Orgulhosos demais

4 Consequências por beber mais de 2 dias


Notas iniciais
Esse capítulo está bem fraquinho hoje... Mas... boa leitura! ^^

*Zoro

Desde aquele dia, Nami tem agido de maneira estranha, especialmente comigo. Será que eu fiz algo para ela — ''DE NOVO''— e não me lembro? Não, isso é impossível. Então, o que poderia ser?

“Zoro!” A chamada abrupta fez com que eu me levantasse de repente. Falando nela...

“O quê?” perguntei sem a olhar diretamente

“Você está bem? Estou te chamando há um tempo e parecia que você estava em outro mundo.”

“Ah, acho que estava apenas distraído."

“Enfim, só queria avisar que estamos nos aproximando de uma ilha.” Foi quando ouvi Luffy berrando animadamente atrás dela.

“Só isso...?” perguntei

“Só, por quê?” Nami arqueou uma sobrancelha, aproximando-se de mim com um sorriso provocador, enquanto sua mão deslizava levemente sobre meu peito. “Você quer alguma coisa, Zoro?” Ela estava claramente me provocando, e eu não sabia como reagir. Que mulher agitada!

“Não,” respondi

Ela piscou um olho e se afastou, deixando-me intrigado. Parecia que ela estava tramando algo, mas decidi ignorar. Vindo dela, não deveria ser nada bom. Levantei-me, já que parecia que estávamos nos aproximando do destino. Ao olhar para o deck, vi Nami toda sorridente enquanto o Love Cook a bajulava.

De repente, uma raiva surda brotou dentro de mim, como se ardesse em chamas, só de ver Nami tão perto daquele paquerador que voltou para a cozinha.

...Huh? Ciúmes? Ciúmes da Nami?

“Não, isso não pode ser,” murmurei em voz alta, sem querer.

“O que foi?” Nami se aproximou novamente, olhando-me com curiosidade. “Você parece meio fora de órbita hoje.”

“Ah, nada. Só estava... pensando,” respondi, olhando para Nami, que estava fixada na visão da ilha com um olhar admirado.

Meu interesse foi despertado, e resolvi olhar também. A entrada da ilha era um espetáculo de árvores repletas de flores de cerejeira, um cenário que lembrava a terra natal que Chopper tanto desejava. As pétalas rosa criavam um ambiente acolhedor.

“YOOOSH! Já que chegamos, vamos dar uma olhada!” Luffy berrou, animado, ordenando que o navio parasse.

“Vou começar a fazer compras. Precisamos de suprimentos,” disse o ero-cook, enquanto ancorávamos.

“Robin, o que acha de roupas novas?” Como esperado, Nami se voltou para Robin, com um rosto empolgado.

“Desculpe, mas desta vez planejo ir até uma biblioteca central com Chopper,” respondeu Robin, lamentando um pouco. E, como eu temia...

“Mas o Zoro pode ir com você.” Era tarde demais...

"Então, está decidido. Você irá carregar minhas compras."Isso me deixou um pouco irritado, mas respondi com um “Tsc, fazer o quê.”

“Vou procurar uma loja que venda armas. Não procurem por mim,” falou Ussop.

“Yohohoohohoo! Sanji-san, será que eu poderia ajudá-lo com as compras? Eu gostaria de ser útil,” disse Brook.

“Oh, você será de grande ajuda, Brook,” confirmou o ero-cook.

“Vocês podem ir, que eu cuidarei do navio,” fez Franky com sua pose característica. “Mas tragam cola, beleza? E de montão!”

Assim, Robin e Chopper, Luffy e Ussop, Brook e o ero-cook foram em suas direções, restando apenas eu e a...

Que sorte a minha...

Nami procurou com os olhos uma loja de roupas, animada como uma criança. Eu tentei ao máximo esconder meu desagrado, que devia estar evidente nos reflexos dos vidros das lojas por onde passávamos — caso contrário, a situação iria piorar. Ela seguia em frente, como se eu tivesse a responsabilidade de cuidar dela de longe.

“Ah, encontrei! Vamos, Zoro,” ela exclamou, correndo para uma loja no final da rua central, cheia de luzes neon, mesmo em plena luz do dia. A atendente pareceu temer minha presença, fixando-se nas minhas espadas, mas, ao ver Nami mostrando uma quantidade impressionante de berries, entendeu a situação.

“Hum... melhor eu pegar outro...” Nami parecia insatisfeita com o décimo vestido. “O que você acha, Zoro?”

“Está bom,” respondi, minha resposta já se tornando automática.

Ela revirou os olhos castanhos, me observando com intensidade. “Mesmo?” disse ela, enquanto se olhava no espelho. “Você sempre diz isso!”

“Ah...” Eu não sabia o que mais dizer.

“Mas e você?” Nami perguntou, desafiadora.

“Eu? O que tem eu?” Respondi, confuso.

“Quer alguma coisa?” A pergunta me surpreendeu mais uma vez.

“Nada que eu precise,” disse, tentando não parecer interessado.

Ela não parecia convencida. “Já sei o que é bom para você.”

[...]


A cidade era moderna, mas a natureza estava presente em cada canto — árvores e flores misturadas com as ruas, praças e lojas. Era um bom lugar, neutro por enquanto. Sem sinais visíveis de marinha ou piratas, até onde sabíamos, se estivessem camuflados, eram invisíveis para nós. E lá estava aquela ruiva desfilando pelos becos, como se conhecesse tudo. Ela me levou até um bar — simples, mas nada barato. Fomos até uma mesa no centro, onde, em vez de cadeiras comuns, os bancos eram feitos de couro, confortáveis, mas com um toque de luxo.

“Vamos. Escolha o seu,” disse ela, com um tom de desafio.

“Não estou afim,” respondi, afastando o olhar.

Ela abriu e fechou a boca várias vezes, como se quisesse dizer algo, mas desistiu e voltou os olhos para a mesa.

“Eu... Er... Queria me descul...” começou a falar, mas foi interrompida quando o bartender trouxe as taças. Um toque de sofisticação, com uma garrafa aparentemente cara.

“Por cortesia da casa. Por ser a primeira vez do casal aqui,” disse o bartender. “Garanto que irão gostar.”

Que bom que era de graça; assim, não devo nada.

Os minutos passaram. Nami serviu-se, mas hesitou ao oferecer-me um pouco, vendo que eu estava parado.

“Não vai beber?” perguntou ela, curiosa.

“E você?” perguntei.

“Seria melhor bebemos juntos,” comentou. “Li na entrada do bar que a primeira bebida é grátis, mas depois de uma hora devemos pagar.” Então era só isso?

“Você não precisa da minha ajuda para beber,” disse, tentando não parecer interessado.

Nami me olhou um último segundo e virou a taça de uma vez, engolindo o líquido que era uma mistura de rosa, laranja e verde. Os ingredientes na garrafa eram “limão, laranja, flor de cerejeira”. Um coquetel cítrico e floral? Nunca experimentei algo assim.

Minutos se passaram e ela me olhou, questionando se eu não ia beber mesmo. “Pode beber. Eu prefiro ficar sóbria enquanto estamos aqui. Nunca sabemos o que pode acontecer.”

“Você está dizendo que eu sou descuidado?” perguntei, um pouco ofendido.

“Estou dizendo que prefiro estar em minhas plenas faculdades mentais, para lutar e proteger você se necessário,” respondeu ela.

O rosto de Nami ficou ainda mais vermelho, e ela soltou um ‘Hunf’. Eu tinha quase certeza de que o bartender estava rindo de nós, pois a garrafa ainda estava cheia enquanto os minutos passavam.

“Eu sei que você não se importa com roupas,” começou ela, apontando para a taça vazia, “mas você não opinou em nada, além de um ‘está bom’ depois de dez vestidos.”

O que ela esperava que eu dissesse? Céus...

Decidi então pegar a garrafa e beber um gole. Nami olhou surpresa, observando cada movimento enquanto eu tomava um gole. Era bom. Era ótimo, na verdade! Algo tão saboroso não deveria estar disponível em apenas um lugar.

Respirei fundo e coloquei a garrafa de volta na mesa.

“Beba. O tempo está passando,” disse Nami.

“Você bebeu primeiro...” Ela olhou para a bebida de uma forma estranha. Mas tomou também, fazendo questão de roçar os lábios onde eu tinha deixado minha boca.

A garrafa ficou vazia. Nami suspirou de satisfação e encostou a cabeça na mesa, cobrindo o rosto com os braços. “Delicioso...”

“Não foi nada mal, ruivinha,” sorri. “Obrigado pelo passeio.”

Ainda havia um pouco do líquido alcoólico na garrafa, e ambos pegamos a garrafa ao mesmo tempo.

“Ei.”

“O que foi?” perguntei.

“Eu peguei primeiro!”

“Mas a garrafa caiu primeiro. Quem não vacila, pega. E você já bebeu mais do que eu

. Desta vez, a vitória é sua, então não reclame.”

“Calado. Você não disse nada quando coloquei aquelas roupas, só ficou parado como uma estátua...” Ela bufou, claramente vermelha e alterada. Meu palpite era que, pela primeira vez, ela estava bêbada. Ou talvez só um pouco pirada. “Por quê?”

Ficamos cara a cara. Eu me aproximei mais, para falar de forma clara e audível.

“Nada do que alguém usa vai moldar quem você é. Roupas não definem ninguém,” disse, percebendo que ela estava vacilando com o aperto na garrafa. “Especialmente você. Elas não fazem jus à sua pessoa. Na verdade, você é muito melhor sem elas.”

Vitória: minha. A bebida foi para minhas mãos. Nami permaneceu estática, até seu rosto ficar mais vermelho que seu cabelo e ela berrar:

“PERVERTIDO!”

—--

Depois de nossa tarde na cidade, com a bebida e as compras, voltamos ao Sunny Go. A noite estava se aproximando.

Ao desembarcarmos no navio, Nami estava visivelmente cambaleante, com um olhar um pouco perdido. O efeito do álcool estava evidente, pela primeira vez.

“N-não posso dormir sozinha,” ela disse, com uma voz arrastada e uma expressão de desconforto. “Zoro, você vai ter que ficar perto de mim esta noite.”

A franqueza na sua voz me pegou de surpresa. Era claro que ela estava embriagada, e a ideia de ter que passar a noite próximo a ela não era exatamente atraente.

“Zoro, se você quiser sair, eu cuido de tudo aqui,” Franky ofereceu

“No, não é isso,” Nami respondeu com uma determinação incomum. “Você vai ficar aqui.”

“Sim, é melhor cuidar dela primeiro,” Franky concordou

Eu suspirei e me aproximei dela, que estava se apoiando nas laterais do navio para não cair. “Tá bom, eu vou ficar com você.”

Sem esforço, levantei Nami, colocando um braço ao redor dela para ajudar a sustentá-la enquanto caminhávamos em direção aos quartos.

Ao chegarmos, a coloquei na cama, ela se enroscou nos lençóis como uma criança.

“Zoro...” Ela murmurou, a voz embargada pelo cansaço e pelo álcool. “Por favor, fique perto de mim.”

Para evitar qualquer acidente ou necessidade de vomitar, decidi ficar e deita-la de lado. Ela estava tão cansada que parecia que nem notava mais a minha presença.

Para me certificar de que ela estava segura, decidi me deitar ao lado dela, mas de uma forma que não a incomodasse. Eu a observei com um olhar atento, sua respiração tranquila e serena. A bebida tinha deixado seus traços visíveis, mas agora, ela parecia estar dormindo calmamente.

Nami se aconchegou contra mim. Meu corpo estava rígido, mas eu fazia o possível para relaxar e garantir que ela não se movesse muito.

Com o tempo, o cansaço me venceu, e eu também adormeci, os sons suaves da respiração de Nami preenchendo o ambiente. O quarto estava silencioso, exceto pelo leve som das ondas batendo contra o casco do navio e o ocasional estalo do madeira.