Ordinary Girl
8 Capítulo 8 Apenas mais uma
Notas iniciais
Já estava começando a ficar escuro. Apressei-me até encontrar com Frank. Ele me esperava com uma singela rosa nas mãos. Assim que me viu, seus lábios se abriram mostrando o belo sorriso que ele tinha. Senti meu rosto corar e meu coração dar um salto. Não sabia ao certo o que aconteceria a partir dali, mas sabia que estava completamente apaixonada por Frank. E que estava disposta a mostrar meus sentimentos para ele. Não importando o que ele sentisse com relação à mim.
Parei poucos centímetros a sua frente. Não sabia ao certo o que fazer. Apenas fiquei parada e lhe dei um sorriso tímido. Frank, por sua vez, caminhou até mim, entregou a flor em minhas mãos, e me deu um beijo delicado na bochecha. Senti meu coração dar uma cambalhota, meu estômago não se conter de borboletas e meu resto esquentar mais do que depois de um banho quente.
- Vamos escolher o filme? — ele perguntou.
Apenas balancei a cabeça positivamente. Estava completamente congelada naquele momento. Não sabia se andava, se continuava parada, me sentia um criança reaprendendo a andar.
Frank então deu uma risadinha, que só ele sabe dar, e segurou minha mão, me guiando para o cinema. Senti um leve arrepio assim que sua pele encostou na minha. Saímos de mãos dadas pelo Central Park. Pensei no que aconteceria caso alguém reconhecesse Frank, mas ele não parecia ligar muito para isso. Ele tinha um belo sorriso nos lábios. E eu, inevitavelmente, também tinha um.
- Podemos assistir qualquer coisa, menos terror, por favor. — digo assim que entramos no cinema.
Não que eu me assustasse muito com filmes assim, mas eu só não queria pagar mico, gritando como uma louca no meio do cinema. Posso não me assustar com facilidade, mas quando isso acontece, faço um escândalo. Apesar de que, um filme de terror poderia ser a oportunidade perfeita para eu virar uma donzela indefesa, que está morrendo de medo dos monstros, e se agarrar no belo galã que se sentará ao meu lado.
Afastei esses pensamentos da cabeça assim que Frank apontou para o cartaz de um filme. Comédia-romântica, como sempre. Clichê, não? É, mas eu gosto de coisas clichês. Fazer o que. Pelo que havia lido sobre o filme, era aquela mesma história de amor à primeira vista. Ela, uma mocinha que vai passar as férias com a tia em Paris, e ele um francês que se apaixona pela linda turista que mora ao lado de sua casa com sua tia. Não me parecia ser tão mal. Frank comprou uma pipoca para dividirmos e um refrigerante para mim.
Entramos em silêncio. Não sabia ao certo se queria dizer alguma coisa e acabar com o clima. Eu sempre fazia isso. Ainda não tinham apagado as luzes, mas mesmo assim, tropecei em um degrau. Por sorte, não caio sentada. Frank me segurou antes disso acontecer. O que fez com que várias pipocas voassem em mim. Me senti envergonhada, mas a única coisa que consegui fazer foi rir de uma pipoca solitária que havia ficado parada no cabelo de Frank.
Comecei a rir escandalosamente. Não estava conseguindo me conter, Frank enrubrescer e me olhou confuso. Ele não havia entendido o porquê desse meu ataque de risos.
Estiquei meu braço e tirei a pipoca que estava em seu cabelo. Assim que ele viu o motivo de meu riso, começou a rir também. As pessoas que estavam a nossa volta, pareciam espantadas. Elas não conseguiam entender o porquê de dois jovens estarem rindo compulsivamente daquele jeito. Frank não conseguia parar de dar risada, e eu estava do mesmo jeito. Minha barriga estava começando a doer de tanto rir.
- Acho... Acho melhor a gente ir sentar... — digo entre risadas.
Frank assentiu e fomos nos sentar. Ele ainda não parecia estar recuperado das risadas. Vez ou outra, quando eu o olhava, ele ainda estava dando risada. Fiquei feliz por saber que, mesmo com aquela cena antes do filme começar, ele estava se divertindo.
Assim que o filme começou, comecei a me sentir desconfortável. Queria olhá-lo, ver se ele estava prestando atenção no filme, mas ao mesmo tempo, queria me obrigar à manter meus olhos grudados na tela. Quando eu conseguia, olhara para Frank pelo canto dos olhos. Ele estava sempre prestando atenção no filme. Mordi os lábios com força, talvez Frank não estivesse muito interessado em mim. Sentei-me direito na cadeira e comecei a assistir.
As imagens passavam na minha frente, mas eu não conseguia entendê-las. Acho que minha mente estava muito longe dali para eu conseguir processar as imagens do filme. Na verdade, minha mente estava no rapaz sentado ao meu lado. Estiquei minha mão para pegar o refrigerante, e, acidentalmente, minha mão esbarrou na sua. Frank me olhou rapidamente. E meus olhos encontraram os seus novamente. Aquilo estava começando a virar um problema. Eu não conseguia olhar nos olhos dele sem me perder em suas órbes azuis. Frank era, com certeza, o homem mais bonito que eu já vira.
Estava ocupada demais olhando em seus olhos para perceber que algo frio encostara em minha mão. Desviei o olhar por um minuto, e vi que Frank havia colocado sua mão por cima da minha. Seu toque me arrepiou. Pensei no quanto aquela cena foi clichê. Nós dois parecíamos mais dois adolescentes tendo o primeiro encontro. Olhei para meus pés e ri involuntariamente.
- Tudo bem? — Frank perguntou.
Olhei para ele novamente. Sua mão ainda estava sobre a minha.
- Sim, só estava... pensando. Tem noção de como isso de segurar minha mão está me parecendo clichê?
Frank também riu e, ao invés de se afastar, sentou-se mais próximo de mim e apertou ainda mais minha mão. Apenas ri, não disse mais nada. Voltei meu olhar para o filme, enquanto fingia que prestava atenção no que se passava na tela.
E assim os minutos se estenderam. Frank não soltou minha mão em momento algum. Eu comi toda a pipoca, e não lembro de absolutamente nada do filme. Me lembro apenas de estar sentada do lado do homem mais perfeito do mundo.
Quando as luzes se acenderam, fiquei com medo de meu cabelo estar muito bagunçado. Eu nunca ligara muito pra isso, mas aquela era uma ocasião diferente. Olhei rapidamente para Frank, ele me encarava discretamente. Ainda estávamos de mãos dadas, mas Frank as soltou assim que escutamos seu celular tocar. Ele o atendeu rapidamente. Tentei escutar o que ele dizia, mas escutei apenas ele dizer o nome do cinema e que estava acompanhado. Fiquei um tanto surpresa com aquilo.
Eu estava apaixonada por ele, mas meu maior medo era que eu fosse apenas mais uma para ele. Afinal, Frank poderia ter quem ele quisesse. Então, por que raios se interessou logo por mim? Essa pergunta estava sempre presente em meus pensamentos. Senti que o sorriso em meu rosto havia desaparecido. Não poderia culpá-lo. Deveria culpar à mim mesma, por criar expectativas assim, muito rapidamente.
- Meu motorista está vindo me buscar. É só me passar o seu endereço, que ele te deixa na porta de sua casa. — Frank disse se aproximando de mim.
Ainda estávamos na sala do cinema, não havia mais ninguém lá. Assenti, tentando fazer uma cara de feliz. Frank me deu um sorriso leve e saímos. Assim que saímos do cinema, avistei um grupo de meninas. Provavelmente entre 15 e 16 anos. Olhei para Frank e vi que ele também percebera. Não que estivéssemos com medo, mas era melhor evitar tumultos. Tanto para o lado dele, como para o meu lado. Nos apressamos e fomos pelo lado oposto. Não demorou muito, avistei um Camaro 2012 preto. Frank me guiou até ele. Peter teria um ataque se visse aquilo.
Entramos rapidamente.
- Alfred, leva minha... amiga para casa? — Frank deu as ordens.
Avistei o motorista apenas de canto. Era um homem de talvez 40, 45 anos. Tinha a pele morena e olhos negros. Vi isso pelo retrovisor. Expliquei o caminho para ele, e ele na hora pareceu entender. Já estava um tanto tarde, mas Peter ficaria feliz em saber que meu acompanhante me trouxe até minha casa. Não demorou muito para que eu reconhecesse a rua. Passei o caminho inteiro olhando pela janela. Frank se encontrava encostado na janela oposta. Não me dei ao trabalho de tentar me aproximar. Já não tinha mais tanta certeza de que seria o momento certo.
Assim que Alfred parou, Frank desceu rapidamente e foi até minha porta, a abrindo como um legítimo cavalheiro. Desci com cuidado, para não levantar meu vestido. Frank caminhou ao meu lado até a cerca. Fiquei tentada à lhe dar um beijo, mas me contive. Mordi o lábio inferior com força, tentado conter minha vontade de beijá-lo ali mesmo.
- Então... A gente se vê, certo? — Frank disse mexendo no cabelo.
- Sim. — digo.
Dei um passo à frente e fiquei à sua frente. Seus olhos não se desgrudavam dos meus. Me inclinei e beijei sua bochecha. A rua estava escura, então fiquei feliz por Frank não poder ver o quanto eu estava corada.
Quando estava prestes à me afastar, ele segurou-me pela cintura e acariciou meu rosto. Meu coração disparou naquele momento. Estávamos tão próximos. Eu podia sentir sua respiração em meu rosto. Não faltava muito para eu sentir o gosto de seus lábios. Frank então segurou meu rosto delicadamente e começou a se aproximar lentamente. Meu coração já não cabia mais dentro de mim, ele parecia querer sair pela boca. Frank estava muito próximo. Estava quase...
- Eu não quero ser só mais uma para você, Frank. — digo me afastando.
Ele pareceu ficar petrificado. Não disse mais nada, apenas corri para dentro de casa. Abri a porta bruscamente que, para minha sorte, estava destrancada, e senti as lágrimas começarem a se acumular. Não, eu não iria chorar. Afinal, por que eu estava chorando? Por que havia me apaixonado por um ator lindo, rico e famoso? Por que estava com medo dele ser como os outros? Por que tinha medo de me machucar novamente? Ou será por que havia perdido a única chance de sentir seus lábios? Talvez tudo isso.
Joguei minha bolsa no velho sofá e fui até meu quarto. Só queria mesmo era dormir. Mas, assim que abri a porta, dei de cara com a pior cena que poderia presenciar.
- O que está acontecendo aqui? — gritei.
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