Orgulho

1 Orgulho


Notas iniciais
* Refere-se à quando Kurama apareceu pela primeira vez no anime, que foi quando o Naruto achou que o Sasuke tinha morrido e pirou na batatinha.


– Por favor, Sasuke. Fique. Não vá. — Implorou, quase sem esperanças, mas não totalmente, afinal esse não seria nosso Uzumaki.

Sasuke aproximou-se devagar, notando toda a aldeia ali, fingindo que apoiavam-no e secretamente implorando sua partida. Será que Naruto nunca perceberia? Ficou frente a frente com o homem que amava, olhando aparentemente indiferente.

– Me dê uma única razão para ficar. — Impôs.

E Naruto pensou. Pensou em diversas razões para fazer Sasuke ficar, mas sabia que ele ignoraria todas. Porque suas palavras funcionavam com todos — até Kurama — mas não com o homem que amava. Decidiu então ser sincero e pôr sua cara a tapa. Talvez aquele fosse o único motivo que fizesse Sasuke ficar, mas na mente do loiro, independente da resposta ele teria Sasuke para si.

O moreno soltou uma risada de deboche do outro e seu inútil esforço. Mesmo que o motivo fosse bom, não estragaria o futuro de Naruto pelos seus desejos egoístas.

– Você sequer tem um argumento, dobe. — Doeu internamente a ideia de chama-lo assim uma ultima vez, mas Naruto segurou seu braço, pouco acima do pulso, o olhou firmemente. Aquele olhar que fazia Sasuke delirar, aquele olhar determinado que mudava tudo no final. Sentiu seus ideais falharem por um segundo, mas o que estava em jogo era a vida daquele que amava.

– Eu te amo, Sasuke. — Naruto disse. E Sasuke sentiu fogos de artifícios no ar de seu estômago, mas manteve a expressão indiferente. Tentou manter. Naruto soltou aquele olhar fascinante em seu rosto, notou ele olhar seus lábios e amaldiçoou-se mentalmente por olhar os lábios do dobe. Xingou-se mais ainda quando viu o sorriso safado e o olhar prepotente. Estava boquiaberto. Naruto conseguira manipula-lo de novo. Não se conteve. Aproximou o rosto do outro com uma mão segurando sua nuca e, como presente de despedida, deu a si este ultimo agrado e beijou Naruto como se não houvesse amanhã. O que de fato, não haveria. Não se importou com os murmúrios altos da vila, ou o grito de Ino, muito menos com o quão obsceno aquele beijo estava. Tudo que importava era o homem em seus braços. O amava tanto. O queria tanto que sequer conseguiu conter seu desejo. Beijou-o tão profundamente que arrancou todo o ar do loiro, e não pretendia solta-lo tão cedo se não fosse a pressão em seus ombros. Porem, não se afastou. Continuou a beija-lo ouvindo os gemidos roucos que saiam da boca do loiro. Naruto tentava com pouca força afastar Sasuke de si, mas esse tinha passado as duas mãos pela sua cintura e o agarrado fortemente e isso fez com que Naruto derretesse internamente. Tantos anos privado e contido de um amor tão grande e tão estranhamente recíproco.

Separaram-se a contra gosto, arfando. Sasuke notou a aproximação dos corpos e deu um passo para trás,pondo as mãos apenas sobre a cintura de Naruto, ainda sentindo a mão em seu pulso.

– É um argumento muito bom, Naruto. Mas não é o suficiente.

Prendeu o ar de sua garganta porque doía saber que o deixaria. Doía. Quando foi se afastar sentiu a mão em seu pulso o segurar com mais firmeza. Olhou Naruto, que ainda mantinha os olhos fechado, sentindo o beijo tão esperado. Ele puxou o ar com força e começou a falar:

– Então... Deixe-me ir com você.

Sasuke riu anasalado. Tal ideia era incabível.

– Impossível. — Disse. E Sasuke ficou irritado quando viu o sorriso prepotente de novo no rosto do outro.

– Você sabe que eu vou mesmo assim. Não é?

Irritou-se.

– Tsc. Deixe de ser teimoso! A vila é o melhor lugar para você. E o seu sonho? E a Sakura? Seus amigos?

Apontava para cada um dos que falava. E Naruto sequer os olhava.

– Eu vou sentir falta de todos eles. — Isso magoou um pouco do moreno. — Mas eu descobri que tenho um sonho que é superior a tudo isso.

E Sasuke o encarou. Fitaram-se. Sasuke olhava para Naruto com ódio e o outro o olhava sapeca.

– Que sonho? — Perguntou temendo a resposta.

– Você, Sasuke. Você é meu sonho. — Não deixou Sasuke abrir a boca para falar nada. Desceu sua mão e entrelaçou com os dedos ossudos do outro. — Quero você, não importa onde. Quero seus sorrisos, suas lagrimas, seu terrível mau humor e orgulho, sua indiferença, suas palavras. Todos os sentimentos, os bons e os maus. Quero seu corpo e sua alma. Seus olhares. Quero-os todos para mim e somente a mim.

Sasuke sentiu o chão abaixo de si vibrar e embora aparentasse indiferença ele estava eternamente feliz. Queria não ter orgulho o suficiente para dizer que o queria também.

Naruto sorriu.

– Eu vou buscar algumas coisas na minha casa. — Disse. E Sasuke viu aí uma oportunidade. Sorriu falso e disse.

– Vai lá dobe. Eu fico aqui te esperando.

– Você acha que eu sou idiota, é? Conheço-te, Uchiha.

Segurou Sasuke pela mão e foi andando em direção sua casa, passando pelos, pasmados e silenciados, aldeões.

–x-

– Era por isso que você me queria aqui, não era? — Sasuke afirmou.

Estavam no apartamento de Naruto, encostados na parede perto da porta. Assim que chegaram o loiro empurrara Sasuke para a parede e começou a beija-lo. E o moreno entregou-se o correspondendo avidamente. Já fazia quase uma hora que estavam nisso. Os pescoços molhados e arroxeados de chupões e lambidas.

– Claro que não, Teme. — Uma pitada de sarcasmo, foi o que Sasuke notou.

O moreno sorriu malicioso e deu um tapa estalado no braço que assediava sua cintura.

– Vá logo fazer sua mala. Eu quero ir embora.

Ele disse vencido. Na verdade Sasuke queria o loiro consigo. Queria a companhia dele, mas tinha receio de acabar com a vida do outro porque ele não poderia construir mais nada na vida, mas Naruto poderia ter uma família, uma casa, amigos e um emprego. E ele estava jogando tudo fora para ficar consigo. Suspirou. Não queria as coisas assim.

Partiram de Konoha e apenas poucas pessoas foram se despedir deles. Sasuke ficou bastante surpreso porque imaginava que falariam apenas com Naruto, mas Kakashi, Iruka, Neji, Shikamaru, Lee e Shino também falaram consigo. E naquela hora soube quem eram os amigos de verdade.

Na viagem Sasuke foi o mais rápido que pôde, na esperança que Naruto o perdesse de vista e voltasse para Konoha. Quando se achou distante o suficiente ele parou numa lagoa. Ajoelhou-se e começou a molhar o pescoço. De repente sentiu seu corpo ser empurrado para frente e caiu dentro do lago. Soltou um grito que faria Naruto rir se ele não estivesse tão bravo.

– Não pense que vai se livrar de mim, Uchiha.

Naruto gritou quando Sasuke voltou a margem e, como castigo, Naruto passou a viagem toda falando besteira para o outro.

– x –

Um ano havia se passado e amizade de Naruto e Sasuke se fortalecia. Às vezes eles se agarravam, quando não estavam ocupados com uma missão ou outra, esqueciam do mundo e amavam-se, mas pela vontade grande e ilusória do Sasuke de se livrar do loiro tudo não passava de amizade.

As coisas começaram a mudar quando os dois pegaram uma missão da qual eram responsáveis de levar um pai e sua filha de volta a sua vila.

Tudo começou com ciúmes. Sasuke notou que a filha do velho sempre ficava perto de si e ria abolhada sempre que lhe direcionava o olhar. Notou também que sempre que isso acontecia Naruto lhe lançava um olhar como se fosse mata-la. Então passou a usar isso a seu favor. Naruto o deixaria se ele escolhesse outra pessoa? Perguntou a si mesmo e não teve noção do quão estúpido era essa indagação.

– Eu não sabia que você era um bijuu, Naruto-kun.

O velho Samuki disse. Eles se encontravam numa caverna. A menina já dormira e os homens conversavam em volta e uma fogueira.

– Sim. Mas não se preocupe Samuki-san, Kurama não irá aparecer.

Naruto sorriu e o velho também. Decidiu juntar-se a sua filha e deitou-se dizendo um “boa noite” baixo.

– Porque Kurama não irá mais aparecer?

Sasuke indagou.

– Ué, porque você está forte agora.

Naruto disse sorrindo, mas Sasuke não entendeu essa afirmação. Estreitou os olhos.

– O que você quer dizer com isso?

– Ora Sasuke, geralmente Kurama só aparece quando estou desesperado, ou seja, quando você está em perigo. Mas agora você sabe se defender. Se você se defende e não apanha então eu fico tranquilo e se eu fico tranquilo Kurama não aparece.

Sorriu. E Sasuke bufou.

– Aquela vez foi culpa sua.*

– Ta, ta. — Naruto riu da teimosia do outro. — Mas agora eu ‘tô fortinho.

– Forte como um Hokage. — Ele mais sussurrou do que disse, mas sabia que ele iria ouvir. Chegando, assim, onde queria.

– Não me venha com esse assunto de novo, Teme. Você anda mais insistente que o normal.

– Vai ver alguma coisa mudou.

Sasuke disse e direcionou seu olhar para os olhos azuis. Tiveram mais uma daquelas trocas de olhares faiscantes.

– O que mudou, Sasuke?

– Ah Naruto. Eu queria uma família, sabe... um futuro. Meu clã de volta. Você não pode me dar nada disso.

Naruto levantou, ficando em frente a Sasuke. As sobrancelhas franzidas.

– Então vai lá... Trepar com a filha do Samuki-san, ou com a Sakura. — Gritou. E algo disse a pai e filha dentro da caverna que era para eles continuarem fingindo que dormiam.

– Mas eu não queria você comigo nessas horas, idiota.– Sasuke desviou o olhar. Não haveria “essas horas”.

Sasuke bufou. Naruto fez-se de desentendido.

– E o que você sugere?! Que eu volte pra Konoha?!

Sasuke levantou-se estressado. Ficou cara a cara com Naruto. Os dois já estavam gritando um com o outro.

– Lá é o melhor lugar para você. — Disse ácido.

– O melhor lugar para mim e aqui, com você! Sou eu que escolho meu melhor lugar.

Fitaram-se cheios de ódio e amor, mesclados com um desejo reprimido. Naruto soltou um suspiro.

– Eu gastei sete anos da minha vida contigo. E não me importo de gastar os que ainda me restam. Porque eu te amo Sasu. Porque eu sei que você me ama também. — Ele sussurrou. Deu as costas e saiu no meio da noite.

Sasuke estava apavorado. Lidar com a confusão de sentimentos e pensamentos que rondavam sua mente era mais complicado do que parecia. Quando o dia amanheceu Naruto não havia voltado. Os três caminharam em direção à vila a mando de Sasuke. O senhor Samuki ficou em duvida se deixava ou não sua filha perto daquele jovem que era aparentemente hétero e queria “trepar” com sua filha e gay e amava o outro homem. Mantiveram-se calados até a chegada. Ele pagou ao jovem e o deixou momentaneamente sozinho com sua filha que disse que precisava falar com o homem.

– Sasuke-san, você é muito bobo. – afirmou sorrindo, ignorando a apatia do Sasuke — Eu sei sobre sua história. Sobre suas perdas. Eu acho que tens tanto medo de perder aqueles que ama para a morte que afasta, o único que sobrou, de ti. Já parou para pensar como ficaria se o Naruto o deixasse? Você não pode controlar tudo.

Ela disse. Pôs a mão sobre o ombro do Sasuke e saiu.

O moreno passou alguns minutos refletindo e pensou se a menina estava certa. Na verdade estava cansado de tentar fazer tudo dar certo. Olhou para o céu, pensando em seu irmão e no dono dos olhos de cor tão bela. E correu. Correu a procura do homem que amava. Não demorou muito para acha-lo. Estava no meio da floresta. Sentado em uma pedra grande, olhando para suas mãos em seu colo. Correu até ele e se ajoelhou aos seus pés. Entregou-se completamente a única pessoa que conseguiu ama-lo depois de sua família.

– Me perdoa? — Implorou.

Naruto sorriu terno. Desceu da pedra e ajoelhou em frente a Sasuke, vendo seus olhos negros pedintes e aparentemente indiferentes.

– Não há o que perdoar.

Segurou o rosto alvo entre suas mãos e atacou sua boca.

Amaram-se ali no meio da floresta, mas algo fora diferente aquela vez. Algo dizia que nada mais seria o mesmo.

Notas finais
Eu usei trepar porque eu queria que fosse chulo mesmo. :3 Perdoem os erros. Não está betado.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!