Originals

9 Capítulo 8 - Fogo


Rebekka

-Senhora, poderia nos dar abrigo por uma noite?

Pedi, puxando Elijah mais para baixo do pequeno abrigo que o telhado criava. O pobrezinho estava encharcado, mas ainda assim parecia fascinado pela primeira chuva que via na vida, passando os dedos pelas gotas de chuva de caiam, observando-as descerem pelo contorno dos braços, ignorando o fato de seus lábios apresentarem uma coloração roxa de frio.

A mulher nos olhou de dentro da casa, desconfiada e pousou os olhos em Elijah, que lhe dirigiu um sorriso cativante. Seu olhar amoleceu e ela abriu a porta.

-Podem dormir na cozinha.

Disse, indicando o cômodo com um dedo nodoso. Peguei Elijah pela mão e o conduzi para a cozinha. A mulher ajeitou um pouco de palha perto do fogão a lenha ainda quente da refeição da noite e foi se deitar. Alimentei as brasas com um pouco da palha e Elijah acompanhou meus movimentos com os olhos.

-Fogo.

Eu disse a ele.

-Fogo.

Repetiu obedientemente.

-Não pode tocá-lo. Machuca você. É mau.

-Verbena?

Perguntou, virando a cabeça de lado, tentando encontrar uma relação entre a diminuta flor roxa e as chamas vermelhas, amarelas e alaranjadas bruxuleantes e pequenas que queimavam no fogão.

-Não. Mas também queima como se fosse.

Ele fez que sim e recolheu-se na palha. Ajeitei o monte e sentei-me ao lado dele.

-Bekka – Ele chamou. Olhei na sua direção. – Mamãe?

-Mamãe não está aqui, Elijah.

Ele fez que sim e suspirou. Acariciei seus cabelos ralos e castanhos.

-O que foi?

Perguntei, abraçando-o.

-Sinto falta. Quero a minha mãe.

-Ela não vem. – Eu disse, recusando-me a lhe dizer a verdade – Tire isso da cabeça.