Ore Wa... Otoko Da!!!
2 A segunda idiota do colégio Seitoku
Notas iniciais
“Primeira semana de aulas. Todos os alunos vieram de escolas diferentes, por tanto ainda não tem muita conversa entre os membros dessa turma, Ninguém conversa com ninguém.”.
-Haaaaaru-chan! – “Quer dizer, ninguém a não ser o idiota mais idiota da sala.”
-O que você quer? – “Eu estava quieto na minha, esperando que o professor chagasse e esse maluco vem me atormentar.” – E já falei para não se referir a mim por “chan”!
-Mas “chan” combina perfeitamente com sua beleza e graciosidade! Se eu te chamar de Haru-kun não vai combinar nem um pouco com você! O que eu faço agora?
-Me chame de Haruhi-sama! – Os olhos estavam em chamas. – E sempre se ajoelhe quando for falar comigo!
-Ahh! Haru-chan! Você é assustadora!
-AH! Morra maldito!
A discussão era interrompida pela entrada do professor que logo começava a lecionar.
-Ei... Haru-chan... – Kazuki cochichava durante a aula. – Você já decidiu que clube vai entrar?
-Já... Vamos prestar atenção na aula agora.
-Qual?
-O que?
-Qual clube você vai entrar?
-Arco e flecha, agora presta atenção na aula...
-Ok, mãe... – Kazuki falava com sarcasmo, calando-se em seguida e Haruhi voltava a encarar seu livro, exibindo um rosto de indiferença.
Mais um sinal soava nos corredores de Seitoku. Esse, às três horas, significa o término das aulas pelo dia e que todos estão livres para ir para casa.
-Ei, vamos lá! – Haruhi ajeitou todos seus pertences e foi até a mesa onde estava Kazuki, que parecia bastante abatido depois de passar por aulas tão chatas.
-Haru-chan...
-Da para parar de me chamar de Haru-chan? Eu sou um garoto...
-Para onde vamos, hein, Haru-chan?
-Oy... – “Ele ao menos me ouviu?” – Você não estava todo animado para entrar em algum clube. É hoje que os clubes farão suas apresentações, vamos ir conhece-los.
-Oh! Sim! – Kazuki recuperava-se rapidamente de seu cansaço. – Vamos!
A dupla chega ao corredor onde os clubes estariam se apresentando, cada clube ocupava uma sala a qual os novos estudantes poderiam visitar e conhecer as atividades. Eles caminhavam analisando todas as opções, Futebol, Rúgbi, Karuta, Teatro etc.
-Haru-chan, e aí, em que clube vai entrar?
-Eu já falei mais cedo. Arco e flecha. E quem é Haru-chan?! Seu...
-Você sabe atirar com arco e flecha?
-Lembra que eu te disse que o cabelo comprido é uma tradição na minha família?
-Sim.
-E também que eu falei que sou descendente de arqueiros que participaram das guerras feudais? Então, todos os filhos na minha família aprendem a usar arco e flecha.
-Nossa. Isso é uma coisa rara.
-Realmente, essa família é toda excêntrica e é um saco... Mas não posso fazer nada, aliás, você viu alguém do clube de arco e flecha por aqui?
-Ainda não.
-Ei, você! – Uma garota vestindo um uniforme esportivo e com o cabelo preso em duas marias-chiquinhas curtas se aproximava dos dois, segurando uns panfletos.
-O que foi?
-Você não quer fazer parte do clube de softball feminino?
-O... O que? – Kazuki dava risada enquanto Haruhi era mais uma vez confundido com uma garota. – Softball feminino... Eu não posso.
-É claro que sim, estamos aceitando meninas com ou sem experiência. – A garota sorria gentilmente.
-Ainda assim... Não posso.
-Oras. – O sorriso não desgrudava do seu rosto. – Mas por quê?
-Por quê? Isso é por que... Por que...
-Por quê... ?
-PORQUE EU SOU UM CARA, SERÁ QUE NINGUÉM CONSEGUE PERCEBER ISSO?! – Todos os olhares do local se viraram para o loiro e o corredor se quedou em silêncio, a não ser pela risada de Kazuki. A garota do time de Softball saiu correndo, sumindo da vista de Haruhi. Rapidamente o silêncio se esvaiu e as pessoas começavam a comentar em tom baixinho. “Olha aquela garota estranha... Ela fica dizendo que é um garoto...”, “E por que ela usa uniforme masculino, hein? Ela está querendo aparecer?” e “Ah... Por mais que seja estranha, é muito bonitinha.”. Haruhi seguia sua caminhada pisando forte e com o rosto vermelho de raiva, seu amigo o seguia.
-Ei, espera ai, Haruhi!
Eles andaram até se cansarem.
-Você deu um show e tanto ali atrás hein?
-Cala a boca, uma pessoa tem que ser muito burra para achar que eu sou uma garota. – Ele conversava sem olhar na cara de Kazuki, apenas encarando o lado oposto.
-Ei... Eu te confundi com uma garota no primeiro dia... Ta me chamando de burro?
-Certo. – Haruhi virava seu rosto, encarando Kazu. – Me desculpe.
-Tudo bem.
-Você não é burro.
-Sim!
-VOCÊ É O REI DOS BURROS!
-Ahh!!! Haru-chan, como uma garota pode ser tão cruel assim?!
-Cala a boca!!!
Ao terminarem sua discussão cotidiana, Haruhi abre a porta de uma das salas do corredor.
-Ei, o que está fazendo?
-Eu não consegui achar o clube de arco e flecha em lugar algum, vou perguntar nessa sala... Opa, não tem ninguém aqui.
-Tem certeza? – Os dois adentram o recinto que estava vazio. – Na programação diz que aqui deveria estar o...
-Olá!! – Uma garota de cabelos curtos e escuros, que carregava uma caixa que parecia ser tão grande quanto ela aparece na porta do local. Seu sorriso era tão alegre e seus olhos eram coisas que não existem nesse mundo, sua pele era bonita e parecia ser muito macia, ela era tão linda que era inacreditável. Pelo menos, foi isso que Haruhi pensou. – Eu me chamo Souiijiro Reina! Bem vindos à sala do meu clube!
O rosto de Haruhi ficava mais vermelho do que nunca estivera antes. Ele mal tinha palavras em sua boca.
-P... Prazer, eu...
-Oi, eu sou Watanabe Kazuki e... Essa caixa não é muito pesada para você?
-Ora, não se preocupe, está tudo bem. – Seu sorriso bobo manteve-se apenas por tempo suficiente dela dar alguns passos e tropeçar devido ao peso da caixa, que caia no chão junto dela, abrindo e espalhando várias flores pelo chão.
-Ei! Você está bem?! – Haruhi se adiantava, chegando para ajudar Reina.
-Nyuu... – Seu rosto alegre tornou-se uma cara de choro após levantar. – Todas as flores...
-O que tem as flores, elas ainda estão inteiras apesar de terem caído no chão, Souiijiro-senpai.
-Não é isso Watanabe-kun...
-O que é então? – Haruhi parecia nunca ter se importado tanto com uma pessoa antes.
-Essas flores são para o meu clube de Ikebana...
-Ikebana... A arte japonesa de montar arranjos com flores...
-É isso mesmo, Watanabe-kun, e elas já estavam arranjadas, mas agora tudo se desmanchou.
-Não se preocupe, Senpai! Eu posso dar um jeito nisso.
-Vo... Você pode?
-Sim. Apenas me de meia hora e não se preocupe.
-A propósito, eu não sei o seu nome ainda.
-Kyoumoji Haruhi. – Haruhi se ajoelhava e começava a reunir as flores no chão.
-Obrigada, Haruhi-chan! Você é uma boa garota. – Nesse momento o sangue de Haruhi fervia, mas ele se controla em prol do belo sorriso que Reina dava a ele.
-Ei... Souiijiro-senpai...
-O que?
-Sabe... – Ele falava, sem perder o foco que tinha dado às flores. – Eu sou um homem.
-... ...Ahah! Você é engraçada, Haruhi-chan!
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