Ordem dos Cavaleiros - Parte 2
7 Arco Arcádias - As palavras de um comandante
Notas iniciais
O exercito do lado direito estava entrando em conflito direto contra o exercido Arcadiano, o aprendiz de Yoda havia sido promovido temporariamente a tenente, liderando um exercito imenso pela primeira vez. Mesmo com sua ansiedade causando várias dores de cabeça no cavaleiro, ele continuava firme em suas decisões, causando um impasse entre os exércitos.
— Comandante Connor, por que decidiu ficar na sala de comando? Sofreu algum ferimento grave? – perguntou um dos soldados, que estava passando pela tenda do tenente.
— Não se preocupe! Eu decidi ficar e ajudar o tenente, deixando Catapk como comandante da minha unidade, ele é um novato promissor, quero ver onde ele conseguirá chegar nessa campanha – respondeu o comandante, demonstrando confiança em suas escolhas.
— Entendo... Então foi opção sua – disse o soldado.
— Claro, não se preocupe, pode ir lutar nas linhas de frente, soldado! Não desaponte seus irmãos de guerra! – disse Connor, fazendo uma reverência.
— SIM! Estou indo! – disse o soldado, retribuindo a reverência e voltando a sua unidade.
— Parece que alguns soldados também questionaram sua decisão – disse Gabriel, enquanto continuava a observar o mapa da batalha.
— Realmente, mas não era inesperado, você precisava de alguém para auxilia-lo nas táticas do batalhão – disse Connor, sentando-se próximo ao cavaleiro.
— Entendo... Agradeço novamente – agradeceu o aprendiz de Yoda.
— Não se preocupe com isso, tinha que ver a primeira vez do Tiago, comparado àquilo, você provavelmente vai tirar de letra... Eu espero – disse Connor, tentando deixar o ambiente mais confortável.
— Não precisava dessa ultima parte... Mas vamos lá! – disse Gabriel, começando a mover algumas peças em um tabuleiro que estava jogado no chão.
O aprendiz de Yoda havia decidido que continuaria defendendo, no entanto, essa atitude não era vista como vantajosa, pois o inimigo não precisava atacar o exercito republicano para vencer a batalha, pois sua missão principal era apenas defender a capital.
— Esse exército não vai atacar? Que chato... Parece que o comandante deles está do nosso lado, que decisão estranha – disse o general inimigo, dentro da tenda de comando.
— Senhor Lucci, pretende mesmo ficar apenas observando? Você é um Jaeger, provavelmente deve conseguir orquestrar um plano para derrotar o inimigo – disse um dos oficiais que estavam no local.
— Não se preocupe... Está apenas esperando uma oportunidade, no entanto, um amador pensaria que ele está apenas usando a sorte a seu favor, mas esse comandante está conseguindo bloquear todas as minhas táticas de ataque – disse o Jaeger.
— Isso é demérito seu – disse a oficial.
— Anne... Obrigado pela sua assertividade cômica – retrucou Lucci.
— Nada demais – disse Anne.
— Senhores, vocês deveriam parar com as brigas, precisamos focar no campo de batalha – disse o oficial.
— Não se preocupe com isso, foque em trazer aqueles andadores gigantes, quero ver um deles de perto... Suas vidas não me fazem qualquer interesse – reclamou o comandante.
— Eles acabaram de chegar! Fui notificado nesse instante, temos cinco andadores Zilla2341 – disse Anne dentro da sala.
— Excelente! Vamos logo com isso, mande que eles destrocem todas as forças inimigas! Parece que finalmente chegamos ao cheque e mate – disse o Jaeger.
O lado esquerdo Arcadiano acabava de adquirir cinco andadores imensos, eles mediam cerca de nove metros de altura, totalmente blindados, capazes de causar um medo proporcional a sua altura nas forças republicanas, que sabiam que aquela era a arma que poderia quebrar o equilíbrio entre as duas forças e impedir o plano de invasão.
— Aquelas coisas... Elas parecem não ter qualquer fraqueza – disse um dos soldados.
— SÃO OS ANDADORES DE SALEM! MANTENHAM CAUTELA MÁXIMA! – gritou um dos soldados.
— NÃO PAREM! NO MOMENTO EM QUE DESISTIRMOS, TEREMOS PERDIDO! – gritou Catapk, que estava no comando da unidade mais próxima dos andadores.
As palavras do soldado conseguiram reanimar seus homens, mas a situação não havia se alterado, tornando a derrota do exercito republicano cada vez mais provável, no entanto, aqueles andadores eram o verdadeiro diferencial dentro do campo de batalha, causando a morte de diversos soldados e seguindo imbatível contra qualquer tiro, aumentando a moral do exercito de Arcádias.
Aquelas coisas pareciam bestas mecânicas, amedrontadoras, grandes e com um imenso poderio de ataque, demonstrando a capacidade armamentista do exercito inimigo. Eles destruíram milhares de republicanos durante a repovoação do planeta Salem, que havia sido tomado pela república, no entanto, o exercito de Ember usando esses imensos andadores conseguiram derrotar o sistema de Caspian e retomar o controle do planeta. Observando a situação, o aprendiz de Yoda estava hesitando em tomar uma posição.
— Já perdemos quantos soldados? – perguntou Gabriel, observando o panorama do mapa.
— Dois mil, esses andadores feitos de Ampark estão varrendo o chão com nossas tropas, estão quase tomando o meio do campo de batalha – respondeu Connor.
— Ampark? Esse material é aprova de ataques de reitsu, correto? – questionou Gabriel.
— Sim, o material pode ser usado como uma espécie de armadura contra cavaleiros, capaz de bloquear toda habilidade relacionada à reitsu. É um material escasso, mas parece que eles conseguiram o suficiente para a blindagem desses andadores – explicou Connor.
— Temos esse material? – questionou o tenente.
— Sim, conseguimos um pouco durante a expedição de Frug, graças a isso, temos algumas cordas do mesmo material, mas ainda não conseguimos descobrir uma forma de utilizá-lo em armas de grande porte, porque é um material de preparo extremamente delicado – respondeu o comandante.
— Interessante – disse Gabriel.
— Independente disso, Gabriel, quais suas ordens? Sem nenhuma ordem seremos massacrados – questionou Connor.
— Entendo... Então é assim que eles se sentiram até hoje, quando não precisavam focar apenas nas próprias vidas – sussurrou Gabriel, recordando-se desses mesmos momentos, cercados de indecisão e medo que cercavam as decisões de Tiago, Gui-gon e Yoda durante suas batalhas anteriores, essa foi a primeira vez que ele experimentou carregar esse fardo.
O cavaleiro estava com suas mãos tremulas, devido à imensa pressão sofrida dentro daquela sala, no entanto, mesmo com seus pensamentos em conflito, ele percebeu que a situação nunca melhoraria sem decisões, lembrando-se de uma das lições de seu mentor dentro da sala de treinamento.
— PRESTE ATENÇÃO! – gritava o mestre de Gabriel.
— Por quê? Mestre, você insiste em falar que as palavras valem mais do que qualquer arma, mas dentro de uma batalha isso não faria a menor diferença – reclamou Gabriel.
— O que lhe faz pensar isso? – perguntou Yoda.
— Os cavaleiros não conseguiram manter a paz através das palavras, por isso decidimos entrar nessa guerra... Me ensinar sobre esse tipo de coisa não faze sentido – retrucou Gabriel.
— Entendo... Você realmente tem certa razão, mas acredito que provavelmente mudará de ideia quando liderar um exército pela primeira vez – disse Yoda.
— Não vou precisar, Gui-gon e Tiago são lideres mais experientes, eles não precisariam da minha liderança – disse o aprendiz.
— Gabriel... Que tal criarmos uma situação hipotética, imagine que está liderando um grupo de dez mil homens, e eles estão sofrendo uma derrota avassaladora, no entanto, você ainda está vivo e respirando, ou seja, poderá escolher uma estratégia, o que você faria? – questionou Yoda.
— Eu provavelmente observaria e tomaria a decisão mais rápida, sem hesitar – respondeu Gabriel.
— Boa decisão, mas apenas os mais experientes conseguem agir dessa forma – disse Yoda.
— Por quê?– perguntou o aprendiz, demonstrando muita impaciência.
— A resposta é simples, quando está sob o comando de um exercito, todas aquelas vidas estão em suas mãos, esperando suas palavras para buscar encorajamento, ordens, e a maioria dessas pessoas poderão morrer, caso você não tome a decisão correta... Suas palavras podem salvar as vidas das pessoas, não apenas no campo de batalha, usar as palavras certas pode ajudar até mesmo a confortar as pessoas que estão próximas a você – explicou o mestre.
— Minhas palavras? – O aprendiz não havia conseguido entender as palavras de seu mestre, no entanto, era difícil para ele conseguir prosseguir com a situação hipotética.
— Você provavelmente vai entender no momento certo, meu jovem aprendiz – disse Yoda.
As palavras daquela conversa ecoaram novamente nas memorias do cavaleiro, que cedeu à nostalgia da época e apresentou um pequeno sorriso, no entanto, esse momento não durou, ele levantou-se rapidamente, arremessando seu tabuleiro, pegando um comunicador e entrando em contato com seus oficiais.
— Soldados, acalmem-se, essa batalha é apenas mais um obstáculo, teremos muitos a partir de agora, e eu decidi confiar em vocês para seguirem esse caminho sob minhas ordens! Cada arranhão que sofrerem, será como se meu corpo fosse arranhado, cada lágrima, sangue e promessas que fizeram estão em mim! Então PREPAREM-SE... EXECUTEM A MANOBRA 45 – disse o tenente a todos os comandantes.
— SIM! – gritou um comandante.
— ESTAMOS PREPARADOS! CATAPK, ONDE ESTÃO OS ANDADORES? – questionou um dos oficiais pelo comunicador.
— Eles estão na posição 172.17.32.8 – reportou Catapk, que estava escondido entre as pedras, tentando encontrar uma fraqueza nos andadores.
— Connor, preciso de um favor – disse o tenente.
— Não temos tempo! – disse Connor, correndo em direção ao hangar.
— Realmente – disse o cavaleiro, percebendo que seu companheiro conseguiu decifrar seu pedido antes de tê-lo feito.
O comandante havia entrando em um caça, liderando uma pequena força de ataque, eles chegaram ao campo e começaram a atirar nos andadores, sem qualquer efeito devido à blindagem. Dentro daquela investida, alguns caças estavam atrás dos demais, liberando bombas de gás que cobriram a localização dos andadores informada por Catapk.
— Parte 1 concluída! Deixo o resto com o senhor – disse Connor, dentro de seu caça, saindo da imensa fumaça.
— Sem problemas! VALEU – disse Gabriel, que estava sob o caça do comandante e decidiu saltar em direção aos andadores.
— Recuem ao ponto sul, deixem o resto com o tenente – disse Connor, pelo comunicador.
— Positivo! – Os soldados recuaram todos para trás da posição dos andadores, usando óculos específicos para passar pela neblina.
O quartel general inimigo continuava a assistir essa imensa neblina, no entanto, a situação causou um imenso pesar na consciência de Lucci, que decidiu acabar com essa camuflagem inimiga.
— Cortina de fumaça? Ele decidiu tentar se esconder? DEIXA DE BESTEIRA! Essa atitude é apenas COVARDE! Anne, acabe com isso! – disse o Jaeger.
— Finalmente – disse Anne usando sua habilidade e criando um pequeno tornado que retirou a neblina.
O campo de batalha havia voltado a ser totalmente visível, no entanto, os andadores não estavam avançando, eles pareciam totalmente estáticos, como se tudo o que havia ocorrido até esse momento, fosse apenas uma mentira de mal gosto.
— ANDEM! MOVAM-SE! SAIAM DAÍ! – gritou o Jaeger, no entanto, no momento em que o primeiro andador começou a mover-se, ele desabou, levando consigo outros três.
— Isso não é possível, eles derrubaram quatro? Entendo... Foi aquele cavaleiro, ele amarrou as pernas dos andadores com aquele cabo, que parece ser feito do Ampark? Eles possuem o mesmo material? Isso não é possível, pensei que tínhamos limpado tudo durante a colonização de Frug... Esse desgraçado estava escondendo essa merda, mas seu plano foi em vão – disse Lucci, percebendo que havia sobrado um andador, que mesmo preso nas cordas, ele ainda não havia caído.
O cavaleiro de prata estava no meio de diversos cadáveres de ambos os lados, o campo de batalha estava parado durante a aparição do aprendiz de Yoda, que começou a andar em direção ao QG inimigo, carregando sua foice e partindo para o ataque.
— Esse homem... Interessante – disse o Jaeger.
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