Oracle - The Beginning
20 Capítulo 10 - Oráculo, o ínicio - Parte 4
Notas iniciais
POV EVELYN
Não conseguia controlar meu nervosismo. Porque não podia ser uma lua cheia normal onde meu pai se entocava no porão dos Konery e tudo ficava bem no outro dia? Droga. Minhas mãos tremiam muito, mesmo respirando fundo não conseguia parar de tremer.
– Se acalme – ele pede calmamente.
Jean é como um irmão para mim, o modo como ele me aceitou do jeito que sou, o fato de não me temer já que eu me vejo como aberração as vezes.
– Não dá – falei. Como posso ficar calma com meu pai em algum lugar por ai?
– Vai dar tudo certo – o tom de voz dele era calmo, mas eu sabia que tinha medo.
Jean tirou a mão da marcha e colocou sobre a minha. Estávamos juntos nessa, precisava confiar nele, nunca me deixou na mão. Vai dar tudo certo, pensei. Nada de ruim vai acontecer.
O carro freia bruscamente derrapando na pista e para. Recupero o fôlego, ele está ficando maluco?
– Peguei um cheiro – avisou antes de sair do carro.
Saí rapidamente e fechei a porta. Fechei meus olhos e me concentrei no olfato, na forma humana não é tão sensível quanto quando estou na fera, assim que me chamo quando viro loba.
– Meu pai esteve aqui, é o perfume dele – engoli seco. – E tinha outro cara, um vampiro? – Perguntei, o cheiro estava muito fraco.
– Sim, são dois provavelmente. Sangue de Valquíria – ele avisou antes mesmo de eu perguntar.
Respirei fundo tentando não pensar besteira. Era difícil dentre os fatos já comprovados. Uma lagrima escorreu, não posso perder papai, ele é a única pessoa que tenho. Comecei a estremecer como se estivesse com frio, mas não era só isso. A fera queria sair.
– Jean, não venha para perto – alertei.
Abaixei a cabeça e tentei me controlar. A imagem de meu pai me ensinando a controlar minha transformação na primeira vez que aconteceu veio em minha mente. “ Controle seus sentimentos, se acalme. Não tenha medo do que você é minha Evelyn...” E pensar que agora ele pode está nas mãos de vampiros sem alma.
Meu coração disparou e minha respiração acompanhou-o. Calor, senti um abraço apertado me envolver e meu ouvido foi para no peito dele. Dava para ouvir seu coração batendo em ritmo constante. Meu corpo relaxou imediatamente e minha respiração ficou normal novamente.
– Eu disse para confiar em mim – Jean, meu amigo, meu irmãozão.
– Obrigada – sussurrei.
– Agora vamos atrás dele, vamos achá-lo e levá-lo até a casa de papai antes que o pior aconteça – me perguntei a que pior ele se referia.
– Ele pode estar...?
– Não – Jean interrompeu. – Acredito que não é esse o objetivo deles. – Não podemos perder mais tempo, eu vou indo na frente e você se transforma. Pode deixar suas roupas no banco, e antes de ir deixe ele no acostamento.
– Ta bom – como ele consegue transmitir tanta segurança?
– Te vejo em segundos – ele beijou minha testa, colocou a chave no meu bolso e correu para floresta.
Corri para o banco do carro e o liguei, pisei de leve no acelerador e deixei-o no acostamento, coladinho a floresta. Tirei toda minha roupa e sai do carro, sorte que essa rodovia não passa ninguém, seria constrangedor.
Tranquei o carro e guardei a chave no cano de descarga, se passasse alguém nunca acharia a chaves ali e eu não podia carregar.
Puxei a ar com força e liberei devagar, na segunda puxada de ar senti minha pele queimar. Varias correntes elétricas subia dos pés a cabeça em segundos. Joguei-me para frente com os braços esticados, no instante em que meu corpo estava no ar minha pele se rasgou e expandiu, pelos surgiram em centésimos de segundos por toda minha pele. Libertei a fera.
Entrei na floresta correndo o máximo que podia, eu passava pelas arvores tão rápido que mal dava para diferenciá-las de rabiscos. Segui o cheiro do perfume do Jean, caçadores não têm cheiro como vampiros, se ele não tivesse usando perfume seria impossível de achá-lo. Assim como meu pai, uma vantagem dos lobos assim como dos caçadores.
Logo encontrei com Jean na trilha. Ele é muito rápido, impressionante.
– Demorou – ele disse enquanto seguia pela trilha.
Como posso respondê-lo? Não posso.
– Desculpa, esqueci que não pode falar. Vamos apertar o passo antes que o cheiro desapareça.
Aumentamos a velocidade floresta adentro. Já anoitecera. Não conseguia enxergar a lua ainda por causa das arvores, mas logo ela estaria por ali.
– Lyn, e se tiver uma nuvem tampando a lua, ele se transforma assim mesmo? – O tonto ainda pergunta, como se lobos falassem.
Deu um latido baixo.
– Vou considerar um sim.
Acertou.
Um grito atravessou a floresta e chegou aos meus ouvidos. Meu coração murchou no mesmo segundo, papai. Mudei de direção seguindo o grito o mais rápido que conseguia, tenho certeza que ele está machucado ou pode estar se transformando. Mais rápido... Mais rápido.
Finalmente o avistei. Estava totalmente despido e amarrado em uma arvore. Aproximei-me dele com cautela.
– Corre Evelyn, vai embora – ele pediu gritando.
Era horrível vê-lo preso daquele jeito, o corpo cheio de hematomas e sangramentos, bateram demais.
Jean chegou e quebrou as correntes com muita facilidade, papai caiu de quatro, fraco e exausto.
– Senhor, está tudo bem?
– Corre Jean, e leve Evelyn com você – papai disse entre gemidos.
Olhei pro céu e vi a lua cheia exuberante e absoluta preenchendo o vazio da noite. Não chegamos a tempo...
– Corram – Papai gritou como uma fera e começou a estremecer.
Suas pernas e braços se alongaram e engrossaram, sua cabeça mudou para um formato mais achatado e suas orelhas ficaram pontudas, pelos cresceram por todo corpo, suas unhas se alongaram uns 5 centímetros. Ele nunca em deixara vê-lo transformado, agora entendo o motivo, era um verdadeiro monstro.
Ficando de pé o verdadeiro lobisomem de lua ultrapassava os dois metros. Ele ainda parecia desnorteado. Quando a transformação concluiu o lobisomem uivou alto olhando diretamente para o luar.
Recuei lentamente alguns passos. Medo do meu próprio pai? Não, meu pai estava la dentro em algum lugar.
– Corre Lyn! – Jean gritou.
Papai olhou para mim e depois para Jean. O grito dele certamente atraiu a fera.
– Você que me pegar? Venha – Jean sinalizava com as mãos para cima para atraí-lo.
Isso é suicídio, juro que queria ter gritado isso para ele, mas como estou transformada não dá. O fato é que ele conseguiu o que queria. A fera simplesmente começou a correr em sua direção. Jean era muito mais rápido e correu para longe da fera e a chamou novamente, assim os dois iam se afastando, até quando ira durar isso? Só deus sabe.
Segui os dois de longe, papai... O lobisomem estava ficando cada vez mais irritado enquanto ia seguindo Jean. De repente os dois pararam e olharam para esquerda.
– Lyn, tem humanos por perto – Jean gritou preocupado.
Realmente havia pessoas por ali, devem ser turistas idiotas. Nesta época muitos deles vem para acampar ou fazer trilha. As vozes eram baixas, estavam a uma boa distancia. Concentrei-me para tentar ter exatidão de quem era.
“– Je pense que nous sommes perdus – era voz de mulher.
– Je sais exactement où nous sommes – essa era masculina.
Era o que faltava, um casal Francês perdido na floresta a noite com um lobisomem feroz a solta e Deus sabe lá o que mais. Tudo, exatamente tudo conspirava contra a teoria de que ficaria bem.
O lobisomem começou a correr na direção das vozes, o extinto dessa transformação é muito apurado para caça, especialmente de pessoas. Essa caça não tem como função alimentação, lobisomens são maquinas de matar, apenas.
A sorte é que não é rápido, eu e Jean o seguimos de perto e por vezes conseguíamos fazê-lo perder tempo. O que fazer? Nem eu nem ele sabíamos. Estávamos totalmente no escuro e não havia previsão de luz no fim do túnel.
A não ser que... Não, Jean estava perto, não seria agradável, mas perante as circunstancias. Acelerei o paço e tomei à dianteira, corri alguns metros na frente de papai e parei, respirei fundo e voltei à forma humana.
Ele parou a alguns metros, me fitando feroz. Parecia que estaca me estudando.
– O que pensa que está fazendo? – Jean em minha frente e ficou de costas para mim, encarando meu pai.
– Ele é meu pai, Jean – andei um pouco pro lado e para frente lentamente.
Jean segurou meu pulso.
– Não, não é seu pai e você sabe disso.
– Ele não vai me machucar – ele me soltou.
A fera continuava me estudando, estava apoiado nas quatro patas.
– Pai sou eu, sua Lyn, sua filhinha – Falei enquanto dava mais dois passos.
A distancia que nos separava era menos de dois metros, estaria mentindo se dissesse que não estava com medo.
– Henry, você é mais forte que isso – Jean disse. – Eu sei que você me ouve.
Não, infelizmente Jean estava errado. Meu pai podia estar lá dentro, mas muito bem preso ao ponto de não poder manifestar-se.
Ele uivou para lua e num movimento inesperado tentou me golpear com as garras afiadíssimas. Fiquei sem reação no momento, apenas senti Jean se jogando para cima de mim e depois caímos juntos. Ele gritou e depois ficou de pé a minha frente.
O que houve? Minha mente não consegue se encontrar. Meu próprio pai me atacara, ele não se importa comigo? Não, não era ele, definitivamente.
– Jean, você está bem? – Perguntei ao meu salvador, de novo para não variar.
– É só um corte – ele parecia durão. Mas não era só um corte, eu sabia o que esse corte causaria e ele também.
– Não é só um corte, você sabe muito bem disso – falei.
– Temos que sair daqui.
– Eu sei – ou saímos ou morríamos.
Não deu tempo de pensar em correr, o lobisomem correu para cima de nós. Jean me empurrou para o lado e se esquivou dele, depois tentou dar um chute, mas não adiantou, pois seu rival era muito mais forte, era como um tanque de guerra. Apesar dos caçadores serem fortes os lobisomens nessa forma são muito mais resistentes, é praticamente impossível feri-lo.
– Acho que não deu certo – Jean sorriu para mim enquanto se afastava do monstro.
Um urro horripilante saiu da boca dele e voltou a correr na direção do caçador.
– Corre, Jean! – Gritei para ele.
Jean ouviu meu apelo e sumiu na floresta como um raio, que velocidade... Mas espera, ele me deixou sozinha?
A fera parecia confusa, olhava para todos os lados a procura de Jean, aproveitei esse tempo e voltei a me transformar em loba, corri o máximo que consegui. E os turistas? Droga. Corri na direção dos franceses idiotas.
Fiquei escondida observando-os andar na floresta. Os dois não demonstravam medo algum, ao contrario, pareciam bem a vontade. Se eu não estivesse ouvindo as batidas de cada coração poderia afirmar que não eram humanos, mas era. E com certeza não eram lobos.
– Fique quieta – Jean pediu por sussurro aparecendo ao meu lado de repente.
Rosnei baixo para ele, que droga! Levei um susto que minha alma quase saiu do corpo, ah ele me paga depois.
– Temos que tirar esses dois daqui, seu pai está vindo e acho que não quer sentar e conversar.
Acenei com a cabeça. Mas como vamos chegar para eles dois? Oi, sou caçador e esse lobo é minha amiga, queremos que vocês saiam daqui o mais rápido possível porque um lobisomem descontrolado está solto na floresta. Acho que não vai funcionar, só acho.
Jean saiu rápido de onde estávamos escondidos e fez algo com os turistas que os fizeram desmaiar,como? Esse menino é maluco.
– Eles só estão desmaiados, ok? Um nervo que tem no pescoço, deixa que explico depois – ele dizia enquanto arrancava mochila de um deles e jogava de lado.
Jean colocou um em cada ombro e correu floresta a dentro, fiquei montando guarda enquanto ele deixava os dois em um lugar seguro. Pouco menos de trinta segundos que Jean sumiu meu pai apareceu, estava furioso. Ele ameaçou continuar no rastro de Jean, mas eu me lancei na frente e rosnei o mais forte que consegui, como se fosse adiantar, o que fazer contra um lobisomem de lua?
Ele tentou passar mais uma vez, porém eu saltei e mordi a pata, ou braço, dele. Com o outro ele me acertei e me jogou no chão, continuou vindo para cima e me arranhou forte na costela. Meio desnorteada comecei a correr para longe. Minha velocidade estava comprometida, eu sentia que estava cada vez mais devagar.
Senti a fera se aproximando cada mais e minha velocidade baixar. Não agüento mais, não dá. Encostei-me a uma arvore já sem força, não conseguia nem me mexer. O lobisomem aparece, ele ficou me olhando sedento. Cinco metros nos separavam. Lágrimas desciam por meu rosto. Voltei a forma humana mesmo sem querer. Quando ele me atingiu o veneno das garras penetrou muito rápido em meu organismo. O pior é que Jean também foi ferido, a essa hora ele deve estar imobilizado em algum lugar da floresta.
– Pai, sou eu – falei com esforço.
Respirei fundo e esperei ele me matar. Mas não aconteceu, o lobo ficou de costas para mim, farejava algo.
– Ataque surpresa – Jean gritou saltando na direção do lobo e socando a mandíbula dele. Ataque surpresa, serio? Até numa hora dessas ele me faz rir.
Queria poder dizer que seu golpe foi eficaz, mas não foi. O monstrengo nem sentiu, mas a raiva fluía em seu olhar selvagem. Ele mordeu o ombro de Jean e começou a balançar. Fechei os olhos para cena horrível, Jean gritava alto de dor.
– Solta ele – gritei, em vão.
O lobo arremessou Jean a uns dois metros, coitadinho, seu ombro estava muito machucado, sangrava muito.
POV JEAN
Estou completamente ferrado, meu ombro tem um rombo que não para de sangrar, meu corpo já não responde a metade dos comandos que eu mando e ainda tem um lobisomem louco para me matar, estraçalhar e tudo que tiver direito.
Olho para minha cintura, passo a mão por baixo da camisa e pego uma faca de prata que estava na mochila dos Franceses, não sei o porquê de está lá, mas quando voltava para salvar Lyn vi o brilho na mochila e fui investigar. Não conseguia me levantar, então o único jeito é arremessar. Estiquei o braço e me concentrei mirando nas costas do lobo. O que eu estou fazendo, é o pai de Lyn... Não posso matá-lo.
“ Você pode...” – Uma voz ecoou em minha mente. O lobisomem estava muito perto de Evelyn, mas não progredia, estava com as patas, mãos, na cabeça, lutava contra ele mesmo...
Mas o que?
“Jean, me mate, eu não consigo me controlar, estou preso dentro desse monstro. Faça agora!”. Será possível, Henry falando comigo mentalmente.
“Você é especial, por isso consigo falar com você. Jean eu não vou conseguir viver sabendo que matei minha própria filha, vai ser muito pior que a morte, me mate estou te implorando”
Levantei novamente meu braço.
“Não assim, para matar um lobisomem é preciso estar em contato com a prata ao golpear, é o único jeito de penetrar no couro”.
Eu poderia até fazer isso, se não fosse pelo fato de estar com veneno de paralisia no corpo.
“Vá Jean...”
Sua voz sumiu em minha mente, era seu ultimo apelo. Um desejo que era muito maior que eu. Levantei com muito esforço. O lobisomem se ergueu de pé, impressionante o tamanho. Ele avançou em Lyn, era minha única chance. Tudo ficou devagar, o lobo se movia lentamente, meu ultimo fôlego que não seja em vão. Corri na direção dele e deslizei por baixo de suas pernas,o lobisomem descia com sua mandíbula para abocanhar minha lobinha.
– Me perdoe Lyn, Henry... – finquei a faca de prata no coração do lobisomem.
A sensação foi a pior possível, eu senti seu coração parando lentamente. Eu vi a vida do Henry completa, desde o nascimento até agora, todas suas lembranças passavam em minha frente, eu senti o quanto Lyn era importante para ele, e a dor que sentia por ter matado a própria esposa, ela ainda não se perdoara, vivia apenas para cuidar da filha...
“Obrigado, Jean. Cuida de minha pequena”
– Me perdoe – pedi.
“Tire, Jean, e obrigado de coração...” Atendi seu pedido e puxei a faca. O coração de Henry parou e ele caiu de costas no chão, sem vida voltando à forma humana. Cai no colo da Lyn sem conseguir me mexer.
Sentia que ela chorava, sem fazer som algum, só por sua respiração desesperada. Essa hora eu queria poder desmaiar, mas não conseguia. Fiquei em móvel enquanto compartilhava da dor que fui obrigado a causar. Não sei se terei o perdão dela novamente
– Me perdoe Lyn...
Cheguei ao enterro de Henry um pouco depois de todo mundo. Não que demorei a me arrumar, estava tomando coragem de ir até lá, eu o matei afinal. Nada posso mudar isso, o que deu em mim?
Estavam um grupo de pessoas na entrada do cemitério todos com guarda-chuva erguido, chovia fraco, e vestindo preto é óbvio. Neste grupo havia vários conhecidos, meu pai, mãe, Bryan, Claire, Anna, alguns alunos da sala da Evelyn, e ela mesma.
Não tive coragem de sair do carro. Sorte que parei um pouco longe e acho que ninguém percebeu minha chegada, não sei se criarei a coragem necessária para olhar na cara deles, principalmente de Evelyn.
O carro com o caixão chegou. Respirei fundo. Papai, Bryan, Hector e Lorran foram em direção ao funerário. Pegando dois de cada lado eles levaram o caixão até uma pequena tenda aberta. Os guarda-chuvas se fecharam e todos ficaram em baixo da tenda branca, rodeando o caixão.
Tenho que ir, mas não consigo mover um dedo. Tinha que haver outro jeito, eu tinha que ter pensando em algo. Ouço um toque no vidro e levo um susto.
Evelyn.
Engulo seco e recupero a respiração. Um nó na minha garganta surge. Evelyn veste um vestido preto, sua maquiagem borrada pelas lagrimas e seu cabelo caindo sobre os ombros. Ela fez um sinal para eu baixar o vidro.
Abri a porta e sai do carro. Ficamos frente a frente. Não consigo se quer levantar o olhar para ela, isso é muito vergonhoso.
– Eu... – abri a boca para falar.
– Shii – ela colocou o indicador em meus lábios.
Fiquei parado, o que fazer? Não dava para simplesmente desaparecer.
– Me conte o que houve, parecia que conversavam pelo olhar quando aconteceu... – ela pediu, seus olhinhos derramando lagrimas lentamente.
Respirei fundo.
– Foi estranho. Ele me pediu por pensamento, antes de eu fazer. Ele me disse como matar um lobisomem e disse que não suportaria o fardo de ter matado toda família, seria pior que a própria morte para ele – expliquei. – Ele me pediu para cuidar de você.
– Pediu?
Fiz que sim com a cabeça.
– Olha Lyn, não sei como vai ser daqui para frente – lagrimas e mais lagrimas eram expulsar dos meus olhos. – Mas eu vou cuidar de você, vou ser seu amigo, um irmão mais velho que você não teve. Isso se quiser ficar perto de mim, eu não sei o que estou fazendo aqui, a culpa está me consumindo, te ver assim está sendo quando insuportável.
– Ei! Não fica assim, não teve culpa. Ele pediu... Me abraça, maninho? – Ela pediu.
Abracei-a como se não houvesse amanhã, tentando esquecer todo sofrimento e angustia. A vida dela vai ser difícil daqui para frente, nada vai tirar o fardo que eu carrego, talvez nunca. Mas eu preciso ser forte agora, preciso cuidar da Lyn.
Andamos juntos, abraçados, até o local onde era o enterro. O caixão já estava posicionado. Algumas pessoas eu desconhecia, devia ser parente distante de Henry. A chuva fina não dava trégua, o céu também chorava e suas nuvens cinzas demonstrava com muita clareza o sentimentos de todos.
Algumas pessoas me olharam curiosos, por Lyn está comigo, talvez. Não me incomodei com a situação, pois não sairia de perto dela neste momento por nada. Um
Um homem vestido de terno preto e barba longa levantou as mãos chamando atenção para ti.
– Hoje, lamentamos a morte de um amigo, mais que isso, um pai, um irmão, um companheiro, um ótimo vizinho. Henry foi sem duvidas um dos homens que eu mais tive prazer de conhecer nessa vida. Sempre sereno e honesto, moço tranquilo que dificilmente saia do sério – ele falou alto.
Lyn colocou a cabeça em meu peito, chorando. Apoiei a minha sobre a dela e a envolvi mais ainda em meus braços.
– Estou aqui, estou aqui – sussurrei para ela.
– Alguns acham que ele se foi, mas não se foi. Henry está aqui agora, está entre nós, em cada coração que aqui bate, em nossas lembranças. Ele nunca deixara de existir – o homem falava bem, e controlava a voz para não chorar. – Mas agora é hora de seu corpo descansar e deixar sua alma livre para voar.
Muitos choravam baixinho enquanto o caixão ia descendo lentamente para o fundo do buraco. Assim que chegou ao fundo o homem chamou a atenção para ti novamente.
– Alguém quer se pronunciar? – Perguntou.
– Eu – meu pai tomou a frente, agora que percebi que estava ao lado de mamãe que estava com toda maquiagem borrada. – Queria dizer que Henry foi um amigo de todas as horas. Um homem que sempre estava disposto a ajudar não importando o quão difícil fosse o objetivo. Henry sempre lutou pelo que achava certo, só isso.
Meu pai voltou para o lado de mamãe e ficou de cabeça baixa.
– Obrigado pelas palavras John – agradeceu o barbado. – Seja livre, meu amigo – o homem jogou uma flor branca.
Todos arremessaram uma rosa em cima do caixão, como eu não tinha nenhuma Lyn me deu uma. Antes de jogar olhei bem a rosa, depositando todo meu sentimento nela, mais que isso, coloquei meu pedido de perdão naquela flor. Queria poder voltar atrás e encontrar uma outra saída.
Assim que todos jogaram as rosas dois homens começaram a jogar a terra que lentamente fez o caixão desaparecer. Adeus Henry.
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Descobri que o homem barbado era irmão mais velho de John distante, mas que sempre escrevia e fazia visitas. Pena que ele teve que voltar para seu estado, ele cuidava de uma instituição que não podia ficar sem ele.
Meu pai ficou com a tutela de Evelyn, o tio não contestou, pelo contrario, achou que era a melhor coisa a se fazer, Henry sempre teve total confiança em meu pai. A amizade dos dois era algo muito forte e sempre vai ser.
Evelyn ficou na casa de papai, ficamos o começo da noite juntos, ela não conseguia parar de chorar. O relógio aponta exatamente oito horas da noite. A chuva deu uma engrossada, as meninas vieram fazer companhia a Lyn, e com certeza ela precisara.
Fecho meus olhos, mas tudo que vem na mente é a morte do Henry e tudo que aconteceu. Abro meus olhos e sento na cama. Droga. Porque eu? Porque tudo de ruim tem que me perseguir?
Ouço batidas na porta.
– Quem é? – Tento controlar minha voz, estava quase chorando.
– Eu, Anna. Posso entrar? – Era ela.
– Melhor não. – Falei.
– Melhor sim – ela empurra e porta, entra e depois fecha.
Limpei algumas lagrimas com meu cobertor. Anna se sentou ao meu lado.
– A chuva não vai passar, como vão embora? – Perguntei tentando mudar o rumo de nossa conversa.
– Vamos dormir aqui – ela se referia a Jess e Claire também.
– Ah sim.
– Mas não quero falar disso. Como está? – Colocou a mão sobre a minha.
Parece que quando estou perto dela fico mais fraco, não consigo simplesmente dizer que estou bem, porque estaria mentindo. Anna é diferente de qualquer garota que já conheci na vida, não consigo explicar o que sinto quando esta perto.
– Me sentindo um lixo, eu causei tudo isso Anna – falei de cabeça baixa. – Seria melhor se não tivesse retornado para Phenite.
– Seria? E quem cuidaria de mim? Quem seria meu melhor amigo, uma pessoa muito especial que me faz sentir segura e que sei que sempre poderei contar? – Ela colocou a mão em meu rosto levantando devagar e direcionando meus olhos ao encontro dos seus. – Você fez o certo, sabe que Henry não viveria com o fardo de ter matado a própria filha.
– Eu sei – sussurrei. – Mas eu não consigo tirar isso da cabeça.
– Vai passar – ela disse beijando minha testa logo depois. – Eu estarei ao seu lado, sempre.
– Obrigado – puxei-a e abracei-a. Por um instante tudo ficou bem, toda dor se fora, mas no outro segundo voltou tudo.
Ela ficou e andou até a porta do quarto devagar.
– Obrigado Anna, mesmo.
– Tente dormir, boa noite, anjo – ela disse antes de fechar a porta.
– Boa noite – falei baixinho depois que saiu.
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