Ordinary Girl

9 Capítulo 9 Aposta


Notas iniciais
Booa tarde congelante sweeties. Notei que vocês ficaram assustados ao pensar que a Nina poderia ter pegado o Charlie no pulo, mas calma, o Charlie só pensa em uma garota. E esta, vocês já devem adivinhar quem é HEUHEUEHU Boa leitura (:

– O que está acontecendo aqui? — gritei.

Não podia acreditar no que meus olhos estavam vendo. Peter e Claire estavam... Ah, os peguei no flagra! Assim que me viram, ambos arregalaram os olhos e pararam de se beijar. Estávam nus, e transando no meu quarto! Claro, era o quarto de Claire também, mas mesmo assim. Não queria dormir com aquele cheiro. Senti meu rosto corar, e aqueles dois também deveriam estar muito corados.

- Nina... Olha, só fiz o que você me disse para fazer! — Peter disse enrolando o lençól que estava no chão em sua cintura.

Revirei os olhos e os cobri com a minha mão.

- Mas precisava ter sido nesse quarto? Agora ele vai ficar cheirando à... Argh, você sabe! — digo ainda com os olhos tampados.

Claire ainda não havia se pronunciado.

- Nina, aconteceu alguma coisa? Porque eu escutei você gritar e... Opa. — escutei a voz de Charlie logo atrás de mim.

- Onde você estava? Por que não ficou de olho no meu irmão? Isso é coisa que se faça em uma casa que ele divide com a irmã mais nova? — digo indignada.

Charlie apenas riu. Assim que senti alguém passar por mim, desvendei meus olhos. Vi que Peter, provavelmente, havia ido para seu quarto, e Claire ainda estava enrolada nos lençóis. Ela me olhava um tanto culpada, não queria ver minha amiga daquele jeito.

- Charlie, pega um copo de leite quente, por favor? — digo, pedindo, indiretamente, para que ele se retirasse.

Ele assentiu e foi para a cozinha. Então entrei no quarto e fechei a porta. Claire suspirou e se enrolou ainda mais nas cobertas. Notei que, mesmo minimamente, ela tinha um sorriso no canto dos lábios.

- Então, parece que você e meu irmão se acertaram? — pergunto me sentando na cama.

Claire me olhou de canto.

- Não está brava? — ela perguntou se sentando.

- Não, óbvio. Na verdade, fui eu quem disse para Peter te agarrar. Acho que ele acabou seguindo meu conselho até bem demais. — digo rindo.

Só então senti que Claire havia começado à relaxar. Ela parecia bem menos tensa. Eu queria perguntar, pedir mais detalhes, mas achei melhor não saber sobre como meu irmão mais velho se comporta quando está com uma garota na cama. Abracei minha amiga suavemente, pois senti que ela ainda estava um tanto suada. E isso não fez com que eu me sentisse muito bem.

Olhei então para minha pequena bolsa e, me lembrei involuntariamente, da rosa que eu havia ganhado de Frank. Para variar, devo tê-la esquecido no cinema. Queria contar para Claire sobre o que havia acontecido, mas achei melhor deixá-la dormir. Ela apenas colocou uma camisola e se deitou. Fiquei com ela mais um pouco, mas me retirei assim que notei que Claire estava à um passo de cair em sono profundo.

Abri a porta com cuidado e fui para a cozinha. Lá, vi que Charlie fervia um pouco de leite. Minha intensão era levar um pouco para Claire, mas como ela já dormira, o leite ficaria para mim mesmo.

- Que susto você levou hoje, hein? — Charlie disse rindo.

- Como você se sentiria caso pegasse seu irmão mais velho e sua melhor amiga na cama? Não é legal! — digo.

Charlie riu e colocou um pouco de leite em dois copos. Pegou ambos e levou até mim. Peguei um deles e bebi um gole. Estava precisando relaxar um pouco.

- Como foi o encontro? — ele perguntou puxando a cadeira da cozinha e se sentando nesta.

- Foi... bom. Tirando a parte em que Frank tenta me beijar e eu saio correndo. — digo imitando seu ato.

Charlie deu uma risada curta e bebeu o leite novamente. Olhei para ele e notei que seus lábios quase formavam um coração. Era estranho reparar tanto nele depois de tanto tempo juntos. Vai ver é porque, na época em que ele frequentava minha casa, era apenas um adolescente magrela que vivia caindo e se machucando. Ele tinha uma cicatriz na barriga, mais ou menos na altura do umbigo. Lembro-me como se fosse hoje. Charlie e Peter estavam brincado, deviam ter uns trezes anos, então Charlie começa a vomitar e dizer que sua perna estava doendo. Meus pais o levaram rapidamente para o hospital, e ele teve que ser operado por apendicite. Não fora culpa sua, claro, mas também não fora sua primeira operação.

As vezes, eu ficava feliz por Charlie ter durado tanto tempo. Era quase tão atrapalhado quanto eu. Na verdade, ninguém era mais atrapalhado do que eu, mas ele chegava perto. Me perguntei se ele ainda tinha a cicatriz que eu me lembrava.

- Então, acho que ganhei a aposta. — Charlie disse me tirando de meus pensamentos.

Arqueei a sobrancelha confusa.

- Que aposta?

- Quando você e Claire chegaram, apostamos, não se lembra? Eu disse que eles se acertariam em menos de uma semana. Mal se passaram três dias.

Me recordei que realmente havia feito uma aposta. Eu odiava apostar. Minha sorte era péssima, então eu sempre perdia. Bebi meu último gole de leite e disse:

- Certo, quanto quer?

Charlie deu risada.

- Não quero dinheiro, Nina. Quero que aceite sair comigo. Descobri um lugar uma vez e... Bom, acho que você vai gostar. Mas a comida será por sua conta. — ele disse rindo.

Não vi outra alternativa senão rir também. Só não entendi o porquê de, na hora em que Charlie mencionou sair com ele, me senti um tanto... Nervosa? Sim, talvez. Estava insegura quanto à isso. Depois do que havia acontecido, será que sair com ele seria uma coisa boa? Eu queria dizer não, mas parte de mim estava gritando para dizer sim. E essa parte, era a parte que eu não conseguia entender. Era a parte confusa de mim mesma.

Mas eu havia apostado, nada mais justo do que pagar a aposta.

- Feito, quando vamos? — pergunto tentando não demonstrar o nervosismo.

- Amanhã, pode ser? Tenho que aproveitar essas minhas "férias".

Demos risada. Fazia um bom tempo que não ríamos juntos. Tenho que admitir que senti falta desses momentos com Charlie. Quem sabe essa nossa saída não me ajuda à esfriar a cabeça. Porque aposto que Frank não iria me querer mais. Não depois de minha fuga hoje.

Como tinha terminado meu leite, levantei e deixei o copo na pia. Que por acaso estava limpa, Claire devia ter feito o serviço. Ela nunca gostou de ver louça acumulada.

- Bom, acho melhor eu ir dormir. Boa noite, Charlie. E avise ao meu irmão que conversaremos amanhã. — digo voltando para meu quarto.

Só consegui escutar a risada abafada de Charlie. Entrei no quarto e, com todo cuidado, troquei de roupa e fui me deitar. Estava inquieta naquela noite. Minha consciencia estava gritando, ela dizia que eu fora uma burra rejeitando o beijo de Frank. E eu realmente fora. Mas estava com medo de ser só isso, um passatempo. Uma coisa tosca que, na primeira oportunidade, ele troca por uma melhor e mais nova. Senti um aperto em meu estômago por pensar assim, mas era a verdade. Fazer o que se o coração não escolhe por quem se apaixona? Um ator. Isso nunca daria certo.

Em meio à tantos pensamentos, acabei adormecendo. Aquela noite passou como um piscar de olhos. Assim que me dei conta, já estava tudo claro e alguém pulava em minha cama.

- Eu consegui! Nina, eu consegui! — escutei a voz de Claire.

Abri os olhos lentamente. Vi que minha amiga já estava devidamente vestida, o que significava que já estava tarde.

- Hã? — foi apenas o que consegui dizer.

- Nina, o papel, eu consegui! O diretor acabou de me ligar, serei Titânia, a rainha das fadas! — Claire gritava e pulava em cima de mim.

Me espreguicei e só então, depois de acordar realmente, fui abraçar minha amiga.

- Claire, isso é incrível! — gritei.

Claire gritava ainda mais. Estávamos as duas abraçadas e pulando pelo quarto. Não tinha noção de que horas eram. Então me lembrei do que havia prometido para Charlie na noite anterior. Precisava tomar café e, pelo menos, tomar um banho.

Me desgrudei de Claire e fui para a cozinha. Me surpreendi ao ver que apenas Charlie estava acordado. Assim que entrei no cômodo, senti um ar gelado tocar minha pele. Eu dormia de camiseta e shorts, e isso não ajudava muito em manhãs geladas. Abracei-me e fui me sentar. Charlie me lançou apenas um sorriso e continuou bebendo o que parecia ser café. Não estava afim de beber nada, então comi apenas torradas. Quando estava prestes à dar a primeira mordida, escuto a porta abrir. Peter, deduzi.

Corri para a porta de entrada e vi que ele parecia mal-humorado e segurava uma rosa branca, igual àquela que Frank havia me dado. Fiquei um tanto confusa.

- Bom dia, está com fome, Peter? — perguntei sarcástica.

Peter revirou so olhos.

- Sem tirar com a minha cara, fiz apenas o que você me mandou fazer. — ele disse verificando algumas cartas que também estavam em sua mão.

- Mas tinha que ser no meu quarto? Por que não foi no seu?

- Porque Charlie estava lá, e eu não poderia simplesmente chegar e dizer "Então amigo, será que não poderia se retirar? Estava querendo fazer sexo com a melhor amiga da minha irmã caçula, e não queria fazer no quarto dela porque ela é uma frescurenta!" — Peter disse sarcásticamente.

Revirei os olhos apenas. Queria perguntar que flor era aquela, mas não tive coragem o suficiente.

- E, por favor, vá falar com aquele tal Frank. Ele está à duas horas esperando você acordar. — Peter disse jogando a flor em minhas mãos.

Meu coração deu um pulo assim que escutei suas palavras.

- Espera, duas horas? Que horas são? — pergunto enquanto Peter se afasta.

- Onze, agora coloque isso e vá ver o que ele quer. — ele disse jogando uma blusa de moletom comprida em minhas mãos.

A vesti se pestanejar, estava com frio. Minhas mãos tremiam, mas eu tinha certeza de que não tinha nada a ver com a temperatura. Abri a porta devagar e vi alguém parado perto da cerca. Frank estava de calça jeans e aquele mesmo tênis do dia em que nos conhecemos. Ele usava óculos escuros pois, apesar da baixa temperatura, fazia sol. Saí lentamente e, assim que ele me viu, caminhou em minha direção. Não sabia o que dizer e, certamente, não sabia porque ele estava ali, mas continuei andando.

Assim que cheguei à uma distância razoável, parei. Mas Frank apressou o passo. Em poucos segundos já estava em minha frente.

- O que você... — ele não me deu nenhuma chance de responder. Quando dei por mim, já tinha seus lábios nos meus. Ele me beijou da maneira mais doce que poderia beijar.

Notas finais
Surpresinha básica no final do capítulo HEUHEUHEUHEHUEHUEHUE Então, que vocês acharam do casal? Até o próximo capítulo NHAC ;3