Ordinary Girl

15 Capítulo 15 Escolha certa


Notas iniciais
Capítulo de hoje dedicado para minha linda Paparella, que mandou uma recomendação muito linda *-* Notei que todas ficaram felizes pelo Charlie e a Nina voltarem a conversar, mas vocês acham mesmo que era por causa daquela viagem?

O dia começou de certa forma estranho. Claire quase perdeu o horário, Peter não foi trabalhar e Charlie saiu cedo. Fiquei com medo de, já que estávamos somente eu e Peter em casa, acabar matando meu irmão por algum motivo comum. Ele me tirava do sério. Levantei um pouco mais cedo do que o comum e tomei um café reforçado. Era sábado, e minhas aulas começariam na segunda, decidi então dar uma última revisada em meus livros. Era um daqueles momentos em que eu queria ficar quieta no meu canto, mas, infelizmente, Peter não queria cooperar com isso.

Ele se sentou ao meu lado e, enquanto eu lia, ficava me encarando. Isso fazia com que toda a minha conscentração fosse por água àbaixo. Sempre que eu tentava desviar de seu olhar debochado, ele dava um jeito de voltar para meu campo de visão. Peter sabia muito bem que aquilo me irritava. E não parava de fazer isso nem por um minuto. Minha paciencia já estava no final.

Até que, cansada daquela cara de palhaço, fechei o livro que estava lendo e bati em sua cara. Peter gemeu de dor. Por um minuto, me arrependi. Fiquei com medo de ter quebrado seu nariz.

- Nina, o que você tem na cabeça? — Peter gritou. Não, ele não havia quebrado o nariz. Sua voz estava perfeitamente normal.

- O que você tem na cabeça? Quem manda ficar me encarando com aquela cara de idiota? Na verdade, cara de idiota você já tem, é que... — não consegui terminar, Peter atirou um guardanapo em minha cara assim que fui concluir minha frase.

Olhei para ele possessa. Mas ele tinha um sorriso debochado no rosto. Essa era nossa antiga rotina. Quando morávamos em Centerville, brigávamos o dia todo. Mas não era brigas de verdade, eram apenas pequenas provocações. Coisas bobas. Porém, tenho que admitir que sinto saudade desses momentos. Nós brigávamos, mas Peter sempre cuidou de mim, tanto quanto meu pai.

- Faz tempo que não brincamos assim. — digo enrolando a borda do guardanapo com os dedos.

Peter deu um meio sorriso e ficou entretido com seus próprios dedos.

- Então... Como está indo com o tal Frank? — ele perguntou.

Senti meu rosto enrubrecer um pouco. Peter sabia que eu namorava Lucas, mas nunca aceitou. Acho que era porque sabia de todas as cachorragens que Lucas fazia, e só não contava para mim para não me fazer esquentar a cabeça. Peter não poderia sequer sonhar que eu dormira com ele.

- Vai... bem. Ele me convidou para ir à uma premiere semana que vem. — eu disse amontoando meus livros. Seria melhor guardá-los em algum outros lugar.

Me levantei e fui até meu quarto. Peter me seguiu.

- E quando você o viu? Porque, pelo que eu saiba, ele está em época de filmagem e você não tem o número dele.

Senti um leve desconforto com isso. Não havia mencionado para meu irmão que Frank esteve em casa ontem. E, provavelmente, ele surtaria ao descobrir isso.

- Ele, hã... Veio me fazer uma visita ontem. E aproveitou para fazer o convite. — digo ficando de costas para Peter e guardando meus livros na estante.

Peter não disse nada. Fiquei com medo de me virar e encará-lo, mas o fiz mesmo assim. Ele não parecia estar assim tão bravo. Estava com a sobrancelha arqueada e nenhum esboço de sorriso no rosto. Não sabia se aquilo era um bom sinal ou não.

- Olha, Peter...

- Não tem que se desculpar, Nina — Peter me interrompeu — Ele é seu namorado, certo? Não vejo porquê ele não pode vir até para te fazer uma visita. Mas saiba que ambos tem que ter ciência do que irão... fazer.

Meu rosto enrubreceu ainda mais quando notei sobre o que meu irmão estava falando.

- E-Espere aí, nós não fizemos nada. E, pelo menos por enquanto, não iremos fazer. — digo fazendo sinais com as mãos.

- Acho bom mesmo. — ele disse saindo.

Fiquei indignada. Corri atrás de Peter e vi que ele estava se sentando no sofá e, assim que ligou a TV, fui até ele e a desliguei. Ele tentou foi protestar, mas eu o interrompi.

- Não pode me impedir de trazer Frank para cá. Afinal, quem mesmo que transa com a namorada no meu quarto? Ah sim, você! Se você pode, por que eu não? Acho que eu também não quero uma noite de sexo selvagem com direito à escutar os sons em outros quartos? Porque acredite maninho, você geme muito alto! — digo cruzando os braços.

Peter deu risada e se levantou, ficando perto de mim. Franzi o cenho e esperei para saber o que ele iria fazer.

- A diferença é que você é minha irmãzinha, e eu não vou deixar nenhum homem colocar as mãos em você. Não me perdoaria se algum deles te machucasse. — ele disse me dando um beijo na bochecha e indo para a cozinha logo em seguida.

Senti um fisgada em meu coração. Se Peter soubesse do que havia acontecido com Lucas... Certamente não restaria nada dele no dia seguinte. Algumas poucas lágrimas se acumularam em meus olhos, mas não deixei que elas tomassem conta. Esfreguei os olhos e pensei na possibilidade de contar para meu irmão o que acontecera. Mas apaguei essa ideia da cabeça. Ainda não estava preparada para falar sobre isso, pelo menos não com Peter.

Caminhei para a cozinha e encontrei com ele encostado na pia, parecia estar esperando por mim.

- Obrigada. — digo apenas.

Ele sorriu de maneira calorosa. Meu irmão tinha um sorriso lindo.

- Sei que está crescendo, Nina, mas sempre será minha maninha. — Peter disse vindo até mim e me abraçando.

Não consegui conter minhas lágrimas naquele momento. Ele disse mais alguma coisa, mas minha mente estava ocupada pensando no que eu faria se não o tivesse por perto. Ele era meu irmão, meu melhor amigo, meu segundo pai, um idiota que eu não conseguiria viver sem. Encostei meu queixo em seu ombro e chorei. Não sabia ao certo porque estava chorando. Vai ver era apenas choro acumulado, ou começo de TPM. Mas a verdade era que, que irmão sempre conseguia me emocionar quando queria. Ele parecia sempre ter as palavras perfeitas para todos os momentos.

- Vai mesmo molhar minha camiseta preferida? — Peter disse ainda abraçado comigo.

Dei risada e me soltei. Limpei o rosto com a costa das mãos e desferi um soco em seu braço.

- Idiota, tinha que me fazer chorar? — digo ainda com lágrimas nos olhos.

Peter apenas riu e se sentou novamente na mesa. Esta ainda estava com as coisas do café, eu não havia guardado nada. Já que meu irmão e Charlie cozinham, é minha tarefa e de Claire arrumar a cozinha. Mas como minha amiga anda ensaiando muito esses dias, tenho me ocupado muito neste cômodo por esses dias.

Enquanto meu irmão ficava apenas me observando, guardei tudo o que estava sobre a mesa, inclusive a toalha. Em uma rápida olhada para o relógio que ficava no canto da parede, notei que Charlie já deveria estar em casa. Hoje seria o dia de dar sua resposta definitiva. Me perguntei o que ele faria naquela situação. Mas, qualquer que fosse sua decisão, Peter, eu, e até mesmo Claire, estaríamos ao seu lado.

Peter parecia perdido em seus pensamentos. Queria saber no que ele tanto pensava, mas, ao me lembrar de todo aquele barulho que ele e Claire faziam em certas noites, fiquei feliz por não saber de nada.

- Charlie já deveria ter chegado, não deveria? — pergunto sentando-me ao seu lado.

Peter pareceu acordar de seus pensamentos.

- É, creio que sim. Vocês voltaram á se falar, né? — ele perguntou.

- Sim, voltamos ontem.

Meu irmão me olhou surpreso. Fiquei um tanto confusa.

- E ele te contou o motivo de estar tão calado esse tempo todo?

Arqueei a sobrancelha. Não sabia onde Peter queria chegar.

- Sim, contou. Ele andava muito nervoso com relação à viagem, e não sabia o que fazer. Estava com medo de contar aos seus pais e... — antes que eu pudesse terminar, Peter soltou uma risada abafada.

Fiquei novamente confusa. Meu irmão riu, mas não por achar algo engraçado, parecia não acreditar em algo.

- Ele te disse mesmo isso? — ele perguntou, ainda parecendo indignado.

- Disse, mas qual é o problema? — perguntei.

Peter cerrou os lábios. Ele sempre fazia isso quando estava prestes à dizer algo importante. Ele olhava para mim e intercalava com olhar para os lados. Me parecia que era algo sério. Fiquei um tanto assustada.

- Nina, caso ainda não tenha percebido... — Peter começou, mas foi interrompido pela porta se abrindo.

Nos olhamos assustados e corremos para a sala. Charlie havia chegado. Ele trazia consigo uma expressão cansada. Usava roupas casuais, mas era visível que elas o estavam encomodando. Assim que ele nos viu, ergueu um envelope e disse:

- Acho que vou para a Suiça no final do ano.

Sorri abertamente ao escutar suas palavras. Dei um pequeno pulo e corri para lhe dar um abraço. Isso pareceu pegar Charlie de surpresa, mas ele retribuiu o abraço. Eu estava feliz por ele. Afinal, ele estava seguindo seu sonho. Senti meu coração bater mais forte e uma sensação maravilhosa tomar conta de mim. Estava completamente orgulhosa dele.

- Não sabe o quanto eu fico feliz por você, Charlie. — foi a única coisa que eu lhe disse antes de me soltar de seus braços.

Charlie me olhou um tanto envergonhado. Ele estava com as bochechas coradas, achei aquilo... Fofo?

- Nós dois ficamos, parabéns, cara. — meu irmão disse lhe dando um abraço também — E o que seus pais falaram?

Foi nesse momento que o sorriso de Charlie se fechou e eu então conclui: ele não havia falado com seus pais. Mas eu o entendia, provavelmente não seria fácil.

- A parte mais fácil já foi, agora só resta contar aos meus pais sobre minha decisão. Estou pensando em visitar minha mãe, amanhã mesmo. Seria cansativo, mas eu gostaria que vocês me acompanhassem, se não fosse pedir muito. — Charlie disse corando.

Amanhã seria oficialmente meu último dia de férias. Eu pretendia dormir cedo e tentar não em atrasar para meu primeiro dia de aula. E sabia que, caso fôssemos, eu não dormiria cedo naquela noite. Fiquei tentada em negar seu pedido, mas me perguntei o que Charlie faria se estivesse em meu lugar. Não havia dúvidas, é claro que ele me ajudaria. Olhei para Peter e assenti. Ele me deu um leve sorriso e assentiu também.

Estava decidido, iríamos fazer uma breve visita para nossa cidade natal.

Notas finais
Então, o que acharam da escolha do Charlie? Não sei se teria coragem de fazer algo assim, mas, quem sabe... Bom, até mais sweeties NHAC ;3