Origins
2 Going to live in hostile territory.
— É uma menina! Uma linda e saudável menina! – Sorriu a parteira ao pegar o pequeno bebê em seus braços. Ela enrolou a pequena criança cuidadosamente em um bolo de lençóis coloridos e entregou para a mãe que, deitada sobre a cama, aguardava ansiosa para ver o rosto de sua terceira filha.
— Snart, olhe! Ela é linda. – Mary parecia encantada. Olhava com ternura para a recém-nascida chorosa em seu colo. Mesmo seu marido achando que a criança possuía cara de joelho, ela conseguia enxergar a beleza da bebê
A família Bryer vivia entre refugiados. Morava sobre as ruínas de Sarith, capital de Aurícia que fora destruída há trezentos anos. Seus filhos mais velhos, Bellarose e Dimitri nasceram em meio às ruínas da mesma cidade. Embora a pobreza e todas as dificuldades existentes por culpa da guerra, aquele povo vivia tranquilamente em suas terras. Diferente do resto do mundo, os auricianos ainda depositavam sua fé no retorno do Avatar e na restauração do equilíbrio.
— Recém-nascidos são estranhos, mãe. Ela será uma dominadora como Dim e eu? – A menina mais velha correu para casa quando soube que sua irmãzinha nascerá. Bella era um prodígio em dominação de terra, tendo aprendido desde os sete anos de idade, embora precisasse esconder o que fazia.
— Eu não sei. Só o tempo irá nos mostrar. – o homem bagunçou levemente os cabelos da pequena enquanto vislumbrava sua esposa encantada com sua mais nova menina. – Precisamos dar um nome a ela.
Houve um breve silencio. Mas Mary logo sorriu ao lembrar-se do pequeno sorteio que fora realizado entre sua família. Naquela época todos possuíam ideias para o nome do pequeno bebê e para decidir de forma justa acharam por bem colocar em pequenos papéis as sugestões. Por fim, se caso fosse menino o bebê receberia o nome Luke, e se viesse uma menina, seria Anya. Porém a doce lembrança era carregada por algo triste. Uma semana após a pequena reunião, Dimitri fora levado por soldados marleyanos por ser um dominador de fogo. Embora o menino quisesse muito que seu pai pudesse salvá-lo, ele gritou o quanto pode para que o mesmo não tentasse nada, gritou para que protegesse sua mãe, sua irmã e a pequena criança que ainda estava por nascer e prometeu que um dia, quando menos esperasse, voltaria para casa em segurança.
A mulher secou as pequenas lágrimas que desciam delicadamente como fios em seu rosto e beijou a testa da menina que, naquele minuto, parecia prestar atenção em todos os movimentos de sua mãe. – Pequena Anya, nossa pequena Anya!
(...)
Os anos seguintes foram os mais tranquilos desde todo o início daquele caos. Desde o nascimento de Anya, nenhum soldado inimigo apareceu nas redondezas. O número de habitantes na região havia crescido consideravelmente e alguns pontos da grande capital haviam sido reconstruídos. Embora o resto do mundo estivesse mergulhado em puro terror, a paz e esperança pareciam estar brotando sobre o solo de Sarith.
Mas a família Bryer agora possuía outra grande preocupação. Ao retornar da pequena pré-escola, de forma inexplicável, Anya demonstrou que havia herdado a dobra de fogo de sua mãe. Preocupados pela menina possuir apenas cinco anos e ter iniciado sua dominação de maneira tão precoce, Snart e Mary decidiram que a educariam em casa até que a criança adquirisse conhecimento o suficiente para esconder seu dom, contudo, semanas depois, ao se irritar com Bellarose, Anya inocentemente derrubou sua irmã mais velha com dominação de terra.
E foi aí que os problemas começaram.
Apavorado com a ideia de alguém delatar a pequena criança, mesmo que por descuido, Snart convenceu sua amada esposa e filha mais velha que necessitavam abandonar a cidade e buscar o auxílio da antiga Ordem do Lótus Branco. Na mesma noite, o homem pegou sua garotinha no colo e fugiu com sua família para o mais longe que conseguiu. Eles vagaram por semanas e a cada dia a pequena Avatar demonstrava avanço. Dos quatro elementos a serem dominados, Anya já conseguia dobrar três, faltando apenas o elemento ar.
Depois de quase dois meses vivendo escondidos, Mako Mori, uma aprendiza do Lótus Branco achou a família e os levou para o território da ordem. Os anciões ficaram surpresos. Após gerações o Avatar finalmente estava sob a segurança que lhe fora designada desde os tempos da Avatar Korra.
Em poucos dias, mesmo sendo bem nova, Anya iniciou seu treinamento como Avatar. Ela passava horas a fio praticando movimentos de dominação e aprendendo tudo o quanto seus mestres acreditavam ser importante para a criança. Eles queriam prepará-la para tudo.
A notícia de que o próximo Avatar estava vivo e se preparando para lutar se espalhou como o fogo em épocas de seca. Em menos de um ano, cada cidadão auriciano já sabia que seu redentor estava entre os vivos. Com a formidável notícia espalhando-se mais e mais, os grupos revolucionários começaram a sair das sombras. Os que antes viviam com medo, agora lutavam pela liberdade outra vez. Os militares que outrora rastejavam pelas trincheiras, uniram-se outra vez, recrutando a todos os que desejavam fazer a diferença.
Enquanto Anya crescia em sabedoria, força e poder, os líderes auricianos e kelakianos comandaram a retomada de um antigo território eldiano, reergueram as construções destruídas e criaram a prospera Cidade Republica um dos pouquíssimos lugares do mundo onde todos teriam a oportunidade de viver longe da guerra e em segurança.
Todavia, mesmo com toda a explosão motivacional criada apenas pela menção do Avatar, Cesar Stark o atual imperador de Marley enviou novamente o Esquadrão da Primeira Ordem com o único intuito de encontrar o Avatar e matá-lo outra vez. A busca durou exatamente dois anos até que, por um deslize de um pequeno agricultor, eles conseguiram a exata localização da menina. Uma pequena cidade no meio de um vale funcionava como refúgio para a ordem. Assim que o Comandante Tarkas confirmou a localização de seu alvo, não poupou esforços para destruir o lugar. Jonas, até então o atual portador do Titã Encouraçado, usou sua forma titânica para arrasar o local.
Anya estava em casa quando invadiram o local. Na esperança de proteger sua filha, Mary e Snart usaram suas forças para defender a criança que chorava em desespero e medo. Os soldados auricianos que ali estavam nada puderam fazer quando o Encouraçado começou a destruir tudo.
O som estridente vindo do titã era a única coisa que ela ouviu naquele momento. As pessoas ao seu redor olhavam incrédulas para o sul. Alguns choravam, outros gritavam e corriam em desespero rumo ao norte. Ela também correu, buscava abrigo, a visão de seus pais sendo esmagados pela criatura gigante era a pior coisa que veria em toda a sua vida. A última palavra que ouviu vinda deles foi para correr, "Corra, filha. Fuja para o mais longe possível. Você precisa sobreviver.", "Nós sempre estaremos com você."
E correr foi a única coisa que Anya fez. Ela correu o mais longe que podia chegando até mesmo a tropeçar em algumas pedras pelo caminho. Vários destroços pareciam voar sobre o céu negro. Quem iria ficar parado ali vendo aquela devastação? Até mesmo os militares corriam com a multidão, eles nada poderiam fazer para salvar aquelas pessoas. No limite da cidade, próxima a algumas casas já destruídas, a garota olhava tudo aquilo horrorizada. Sua cabeça sangrava, havia cortado a testa ao dar uma topada pelo caminho enquanto corria. Dimitri, que havia finalmente conseguido fugir dos campos de treinamento marleyano, e Mako pareciam gritar pelo nome da menina, mas ela não se moveu. Continuava a olhar incrédula.
“Eu quero minha mãe. ”
“Quero meu pai”
Ela era pequena demais para passar por todo aquele inferno, tinha apenas sete anos, a cidade a sua frente estava destruída, as casas não existiam mais e um cemitério de corpos se mostrava ao assentar da poeira. A criança estava coberta de fuligem, o vestidinho azul que trajava havia sido coberto de cinzas e sangue. A alguns metros à sua frente a monstruosidade que destroçou seus pais a observava no meio da rua.
A criança só sabia chorar, ela prometeu que sobreviveria, mas não tinha coragem de continuar correndo, sabia que poderia morrer a qualquer instante. Antes que tal criatura a alcançasse, seu irmão a pegou no colo, jogando a menina em seu ombro enquanto corria desesperadamente junto aos poucos que ainda estavam naquela região. Porém uma explosão jogou os dois para dentro de uma casa parcialmente destruída e o mesmo som penetrante que ela ouviu quando seus pais morreram fora entoado.
Não muito longe, um soldado da Primeira Ordem viu a situação dos dois e correu para poder concluir sua missão. Contudo, ao ver que quem estava controlando as chamas produzidas pela explosão era apenas uma criança, o homem não conseguiu atirar. O olhar assustado de Anya e as suplicas da menina paralisaram o rapaz.
— Por favor, não atira! Eu só quero salvar ele! Só queremos ir embora daqui! – Ela soluçava de tanto chorar enquanto tentava levantar seu irmão desacordado. A voz fina e tristonha da pequena avatar causava ainda mais remoço no soldado.
E de fato ele não conseguiu matá-la. Embora soubesse o perigo que ela poderia gerar em um futuro próximo para sua nação, Daniel não fora capaz de assassinar um ser tão frágil e vulnerável quanto aquela criança. Mas outra pessoa poderia executa-la a sangue frio. Para proteger a menina de uma morte cruel, o rapaz a pegou em seu colo e a apresentou a seu comandante. Ao invés de contar-lhes a verdade, Daniel disse apenas que viu a menina controlar o fogo e que poderia ser útil nos acampamentos infantis de Marley. Convencido de que o avatar teria escapado para as montanhas junto com o resto do povoado, Tarkas então ordenou que seus homens subissem as montanhas ao redor da cidade e mandou Dan levar a garota para a reeducação na capital marleyana.
— Por que você mentiu? Você sabe quem eu sou. – Curiosa e temerosa, Anya finalmente quebrou seu silencio. Já estavam na estrada a algumas horas e ela podia ver o quão instável o rapaz aparentava estar.
— Você é só uma criança. Não oferece ameaça alguma. – O homem de fato estava inquieto. Mexia suas pernas com frequência enquanto dirigia de volta para o porto local. Em seu interior sabia que ao estar protegendo o avatar poderia ser considerado um traidor por seus amigos e seu imperador. Mas era o certo a ser feito. Seus instintos diziam que deveria protege-la e garantir que terminasse seu treinamento mesmo em solo inimigo. – Não precisa ficar com medo, ok? Isso tinha que ser feito ou eles te matariam. E além do mais, já está na hora dessa porcaria de guerra acabar.
— Eles irão me matar de qualquer jeito. – Assim que o carro parou, a menina começou a sentir lagrimas rolando por seu rosto novamente. Ela sentia que quanto mais se afastasse de sua terra natal e de sua família, mais perigo estaria correndo.
Vendo o medo da criança, Dan ajoelhou-se a frente da pequena menina, ficando próximo o bastante para olhar nos olhos dela. – Eu prometo que não vou deixar que ninguém machuque você. Enquanto você estiver em Marley garantirei sua segurança.
Daniel verdadeiramente a protegeu e garantiu que ninguém jamais descobrisse a verdade sobre ela. Até o dia em que, infelizmente, fora acusado de estar encontrando-se com membros da Quinta Coluna, o que resultou na sua morte. Deixando Anya a própria sorte entre aqueles que queriam a sua cabeça.
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