Ordem e Caos

3 Parte 3: Sombras e Ventania


Notas iniciais
Essa é a minha luta favorita!!! Com certeza tem as melhores frases de efeito, pelo menos.

Podia ter matado os dois.

Estava fácil. Ambos estavam preocupados em proteger um ao outro, e isso dava muita margem para erro. Se tivesse feito o trabalho rápido, teria dois a menos em seu caminho.

Mas não conseguiu.

Tinha vencido Shen; bastava o golpe final. Mas, ao olhar para ele, um mundo de lembranças, mágoas e remorsos inundou a sua mente. Matara seu mestre, mas não conseguira executar seu rival. E por que? O que havia de diferente ali?

Quando Zed entrou nos aposentos do mestre Kinkou para falar com ele, pretendia realmente só falar com ele, e oferecer termos de rendição. Mas o sábio foi irredutível, e recusou-se a oferecer seu templo aos Caóticos. Disse a Zed que "se quisesse realmente tomar aquele templo, teria de duelar com ele. Até o fim."

E então ambos lutaram, em um duelo justo de espadas. Zed não usou as sombras. Foi limpo e seguiu a tradição Kinkou à risca. E, no fim, Zed venceu, fincando sua lâmina na barriga do homem.

Um duelo de consenso mútuo, em que um sairia vencedor e o outro, infelizmente, morreria.

Porém, quando o velho morreu, ficou claro para Zed que ele não tinha sido aceito pelo homem que considerava seu pai. O vencera, mas não o conquistara, nunca mais o conquistaria. E com esse pensamento cheio de ódio, Zed concluiu que sua vingança era contra Shen, o querido, o filho legítimo. Por isso jogara a cabeça do mestre aos seus pés, por isso o provocara, por isso fizera questão de lhe tirar tudo o que era importante.

Mas, cara a cara com ele, não teve coragem de dar o golpe final. Olhou aqueles olhos e se viu espelhado neles, cheio de ódio, rancor, mágoa, pesar, principalmente pesar. Por isso, não conseguiu matar o homem que representava todos os seus sentimentos de maneira tão clara e simplória.

Seguiu os dois ninjas para fora do altar mas, ao chegar no bosque que ficava nas dependências do templo, mudou seu trajeto, procurando por traços do yordle. A arca era seu objetivo; não podia arriscar perdê-la. Era quase impossível rastrear um seguidor da ordem, mas contava com o fato de o pequeno ninja estar carregando algo que tinha metade do próprio peso. Aquilo provavelmente atrapalharia sua discrição.


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Kennen subia as escadas da torre lentamente.

O santuário da Ordem possuía duas torres de vigia ao sul do perímetro, ligadas por uma ponte firme de pedra. Antigamente era bastante usada, mas hoje era apenas um monumento histórico da ordem Kinkou. E por Deus, como era alta. Kennen começou subindo rapidamente, mas foi perdendo o ritmo conforme avançava os degraus. Perto do topo, ele apenas caminhava, rezando para que Zed não o encontrasse com tanta facilidade. Sabia que cedo ou tarde seria encontrado, mas com um pouco de sorte...

Chegou ao topo e parou uns segundos para respirar. Então, começou a atravessar a ponte. Ela era larga e fechada no teto, mas possuía grandes janelas sem vidro, então era arejada e iluminada, e sempre ventava com muita força ali em cima.

Sentiu a presença dele enquanto atravessava cerca de metade do perímetro. O ar já estava bastante agitado na travessia, mas a chegada das sombras de Zed o fazia vibrar e se aquecer.

Kennen correu.

Quando chegava à outra torre, o ninja surgiu de repente, a risada abafada e letal ecoando de dentro do capacete, como se o próprio ar se materializasse e se transformasse no corpo dele. Sem nenhum aviso, Zed atacou Kennen, que saltou para o lado e sacou suas pequenas shurikens carregadas de eletricidade.

Foi quando Zed percebeu algo errado.

— Cadê a arca?

— Que arca?

O homem o atacou com certa fúria, mas Kennen desviou outra vez.

— Não brinque comigo, seu ratinho debochado! ONDE ESTÁ A ARCA?

— Vai ficar querendo! — Com uma risada que irritaria qualquer um, o yordle disparou pela ponte, correndo para a segunda torre, deixando um rastro de luz para trás. Zed disparou atrás dele, lançando suas próprias shurikens, bem maiores, na direção de Kennen. A perseguição continuou até ambos chegarem no centro da ponte.

Kennen parou e virou-se para Zed. O vento fazia seu capuz roxo esvoaçar violentamente. Zed ainda corria furiosamente na direção do yordle, e assim a batalha começou.

Ao contrario de Shen (um homem grande, mais alto que Zed, forte e mais pesado), Kennen era literalmente um raio. Tampouco sua luta se igualava ao de Akali, que tambem era ágil, porém mais graciosa. Os dois se degladiaram com ferocidade, desviando habilmente dos golpes um do outro. Kennen sumia e reaparecia constantemente, como se piscasse, e ambos sentiam como se qualquer golpe que sofressem seria no mínimo perigoso.

Mas dessa vez, o tamanho favoreceu mais a Zed que ao yordle: uma lufada de vento entrou pelas janelas da ponte e Kennen perdeu o equilíbrio. Aproveitando-se da distração, Zed desceu a lâmina com força, mirando no pequeno ninja. Preso num movimento entre o desvio e o equilíbrio, Kennen conseguiu evitar o golpe, mas com ajuda do vento se viu lançado para fora. Agarrou-se firmemente às bordas da janela, e vendo Zed se aproximando rapidamente, precisava pensar rápido para não ser jogado no rio embaixo deles.

Agarrou os tijolos das paredes do lado de fora da ponte. Por sorte, estava do lado oposto à direção do vento, então começou a escalar rapidamente em direção aos telhados. Um som estridente anunciou que Zed o perseguia, usando as lâminas para ajudar na escalada. Não se arriscou a olhar para trás.

O vento era pior lá em cima. Ele andou até o centro do telhado de cabeça baixa, tentando oferecer uma resistência mínima ao vento, se perguntando de quem tinha sido a ideia idiota de escalar a ponte e lembrando que tinha sido dele mesmo.

Olhou para trás em tempo de ver a lâmina de Zed fincando o telhado de pedra. Ele fez impulso e num instante estava de pé, olhando para Kennen de cima, ameaçador.

E Kennen mal podia se manter de pé. Que situação constrangedora.

— Acho que já deu de ideias idiotas por hoje, anãozinho — Zed teve que gritar para se sobrepôr ao vento. — Ou você tem alguma outra carta na manga?

— Talvez eu tenha! — Ele gritou de volta. E talvez tivesse mesmo.

— Mal consegue se opôr ao vento à sua volta, yordle! O que pretende fazer?

— Eu não preciso me opor ao vento, Zed!

Ele se endireitou.

— EU SOU O VENTO!

E se deixou levar pela rajada em direção ao homem. Zed ergueu as lâminas... Mas não a tempo. Assim que encostou um dedo na armadura de metal do ninja, Kennen descarregou toda a eletricidade acumulada do próprio corpo, eletrocutando tanto ele quanto a si próprio.

Eles caíram velozmente da ponte, embolados e paralizados por conta da eletricidade. Kennen não estava exatamente preocupado com a morte, mas ficou realmente frustrado quando Zed se recuperou e sumiu usando a sombra da ponte ao lado deles. Sem nada que pudesse se segurar, Kennen apenas se deixou cair no rio.

"Pelo menos acertei a água" pensou, antes de perder a consciência.

Notas finais
Críticas são bem vindas e encorajadas!