Ordem dos Cavaleiros - Parte 2
3 Arco Arcádias - A Chegada da República
Notas iniciais
Enquanto a luta entre Kairos e Nagato ocorria, Gabriel e Riruzen depararam-se com a rebelde Kyoukai, que havia acabado de ser incluída em todos os detalhes do plano de invasão para derrubar a barricada.
— Recapitulando, Tiago roubou nosso quebra barrigadas DB-55, e foi capturado de propósito para usá-lo. Vocês possuem um aliado dentro do castelo apelidado de Coringa, que disse que ajudaria vocês através de palavras, que você traduziu dentro de uma tumba antiga, e o ataque ocorrerá em cinco horas, porque a primavera é o terreno mais “seguro” para suas tropas, correto? Perdi alguma coisa? – perguntou Kyoukai, após estar inclusa no plano dos republicanos.
— Não, você até entendeu bem. Ainda bem, não vou precisar explicar de novo – disse Gabriel, em tom de alivio.
— E quanto aquela nave caindo? – questionou a sacerdotisa.
— Não temos nada a ver com aquilo, parece que foi o acaso – respondeu Riruzen.
— Entendo... VOCÊS SÃO LOUCOS! Não pensaram em avisar os rebeldes? Aquele cara roubou nossa arma secreta e substituiu por uma cópia de eletricidade! Aquele desgraçado!!! – reclamou a sacerdotisa.
— Independente disso, nossas tropas chegaram logo, o bloqueio foi rompido e a guerra contra a capital terá inicio, provavelmente a entrada que vocês possuíam era uma armadilha deixada pelo exercito, para conseguir “controlar” o local onde vocês invadiriam – deduziu Riruzen.
— Faz sentido, acabei de avisar os rebeldes, por sorte temos outra entrada secreta – disse Kyoukai, enquanto levantava-se.
— Excelente, vou avisar o general – disse Gabriel.
— Aonde vai? – perguntou Riruzen.
— Resolver um único assunto pendente antes do ataque – respondeu a sacerdotisa, voltando para seu veículo e acelerando em direção à base rebelde.
— Ela é a mulher que o Tiago falou? Ela é bem nervosinha – disse Gabriel.
— Desde que ela não seja como você – retrucou Riruzen.
— Engraçado – disse Gabriel em tom irônico.
— Quem era ela? Ela é bem bonita – perguntou Sakura.
— Realmente – disse Brion.
— Ela é só uma pilha de nervos, não ouviram a gritaria que ela fez? – perguntou Gabriel.
— Nossos homens estão chegando – disse Riruzen, mudando de assunto ao reparar nas forças republicanas chegando ao ponto de encontro.
Diversas naves de batalha começaram a pousar, liberando a saída dos batalhões que vieram, e começaram a preparar-se para a batalha, a maioria dos soldados ficaram em formação de ataque e alguns começaram a preparar armas de grande porte e o acampamento. O supremo general da campanha reuniu-se dentro de uma tenda com os cavaleiros de prata e as crianças de Ember.
— Você trabalhou bem, meu aprendiz, estou muito orgulhoso de seus feitos nessa campanha – disse o chanceler Yoda.
— Soube do ataque aos nobres? – questionou Riruzen.
— Sim, fui o primeiro a ser informado sobre isso, ele havia me contado no mesmo dia do ocorrido – disse Yoda.
— Agradeço suas palavras, meu mestre, mas sinto muito por deixá-lo nessa situação – disse Gabriel, erguendo-se sua mão mostrando as crianças encontradas pelo cavaleiro.
— Brion e Sakura, estou certo? Agradeço por terem cuidado do meu pupilo durante esse tempo – disse o general.
Para as crianças, eles estavam dentro de um campo de batalha imensurável, causando medo ao reparar nas armas e soldados do exercito republicano, Sakura e Brion estavam cercados de dúvidas, pensando no que poderia ocorrer a eles. Naquele momento, o pequeno garoto decidiu olhar para Gabriel, que retribuiu com um sorriso, demonstrando confiança em seus companheiros, que serviu como uma pequena “demonstração” que ninguém naquela sala sofreria qualquer punição.
— Eu sou... Brion Bivalvan, muito prazer! – disse Brion, tentando manter-se firme, gerando também confiança para Sakura.
— E eu sou Sakura Ymir – disse Sakura, sorrindo e sem gaguejar para tentar ajudar Brion a sentir-se mais calmo.
— Vocês passaram por muita coisa. Infelizmente, não consegui conhecê-los em um momento melhor – disse Yoda.
— Não se preocupe com isso, nenhum de nós esperava algum dia entrar em uma tenda Republicana, muito menos conhecer um – disse Brion.
— Entendo... Não se preocupem, ninguém no meu exercito tocará em vocês – disse Yoda, tentando tranquilizar as crianças.
— Muito obrigada! – disse Sakura.
— Bom, Sakura Ymir, você gostaria de conhecer sua mãe? – perguntou o general.
— Você sabe onde está a senhorita Ymir? – questionou Brion.
— Sim, ela é uma grande amiga minha – respondeu Yoda.
— Minha mãe... Ainda não sei o significado dessa palavra, mas sinto que essa pessoa, de alguma forma, é alguém importante para mim – disse Sakura.
— Entendo. Bom, vamos conversar mais sobre isso, mas que tal comermos primeiro? Dentro daquela tenda, temos cozinheiros e muita comida gostosa – disse Yoda, apontando para a tenda.
— Tem certeza que está tudo bem? – perguntou Sakura.
— Sem problemas! Podem ir na frente, me juntarei a vocês mais tarde, preciso falar com algumas pessoas – respondeu o mestre de Gabriel.
Naquele momento, Yoda pretendia dar permissão para o ataque à capital, e não queria preocupar duas crianças que estavam na capital há pouco tempo, mas Brion percebeu a intenção do general e decidiu seguir distraindo sua amiga.
— Vamos! Eu tô morrendo de fome! – disse Brion.
— Bom, se você insiste – disse Sakura.
Os dois seguiram para a tenda, deixando Riruzen, Yoda e Gabriel dentro da tenda. O aprendiz de Yoda ordenou a alguns médicos que examinassem as crianças e dessem a eles roupas novas, enquanto isso, o general adentrava dentro da sala de comando e ordenava que Fisk, que estava à frente do batalhão 103, junto do comandante Connor, Catapk e vários soldados, começasse o ataque a capital.
Enquanto os soldados iniciavam o ataque, Brion e Sakura receberam uma tigela lotada de arroz, caldo de legumes, carnes, queijo parmesão e manteiga.
— O que é isso? – perguntou Sakura.
— Risoto! Que está muito bom! Muito obrigado, chef! – disse Brion, comendo seu prato.
— Chef? Gostei de você! Comam o máximo que conseguirem! Pedido especial do Tenente Constantini – disse o cozinheiro.
— Aquele imbecil é tenente? Essa eu não esperava, não consegue ler um mapa – reclamou Brion.
— Além disso, reclama o tempo TODO! Todos os dias em Fiore, sem exceção, ele chegava para almoçar reclamando do treinamento, salário, e ele também é péssimo para lembrar datas! Esquece o aniversário de todo mundo! Aquele idiota! – disse o cozinheiro.
— Consigo imaginar, ele é egoísta, imaturo, chato, provocador e reclama de TUDO! Finalmente encontrei mais alguém que entende minha dor – disse o garoto.
Nesse momento, Brion estava conversando tranquilamente com um novo amigo, por isso ele não percebeu o que ocorria ao seu lado. Sakura estava deslumbrando seu prato sem sequer tocá-lo, lembrando-se das coisas que era obrigada a comer para continuar a trabalhar e as ordens dadas por todos os patrões que já serviu, “COME, VÁDIA!”, “Desgraçada, não consegue comer um pedaço de papelão?”, “Sua burra! Você é cega? Tudo nessa mesa é para MIM! Sua comida está naquela lata!”. A escrava não conseguia nem comer as sobras, pois quem fizesse era castigado sem comida por dias, ela comia tudo o que era oferecido, mas, durante toda sua vida, nunca sentiu o cheiro de uma comida tão deliciosa, aparentando ser uma obra de arte aos olhos de Sakura.
— Brion... Isso não seria um pecado? – perguntou Sakura.
— A que se refere? – questionou Brion.
— Uma pesso..a como eu... Come..r um prato as..sim, esse tipo de obra de arte? – disse Sakura, com uma voz soluçante e gaguejando a todo momento.
— É lógico! – disse Brion com um sorriso.
— Está com medo de estar ruim? Não se preocupe, sou Due Picotti, o melhor cozinheiro de Fiore! Te garanto que está bom! Um pecado maior seria não comer – disse o chef, tentando animar a garota.
— Isso... Me deixa feliz! Muito feliz! – disse Sakura, embora seus olhos estivessem cobertos por lágrimas, ela decidiu comer e aproveitar cada pedaço do Risoto, que demonstrava um sabor muito delicioso, causando um sorriso imenso no rosto da ex escrava, que parecia atravessar todo seu rosto de um lado para outro.
— Parece que ela gostou! Guarde um pouco para sobremesa- disse o chef
— Podemos comer o quanto quiser, não precisa saborear! Quero mais! – disse Brion.
— Não saborear? Você acha que tá comendo o quê? Isso não é restaurante da mãe joana! Saboreie a comida! – retrucou o chef.
— O quê? Está bem... Vou saborear – disse Brion.
Eles comeram, conversaram, riram e brigaram durante várias horas. Enquanto isso, o ataque a capital começava, e Kyoukai voltou para a base rebelde, decidindo lidar com o traidor de uma vez por todas, antes do final do inverno.
— Como ele está? – perguntou Kyoukai, dentro da sala de interrogatório dos rebeldes.
— Ele ainda insiste em dizer que não sabe nada, provavelmente teremos que depender de você – respondeu Hilda, que decidiu lidar com essa situação pessoalmente.
— Entendo... Vamos ver o que conseguimos – disse Kyoukai.
— Kyoukai, ele é seu melhor amigo, mas preciso que mantenha-se firme, sendo totalmente imparcial – ordenou a líder da rebelião.
— Sem problemas! – disse Kyoukai, decidida a manter sua decisão.
A porta foi aberta, adentrando, Kyoukai percebeu o estado de seu companheiro, Taunk, cheio de ferimentos e amarrado para impedir sua fuga. A localização de Tiago foi informada para diversas pessoas, mas a verdadeira foi entregue apenas para Taunk, deduzindo que o ataque sofrido pelo cavaleiro nas cachoeiras de Rozan tenha ocorrido graças ao repasse de informações.
— Vamos acabar logo com isso – disse Kyoukai, aproximando-se de seu amigo.
— KYOUKAI! EU TE GARANTO! Não tenho nada a ver com isso, você me conhece, depois de toda aquela conversa, acha que eu seria capaz disso? – gritou Taunk, demonstrando o desespero sofrido pelas horas sendo torturado.
— Como eu disse, vamos logo com isso. – A sacerdotisa colocou sua mão esquerda na cabeça do aprisionado, puxando um filtro de filme do passado de Taunk.
— Ele está desacordado? – perguntou a líder rebelde.
— Sim, durante minha “visita” à mente dele, verei seus passos nos últimos dias – respondeu a sacerdotisa.
— Consegue ver toda a vida dele? – questionou Hilda.
— Consigo, mas precisaria de mais espaço, ele tem 23 anos, provavelmente enxeria a sala de filtros e demoraria horas para ver tudo, seria como estar vendo a versão estendida de todos os filmes que já assisti – disse Kyoukai.
Adentrando na mente de Taunk, a sacerdotisa encontrava-se sentada em uma poltrona, encontrando diversas televisões na mesma sala e todas passando filmes diferentes sobre a vida de Taunk.
— Dia 19/06/3123 – disse Kyoukai, fazendo com que a televisão a sua frente apresentasse o dia informado pela visão de Taunk.
A fita demorou vinte quatro minutos para terminar, no entanto, nenhuma traição foi cometida por Taunk, fazendo com que todo o interrogatório ocorrido no plano físico tornar-se inútil.
— Pensa, Kyoukai... Se as coisas continuarem assim, tenho certeza que foi Taunk, mesmo que seja meu amigo, não sou cega, deve ter alguma coisa que perdi... Ou talvez ele tenha perdido. Dia 25/12/3122 – disse Kyoukai, recordando-se que naquele dia, ele havia sido capturado pelo governo de Arcádias.
O filme passado nas televisões mostrava um período de cinco horas, mostrando como Taunk havia sido capturado tentando obter armas com um informante, no entanto, ele foi abordado, preso e entregue a um grupo chamado “Jaegers”, que possuíam um membro capaz de controlar membros do corpo que tocasse, ele escolheu o olho esquerdo de Taunk, fazendo com que tudo o que aquele homem visse através daquele olho, fosse reportado imediatamente para o usuário da habilidade.
— É isso! – concluiu Kyoukai, retornando para a sala de interrogatório.
— O que conseguiu? – perguntou Hilda.
— O olho esquerdo dele está vinculado a um cavaleiro Dellóscurita, ele tinha alguma habilidade capaz de observar tudo o que Taunk via – explicou Kyoukai.
— Que merda! Ele é um dos líderes do grupo, mas, por sorte, os cavaleiros não contaram seus planos para ele – disse Hilda, aliviada.
— Realmente. Nesse caso, o que sugere que façamos? – questionou a sacerdotisa.
— Tilla! Traga algum pano, vamos tapar o olho esquerdo de Taunk – ordenou a líder.
— Ok... Mas por quê? – perguntou Tilla, vice líder do grupo de Hilda.
— NÃO IMPORTA! Explico depois – disse Hilda, enquanto Taunk não acordava.
— Excelente, depois disso, prenda-o em algum quarto e explique para ele a situação – disse Kyoukai.
— Uma boa sugestão, e quanto a você? – questionou a líder, percebendo a ansiedade da sacerdotisa em sair da sala.
— Vou me unir ao grupo da República, com eles vou ter mais chances de encontrar quem fiz isso ao Taunk – disse Kyoukai.
— Entendo, te dou permissão, mas gostaria de perguntar-lhe algo para confirmar uma coisa... Como soube? – perguntou a líder.
— Algumas mulheres, membros do meu clã, estavam verificando cada mensagem enviada para fora da base, como você havia ordenado, elas captaram alguma mensagem estranha, mas deve ter ocorrido algum erro – disse Kyoukai.
— Um erro? – questionou Hilda.
— Ela disse que a mensagem não teve tempo de ser gravada, mas ela ouviu a mensagem inteira e me reportou... Talvez ela tenha se enganado, acredito que ela tenha encontrado alguém capaz de enganá-la – concluiu Kyoukai.
— Um cavaleiro Dellóscurita? Ele teria que ser muito talentoso – disse Hilda.
— Um cavaleiro? Talvez alguém bom em enganar, como um ilusionista, que decidiu trair o governo e nos deu dicas sobre um traidor... Alguém que está manipulando ambos os lados da guerra, mas por quê? Quem estaria por trás disso? – concluiu Kyoukai, deduzindo a possibilidade de tudo ser apenas um plano de alguém capaz de brincar com a vida dos outros sem hesitação.
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