Notas iniciais
Voltei depois de tanto tempo e este foi um capìtulo particularmente difícil de escrever porque deixa pistas muito significativas. E eu acho que talvez não tenha ficado tâo bom mas eu estou relevando por se tratar de um capìtulo de transição Então Boa Leitura

—Você poderia se segurar em mim para caminhar sabia? — ofereci a garota revirando os olhos quando eu a vi tentando caminhar por conta própria depois de ter recebido um tiro de blaster no tornozelo.

—Não precisa- ela me garantiu embora respirasse com dificuldade.

—Ah sei- disse irônico apontando para uma maca no canto- Faça um favor para si mesma e deite-se enquanto eu cuido do seu ferimento.

—Você? — ela me questionou com uma sobrancelha arqueada- Eu chamaria um droid médico.

—Se você tiver um com você, eu não me oponho- respondi com os braços cruzados- Mas não temos droids médicos aqui, essas coisas são caras.

—Não- ela mordeu o lábio inferior parecendo desconfiada antes de subir um pouco a barra da calça deixando o ferimento exposto- E então?

—Não se preocupe, seu ferimento é superficial- respondi vagamente me concentrando em limpar e estancar o ferimento.

—Quando eu posso ir atràs do meu amigo que foi capturado?- me perguntou entre as caretas de dor.

—Eu não recomendaria que fosse atrás dele, é perigoso considerando que não conhece esse planeta- respondi com indiferença- Mas você me parece teimosa, então espere pelo menos parar de mancar antes de sair em uma missão suicida.

Tratar o ferimento dela me fez lembrar vagamente da minha infância no palácio, toda vez que eu me machucava ou me arranhava, era tratado por droids médicos, mas desde que eu deixara essa vida para trás, tive que aprender a me virar por conta própria, o que inclui cuidar os meus próprios ferimentos, que não eram poucos graças a carreira perigosa que eu escolhi.

—Você usou o plural Liam! Quem mais vive aqui?

—Caçadores de recompensas, costumamos ajudar uns aos outros pelo menos aqui em Moraband.

—Então você é um caçador de recompensas também? Estava atrás dos saqueadores que me atacaram? Ai!

—Você faz perguntas demais Ava Skywalker- murmurei irritado encostando o medicamento de propósito para fazê-la sentir dor – Não é uma boa coisa aqui, então pelo tempo que estiver aqui, o que eu espero que seja pouco, não faça perguntas entendeu? A Ninguém.

Ava apenas concordou com a cabeça parecendo subitamente com um filhote ferido e assustado, o que me levou a me arrepender de ter falado daquele jeito com ela, o que era algo inédito porque eu nunca me arrependia de qualquer coisa.

—Terminei- disse a ela com um sorriso reconfortante tentando acalma-la depois da forma rude com que eu a tratei antes – Beba isso, vai ajudar com a dor.

Ela bebeu o que eu ofereci em instantes e se nem inspecionar o que estava bebendo antes de engolir tudo, o que inevitavelmente me levou a pensar em como seria fácil envenená-la. Eu a imaginei tossindo desesperada, os olhos arregalados em pânico, ela cairia morta naquela maca quando o veneno terminasse de se instalar em seu sistema, os olhos azuis opacos e sem vida.

—Liam?- ouvi a voz dela me tirar da realidade, com um sorriso amigável — Dou dois créditos pelos seus pensamentos.

—Você não gostaria do que encontraria neles Skywalker- respondi dando de ombros- Procure descansar, o que eu te dei para dor vai te deixar sonolenta.

Me senti culpado pela minha mente que insiste em imaginar situações um tanto perversas desde o tempo em Carissimy apesar de nunca ter chegado a fazer nenhuma das coisas que imagino. Tento ao máximo segurar esses pensamentos e enterrá-los na parte mais sombria da minha mente, tornando-os meus segredos mais secretos.

***

—Arranjou uma nova garota maninho?- a voz feminina debochada me tirou dos meus devaneios.

—Alura!- reviro os olhos- O que diabos você está fazendo aqui?

—Respondendo minha pergunta com outra pergunta, não mudou nada pequeno grande Liam!

Alura se sentou ao lado de Ava que estava completamente adormecida e começou a analisá-la.

—Ela é bonita sabe? Me deu até vontade de experimentar esse loiro.

—Eu não me importo com a cor do seu cabelo, como me encontrou em primeiro lugar?

—Calma! Você simplesmente foi embora Liam, bem eu não iria te impedir mas também não me deu nem a chance de me despedir.

—É só isso que você quer?- pergunto desconfiado.

—Sabe papai está bem desesperado procurando por você, eu deveria ser uma boa filha e dizer a ele onde você está- ela diz com falsa pretensão e um suspiro exagerado.

—Mas você não é uma boa filha, nunca foi- respondi o óbvio com um sorriso irônico que ela devolveu.

—E eu realmente não quero- disse olhando ao redor- Você parece melhor do que nunca, tem liberdade, independência e uma namorada.

—Ela não é minha namorada- ralhei impaciente.

—Ah não? Então o que essa loira bonita está fazendo dormindo na sua cama?- questionou ela com um sorriso malicioso.

—Não é da sua conta!

—Por que está na defensiva? — me empurrando para a borda, como sempre fazia.

—Por que ainda está aqui? Não veio apenas se despedir?

—Claro- ela deu um sorriso forçado parecendo estar decepcionada — Adeus Liam!

—Até nunca Alura!

Eu havia fugido com base na esperança de nunca mais ver a minha irmã gêmea ou dar a ela a oportunidade de azucrinar a minha vida, então ela era a última pessoa que eu esperava que me encontraria tão facilmente, algo como um intuição de gêmeos que deve ter trazido-a até mim, relacionado aos poderes imaginários que achávamos ter quando mais novos.

De qualquer forma, sempre pensei que me despedir dela de vez me traria um alívio enorme, mas para a minha surpresa, me trouxe um sentimento um tanto agridoce e intenso no peito.

***

—Liam! Liam por favor! Pode nos contar de novo aquela estória?- as crianças, filhos de alguns caçadores de recompensas, que viviam agora junto comigo pediram tentando fazer aqueles olhinhos brilhantes que só funcionavam com os pais.

—Crianças! Vocês sabem que isso não funciona comigo- reviro os olhos- E eu já contei essa estória específica umas três vezes.

—Mas eu ainda não ouvi- Ava Skywalker entrou na conversa, estranhamente sorridente demais para alguém que acabou de acordar — E eu adoro estórias.

—Muito bem- me dou por vencido parando o que estava fazendo, mal pisquei e todas as crianças e Ava estavam amontoadas perto de mim.

—Em um tempo muito distante do que vivemos, a galáxia se encontra sob tirania de um Império Galáctico, que para manter sua soberania precisa espalhar medo e para isso criam uma estação bélica de destruição em massa, capaz de destruir um planeta inteiro.

—Mas isso é impossível — Ava protestou- Que tipo de núcleo de energia dessa arma seria poderoso o suficiente para destruir um planeta inteiro?

—Não faço a mínima ideia Skywalker, mas é uma boa pergunta- dou uma pausa bem longa fazendo as crianças ficarem mais ansiosas — Continuando, como sempre há em uma história onde existe o mal, também existia o bem para combatê-lo e nesse caso era A Aliança Rebelde, disposta a roubar os planos da estação chamada Estrela da Morte e libertar a galáxia do Império...Um grupo de rebeldes consegue com êxito roubar o esquema técnico da arma com a esperança de encontrar uma falha e destruí-la, o qual vai parar nas mãos da Princesa de Alderaan que o confia a seu droid de segurança antes de ser capturada pelo Império.

—Alderaan? Mas esse planeta não existe- observa Ava confusa (NA : Não existe ainda, quieta o facho aí Ava e deixa ele terminar a história)

—Enfim- continuo ignorando o comentário da Ava- Ela consegue mandar o droid a um planeta deserto onde é encontrado pelo herói da nossa história, um fazendeiro de umidade que almeja sair de qualquer forma daquele planeta e por coincidência acabar comprando o droid onde estãos os planos da Estrela da Morte.

—Qual é o nome desse herói mesmo?- uma das crianças novatas perguntou.

—Eu nunca dou nomes fixos aos personagens- repito o que eu ouvia da boca da minha mãe quando criança — Você pode dar a ele, o nome que quiser.

*FLASHBACK ON*

—Mamãe posso chamar a princesa da història de Kira? -Alura perguntou ao meu lado com os olhos brilhando.

—E o herói de Kian?- lembro de perguntar a puxando para mim.

—Claro- ela respondeu sorrindo e acariciando o meu cabelo -Eu nunca dou nomes fixos aos personagens, vocês podem dar a eles, os nomes que quiserem.

—Continua a història mamãe- protestou Alura enciumada.

—Muito bem- ela nos encarou com um olhar misterioso e continuou- Kian ao descobrir que a princesa sequestrada estava lá na Estrela da Morte onde ele já estava, se disfarçou de um guarda e conseguiu resgatar a Princesa Kira de Alderaan que estava longe de ser uma mulher indefesa.

—Como assim? Ela era malvada? — perguntou Alura confusa.

—Não querida! Le...Digo Kira, apesar de uma princesa, era uma senadora importante, além de uma mulher forte, independente e destemida. Assim que Kian a tirou da cela, ela pegou uma arma da mão dele e começou a atirar contra os guardas que os perseguiam, a mira dela era incrìvel assim como a sua personalidade.

—Então ela era basicamente uma princesa que consegue se salvar por conta pròpria?- perguntei a minha mãe assentiu com um sorriso.

—Incrìvel!- exclamou Alura maravilhada- E o que acontece depois?

—Kian e Kira conseguem escapar da Estrela da Morte com o droid aonde estavam os planos da Estrela da Morte mas mal sabiam eles que o Império havia colocado um rastreador na nave deles para que os levassem direto a base rebelde, com o objetivo de destruir de vez a Aliança Rebelde.

—Wow! -Alura e eu exclamamos em unìssono.

—Isso seria um bom desfecho para histório- disse eu antes de bocejar de sono- Embora não tão feliz para os nossos heróis.

—Porém isso vocês terão que descobrir só amanhã porque já é hora de dormir — Minha mãe disse com um sorriso antes de me beijar na testa e me cobrir com zelo maternal, depois se levantou em direção a porta.

—Mamãe- chamou Alura de volta- Não está esquecendo de nada?

—Suponho que não- respondeu ela com indiferença ao claro ciùmes que Alura sentia em me ver recebendo demonstrações de afeto e ela não — Boa noite crianças!

Me virei para dormir assim que a porta foi fechado, estava quase dormindo quando ouvi o som da minha irmã gemêa bufando em descontentamento.

—Ela nunca é carinhosa comigo, como é com você- e a voz magoada da Alura foi a ùltima coisa que eu ouvi antes de apagar.

*FLASHBACK OFF*

—De onde você tira essas histórias?- Alura me perguntou com um sorriso brincalhão-Eu adorei, parecem reais ao mesmo tempo em que são surreais.

—Ora- respondi com um sorriso misterioso como minha mãe fazia- De lugar nenhum.

Me senti satisfeito ao sentir o olhar curioso de Ava Skywalker cravado em mim, satisfeito de pela para primeira vez em anos ser alvo da atenção de alguém que não conhecia o meu passado, alguém que veria em mim apenas o que eu quisesse mostrar.

***

Estava em sono profundamente até ser acordado aos poucos pelo barulho da maldita janela de vidro rangendo, me fez trincar os dedos irritado porque aquela não era a primeira vez que atrapalhava o meu sono, estava se tornando um incômodo constante.

Além de odiar vidro em si por ser capaz de refletir a minha imagem, inevitavelmente me lembra dos anos em Carissimy de impotência e loucura... Quando eu olho para o meu reflexo, não vejo diferença alguma.

E o pior é o fato de eu sempre ver a minha vida no rosto de um estranho: E o estranho sou eu, esta é a minha maldição.

É Uma maldição estar finalmente livre mas ainda me sentir como se nunca tivesse saìdo de lá. Me sentir vazio e sem esperança pois quando eu estava lá, vivia sob a esperança de algum dia conseguir sair...E agora que eu saì, odeio a mim mesmo por sò querer voltar.

Até que um clarão de luz repentino me tirou dos meus pensamentos tortuosos, seguido por um barulho estrondoso de uma trovejada e vidro se estilhaçando e caindo em pedacinhos no chão.

Quando olhei para fora da janela quebrada percebi uma noite clara, sem nuvens e perfeitas. Não havia sido um raio de uma tempestade que havia quebrado aquela janela, além de o raio ter vindo claramente de dentro do meu quarto.

Fui eu! Não havia outra explicação plausìvel! E quando essa percepção me atingiu, um grito alto saiu minha garganta a fora, sem a minha permissão.

Me encolhi sentado entre os cacos de vidro, pensando no que havia feito, eu sempre achei depois do Carissimy que aquela ocasião comigo e a Alura demonstrando poderes não havia sido real, que havia sido apenas fruto da minha imaginação e como Alura nunca mais havia falado sobre o assunto, foi ainda mais fácil acreditar nisso.

Mas e quanto hà agora? Eu estou alucinando de novo?

—Liam!- uma voz feminina me fez olhar para quem havia chegado...Era Ava Skywalker, trajada em sua camisola de dormir.

—O que aconteceu?- ela me questionou preocupada- Algum invasor quebrou a janela ou foi o vento?

—Não- respondi a verdade, mesmo sem saber o porquê -Fui eu, acreditaria se eu dissesse que eu conjurei um raio com a mente que destruiu esta janela?

—Diria que é loucura- Ela me respondeu mordendo o lábio inferior parecendo aflita- Mas coisas loucas acontecem todos os dias.

De alguma forma, talvez por causa dos sonhos que compartilhamos em frente ao infinito, eu senti como se pudesse confiar nela, que ela me entenderia apesar de tudo...E foi por isso que depois de tanto tempo, eu falei a verdade, com mais medo do que nunca do que ela poderia significar.

—Acredita em mim? — perguntei a ela de uma vez- Entende do que eu estou falando?

—Eu não sei o que te dizer- ela respondeu com um suspiro- Também não sei o que você acha que viu acontecer…

Ava era péssima em esconder as pròprias emoções, ela parecia genuinamente aflita e eu sabia que ela estava mentindo para mim e terrivelmente mal, falhando em esconder que estava escondendo algo de mim e ainda mais em manter uma aparência condizente com o que estava dizendo.

Ela apenas se moveu para tentar me confortar na percepção dela, o que significava se aproximar de mim e tentar me abraçar.

—Não!- a cortei imediatamente um tanto desapontado- Nem sei porque pensei que poderia confiar em você Skywalker.

—Esqueça o que aconteceu aqui — Ergui os dedos em um movimento leve tentando distraí-la do que estava acontecendo o suficiente para que ela deixasse a minha voz penetrar em seu consciente.

Sabia que o que tentando fazer era errado mas eu havia errado logo depois de começar a acertar, não podia me deixar ser visto como fraco por Ava, não poderia perder o controle de mim mesmo de novo...Não agora que o havia recuperado.

Já havia visto a minha mãe fazendo esse truque uma vez com o meu pai para fazê-lo esquecer sobre suas saìdas noturnas para sabe-se lá onde mas nunca havia tentado por mim mesmo embora ela fizesse parecer um truque místico fácil.

Vi os olhos azuis lìmpidos de Ava perderem o foco por um instante antes de voltar com uma expressão confusa e assustada.

—O que diabos aconteceu aqui?- ela me perguntou surpresa aos nos encontrar muito pròximos um do outro em meio a cacos de vidro quebrados.

—Nada que você precise se lembrar Skywalker!

Notas finais
orque acham que a Ava não falou nada sobre a Força para o Liam? Por que ela agiu como se não soubesse de nada? Vamos descobrir isso no pròximo capítulo assim como se o truque mental que o Liam tentou na mente da Ava deu certo ou não. E quanto aos contos está bastante óbvio que são do Futuro de SW...Mas por que Liana saberia tanta coisa do Futuro? Até o próximo.