Orion
2 Capítulo 2 - A grande chance
Sai da faculdade em 2093 e fui tentar a vida na área espacial, que estava em crescimento rápido devido as colônias na Lua e em Marte e viagens para luas de Júpiter e Saturno. Fui contratado pela NASA para ajudar no desenvolvimento dos motores de antimatéria, que viriam a ser muito utilizados, devido a sua eficiência. Também trabalhei nos veículos de levitação magnética, que ficam ligados ao campo magnético terrestre. Mas o que eu queria era desenvolver as naves propriamente ditas, e não apenas partes delas.
Foi quando um bilionário entrou em contato. Era o dono de uma nave de passageiros chamada Prometheus. Segundo seu dono, que se chamava Padilla, ela estava parada a quase 50 anos, e queria que eu coordenasse uma equipe para reformá-la e modernizá-la além de a transformar numa nave de exploração, sendo que todos os custos seriam bancados por ele. Vi aí a chance que queria, e no dia seguinte peguei o trem para San Francisco, onde estava a Prometheus.
Fui recebido por Padilla na estação. Ele era um homem de aproximadamente 70 anos, tinha desenvolvido o sistema de repulsão e içamentos magnéticos para a órbita baixa da Terra, trabalhou na equipe que aprisionou a antimatéria e manipulou o tempo em laboratório, produzindo leves flutuações no relógio. Ele me levou para sua casa, onde eu ficaria hospedado. Após o almoço e uma conversa sobre o que estava por vir, fomos para o espaço-porto de San Francisco.
No caminho, Padilla me contou a história da nave. Ela foi construída inicialmente com o nome de Nostromo, e levava carga para as colônias na Lua e em Marte. Depois foi transformada em nave de passageiros, fazendo viagens regulares entre as colônias e viagens de turismo até luas de Júpiter e Saturno. Depois foi comprada por Padilla mas nunca foi usada. Então ele vendeu os motores e deixou ela largada no hangar 3 do espaço-porto. Ele me prometeu que depois da reforma podia ficar com ela. Perguntei por que, além do mais, ele poderia usá-la e ganhar mais dinheiro (como se ele precisasse de mais). Ele me disse que estava correndo sério risco de vida, pois tinha ficado exposto a antimatéria quando desenvolvia os motores. Contratou o melhor médico que conhecia, que desenvolveu uma aplicação, que não era a cura, mas ia diminuir a taxa com que a antimatéria destruía seu corpo. Me disse que não aguentaria muito mais tempo, e queria que a nave ficasse em boas mãos, e que não tinha herdeiros, então podia gastar todo deu dinheiro com a nave. Diante disso, não pude recusar.
Chegamos ao espaço-porto. Ela estava do lado de fora do hangar. Era uma nave linda. Pesava 13.500 toneladas e podia transportar mais 5.400 toneladas, tinha 100 metros de comprimento, era impulsionada por quatro motores de íons e a tripulação era formada por, pelo menos, 7 pessoas. Porém, estava seriamente danificada, tanto externa quanto internamente e faltavam os motores, que Padilla havia vendido alguns anos atrás.
Fomos para o hangar, onde o resto da equipe aguardava. Quando vi aquela quantidade de pessoas, comecei a pensar se daria conta do recado. Eram 1.500 pessoas, as quais Padilla me apresentou rapidamente e foi embora. Mas eu não conseguia entender porque um homem como Padilla contrataria uma pessoa tão jovem como eu para comandar a reforma da sua nave e depois deixá-la comigo.
De qualquer forma, eu já tinha um plano mais ou menos pronto. Primeiro era necessário saber o que estava funcionando, o que podia ser usado e o que deveria ser trocado. Só depois a reforma e modernização iriam começar. Dividi aquela imensa equipe em 3 sub-equipes, cada uma com seu coordenador.
A equipe Nostromo ficou responsável pelos motores. Como naquele caso não havia motores para testar, essa equipe precisaria apenas escolher qual seria o novo motor e instalá-lo. A equipe Prometheus foi responsável pela fuselagem e o interior. Deveriam testar os sistemas elétricos e ver quais reparos o casco e o interior precisavam. A equipe Orion estava responsável pelos sistemas de comunicação.
Por ser uma nave já com uma certa idade, aonde poucas pessoas a conheciam, apenas esse processo de avaliação levou 6 semanas. Ao final dessas 6 semanas fizemos a última reunião antes da reforma, para discutirmos o que a nave definitivamente precisaria.
Nossa preferência foi pelos foguetes de antimatéria com capacidade de dobra até 24 vezes a velocidade da luz. Os sistemas que giram o motor entre posição de voo e VTOL estavam danificados e foram substituídos.
O casco precisava de algumas reformas e de novos painéis solares. O sistema elétrico estava em bom estado. Os vidros da parte da frente estavam com rachaduras e foram trocados.
O sistema de comunicação ia precisar de uma antena nova.
Além dessas modificações, também precisamos comprar naves de exploração menores para entrar na atmosfera de planetas desconhecidos enquanto a Prometheus ficaria em órbita. Foram compradas cinco naves médias, duas pesadas e quatro leves. Essas naves também poderiam ser usadas como naves de escape em situações de emergência, então deveriam ficar estrategicamente posicionadas. Modificamos o casco de forma que elas ficassem escondidas na parte de cima e pudessem ser acessadas de dentro. As naves pesadas ficaram na parte da frente, as naves médias na parte de trás e as naves leves na parte intermediária.
Foram meses de trabalho. O interior foi a parte mais complicada, pois foi necessário re-dividir as áreas da nave, que tinha 3 andares. O deck 1 ficou como área de carga, na parte de baixo, que tinha também uma pequena quadra. O deck 2, que ficava na parte da frente do segundo andar era aonde estava a cabine de comando. No deck 4, localizado na parte de trás do segundo andar ficou a cozinha, a área de alimentação e sala de jogos. No deck 3, entre os decks 2 e 4, estavam os laboratórios e as salas do hospital. O deck 5 estava na parte mais posterior do segundo andar e abrigava os reatores de antimatéria, o armazenador de antimatéria, o motor de dobra, e todos os sistemas elétricos. O deck 6 estava no terceiro andar e era nele que ficava o acesso as naves de exploração e emergência.
Terminada a reforma, estava na hora de rebatizar a nave. Pensamos em vários nomes, como por exemplo, Oppidum, que era o nome que o Império Romano dava para as áreas que havia dominado. Mas não faria sentido, já que a ideia não era dominar, apenas explorar. Então pensamos em Orion. Gostei do nome na hora, porque lembrava a constelação que está muito distante da Terra e, portanto, representa toda a imensidão do Universo a ser explorado. Além de
A Orion ficou ainda mais linda do que já era, fizemos uma nova pintura, tornando ela mais agradável visualmente. Mas seus enormes motores, quando em posição de voo, davam um pouco de agressividade. Começamos a calcular os números da nave. Teoricamente ela chegaria a 126.000km/s, suficiente para ir da Terra à Marte em 12 a 46 minutos, dependendo da posição dos planetas. O combustível, que era a antimatéria, duraria cerca de 10 anos sem reabastecimento. A comida não seria, problema, já que tinham sintetizadores de alimento e a matéria-prima duraria cerca de 10 anos.
Dentre os aparelhos de pesquisa estavam um telescópio eletrônico com capacidade de resolução óptica, espectrográfica, infravermelha e raio-x. Um cromatógrafo, para análise separada de materiais. E o Radar de Mapeamento de Solo (RMS). O hospital tinha 6 leitos e os melhores equipamentos médicos.
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