Oracle - The Beginning

18 Capítulo 10 - Oráculo, o ínicio ( Parte 2 )


Notas iniciais
Boa noite.... Postando o capítulo depois de décadas. Queria perdir desculpas a vocês pela demora. E juro que não vou demorar tanto para postar. Já to com o 10.3 pronto e mandando para edição. Então vai ser postado logo. Ao longo desse capítulo ( o 10 ao todo) varias acontecimentos serão importantes. Por isso é o maior de todos.
Obrigado por continuarem lendo. Amor vocês. Queria agradecer a minha namorada por betar, vlw mesmo amor. Já que a beta oficial (nega juju) ta com o emachine nocauteado, kkkkk.
Espero que gostem dos ultimos momentos de Sam na fic, e uma boa surpresa esperam por vocês na outra parte do capitulo.
É isso ai. Bjos. Boa leitura!

O lobo branco ficou em uma posição ofensiva para os outros dois. Eu podia reconhecê-lo em qualquer lugar.

– Evelyn – eu afirmei.

– Evelyn? – Lorran indagou surpreso, ele nunca tinha visto ela transformada.

– É ela – abri um sorriso de alivio.

Lorran sorriu, percebi sua face relaxar.

Evelyn olhou pra nós dois e soltou um latido. Eu sabia muito bem o que ela queria nos dizer. Não acabou ainda. Voltamos nossa atenção aos dois lobos que começaram a andar em círculo em volta de nós. Estavam nos fitando, esperando o melhor momento para o abate.

Se eles pensam que vão nos intimidar estão totalmente enganados, coitadinhos. Lentamente tirei a estaca que estava em minha barriga, doeu demais, mas quando saiu deu um alívio momentâneo. Tinha um buraco na lateral da minha barriga jorrando sangue e doendo como nunca, mas eu estava pronto para lutar.

– Tudo bem ai? – Lorran perguntou.

– Mais ou menos, mas isso não é prioridade agora – respondi. – Fique pronto.

– Sempre.

Já que eles não tomavam a iniciativa, alguém tem que tomar.

– Agora! – gritei.

Eu e Lorran saltamos no lobo maior, Norberto. Sei que minha escolha não é da melhores, mas tive que pensar em Evelyn, Norberto é muito grande comparado a ela. Já Will era só um pouco maior. Espero que ela não se machuque, mas a vantagem dela era a velocidade.

Voltei a prestar atenção na nossa luta. Corri na direção de Norberto com a estaca na mão, aproveitei que ele estava distraído tentando acertar Lorran e finquei a estaca em seu pescoço, mas para minha surpresa ela não entrou nem três centímetros. O couro do lobo era muito resistente. Ele se virou rápido e me deu uma cabeçada me derrubando. Desgraçado.

O pior que ele era bom de briga, pois em outro movimento rápido mordeu o ombro de Lorran e jogou-o contra a árvore. Levantei depressa e corri na direção de Norberto, antes que o lobo pudesse se virar dei um soco na lateral do seu pescoço e saí correndo, ele veio atrás de mim. Momentaneamente era o que eu queria, tirar a atenção de Lorran, o garoto estava imóvel, provavelmente desmaiado.

Sem plano algum em mente continuei a correr seguido pelo lobo, felizmente minha velocidade era maior que a dele. Mas pensei em tentar algo. Corri na direção da primeira arvore que vi e dei duas passadas sobre seu tronco, com este impulso me lancei no ar dando um mortal e caindo em cima do lobo, exatamente sobre seu pescoço. Comecei a fechar meus braços com força em volta do pescoço do bicho e minhas pernas apertando suas costelas, era como tentar abater um cavalo, porém muito mais forte e feroz.

Minha idéia foi boa, Norberto se movia, tremia, fazia de tudo para me derrubar, mas eu era mais persistente e percebi que aos poucos ele estava ficando sem forças. Eu estava conseguindo, ele estava se encolhendo. Continue apertando até que senti uma boca me puxando e me derrubando no chão, Will. Olhei para Evelyn rapidamente e vi ela saltando novamente em cima do lobo menor. Will percebeu que seu amigo estava perdendo e conseguiu escapar de seu combate com Evelyn para detonar comigo.

Norberto aproveitou a oportunidade e soltou em cima de mim cravando suas unhas das patas da frente em meus ombros. Não queria dar este prazer a ele, mas a dor foi tão intensa e misturando-se com todas as outras me fizeram gritar. Tenho que lutar, não posso me deixar vencer assim, mas o lobo era muito forte. Ele começou uma investida contra mim tentando a todo custo dilacerar meu rosto. Meus braços ainda lutavam, um segurando seu focinho e o outro a parte posterior da boca do animal. Do jeito que estava meu fim chegaria logo.

Lyn estava ocupada ainda, lutando freneticamente contra Will. Inclinei a cabeça para olhar Lorran, ele estava de pé. Começou a correr na nossa direção com uma estaca em mãos. O lobo percebeu a aproximação e saltou de mim para Lorran. Ele caiu com as costas no chão fazendo um baque, o lobo colocou as garras em seus ombros, assim como estava em mim. Mas assim que bateu no chão Lorran jogou a estaca para trás, na minha direção. Levantei rápido pegando-a antes que pudesse tocar o chão. Norberto se preparava para o golpe fatal, ele não se mexia.

Meu amigo...

– Não! – gritei com toda força da que podia e saltei por cima do lobo.

Parecia que tudo estava em câmera lenta. Eu avançava no ar na posição quase horizontal, era praticamente um pequeno vôo impulsionado pelo pulo. Passei por cima do rabo, do tronco, pescoço e finalmente cabeça. Olhei dentro dos olhos do lobo e fiquei a estacada dentro do olho direito dele o mais fundo que consegui, logo depois cai ao lado de Lorran.

Norberto uivou de dor antes de falecer em cima de Lorran, puxei o corpo do meu amigo mais para trás, distante um pouco do corpo inerte do grande animal que logo depois voltou a forma humana, sem vida.

Acabou. Sentei no chão, já sem forças. Will uivou alto, um uivo de dor. Ele sabia que estava acabado, se ficasse acabaria morrendo, pelo menos é o que ele pensa, por sorte não notou que estou acabado.

Will se livrou de Evelyn e sumiu entre as arvores. Pensei que era o fim, mas Evelyn correu atrás dele e desapareceu.

– Evelyn não! – Gritei. Sem resposta, ela estava decidida.

Tentei me levantar com esforço, a dor era intensa, mas eu tinha que suportar.

– Jean, cuida de Anna para mim – Escutei Lorran dizer baixinho.

Abaixei-me perto dele.

– O que você está falando?

– Estou muito fraco, não vou agüentar – ele falava com esforço.

Estava certo, seu estado era péssimo. Nossa cura não é de imediata, demora algum tempo e Lorran não tinha esse tempo.

– Cuide dela por mim – pediu.

– Vai me entregar Anna de bandeja? A graça era eu tirar ela de você – tentei brincar ao mesmo tempo em que servia de um incentivo.

– Babaca – ele forçou um sorriso.

– Beba isso – peguei o pingente de bolinha e apertei fazendo cair algumas gotas em sua boca. – Você vai ficar bem.

Ele respirou fundo, fechou os olhos e dormiu.

Não esperava uma noite tão complicada, não esperava lobos, nem Alex. Seria tão simples se fosse apenas uma busca, se eu encontrasse a família de Sam viva, se divertindo em volta da fogueira. Uma pena não poder mudar o passado.

Abri minha boca e estava preste tomar umas gotas de sangue para dar um pouco de vitalidade quando escuto um uivo agonizante cortar a floresta. Lyn!

Coloquei o cordão no bolso da bermuda e comecei a correr, com muito esforço, na direção de onde tinha escutado ela. A dor neste momento não era o mais importante, eu precisava ajudar Lyn, mesmo estando na pior.

Chegando ao local me deparo com Will em cima de Evelyn, ela estava muito ferida e choramingava.

– Desgraçado – gritei por impulso!

Corri na direção do Will com muito ódio. O lobo saiu de cima dela e correu ao meu encontro. Quando chegamos a poucos metros um do outro, tentei socar a lateral da sua mandíbula, porém ele foi mais rápido e deu uma bocada em meu braço depois me jogou contra uma arvore. Com o baque caí sentado.

Neste momento queria ter a força de meu pai, não sou bom o suficiente. Provavelmente depois de me matar seria Evelyn, Lorran, Sam, não... Sam precisa de mim. O meu braço mordido estava ardendo muito e sangrando um pouco, teria que usar o outro se quisesse ter alguma chance.

Sabia que teria apenas uma oportunidade de matá-lo, ainda assim uma chance mínina. Will veio se aproximando letamente com os olhos ferozes me analisando. Ele sabia que teria que ser rápido e fatal, não se brinca com um caçador.

Coloquei a mão para trás e fechei-a em volta de uma estaca que eu havia guardado na cintura na parte das costas. Finalmente o lobo saltou para cima de mim, ao mesmo tempo Evelyn surge saltando no pescoço dele, quando seus dentes fecham em seu pescoço Will perde o foco de mim e acaba abrindo a boca soltando um ganido. Minha chance. Tiro a estaca rapidamente e estico meu braço na direção da boca dele, a estava entra certinho no céu da boca da fera. Ele cai inconsciente em cima de mim, logo volta à forma humana. Empurrei-o para o lado, era um jovem, tinha cabelos loiros e aparentava ter dezoito anos.

É triste ver um inocente ser tão manipulado a ponto de perder a vida por poder. Não vejo a hora de reencontrar Alex e seu núcleo. O problema é que esse núcleo é o centro de tudo, vai ser muito difícil eliminar esse vampiro, sinto que teremos muitos problemas com ele. Por enquanto tudo tinha acabado.

Evelyn fica deitado no chão ainda sobre a forma de loba, mas logo a vejo mudar para humana.

– Evelyn – chamei.

Não respondeu, estava desacordada. Rastejei até ela e fiquei deitado ao seu lado. Ela estava de bustos, nua. Não reparei, fitei o estrelado. Não tinha mais força alguma, nem mesmo para andar. Meti a mão no bolso e peguei o colar de mamãe, abri a boca de Evelyn com certa dificuldade, meu braço da mordida doía muito. Dei a ela as ultimas gotas.

– Me orgulho de você – eu disse, sabia que estava desacordada, mas disse assim mesmo.

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Abri os olhos lentamente, estava deitado em meu quarto, na casa de mamãe. Droga, eu desmaiei, será que Sam está bem? Eu não podia desmaiar, não podia. Pulei da cama e desci as escadas, para minha supresa a casa estava cheia, todos na sala. Os casais abraçados, Anna e Lorran, Jess e Hector, Bryan e Claire. Mamãe segurava Sam em seu colo e papai estava do lado, sentado.

– Reunião de familia? – Perguntei.

– Jean – minha mãe deixou Sam no sofa e correu para me abraçar.

Ela me apertou como nunca.

– Você me assustou, bebe. Não faça mais isso comigo – ela dizia desesperada.

– Calma, mãe já foi. E acho que já sou bem grandinho para me chamar de bebe, principalmente na frente dos meus amigos, não? – Brinquei.

– Sempre vai ser meu bebe – ela me olhou nos olhos, minha mãe sempre teve os olhos de anjo, incrível.

– Sempre, mãe – sorri para ela.

Estava feliz que tudo acobou bem, realmente pensei que não sairia vivo dessa, que os lobos matariam eu, Lorran e Evelyn e depois iriam atrás de Sam. Mas nós conseguimos, formamos um ótimo trio.

– Tio? – Sam disse baixinho aparecendo ao lado de minha mãe.

Não sou muito de gostar de crianças, mas Sam é totalmente diferente. Essa pequenina meche com meus sentimentos, de alguma maneira ela me faz feliz só de sorrir para mim.

– Pequenina – ajoelhei e puxei ela para um abraço apertado. – Que saudade de você.

– Você ainda está dodói? – Ela perguntou.

– Não, bebe. Estou bem, e você, como está?

– Bem – ela deu uma risadinha fofa.

Mais uma vez acabei dormindo demais. Eram seis horas quando desci, de sábado. Mas pensando bem, fiquei a marugada toda na floresta, quando apaguei devia ser por média das quatro da manhã.

Meu pai que havia nos encontrado. Primeiro ele achou Lorran, depois eu e Evelyn e por ultimo a pequena Sam. Ele disse que foi tudo bem armado, ele seguiu três vampiros até muito longe. Papai se culpava pelo que tinha acontecido, mas ele estava apenas fazendo o certo, como ele ia saber que era tudo armação? Os vampiros apareceram e ele foi atrás, até eu faria o mesmo. Além do mais nada de mal aconteceu.

Mamãe teve um pouco mais de trabalho, pelo tanto de gente que tinha ido nos visitar. O jantar foi bem divertido, todos conversaram, riram e botaram o papo em dia. Fiz questão de acabar logo com a atmosfera ruim sobre o que tinha acontecido.

Bryan me repreendeu, disse que se eu morresse iria me atordoar no inferno. Eu ri. Claro que ele disse isso só para mim, se mamãe ouve isso ela matava ele.

Depois do jantar todos se foram. Bryan levou Claire na casa dela e depois foi direto pro seu quarto. Papai foi fazer a ronda junto com Hector, mas antes passaria para deixar Jess em casa. Lorran foi levar Anna e depois iria descansar. Mamãe foi dormir.

Sobrou só eu e Sam no sofa, vendo desenho. Papai disse que buscaria pela mãe dela, tentaria entrar em contato e contar do ocorrido, claro que o motivo da morte seria outro.

– Não está com sono, Sam? – Perguntei.

Ela balançou a cabeça positivamente e coçou os olhinhos.

– Vem cá – eu disse enquanto puxava ela para meus braços.

Sam deitou a cabeça em meu ombro, levantei e desliguei a televisão, subi para meu quarto e deitei na cama. Ajeitei a cabecinha dela em meu peito e aninhei-á em meus braços.

– Conta uma histólia? – Ela pediu baixinho, a voz roquinha de sono, mas foi muito fofa.

– Não sei nenhuma história, amorzinho – falei.

– Sabe, sabe sim – ela insistiu.

– Ok, eu conto – me rendi ao charme dela.

– Oba – ela sorriu.

– Vamos la. Era uma vez um menino chamado...

– Zin Konely– ela interrompeu.

– Pode ser Zin – eu dei uma risada, já sabe meu nome a danadinha. – Pois bem, Zin era um menino muito chato e arrogante, mas não fazia mal a ninguém, ficava quieto na sua.

– Zin ela como? – Perguntou.

– Parecido comigo – dei um sorriso verdadeiro.

– Zin ela bonito então – ela disse se aninhando ainda mais em meu peito.

– Você que é linda. Agora deixe-me continuar – Sam me surpreende, muito esperta, acho que já falei isso. – Um dia falaram mal da mamãe de Zin e ele não gostou nada. Ele bateu no garoto e foi expulso da escola. A vida dele deu uma reviravolta, tudo mudou. Ele conheceu uma garota o nome dela era Annie, ela era linda. Mas Annie arrumou outro namorado. O que deixou Zin muito triste.

­­­– O que ele fez? – Sam pergunta com voz de sono.

– Ele deixou. Mas ele ainda luta por ela. No momento Zin descobriu outro tesouro — e é verdade.

– Tesoulo? – Sua vozinha ia cada vez ficando mais fraca.

– Sim, uma fadinha. A coisa mais linda e fofa do mundo – bocejei.

Meus olhos estavam quase colando e eu nem percebi. Acho que não tem problema eu dormir um pouco com ela, depois levo-a pro quarto de hospedes.

Quando acordei já era de manhã, Sam estava dormindo como um anjo aninhanda comigo. Dormi feito uma pedra, no caso, somos duas pedras. Coloquei ela lentamente em minha cama e dei um beijo em sua testa. Não se apega, Jean. Repetia isso a mim mesmo, uma hora ela teria que partir.

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Segunda — feira, que dia mais chato. Cheguei na escola e desci do carro. Abri a porta do carona e tirei Sam da cadeirinha. Minha tia, mãe da Jess, me emprestou uma antiga, que usava quando minha prima era pequena.

Peguei a mão da loirinha e caminhmos para escola. Passei na sala do diretor para explicar que hoje assistirei as aulas com Sam do meu lado. Não me sobrou muita opção. Mamãe trabalhando, minha tia trabalhando, meu pai está procurando a mãe da Sam por meio da internet e outros meios, então ficou apenas eu para cuidar dela. Não importa, Sam não vai me causar problemas, ela é um anjo.

Sentei em minha cadeira como de costume e coloquei Sam na do lado.

– Jean é pai? – Brincou Darwin, um babaca que senta lá atrás.

– Claro, você é o tio – respondi na lata.

A sala toda caiu matando de zoações em cima do menino. Pelo menos isso foi o suficiente para inibir outras piadinhas totalmente idiotas.

Assim que bateu o sinal do recreio, esperei todos sairem e arrumei as folhas que Sam passou as aulas desenhando e lendo, sim, com três anos ela já sabe ler. Isso definitivamente não é comum.

– Oi pessoal – cumprimentei meus amigos na mesa.

– Olha ele ai, o novo pai do pedaço – Bryan brincou.

– Daqui a pouco eu sou titio, não? – Eu ri com gosto

– Credo Jean, me respeita – Claire pestanejou.

– Também te amo, chata – dei lingua para ela.

Coloquei Sam do meu lado.

– O que quer comer, garotinha? – Perguntei.

– Batata flita – Disse decidida.

– Não vai dar isso para ela, vai Jean? – Anna perguntou.

– Vou, mas antes vou montar um prato de salada e pedi para fazerem um copo de suco para ela – Expliquei. Não sou tão tonto de só servir besteira para uma criança.

Fiquei dez minutos para comprar as fritas e o suco. Antes de voltar para mesa montei um prato de sala com alface, tomate, pepino, azeite e sal. Servi Sam, ela não fez birra nem nada. Primeiro comeu toda salada e tomou o suco e por ultimo as fritas.

– Ela é muito perfeita, primo – Jess elogiou.

– Muito inteligente, muito mesmo. Nem imaginam o que ela fez na sala – eu disse.

– O que? – Perguntou Hector.

– Sam, o que está escrito na jaqueta do Zin? – Estiquei para ela poder ler direito.

– Adventule – ela leu normalmente.

Todos ficaram imprecionados.

– Viram? – Eu disse com gosto.

– Não é possivel – Lorran disse.

– Pede para ela ler outra coisa, se acha que combinamos.

– Não, eu não disse isso – Lorran parecia não acreditar. – Tem certeza que ela tem três anos?

– Tenho, chato – Sam deu língua para Lorran e cruzou os braços.

Eu dei uma gargalhada.

– Essa menina não é normal – Claire disse.

– Você que não é – Sam deu língua para Claire, dessa vez.

– Desculpa bebe, é que você é muito lindinha e perfeitinha para ser de verdade – Claire com voz de criança.

– Obligada – Sam agradeceu enquanto descruzava os braços.

A aula passou voando. Sam cochilou na ultima. Peguei ela no colo e caminhei para meu armário, depositei meu mateial lá e fui para o carro.

– Jean espera – Anna me parou a poucos metros do meu veículo.

– Oi, Anna.

– Sobre o quase beijo no baile...

– Fica tranquila. Eu entendi – sorri de leve para ela.

– Queria me desculpar .

– Não aceito, porque foi bom para mim – beijei a testa dela.

– Chato – ela disse baixo.

– Olha quem fala – eu disse baixo também, para não acordar Sam.

Coloquei Sam na cadeirinha, sem acordar. E dei um abraço em Anna.

– Até amanha? – Perguntei.

–Até amanhã – ela disse.

Liguei o carro.

– E Jean – Anna me chamou, já tinha andado um pouco. Olhei para ela. – Você será um bom pai no futuro – ela sorriu e acenou com mão.

Dei um sorriso e acelerei para casa.

A semana passou muito rápido. Sam era maravilhosa, quando estou com ela é como se o mundo ficasse mais tranquilo. Como eu tive que cuidar dela meu pai me liberou de algumas rondas. Eu não queria me apegar tanto, mas foi impossível.

Fiz coisas que não fazia a algum tempo, como andar de bicicleta, ir a praça, doceria, cinema, tudo ao lado de Sam. Ela lembrou do pai algumas vezes e tive que explicar que ela não o veria por algum tempo, mas que no futuro ela entenderia. Ela só uma criança por isso consegui distrai-lá com certa facilidade. Apesar de tudo, odeio mentir para ela.

Papai conseguiu informações sobre a mãe dela, descobriu que ela foi internada no menicômio a pedido do marido, achei muito macabro esse fato. Segundo depoimento do pai de Sam, a mãe foi internada por estar completamente sem sentido de realidade, no registro consta que ela tinha medo de tudo e não parava de falar que estavam vindo pegar o livro proibido e que ela tinha que proteger a todo custo.

Em minha concepção ela não estava louca coisa nenhuma, era apenas medo. A mãe de Sam sabe do meu mundo, e provavelmente faz parte dele, assim como Sam. Isso explicaria a facilidade de aprender as coisas. Sabemos que a menininha não é Valquíria, nem tem gene de lobo. Papai acha que Sam e mãe dela tem sangue de bruxa nas veias, mesmo que ele nunca tenha visto ou conhecido alguma essa a teoria mais aceitável.

Conseguimos contato com ela e informamos dos acontecimentos recentes. O nome dela é Sarah e ela já está livre do manicômio a seis meses. Descobrimos também que ela entrou na justiça para recobrar a guarda de Sam, a justiça fez exames com ela e a declarou apta para cuidar de uma criança, além de estar casada e ter uma vida estável.

Ela ficou de vim pegar Sam amanhã, sexta-feira. Ela mora em uma cidade de Nebraska, não é muito longe, mas não é perto, digamos que se for para ver a Sam vale a pena pegar algumas varias horas de estradas.

Marcava oito e vinte em meu celular, estou quase terminando a tarefa da escola enquanto Sam faz desenhos. Serão minhas recordações dela. Finalmente acabei o dever. Falando em escola, só não consegui ganhar o rei do baile porque tive que ir embora, o rei tinha que estar lá para ser coroado. No minha ausencia deram o premio para o segundo colocado, um menino do terceiro ano que é metido a besta.

– Terminei Sam – falo enquanto guardo minhas coisas.

– Vamos sair? – Ela pergunta enquanto guarda as folhas dela numa pastinha e guarda seu material de pintura.

– Foi o combinado, princesa – sorri para ela.

– Eba! – Ela deu um gritinho feliz.

– Promessa é divida – pego a mão dela e vamos para garagem juntos.

Tiro a cadeirinha e coloco no porta-malas, vamos ter um convidado a mais para esse passeio.

– Onde eu vou? – Sam pergunta.

– No meu colo, você vai dirigindo comigo, que tal? – Sei que é imprudencia, mas fazer oque. Além do mais vou andar devagar e o lugar é perto.

– Tudo bem – ela sorri contente.

Coloco Sam em meu colo e dirijo devagar até a casa de Anna. Paro em frente e espero alguns minutos até ela chegar. Ela entra no banco do carona e dou a partida para a pracinha.

Estacionei o carro com facilidade. A praça de Phenite sempre foi linda. Tem uma fonte linda e a grama é perfeita, fora a iluminação que é incrível. No começo de dezembro então, sem comentários para a beleza das luzes de natal.

Decemos e andamos de mãos dadas, eu segurando a mão direita e Anna a esquerda de Sam.

– O que você que quer fazer, lindinha? – Perguntei.

– Pula pula – ela pediu.

Eu e Anna levamos-a até o brinquedo.

– Quanto é, amigo? – Perguntei ao cara que tomava conta da pula pula.

– Um dolar, dez minutos – ele falou.

– Vinte minutos para ela, por favor – paguei a ele.

Anna colocou Sam no brinquedo.

– Toma cuidado, ta bom? – Anna pediu a Sam, era tão lindo ver elas juntas.

– Pode deixar – Sam disse sorrindo enquanto começava a saltar na cama elástica.

– Vamos sentar ali no banco – pedi a Anna.

– Claro, vamos – aceitou. – Sam estamos sentados ali no banco, vamos ficar de olho.

Sam apenas acenou com as maõs enquanto pulava alegre.

Sentamos em um banco onde pudessemos olha-la, caso ela se machucasse. Faz um tempo que não falo com Anna, só nós dois. Sinto muita falta disso, as vezes parece que vou perder ela.

– Então, andou me evitando a semana toda porque? – Anna perguntou.

– Não fiz isso.

– Conta outra Jean, essa já é muito velha – ela disse séria.

– Eu tenho que cuidar de Sam, você sabe disso.

– Desde que comecei a namorar com Lorran sinto que estou perdendo você aos poucos, meu melhor amigo, dói – ela colocou a mão sobre a minha e precinou de leve.

– Ando muito preocupado e ao mesmo tempo distraído. Desculpe.

– Estou com medo, Jean. Medo de perder você, Lorran, meus amigos, Ainda não me contou sobre a noite na floresta. Alex estava lá, não estava? – Sabia que ela perguntaria sobre isso.

– Lorran não disse? – Perguntei.

– Não, quer me poupar não sei de que – disse irritada.

– Alex estava lá, e não só ele, tinha dois lobos como capachos dele – ela me olhava atenta enquanto eu falava. – Lutamos contra eles. Alex foi embora e deixou os dois lobos, eu estava machucado e Lorran também. Ai Lyn apareceu e começou a lutar contra um lobo. Eu e Lorran conseguimos matar um deles e depois Lorran desmaiou. Lyn foi atrás do outro e eu fui para ajudar, juntos conseguimos matá-lo. Pronto.

Anna estava boquiaberta.

– Lobos?

– Lobos violentos. Mas estranhei uma coisa – falei pensativo.

– O que?

– Alex podia ter me matado, ou matado Lorran, mas ele foi embora. Deixou-nos nas mãos do lobos sem a garantia que eles nos mataria.

– Estranho, talvez ele não tenha permissão de matar vocês ainda – Anna opinou.

– É, pode ser isso. Não sei o que esse cara quer, isso está me deixando maluco.

– Sou eu, me desculpa – ela olhou para outro lado, focando o vazio.

Passei a mão por sua nuca e puxei ela para um abraço. Ela se aconchegou em meus braços.

– Eu nunca vou abandonar você, vou ficar ao seu lado e te proteger, mesmo que isso seja dever de Lorran, mas também é meu.

– As vezes eu penso em partir, ou simplesmente me entregar – ela falou triste.

– Não pense besteiras, Anna MacUillis.

– Vocês podem morrer, entenda isso – a voz dela estava ficando fraca.

– Confie em mim, ok? Não sou de porcelana, nós somos caçadores, está em nosso sangue – eu disse.

Ela se afastou do meu abraço.

– Não me evite nunca mais – advertiu.

– Não vou – dei um sorriso para ela.

– E toma muito cuidado quando estiver lidando com esses vampiros e lobos idiotas.

– Sim, senhorita.

Olhei para a cama elástica, Sam estava pulando junto com outra menininha de seu tamanho, estava feliz, rindo e gargalhando.

– Ela vai amanhã, não é? – Anna perguntou, mesmo já sabendo a resposta.

– Vai sim, a mãe dela vem buscar. Papai que ter uma boa conversa com essa mulher, ela tem muito a nos dizer, segundo ele, claro.

Samantha não era uma menina normal, só não sabiamos o que ela era. Sinto que amanhã muitas coisas serão reveladas.

Logo Sam saiu do brinquedo e veio correndo na nossa direção. Anna pegou-a no colo.

– Se divertiu? – Perguntou a Sam.

– Muito – respondeu ela com um sorriso lindo no rosto.

Peguei uma toalhinha e limpei o suor em seu rosto.

– Está com fome, linda? – Perguntei.

– Um pouco – respondeu.

– Vou comprar algo para você – levantei. – E para você também Anna.

– Também te amo – Anna riu e mandou um beijo para mim. Essa menina, sem comentários.

Fui até uma barraca de comidas em geral, tinha uma boa diversidade de lanches. Enquanto espero, não custa nada ouvir o que as meninas conversam. Aprimorei minha audição focando nelas.

– Annie, vou embola amanha – ouvi Sam dizer.

– Jean me disse, bebe. Está anciosa para ver mamãe?

– Um pouco, quelia pedir uma coisa pla você, pode?

– Claro meu anjo, peça.

– Cuida do Zin, ele vai ficar tliste quando eu for.

Meu coração acelerou. Como ela consegue fazer isso comigo? Mecher com meus sentimentos de tal forma, Sam sempre será minha garotinha especial.

– Eu cuido sim. Pode deixar comigo, eu prometo.

– Bligada. Ele disse que meu papai ta no céu – Sam falou, com razão, eu disse mesmo.

– Meu pai também está no céu – Anna disse.

– Ele disse que meu papai é aquela estlela – olhei para ela de canto de olho, Sam apontava para as estrelas.

Eu dei um sorriso verdadeiro, só meu, só para mim.

– O meu é aquela, do lado do seu – Anna também apontou o dedo.

– Moço?

Não canso de olhar para elas juntas, duas pessoas que me apeguei muito e que sempre serão importante em minha vida.

– Boa noite, jovem – uma voz de mulher me chama.

Me virei de volta para barraca.

– Oi, desculpa.

– Que isso, tudo bem – era a mulher da barraca. – Posso ajudar?

– A sim, quero três mistos, um normal, um duplo e um triplo.

– Ok, anotado. Algo para beber?

– Duas pepsis e uma coca-cola, lata.

– Certo, algo mais? – Perguntou.

– Três maçãs do amor, só tudo isso – brinquei.

– Certo, espera só um pouco que estaremos preparando.

Ela entregou o papel para outra mulher, que começou a preparar os mistos. Esperei lá mesmo, em menos de três minutos já estava tudo pronto. Voltei para duas cheio de sacolas em mãos.

Entreguei o misto normal para Sam, o médio para Anna e o maior era meu. As pepsi ficou comigo e Sam, Anna prefere coca. A maçã do amor foi uma para cada. Lanchamos enquanto conversavamos, para mim foi como uma terapia. Me fez esquecer tudo e viver o momento, algo normal em minha vida.

Depois que terminamos era hora de ir para casa, amanhã é sexta e teria aula normal. A tarde depois da escola a mãe da Sam vem pega-la, eu tinha que me preparar para a separação.

Passsei na casa da Anna para deixa-la antes de ir para casa com Sam. Desliguei o carro e fiz questão de abrir a porta para ela.

– Cavalheiro – ela elogoiou.

– Sempre – dei um sorriso. – Posso pedir algo?

– Peça.

– Tira uma foto comigo e com Sam, recordação – pedi, mesmo sabendo que ela não curte muito tirar fotografia.

– Claro, anjo – adoro quando ela me chama assim. – Vem Sam, tirar uma foto.

Sam desceu do banco do motorista, estava brincando com o volante. Eu e Ana abaixamos e colamos nossos rostos ao de Sam e sorrimos.

– Todos sorrindo – pedi e apertei o botão do celular. – Pronto.

– Tchau, Annie – Sam abraçou ela. – Vai me ver antes de eu ir embola?

– Claro, anjinha. Vou sim. – Anna deu um beijo em sua bochecha.

Sam sentou no banco do carona e ficou me esperando.

– Obrigado por hoje, Jean. Senti falta de sair e conversar com você, foi perfeito. – Ela agradeceu.

– Eu que agradeço. Foi muito bom .

Ela me abraçou forte, retribui.

– Estarei com você amanhã, quando ela se for.

– Obrigado – dei um beijo em sua testa e esperei ela entrar.

Assim que Anna entrou liguei o carro e fui para casa, já eram dez e quarenta e cinco. Coloquei o carro na garagem e entrei com Sam. Fomos direto escovar os dentes e falar com mamãe que estávamos em casa e bem. Depois levei ela para meu quarto e deitei na cama com ela sobre meu peito.

– Zin, vai me visitar quando poder? – Ela perguntou.

– Sempre que der, meu amor, sempre que der. – Essa seria a ultima vez que colocaria ela para dormir, sentirei muita falta dessa pequena em minha vida. Foi uma das melhores semanas de minha vida. Obrigado Sam, obrigado.

Notas finais
Então, curtiu? :p
Duvidas? Review? ;P
Obrigado por lerem. Juro que voltei a me dedicar a fic. ( mesmo estando trabalhando). Muitas coisas vão acontecer, estejam preparados...
Bjos!