Ordem E Regresso.

2 Capítulo 2 Como se faz inimigos.


Notas iniciais
Seria a honestidade um dom perpetuo da humanidade, ou uma fraqueza latente ? A reposta depende unicamente de quem fez a pergunta.

Capitulo 2 Como se faz inimigos.


Caríssimo camarada que acompanha estas notáveis desventuras, para que eu possa elucidar de forma satisfatória toda a historia da morte de nossa tão bela pátria, vejo a necessidade de citar como o ultimo baluarte do sistema judiciário caiu. Este baluarte caro leitor não era um órgão de poder público como provavelmente pode vir a imaginar, era um homem, mais especificamente um juiz, o homem que faz Alexandre Rodrigues arrancar todos os dia tufos de seus bem tratador cabelos loiros. A verdade é que ninguém mais lembra seu nome, por isso todos o chamam somente de Juiz, mas apesar de não lembrarem seu nome todos conhecem a sua historia. Espero que se arrepie tanto quanto eu me arrepiei a primeira vez que a ouvi.


Pouco se sabe sobre o jovem e brilhante estudante de direito que um dia se tonaria o líder da revolução, mas todos sabem que em algum momento de sua vida ele foi um juiz, o que se diz é que era um bom homem, tinha uma esposa e uma maravilhosa filhinha. Poupo você caro camarada da parte feliz da historia, de como essa família era perfeita e harmoniosa. Este jovem juiz era a pedra no sapato do promissor candidato a presidência Alexandre Rodrigues, desfazia suas quadrilhas, desvendava seus esquemas de extorsão, fazia com que seus capangas fossem presos, recusava-se a aceitar propina, ou a se sentir intimidado com as constantes ameaças feita a sua vida e a de sua família. Alexandre Não poderia aceitar tal afronta, todos no poder judiciário tinham um preço, todos no mundo o tinham, então porque justamente este homem não teria ?

Dentro de uma sala em forma de caixão (e tão iluminada quanto um) , estava o recém nomeado presidente da República Federativa do Brasil, estava em pé de costas para a porta, olhando e admirando um quadro enorme dele mesmo( que é claro, seu ego avia encomendado). No quadro ele trajava vestes imperiais, e regozijava-se em imaginar o povo lhe aclamando como Alexandre I imperador do Brasil (típico lunático). Quando sem aviso prévio seu braço direito adentrou a sala em forma de caixão. Tinha passos rápidos, não era uma figura bela de se ver, um vermezinho baixo e insignificante, acho que a única coisa que poderia ser tirada como possivelmente bela em sua fisionomia eram seus olhos verdes, que mal podiam ser vistos por causa de sua enorme monoselha. Alexandre sem nemse dar o trabalho de se virar, profere:


– Então nosso caríssimo juiz não aceita propina ?



– Não senhor Alexandre, disse que se fossemos lá novamente... Bem, disse que iria pessoalmente lutar pela aprovação da pena perpetua só para que fossemos os primeiros a desfrutar dela.



– Bobagem meu rapaz, todos tem um preço, você e eu sabemos muito bem disso. Já tentou oferecer um cargo de desembargador para ele ?



– Sim, bem... Ele mandou que eu... Colocasse onde o sol não bate...



– Mas quanta petulância deste homenzinho ! E claro que você não esta sabendo negociar com este senhor.



– Mas, senhor.



– Sabe Guilherme, você me serviu bem até agora mas será que terei de lhe aposentar mais cedo ?



– Deus do céu não... Não, senhor...



– No céu não meu caro, ele esta bem aqui na sua frente.



–Sim...sim, senhor.



– Já que nosso juiz me parece um negociante difícil, mandarei o melhor para que possam...negociar.



– Mas Senhor, quem vai mandar ?



– Eu mesmo caro ignóbil, ou conhece alguém mais persuasivo que seu amado senhor ?



– Não, não... O senhor e o mais persuasivo que conheço.



– Você é um excelente puxa saco Guilherme, agora vá prepare minha visitinha ao nosso querido magistrado.



– agora mesmo senhor.



Alexandre Rodrigues realmente acreditava que poderia corromper o Juiz (pobre coitado...), no fundo Alexandre achava que todo mundo era podre como ele mesmo. O que Alexandre encontrou nessa visita, não foi corrupção, foi honestidade.


A casa do homem que um dia ficaria lembrado na historia simplesmente como" o Juiz", era na verdade muito simples, não era uma mansão, mas era muito bem conservada, num estilo antigo, com portão de Madeira branco ( o que era realmente estranho para a casa de um juiz, eu apostaria em barras de ferro, muitas barras) a casa tinha apenas um andar, teto em forma de triangular, realmente a casa de uma típica família feliz. Tal visão criou náuseas no estômago de Alexandre, nunca poderia imaginar que um homem com um cargo como o de um juiz pudesse se contentar com tão pouco.

Alexandre então tocou a campainha, estava muito seguro de que conseguira o que desejava.

Um homem atendeu, seu rosto era rígido como uma rocha, seus olhos amarelados eram vividos e brilhantes , suas sobrancelhas caiam em horizontal em direção ao meio de sua testa, seu olhar ela cortante ( ele sempre olhava nos olhos), parecia que buscava no fundo da alma de quem o interpelasse a verdade de suas intenções.


– O que deseja ?



– Ora caríssimo senhor, ouvi muito falar do senhor, porém cerceio que não sei o seu nome...



– Nomes caro visitante, são para amigos e com certeza não este o caso.



– Ora desculpe-me pela descortesia, deixe que eu me apresente sou Alexand...



– Sei bem quem és, reconheço um rato quando vejo um.



– Senhor, sou seu presidente eleito !



– E qual a diferença ?



– O senhor poderia ao menos me deixar fazer minha proposta ?



– Direi a você o mesmo que disse ao seus subalternos, pegue sua proposta e coloque...



– Cuidado com suas palavras caro senhor, ela poder ser as ultimas que profere.



– Isso foi uma ameaça ?



– Longe de min ameaça-lo ! Apenas estou elucidando o quanto sua família e bela, seria uma pena se sua garotinha tão linda fosse impedida de... Digamos... Cumprir seu futuro brilhante. Sim, realmente seria uma pena.



– ESCUTE BEM SEU MARGINAL BARATO ! Lobo voraz em pele de cordeiro ! Se voltar a encostar um de seus sapador engomados próximo a minha residência, ou a minha família, vou esquecer que sou juiz e ou vou agir com um de seus pistoleiros !



– Esta e sua resposta final ?



Ante de conseguir terminar a frase o homem de olhos amarelos fecha a porta na cara de Alexandre.


Alexandre Rodrigues deixa escapar um sorriso de escárnio, levanta seus rosto e olha ao redor de todo bem organizado terreno.


– É, realmente será uma pena quando tudo isso vir a baixo.



Antes de entrar em seu luxuoso carro, Alexandre olha uma ultima vez para a janela da casa, sabia que o Juiz estava observando, com todo cinismo que avia aprendido em seus muitos anos de corrupção mandou um saudação de despedida ao juiz, o destino de todos de dentro da casa estava selado. O carro deu um rugido e logo estava se dirigindo rumo ao Horizonte na longa estrada de asfalto. O Juiz observou o veiculo até desaparecer, não sentia medo, sabia que isso iria custar caro, mas sabia também que Alexandre Rodrigues não se arriscaria a machucar um juiz. Ele mal sabia o quanto estava errado.



Notas finais
E realmente ótimo escrever sobre meu amado país, buscando qualificar e dar forma da melhor forma possível as virtudes e desvirtues que encontro netsa grandiosa nação..