Ordinary Eileen

1 Capítulo Único


Eileen Prince nunca fora a popular do colégio, nunca tivera diversos namorados em sua vida e tampouco muitos amigos. Basicamente ela era uma garota normal de dezoito anos como qualquer outra que poderia ser encontrada nas ruas de Londres. Só uma pequena coisa a diferia das demais, Eileen era uma recém formada da prestigiada escola de bruxaria Hogwarts.

E agora ela precisava fazer uma escolha, o que faria para o resto da vida. Os Prince eram uma orgulhosa família sangue-puro e esperavam grandes coisas de Eileen, quem sabe um casamento com alguém de familia nobre mas a garota sentia que aquele não era o seu destino, sua vocação.

— Olá senhorita, já sabe o que deseja? – o garçom prestativo do Caldeirão Furado perguntou.

— Uma cerveja amenteigada por favor.

— Um minuto e já trarei.

Agora sozinha sentada em uma mesa no canto do bar bruxo Eileen começou a pensar em qual futuro escolheria. Sua mãe já estava a procura de pretendentes, os Black sendo a família mais provável, mas a menina se questionou se algum deles a escolheria.

Eileen era uma menina comum, magra, olhos escuros, cabelos pretos na altura dos ombros e grossas sombrancelhas. Ela odiava esses sombrancelhas mas era covarde demais para fazer algo a respeito como usar magia para afiná-las. Queria ter as sombrancelhas finas das trouxas de Hollywood, tipo Marilyn Moroe.

— Como se eu pudesse ser bonita como Marilyn.... – murmurou consigo mesma dando um gole na cerveja.

Uma vez terminada a bebida a garota levantou e estava indo em direção a lareira para usar Pó de Flu quando parou de repente.

— Ainda está cedo.... não tem o porquê de voltar tão cedo para casa só para ficar olhando fotos de homens que minha mãe está separando para mim. E se eu.... – murmurou deixando a frase no ar.

Eileen sempre teve curiosidade de ver o mundo trouxa, como essas pessoas conseguiam viver o dia-a-dia sem precisar de magia, mas obviamente como uma Prince ela nunca fora permitida em se misturar com trouxas. Bom, agora ela era uma adulta e principalmente se saísse do Caldeirão Furado e desse um pulo na Londres trouxa sua mãe nunca saberia.

— Tenho minha varinha, se algo der errado posso aparatar de volta para cá.

Com a cabeça decidida ela deu meia volta, abriu a porta do bar que dava para o mundo trouxa e saiu.

A primeira coisa que a surpreendeu eram as roupas, trouxas homens tinham a mania de usar ternos pretos ou cinzas e as mulheres vestidos rodados que iam até o joelho. Muitas usavam batons vermelhos e cabelos presos em ondas.

— Como Marilyn... – olhou aquilo maravilhada.

Eileen caminhou hesitante pela rua pensando o que devia fazer agora e quase se arrependendo de desobeder a mãe.

— Bom, o que está feito está feito – disse para si mesma se enchendo de coragem.

Por fim caminhou mais confiante na rua, aproveitando aquele momento único que não saberia se teria outra vez. Entrou em uma padaria chamada Kowalski e se encantou pelos cheiros que a loja tinha, alguns pães tinham sido feitos em formatos de animais e Eileen se encantou com aquilo.

— Engraçado... posso jurar que esse pão me lembra um Tronquilho.

Mas logo afastou esse pensamento da cabeça, não fazia sentido um trouxa saber como um Tronquilho era. De certo aquilo era só uma das coincidências que as vezes a vida pregava. A garota se arrependeu de não ter trocado os galeões por libras esterlinas, aqueles pães pareciam deliciosos e ela daria tudo para poder experimentá-los.

Eileen continuou a caminhar pelas ruas e entrou em uma loja de roupas, admirando aqueles tecidos e formatos de vestido, ela nunca tinha usado nada parecido, bruxas respeitáveis como ela deveria usar cores sóbrias como azul e cinza, mas esse vestido amarelo parecia a chamar como se mostrasse que qualquer uma poderia ser a próxima estrela de Hollywood.

— Gostaria de provar? – perguntou uma vendedora sorridente – particularmente acho que ficaria ótimo em você. Temos de outras cores também se preferir.

— Não, não – disse tomando um susto, aquela era a primeira vez que um trouxa a dirigia a palavra – só estou olhando, mas obrigada.

— Ora, prove. Aposto de que não irá se arrepender.

— Bom... acho que tudo bem... se não tiver nenhum problema.

— Ótimo! Venha, eu te mostrarei onde estão os provadores. Quer essa cor mesmo? Ou prefere outra? Nesse modelo temos além do amarelo, vermelho e verde também.

— Só esse mesmo.

— Como preferir, se precisar de alguma coisa me chame ok? Meu nome é Rebeca.

Uma vez sozinha no provador Eileen retirou seu vestido liso cinza e colocou o amarelo vibrante se olhando no espelho.

— Tão bonito... – murmurou se olhando. O vestido não se parecia com nenhum que ela já tivera na vida e ela gostou do que via.

— Oi! – ela ouviu a vendedora trouxa a chamar – e aí? Como ficou? Pode vir aqui para eu dar uma olhada? Ver se precisa fazer alguns ajustes?

Eileen saiu do provador e caminhou até o canto da loja onde a vendedora a esperava.

— Eu tinha razão, ficou incrível mesmo, nem preciso ajustar nada, talvez só um pouco a bainha se for de sua preferência.

— É... ficou incrível mesmo... – murmurou para si mesma – mas não acho que daria para eu comprar, minha família não iria gostar muito caso eu usasse esse tipo de roupa.

— É uma pena. Esse vestido parece ser feito para você. Sua família deveria ser menos conservadora sabia? Os tempos estão mudando, nós mulheres podemos muito mais, não apenas servir de esposa-troféu.

— É... – respondeu educadamente. A bruxa sabia que sua família nunca deixaria de ser conservadora.

Eileen voltou ao provador e retirou o vestido amarelo sentindo um aperto, aquele vestido era tão lindo, pena que nunca poderia ser dela.

A bruxa agradeceu a vendedora e estava prestes a voltar ao Caldeirão Furado e ir para casa quando percebeu que uma fina garoa caía por Londres. Um feitiço simples faria com que ela chegasse seca no bar bruxo mas não era prudente usar magia enquanto estivesse rodeada de trouxas.

— Ei – ela sentiu um cutucão e virou para quem a chamava – quer uma carona?

Era um trouxa que a oferecia um lugar no seu guarda-chuva.

— Acho que nós dois cabemos embaixo dele e assim ninguém se molha.

— É, acho que sim. Mas irá o atrapalhar.

— Uma moça bonita nunca iria atrapalhar meu dia.

Eileen sentiu as bochechas ficarem vermelhas, ela nunca tinha sido elogiada assim de repente.

— Para onde está indo?

— Aqui perto, um bar que fica a três quarteirões daqui, indo em direção ao hospital.

— Certamente, então vamos – disse oferecendo o braço que ela segurou e começaram a caminhar – tenho que dizer que a vi com aquele vestido amarelo na loja, ficou incrível, não sei porque não o comprou.

— Não achei que seria apropriado.

— Bom, é uma pena. Ficou bonita nele.

Era a segunda vez que o trouxa a elogiava e ela não pode deixar de sorrir.

— Não sei se a senhorita está com pressa, mas gostaria de tomar um café comigo? Podemos ir na padaria Kowalski, fica aqui ao lado, eles tem os melhores pães doces de Londres.

Eileen sorriu, sua mãe a mataria por falar com trouxas e ainda mais ir a encontros com eles, mas esse trouxa parecia diferente, diferente de um jeito bom.

— Eu adoraria.

Os dois se sentaram nas mesinhas do interior da padaria e o homem pediu dois cafés e dois bolinhos doces. Quando o garçom trouxe o pedido na mesa ela se surpreendeu, agora esse pão parecia um Seminviso.

— Legal né? Eu também fiquei surpreso quando comi esses pães pela primeira vez me perguntando da onde o padeiro tirou as ideias desses animais estranhos. Essa padaria aqui é uma filial, a matriz fica em Nova York. Particularmente acho os americanos meio malucos, deve ser meio maluco para pensar em bichos tão esquisitos.

— É – respondeu Eileen com um sorriso amarelo. Agora era coincidência demais, o dono da padaria de Nova York deveria ser um bruxo, era muito improvável dois dos pães terem formato de animais mágicos.

— Mas enfim, eu nem sei seu nome ainda.

— Eileen.

— É bonito, meio único sabe? Acho que nunca conheci Eileens na minha vida. Algumas Helens as vezes – respondeu dando uma mordida no seu pão – já eu tenho um nome comum, acho que essa é minha sina sabe? Combina comigo porque sou um cara de coisas comuns, gosto do ordinário. Para que complicar a vida, entende?

— De fato.

A garota agora estava desconfortável, o trouxa a sua frente acabara de falar algo que por mais que soara inofensivo a preocupara. Se alguém gostava do comum, como ficaria se soubesse que bruxos e bruxas viviam em Londres? E como ficaria se soubesse que a mulher a sua frente era uma dessas bruxas?

— Mas é a vida. Somos o que somos – ele concluiu.

— Sim, somos o que somos – ela repetiu – a propósito, eu ainda não sei seu nome.

— Que má educação a minha – o homem riu – muito prazer Tobias. Tobias Snape a seu dispôr.

Notas finais
1- A Eileen vem de uma família puro-sangue, então eu tenho a teoria de que quando ela resolveu casar com o Snape foi deserdada da família 2- A comparação de Tobias sobre o nome da Eileen é devido a etimologia de Helen e Eileen. O nome Eileen é uma variação da Helen (pelo menos de acordo com a internet) 3- Resolvi encaixar a padaria de Jacob Kowalski aí simplesmente porque adoro o personagem. E torço para ele ter muito sucesso em sua padaria. 4- O desenho da capa não é meu, eu achei na Internet. Infelizmente não tenho habilidades para desenho. Bem, espero que tenham curtido porque eu adorei escrever, deixem seu joinha e até mais!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!