hijirikawa com as mãos nos joelhos tentando recuperar o ar. — Eu preciso que deixe o quarto só por um tempo!
Ren tirou os olhos sobre a revista que lia deitado. Ele olhou para Hijirikawa e sentiu-se um pouco revoltado. Depois que ele tinha praticamente flertado com Ranmaru na frente de todos, ele retornara totalmente ofegante e pedindo para deixa-lo sozinho no quarto. Era tentador ver Masato assim, mas era revoltante o restante. Contudo sorriu e voltou a ler a revista.
– Por que eu sairia do meu próprio quarto, Hijirikawa? – ele sorriu ao virar a página.
Masato abriu a boca em sinal de descrença, como Jinguji o ignorava daquele jeito, depois de ter o feito de idiota com todas aquelas meninas em volta dele, era um ousado. Pois bem, respirou fundo e foi até a frente da cama com uma expressão nada amigável.
– Jinguji, eu estou sendo educado. Eu não posso explicar o motivo agora. — pediu tentando transmitir calma na voz.
– Então... – Ren abaixou a revista e olhou para Masato, cruzando as pernas ainda deitado. Ao se inclinar e colocar a mão para apoiar a cabeça, ele deixou o seu peito um pouco mais a mostra, já que a camisa estava aberta. – Também não sairei sem explicação, Hijirikawa!
Masato olhou para Ren franzindo as sobrancelhas procurando olhar somente nos olhos dele, teria que se rebaixar por ele, poderia deixar Ren lá e ser visto, mas e se seu pai resolvesse o tirar da escola?
Foi até o lado do loiro e suavizou as feições.
– Jinguji-sama, por favor eu faço qualquer coisa, mas por favor deixe me aqui por meia hora, só isso que estou pedindo. — disse Hijirikawa tentando manter o foco pois era muito difícil para ele se rastejar por alguém que o havia o trocado por um monte de meninas.
Ren ficou sério, com a boca levemente aberta ao olhar Masato. Ele queria dizer o que via naquele momento era lindo, mas ficou sem palavras. Masato estava realmente o encarando, olhando diretamente nos olhos. Fascinante e tentador como aquele azul o afogava e o dominava. Melhor do que olhar para todas aquelas garotas era ver Masato assim na sua frente, tão convidativo. Com o melhor que poderia mostrar escondido debaixo de tanto pano.
Talvez fosse isso que o chamasse atenção.
Ou talvez fosse a falta que aquele olhar fez nele.
Não segurou a vontade, sem pensar duas vezes puxou Masato para a sua cama, o prendendo debaixo de sim e sobre o colchão. Cada mão ao lado da cabeça de Masato. Agora a sensação de dominação crescia dentro de si, assim como o sorriso. Masato sobre a sua cama, com os cabelos bagunçados e a respiração de um jeito que também o deixava sem fôlego.
– Qualquer coisa? – ele sorriu, colocando a mão nos fios azuis. Macio, sedoso e a melhor coisa que tocou na vida. – Qualquer coisa mesmo? – aproximou o rosto.
Masato sentiu todo o corpo arrepiado, sentiu varias sensações naquele ato de Jinguji, o que era aquilo? Ele não poderia brincar com ele daquela forma. Por um momento... Um longo momento, ficou sem reação. Sentiu a face corar violentamente, ter aqueles olhos sobre ele, a respiração próxima não ajuda seu coração se acalmar, pois apostava tudo que Ren estava ouvindo suas batidas desreguladas. Porque ele ainda mexia tanto com ele? Loiro maldito.
– Jin-jinguji, o que acha que esta fazendo? — perguntou num fio de voz, agora seu corpo tremia. Sentia alguns fio do loiro caírem sobre a sua face, o que lhe provocava uma ligeira cosquinha.
– Você disse qualquer coisa, Hijirikawa! – Ren o avisou, sussurrando em seu ouvido e aproximando mais os corpos. O cheiro, o aroma de Masato. Nada mudou, só tinha sido corrompido com o cheiro de Ranmaru. Mas isso ele daria um jeito. – Fica comigo o dia inteiro... – não sabia o que estava pedindo, só queria tirar aquele cheiro diferente sobre Masato, queria provar e marcar.
Era engraçado, quando criança, quando Masato se despedia de Ranmaru, ele passava o dia inteiro abraçando Masato. Espantar qualquer rastro. Mas agora, era diferente, queria espantar os vestígios de Ranmaru com beijos e caricias.
Não era ciúmes.
Era um cuidado especial.
Por isso não pensou duas vezes ao levar a outra mão para o pescoço de Masato, sentindo enfim a pele. O pomo de Adão subindo e descendo, chamando a sua atenção. Acariciou lentamente com os dedos, e beijou a pele.
Masato não conseguiu segurar o gemido baixo que soltou ao sentir os lábios desejáveis de Ren sobre sua pela segurou os lençóis firmes mesmo escapando partes entre os dedos, não esperava aquilo.
Sempre imaginou aquilo, mas já havia um tempo que ele havia deixado isso de lado, por não acreditar que daria certo, se sentia protegido quando jinguji o abraçava quando eram crianças, não fazia bem lhe lembrar de sua infância por isso mesmo com as pernas fracas e sem força alguma impulsionou-se para frente.
– Jinguji... Onegai, Yamete!¹ Eu te dou minha palavra que pa-passaremos um dia juntos, mas pare! — disse Hijirikawa com a voz fraca.
– Isso é tão tentador... – Ren sentou-se na cama, sorrindo ao jogar o cabelo para trás, mordeu o lábio e olhou para Masato inteiramente. O gemido baixo, o corpo, o cheiro. Masato por inteiro. Aquilo o deixava louco. Jamais sentiu isso tão forte, somente quando queria trancar Masato em seu quarto para que Ranmaru não chegasse perto, mas isso foi há muito tempo. – O dia inteiro te beijando... Não ficará com vergonha, Hijirikawa?
Masato passou a mão nos fios a fim de organiza-los e se levantou, tinha que se recuperar do ataque surpresa de Jinguji.
– Te dei minha palavra, terei que cumprir. — disse sem olhá-lo, não queria mostrar mais descompostura ao loiro que por sinal era muito selvagem. – Agora, por favor, me deixe só! — pediu indo para o lado que pertencia a ele. É claro que ele ficaria com vergonha! Ele nunca havia ficado com ninguém desta maneira, e muito menos beijado. Ren o humilharia.
Sentiu um braço circulando a sua cintura e o corpo de Ren atrás dele. Uma pequena caricia na cintura e um sussurro no ouvido.
– Mal vejo a hora... – Ren o soltou e seguiu para frente sorrindo e piscando com um olho para Masato, após isso ele se retirou do quarto.
Masato sentiu o corpo fraco então preferiu se sentar e esperar por seu mordomo. Afinal porque ele tinha que vir? Por culpa dele havia se metido em apuros.
Mas só por enquanto ele iria recordar os minutos que acabaram de passar “Jinguji Ren’’.
– UTA –
Syo estava sentado em um banco no jardim, apreciava a bela paisagem da escola, era realmente tranquilizante olhou para o lado e viu natsuki colher algumas flores. Como ele podia ser tal alegre? Talvez fosse isso que o atraia, nunca estava para baixo.
Durante sua infância sempre reclamou que Natsuki o perseguia, até hoje reclamava, porém se não fosse ele sua infância seria triste. Shinomya era o que o motivava a ser feliz. Além do mais ele sabia que Natsuki o amava, ele nunca fez questão de esconder. Outra coisa que ele sempre admirou foi a coragem dele ser ele mesmo, as vezes não era ele mesmo, mas ele cuidaria para que esta parte estivesse bem escondida.
– Natsuki... — disse Syo chamando a atenção do outro, mas olhava para o outro lado.
– Sim, Syo-chan? – Natsuki sorriu ao seguir para Syo, com as flores na mão ele fez uma coroa. Ele riu ao colocar na cabeça de Syo. Ele juntou as mãos e tombou a cabeça para o lado apreciando. – Você ficou tão bonito.
Kurusu corou um pouco, já estava acostumado aos elogios de Natsuki, mas aquele momento era diferente. Ele queria passar seus sentimentos, nunca havia feito isso antes, era tão confuso, acabou por soltar um grito frustrado.
– Natsuki, o que eu vou dizer agora será muito confuso... Eu nem sei muito bem o que e como dizer. MAIS QUE DROGA! Eu te acho tão... – Syo apertava os nós dos dedos tentando se acalmar. — Na-chan... O que eu quero dizer é... Eu sei que você me... Bem... Ama! MERDA EU NÃO SEI COMO DIZER ISSO! DROGA VOCÊ, EU SEI QUE VOCÊ É MEU AMIGO, MAS EU GOSTO MUITO DE VOCÊ... ENTENDE? — disse jogando os braços para cima.
– Eu também gosto do Syo-chan! – Natsuki o abraçou Syo bem forte e o levantou do chão. – Eu te amo... Você é tão pequeno e fofo.
– Na-chan... Eu... Olha para mim! – Kurusu pediu baixo afastando um pouco o maior de si, soltando um ar pesado, mas deu um leve sorriso. – Eu quero saber se você pretende levar seu amor mais a sério! — falou passando as mãos na perna nervosamente.
– Se eu posso amar mais ainda Syo-chan? – Natsuki sorriu ao tombar a cabeça, vendo que Syo ainda permanecia por perto, apesar que se soltou. Ele tinha uma vontade louca de pegar seu celular e tirar a foto de Syo vermelho e usando aquelas flores. Era lindo. Era muito fofo. Era a imagem mais linda que viu na vida. – É impossível não te amar mais... – voltou a abraçar Syo, não conseguia segurar-se. Queria ficar perto de Syo. – Quero amar mais Syo. O mais seriamente possível.
– Então... — disse se sentindo muito pior de quando havia começado o assunto. — QUANDO EU DISSE ISSO... — droga estava gritando de novo e poderia assustar o outro. — Eu nem sei como dizer isso. – falou abaixando o tom e pondo uma mão nas costas do maior, mas sua mão não estava firme estava bem tremula. — Na-chan quer ...namorar comigo?- perguntou fechando os olhos sentindo o rosto muito quente.
– Ham... – de primeira foi um susto para Natsuki. Namorar? Era algo bem além de amizade. Sempre se imaginou ao lado de Syo, por toda a vida. Afinal, eles estavam juntos desde a infância. Ele gostava muito de Syo, amava-o. Então se namorassem ele poderia amar ainda mais Syo. Agora sim ele não conteve em apertar Syo em seus braços. – Quero! – levou Syo do chão, devido o abraço apertado. – Quero namorar Syo-chan... Seremos um do outro.
– Na-chan... — disse Syo um pouco sem jeito, pronto agora eles estavam bem mais conectados que antes, ele queria isso algum tempo, mas não sabia como se expressar, mas de alguma forma já se sentia conectado a Natsuki. – Hey... Está tudo bem! Pode me colocar no chão? As pessoas estão olhando. — disse ruborizado, por algum motivo ele não explodiu naquele momento. — Vamos lá para dentro!
– Sim... – o maior sorriu, arrumando a coroa de flores sobre a cabeça de Syo, e voltou a pegar na mão do menor e o puxou. Ele estava extremamente feliz, estava praticamente pulando de tanta felicidade. – Agora sou namorado de Syo-chan!
Foram caminhando pelo corredor de mãos dadas recebendo alguns olhares, mas Natsuki parecia nem se importar a cada passo que dava sorria mais dizendo coisas agradáveis sobre Syo.
Syo olhava envergonhado até pensou em puxar a mão, mais ao olhar para Natsuki ele parou, ele era tão corajoso e positivo, sempre tentava o agradar, certo que na maioria das vezes ele acabava estourando e gritando com ele, mesmo assim ele matinha aquele sorriso que tinha um brilho lindo. Um brilho que desde pequeno o iluminava. E agora era seu.
Entraram no dormitório então Syo fechou a porta e conduziu-se até a cama de Shinomya olhando os ursinhos.
– Natsuki... Quero tentar uma coisa. — pediu ruborizando. –Ahn...Vem aqui!
O maior parou o olhando, mas sorriu do mesmo jeito contente de antes. Ele seguiu até a cama, onde tinham os seus ursinhos e a parede estava já impregnada com o pôster do Piyo-chan. Sentou-se na cama e olhou para os ursos, mas preferiu olhar para aquilo que ele achava mais fofo, Syo.
– Syo-chan está tão vermelho. – tombou a cabeça feliz e não parava de sorrir. – Vou conseguir umas alianças. Elas serão lindas.
Alianças!? Era verdade estavam namorando então iriam usar aliança como símbolo de um laço, não que precisassem. Syo ficava mais constrangido a cada momento. Então tomou todo ar que tinha e se aproximou um pouco tremulo.
– Natsuki eu gostaria de um... — Kurusu olhou a expressão de Shinomya e perdeu toda a coragem que tinha conseguido – Eu q-quero... — aqueles ursos não estavam ajudando estavam o encarando e aquilo só piorava a situação. O pequeno se aproximou mais do loiro e tocou a mão de Natsuki, dava para ouvir suas batidas assim como as mão grandes e quentes de shinomya. “Como ele não conseguia estar nervoso?’’.
– Eu posso beijar Syo-chan? – Natsuki falou de repente. Ele mantinha o sorriso alegre e não parecia constrangido. Ele retribuiu o aperto da mão de Syo, olhou para a pequena mãozinha e a beijou de leve. Ao levantar o olhar ele voltou a sorrir e parecia um pouco vermelho. – Meu coração está disparado.
– Não fale coisas assim... — disse um pouco alterado. — Está me deixando mais sem jeito. AHHH ME BEIJA LOGO, NATSUKI! – pediu se sentindo diminuído e aquilo lhe deixava bravo. -. Desculpa, eu não deveria estar gritando, mas eu nunca fiz isso por isso, eu não sei como... – se entregou baixando a cabeça escondendo o quão rubro estava.
– Eu também nunca beijei... – Natsuki puxou Syo para o seu colo, como uma criança que o menor não gostava de ser tratado. – Você será o meu primeiro. – o rubor era leve, apesar da vergonha. O abraço que deu era forte, passou a mão pelo cabelo dele tirando a coroa de flores.
Continua...
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