Notas iniciais
E aqui vai o novo cap, acabando de sair do forno e um pouco maior pra vcs ♥ Espero que gostem! ^.^ Boa leitura!

Zoro acordou ofegante, suado e com o coração disparado. Tinha acabado de passar por um pesadelo terrível, um pesadelo que trazia de volta o sofrimento de seu passado e a perda de Kuina. Em seu sonho, ela morria de várias formas, e cada vez que ele tentava salvá-la, a cena mudava, mostrando mais dor e desespero. O suor escorria pelo seu rosto enquanto ele se perguntava quanto tempo tinha dormido encostado na janela da sala de treinamento. Olhou para o céu e viu que ainda era bem cedo. A sensação de que os sonhos duravam uma eternidade persistia. Era como um ciclo interminável de tormento.

Ele achava que, com o tempo, o fantasma de Kuina não o assombraria mais, como acontecia há alguns anos. Mas agora, o medo e a dor voltavam, e ele só esperava que fosse apenas sua imaginação, pois isso estava extremamente desconfortável e o desconcentrava.

### P.O.V – Zoro

“Engraçado que, apesar de ontem ter sido uma das melhores noites que eu já tive, acabei tendo um pesadelo quase macabro... Talvez eu realmente devesse ter bebido mais.”

Quando me lembro das imagens de ontem, um sorriso brota em meu rosto, ajudando a dissipar, por alguns segundos, a angústia do pesadelo. Levanto-me, tentando ignorar a sensação incômoda de que alguém estava me observando, mesmo sabendo que não havia ninguém além de mim. Olho pela janela novamente e vejo que a neve começava a cair suavemente, explicando o frio que eu estava sentindo.

“Tinha mesmo que ser o Shin Sekai... ontem à noite estava chovendo, mas ainda fazia um certo calor.”

À medida que desço as escadas, a algazarra vinda da cozinha fica cada vez mais alta, e os gritos de Luffy me surpreendem, pois ele não costuma acordar cedo.

Digo um “bom dia” arrastado e preguiçoso para todos. Quando chego à cozinha, a visão de uma figura de avental cor-de-rosa à frente do fogão me deixa em transe por alguns segundos. Não, não é o Cook.

“Acredita que a Nami se ofereceu para fazer o café de hoje, Zoro?” diz Luffy, com um tom entusiástico. “Eu já sei disso, idiota,” era o que normalmente eu diria, mas o que saiu foi:

“É, é, legal...”

“Goshujinsama”, o que quer para o café da manhã? – A figura ruiva se virou para mim, com a concha na mão. O avental cor-de-rosa estava tão... sensual.

“Oe oe oe oe oe, Zoro-saaaaaan!” – O esqueleto estalou os dedos na minha frente. “Você está aaaííí?”

“Argh, cale-se...” – resmunguei, mas parecia que ninguém me ouviu...

“Ei, Zoro, aconteceu alguma coisa?” – Usopp indagou, parando de tomar seu café para me fitar. Nami também olhou para mim.

“Está passando mal, kenshin-san?”

“Hã, por quê?”

“Sua cara não tá muito boa.” – comentou Franky, após uma golada de Cola.

“Eu não dormi muito bem...”

“Concentre-se apenas no café por ora!” – Nami veio até mim trazendo um suco de laranja e ovos com bacon. Cheirava bem, mas o que me assustou foi o fato de ela ter me dado um beijo na bochecha de repente. Não que eu não tenha gostado, admito que adorei, e por causa disso os idiotas sorriram para nós dois.

“... Tsc, tão olhando o quê?”

“Nada, nada! Yohohohoho...”

“Aahhh, a Nami é tão malvada! Ela não fez o mesmo comigo, até Sanji faz esse café melhor do que você, sabia??” – Ri quando Luffy reclamou, apontando para seu prato onde havia apenas uma torrada.

“Isso é castigo!” – Nami disse, voltando para o balcão. “Quem disse que era para comer toda a geleia de uva do pote, hein? Era só ter me esperado terminar aqui, droga!”

“Eu estava morto de fome! Ontem eu não jantei direito!”

“Ah, sim, tá bom.” – falou sarcástica.

Todos estavam ali, exceto o Co—

“Nami-swaaaaaaaaaan!” – Falando no diabo... “Ah, oi, Zoro.” – Eu esperava uma cara de desgosto quando ele me visse, mas, para minha surpresa, o Baka Cook me deu um sorriso e um “bom dia” sincero. E ainda me chamou pelo nome!

“Bom dia... Sanji.”

Ele deu um meio sorriso e cumprimentou o resto do pessoal. “Franky, é a sua vez de ficar de vigia. Vai logo que eu deixei praticamente o navio ‘andando só’.” – riu do que ele mesmo disse.

“AW! Deixa comigo!” – Franky deu um último gole em sua Cola e saiu, não antes de fazer sua habitual pose engraçada.

“Nami-swaaaan, não precisa mais se preocupar. Deixa que eu cuido do resto! Me desculpe se foi um incômodo pra você.”

“Que nada! Eu adorei ajudar! O pessoal gostou da minha comida, né gente?”

“Siiim! / Nããão!”

“HÃ? QUEM DISSE ‘NÃO’?” – O Cook se virou para a mesa, com uma veia na testa. “Foi você, Marimo?!”

“Eu tô de boas aqui.”

“Foi eu!” – Luffy cruzou os braços e fez bico, com uma cara tipo “Vai fazer o quê?!”.

“Por acaso está dizendo que Nami-san não sabe cozinhar?? Ela te deu o café da manhã hoje, seu... mal agradecido! Sinta-se privilegiado de comer a comida de uma deusa!”

“Hã, ela só me deu uma torradinha! Nem manteiga tinha nesse... troço!” – ele jogou o prato em cima dele, revoltado.

“M-Maldito... você... tá desperdiçando... comida?” – Eu tinha certeza de que aquele cara ia surtar agora. Os demais continuavam em silêncio, apenas olhando...

“Talvez!” – Luffy bufou, eu apenas comia meu bacon e uma torrada, terminando de passar a manteiga nela. Tudo estava tão perfeito e eu queria ver onde isso ia terminar. “É uma completa injustiça! Todo mundo ganha suquinho, bacon e eu só... uma porcaria de torrada, amassada e fria!!”

“Não acredito no que estou ouvindo, Luffy... você... você...”

O Cook ia dar um baita chute em Luffy, mas, para minha surpresa, envolveu-o em um abraço... eh? Abraço...?

“Eu estou tão feliz! Pela primeira vez esse idiota reclamou de algo da minha comida!”

“E você deveria ficar feliz com isso...?” – indaguei, não entendendo.

“Claro que sim! Bom, eu até te diria como, mas acho que a explicação é difícil demais para pessoas idiotas.” – É, ele não mudou nada.

“Desgraçado...”

“Sem brigas!” – Nami bateu com a concha em nossas cabeças, e um enorme galo se formou.

“Ai! Isso doeu, bruxa!” – e o pessoal começou a rir novamente, parecendo que ficavam em silêncio só para assistir.

“P... Por que eu também...” – Luffy estava com a cara no chão.

“Nami-saaaaaaaaaaaaaan, por que eu também??” – choramingou o Cook.

“Porque você começou, Sanji-kun!”

“Hoje todos estão tão animados! Yohoho...!”

“AAAAAAAAAHHHH!” – ouvimos o grito de Chopper de lá de fora. Ficamos aflitos e preocupados na mesma hora e corremos até lá, depois que o navio virou de repente.

P.O.V. off

“O que foi?! Que barulho foi esse?!” – Zoro gritou.

“M-MINNA! ME AJUDEM!” – A rena agora estava carregada por uma coruja enorme, ameaçando jogá-la na água.

“Chopper!” – Usopp gritou. “Tente falar com ela, quem sabe—”

“Usopp! É ELE, e não ELA!”

“TANTO FAZ, só tenta conversar e pedir para que te solte!!”

“N-Não dá! Ele não quer me ouvir!!”

“Sanji-kun, chame o Luffy e diga para ele trazer Chopper de volta!” – já angustiada, a navegadora ordenou.

“Tsc, nada!” – Sanji balançava o capitão, chegando até a dar alguns chutes. “Ele não quer acordar de jeito nenhum!”

“Chopper, por favor, não se mexa!” – Robin ficou em forma de combate, tentando tirar a rena que chorava sem parar, mas até ela a grande coruja pegou, apertando-a até desmaiar.

“ROBIN!!”

“Usopp, não!” – A ruiva disse para o amigo. “Não atire, pode acertar aqueles dois!”

“Mas...!”

“Droga, nestas situações...!” – Zoro grunhiu irritado consigo mesmo. Ele poderia cortar ao meio aquele animal maldito e salvar aqueles dois, mas a distância era absurdamente grande entre eles. “Cook!”

“Eu sei!” – Sanji, com suas habilidades, “flutua” no ar e chega até o animal, preparando-se para um chute. “MORRA, CORUJA DE MERDA!!”

A coruja rosnou e, incrivelmente, desviou do ataque do loiro, agarrando-o pela boca. “Mas o qu—”

“AHHHH NÃO!” – O narigudo exclamou, botando as mãos no rosto. “ATÉ O SANJI FOI PEGO!”

“Hanauta Sanchou...” – Brook deu um salto na direção do animal, desembainhando sua katana com um ar de luta. “YAHAZU GI— AAAAHHHHHHH!!” – mas, infelizmente, não adiantou e ele praticamente passou reto pela coruja, caindo por fim na água.

“SEU IDIOTAAAAAAA!” – Usopp gritou, pulando no mar para salvá-lo.

“Não saia de perto de mim” – Zoro sussurrou para Nami, ficando na frente dela com a mão na bainha.

O animal finalmente resolveu ir embora, levando consigo três de seus companheiros, que agora precisavam ser salvos.

“Eu vi a direção que ele voou, é a mesma pela qual estamos indo” – disse Nami, totalmente séria. “É para uma ilha chamada Snow Flower, uma ilha de inverno. Zoro, vamos para lá e salvá-los.” – falou determinada, surpreendendo um pouco o espadachim pela sua seriedade. Mesmo que isso não fosse novidade para ele.

“... Com certeza.”

(...)

E por fim, chegaram em Snow Flower. Não havia praticamente nenhuma alma viva, apenas neve e mais neve, e cabanas abandonadas. O resto da tripulação se dividiu em duplas, escolhidas pela própria Nami:

Franky teria de ficar novamente cuidando do navio, junto com Brook. Enquanto isso, na ilha, as outras duplas iriam procurar pelos amigos, e como era de se esperar da ruiva, ela ficou com Zoro, sobrando Luffy e Usopp do outro lado de Snow Flower. Nami nem sabia direito o porquê de querer ficar com ele, apenas... queria conversar um pouco, sem brigar, para ver se isso aliviava seus nervos.

“Eu tenho certeza de que iremos encontrá-los. E quando isso acontecer, estarão bem.” – Zoro, percebendo sua hiperpreocupação, tentou aliviá-la com suas palavras, que pareceu funcionar. “Não fique nervosa, Nami.”

“Não estou e não ficarei.” – disse, suspirando pesadamente. “Eu apenas... quero fazer isso o mais rápido possível.”

“É, eu também...”

Até que o espadachim notou que Nami não estava usando luvas.

“Você não sente frio?” – ele parou de andar, fazendo com que ela também parasse. “Aposto que suas mãos estão congelando agora.”

“Ah. Não... não se preocupa com iss— e-ei!” – já pegando nas mãos delicadas de Nami, o espadachim exclama:

“Caramba, estão muito geladas!”

“Eu tô bem, eu juro!”

“Eu não quero que você pegue uma hipotermia.”

“Mas você só trouxe um par, não?”

“Não tem problema.”

Zoro tirou um par de luvas fofinhas do bolso de seu casaco felpudo e quentinho. Então, pediu que Nami colocasse uma delas em sua mão direita, enquanto ele colocava a sua na mão esquerda, ficando os dois com uma das mãos despidas. O espadachim então resolveu pegar a mão de Nami, mostrando um meio-sorriso, e colocou as mãos de ambos dentro do bolso do casaco.

“Pronto. Agora frio não é problema. Certo?”

A ruiva acabou corando, sentindo o calor confortável das mãos do outro e qualquer tipo de frio indo embora rapidamente. “C... certo...” – sorriu.

Pararam de andar, fitando a mansão que encontraram ali, no meio do nada. Ao lado, em um galho de uma árvore enorme, a mesma coruja que havia pegado Chopper, Sanji e Robin dormia profundamente.

“Parece que chegamos...”