Oriente das Trevas.
2 Cap. 2 - O começo!
Notas iniciais
Apesar de Susanoo ter dito que não foi ele quem quis me tornar uma Deusa, vejo que nós dois estamos no mesmo barco. Ambos são forçados a fazer algo que não quer.
Estamos em minha casa, na sala de estar. Como pedido dele, sento-me. Susanoo já me manda um olhar de reprovação.
– Essa é sua postura?! Que patético... nem ao menos sabe o básico.
Resmunga ele.
– Olha aqui papai, sabe muito bem que não sou feita para receber aulas de etiquetas. E qual é dessa aula? Não quer que eu me torne uma Deusa?
Pergunto um tanto frustrada. Jogo a cabeça para trás e coloco os pés sobre a mesa. A qual são retirados imediatamente por Susanoo.
– Toda Deusa deve se portar como tal. — O homem levanta a manga de seu quimono, desliza sua mão sobre seu bolso, retirando um leque e o abre tampando seu rosto abaixo do nariz. — Se você não se portar como uma, terei de lhe dar um castigo e não irei me responsabilizar por sua morte.
Seus olhos castanhos são penetrantes e com apenas um olhar de congelar a espinha, fico ereta na cadeira e com as mãos sobre o colo, suando frio e com medo de que ele possa fazer comigo.
– Hum... muito bom.
Então, ele se senta na outra ponta da mesa e pergunta:
– Qual mão você usa para escrever?
– A esquerda.
– Muito bem... quero que escreva uma frase qualquer de algum autor ou autora, não importa sua etnia, tanto que escreva. Espero que sua letra seja impecável.
De repente, um caderno e uma caneta tinteiro surgiram em minha frente.
Suspirei... pensei e pensei até que uma frase, que combina muito com a eu atual.
"Não dá para escolher se você vai ou não vai se ferir neste mundo, meu velho, mas é possível escolher quem vai feri-lo. Eu aceito as minhas escolhas."
John Green
Assim que terminei, Susanoo pegou o caderno e ficou um tanto pensativo, me olhou e voltou ao caderno.
Ele solta um grunhido e diz:
– Pelo menos, escrita o é seu ponto forte. Vamos para Izumo.
– O que?! Não, não, não... recuso!
Susanoo se vira bruscamente para me encarar. Sinto seus dedos apertando meu pescoço.
– Prefere morrer?!
– M-ME DESCULPE!
Sou jogada contra o chão, tossindo por causa da falta de ar. Olho para ele com raiva e o mesmo dá de ombros.
– Eu estou lhe dizendo, não me responsabilizo pela sua morte.
Então, fico em pé ao seu lado e uma enorme porta surge em nossa frente.
– Cadê seus servos?
Pergunto sentindo a ausência do típico trem que nos leva até Izumo e os servos de Susanoo, que geralmente ficam só de vigia.
Ele não me responde.
Ao passarmos pela porta, chegamos em Izumo e todos começam a me fitar.
Este lugar é um lugar que não gosto de frequentar, já que minha irmã mora aqui e é uma Deusa de auto nível. E toda vez que ela me vê, gosta de me esculachar e zombar de minha posição e tudo que fiz.
Puxo a toca do casaco e o coloco, sinceramente... por quê tenho de vir junto? Provavelmente Susanoo só tem que contatar a Deusa Chefe de que irei me tornar uma para que eu não perca meus poderes e bom... aposto que me tornar uma Deusa não é a única coisa que irei fazer. Se é para isso acontecer, por quê não aconteceu há seis anos atrás? Estão aprontando alguma...
– Ei... Susanoo... — o chamo, mas o mesmo não diz nada. — Por que você só veio falar comigo após seis anos da minha saída de Izumo?
– Suas perguntas não serão respondidas aqui, é perigoso.
Diz ele sem tirar os olhos das pessoas a sua frente.
Chegamos no templo da Deusa Chefe — não, não sei o seu nome, mas... ninguém faz questão de me contar, quase ninguém sabe me dizer.
– Você fica aqui.
Diz Susanoo.
– Eh?! Então para que estou aqui?!!
– Cale a boca pirralha, não viemos aqui apenas para falar com Ela. Temos outros assuntos para resolver.
Apenas o vejo entrar, logo estou sentada na escada do castelo apenas esperando a volta dele. O que é um saco, já que parece que apenas sou uma inútil.
[...]
– Então, trouxe ela consigo?
Pergunta a Deusa.
– Sim, mas tem certeza de que quer ela de volta? Apesar de ser sua filha, sabemos que Asuka não irá conseguir chegar no final.
– Susanoo... já lhe disse uma vez e vou dizer novamente, Asuka não irá morrer, diferente da sua irmã Neil, Asuka tem os poderes mais fortes além de ter um ficha melhor do que a irmã mais nova. Sabemos que... quanto mais perto ela chega no fim, mas as coisas irão se complicar... por isso pedi para você se tornar o mestre dela. Apesar de estar neste posto de Deusa Chefe, sabemos que é você e seus irmãos que deveriam estar aqui, mas os três recusaram.
Lina Minako, uma Deusa cuja a beleza é de tirar o fôlego e seu poder é devastador. De cabelos longos na cor verde e belos olhos dourados — além de ter um corpo de dar inveja -, Lina está entre os 10 melhores Deuses. Muitos recusaram o posto de Deus Chefe e sem muita opção, Lina teve de aceitar o posto. Muitos a temem.
Suas filhas Asuka e Niel, também são destemidas. Apesar de que Asuka fugiu de casa pois não aguentava sua vida cheia de regras e limitações, também farta de ter que sempre ouvir "Sua irmã é mais forte", procurou o mundo humano para deixar de ser a guerreira fracassada.
– Lina, sei que me escolheu para isso, mas sua filha é...
Susanoo se interrompe, pois estava falando da filha de Lina.
– Estúpida? Pois eu devo discordar, não só porque sou a mãe dela, mas eu vejo um potencial que ninguém mais vê. Continue sendo o mestre dela e verá como Asuka pode substituir meu lugar.
– Sim senhora. — Curva-se o homem. Então, fica ereto e pergunta: — Ela sabe que você é a Deusa Chefe?
– Não... Asuka terá de descobrir de sua maneira. Além do mais, você tem que cuidar de mais um além dela, não é?
Ri Lina, apenas se divertindo com a situação.
[...]
Após Asuka ficar um tempo sentada, um youkai aparece.
– Afe... não acredito.
Resmunga a garota.
Ela e youkais não se davam bem. Nenhum pouco.
– Ore... sinto um cheiro um tanto familiar. — Diz o Youkai fungando o ar. A raposa olha para a garota e pergunta: — Por acaso é filho de Lina?
– E se eu for? Algum problema?
A raposa começa a rir.
– HAHAHA! Você é Asuka?! A filha que abandonou o lugar de origem para se juntar a meros humanos?! HAHAHA!!!
– Cale a boca raposa imunda! Não basta ser um youkai, tem de ser da tribo mais traiçoeira. Ninguém merece....
Diz ela em um pigarro.
– Asuka!
Esbraveja Susanoo logo atrás.
– S-Sim... ?
Pergunta a garota virando-se lentamente esperando a bronca por gritar com uma criatura admirada pelos Deuses.
– Vejo que se encontrou com seu colega.
– Huh? Colega?? Não me diga que terei de aguentar essa raposa traiçoeira...
– Digo e mais, este youkai também teve seus deslizes, ambos terão as mesmas aulas, exceto de que Asuka terá as especiais.
– Colega de uma estúpida?! De alguém que deixou seu lugar de origem?! — Grita a raposa. — Desculpe, mas me recuso.
Susanoo começa a fuzila-lo com o olhar e o youkai abaixa suas orelhas e fica com o rabo entre as pernas. Asuka apenas começa a rir. Que estado deprimente.
– Se os dois recusarem a ter as aulas, saibam que os dois serão mortos.
A garota de cabelos azuis engole em seco. Lembrando de como ela foi enforcada pelas mãos desse brutamontes.
Os três foram embora de Izumo, indo diretamente para o templo do Deus da Guerra.
Apesar do título, este Deus é inofensivo... mas quando está apenas em seu templo, se cruzar a linha que separa da entrada de seu templo da rua, pode dizer adeus e comece a rezar, pois não há como acalma-lo.
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