Notas iniciais
Ei, acalme-se! Eu sei que você está pensando "como aquela garota sinistra da capa pode viver em um orfanato normal?". Mas ela só fica assim em alguns momentos, ela é uma garota normal. Ou quase.
Ah, só mais uma coisa! Esse capítulo é narrado em POV Mello.
Boa leitura.

Chuva. O que é a chuva? Água caindo do céu? Só isso? Ou ela quer dizer alguma coisa? O quê? Eu não sei. Não falo "chuvonês".

Nesse exato momento estou aqui na janela do orfanato observando a chuva fria cair do céu cinzento – seriam as nuvens? – enquanto mordisco uma barra de chocolate. As janelas aqui do Wammy's são muito altas, por isso precisamos subir em bancos pra olhar através delas.

–Ei Mello, não tá ouvindo eu falar com você?!

–Uh?

–Responde!!

–Quê que você quer, Matt? O seu PSP tá em cima....

–Eu não quero o PSP!!

–Não?

–Não.

–O que é que você quer?

–Queria perguntar se você viu a esquisita.

–Defina esquisita – tem tantos esquisitos aqui no orfanato.

–A de cabelos pretos, como é o nome dela mesmo? Akia, Aila...

–Aika?

–É. Essa ai mesmo. Você viu ela?

–Não. Não me importo.

–Ela sumiu.

–Só porque eu não sei você vai dizer que ela sumiu?

–Não é isso, baka. Ela sumiu desde ontem. Eu não vi ela ainda, nem no almoço e já são cinco da tarde.

–Acho que você tá preocupado demais com essa garota– disse mordendo mais um pedaço da barra de chocolate.

–O que quer dizer com isso?

–Sei lá.

–Sei lá?

–É, Matt, sei lá – coloquei ênfase na frase. Que assunto ridículo.

Matt fica calado alguns instantes e se vira de costas pra mim, dando um passo naquela direção.

–Onde você vai? – pergunto

–Procurar a esquisita.

–Por quê?

–Porque ela sumiu, ora! Se ela estivesse aqui eu não ia procurar.

Suspirei.

–Você vai precisar de ajuda então – digo descendo do banco.

–Quê? Você me oferecendo ajuda? Que bicho te mordeu?

–Cala a boca, é que eu sei que você não consegue encontrar um caroço numa melancia.

–Baka.

–Vamos logo antes que eu me arrependa.

Andamos um pouco até sair daquela sala, recheada de crianças. Nossa! Quanta gente! Eu não sabia que tinha tanta criança aqui no Wammy's. Mello, seu idiota, é um orfanato!

–Onde pretende procurar primeiro? – pergunto quando já estávamos no corredor.

–Eu não sei.

–Quais são os lugares onde ela costuma ir?

–Eu sei lá, eu nem conheço essa garota.

–Então por que tá procurando por ela?

–Eu não sei, Mello! Vai me ajudar ou me interrogar?

–Vamos pra sala de brinquedos.

–Sala de brinquedos? Por quê? Já viu ela lá alguma vez?

–Não é isso, idiota. Todos do orfanato já foram na sala de brinquedos.

–Por quê?

–Porque somos crianças, ora!

–Tá bom. Sala de brinquedos. Capitei.

Então seguimos pra sala de brinquedos esperando encontrar a garota de cabelos negros. Mas ao envés disso encontramos um garoto de cabelos brancos.

–Ela não tá aqui. Vamos procurar em outro lugar.

–Ela? – Near pergunta. Oh droga! Odeio esse baixinho.

–A garota de cabelos negros. A Aline.

–Aika – corrijo.

–Aika... por quê?

–Por quê o que?

–Por que estão procurando ela?

–Boa pergunta – Matt diz.

–Então estão procurando alguém mas não sabem por que e nem fazem ideia de onde ela possa estar? Que belos detetives, hein?

–Cala a boca, baixinho! Isso não é da sua conta! – me irrito com ele.

–Que pena. Eu até que poderia ajudar.

–Como? – Matt pergunta

–Eu sei um lugar onde ela costuma ir...

–Onde? – eu e o ruivo perguntamos em uníssono.

–Por que eu ia dizer pra vocês?

–Por que... a gente tá procurando ela?

–Vocês são chatos. Eu não vou contar.

–Conta, onegai!

–Vamos embora, Matt. Ele não sabe coisa nenhuma.

–Eu sei que se continuarem procurando por ai em lugares comuns como a sala de brinquedos vocês nunca vão encontrar ela.

–Lugares... comuns?

–É. Sala de brinquedos, biblioteca, refeitório, pátio...

–E o que seria um lugar incomum?

Ele simplesmente olha pra mim. Não diz nada, mas seus olhos quase dizem "eu não vou contar".

–Conta logo, Near!

–Eu não vou contar. Vou fazer melhor que isso.

–Como assim?

–Como eu sou um cara muuuuuuito legal, eu vou levar vocês até a garota.

Droga, essa não. Eu não quero esse pirralho nos enchendo. Mas fazer o quê? Se ele sabia onde estava a garota... droga, por que eu estou procurando essa esquisita mesmo?

–Onde ela está? – perguntou Matt quando novamente estávamos no corredor.

–Apenas me sigam, se quiserem descobrir.

Suspirei. Continuamos andando em direção ao fim do corredor e só paramos quando fomos forçados, por uma porta grande e negra. Como Near permanecia parado resolvi perguntar alguma coisa.

–Ela tá ai?

Ele assentiu.

–Tem certeza? – perguntou Matt

–Eu disse que ela não estava em um lugar comum, não disse?

–Como sabe que ela tá ai?

–Já vi ela entrando aqui. Na verdade ela entra aqui quase todo fim de tarde. Exatamente na hora onde vou pra sala de brinquedos.

–Você nunca teve a curiosidade de seguir ela? – Matt estranhou. Eu sabia porque. O ruivo provavelmente a teria seguido a primeira vez que visse.

–Não. Por quê?

–Vai me dizer que você é o único no orfanato que nunca se perguntou o que tinha atrás dessa porta? – perguntei.

–Nunca parei pra pensar nisso.

–E não quer descobrir agora? – o ruivo perguntou.

–Vocês pretendem entrar ai? – o garoto de cabelos brancos achou estranho. Humph, estranho era ele!

–Claro. Você não?

–Não– ele disse se virando e indo em direção à sala de brinquedos.

–Ei, espera!

–Uh?

–Você não vai mesmo entrar?

–Por que eu iria?

–Bom, então tá. Nos entramos sozinhos. Mas você nunca vai saber o que tem atrás dessa porta – fiz um suspense.

–Isso não vai mudar a minha vida em nada.

–Quem sabe?

–Por que você acha que mudaria?

–Eu só vou saber quando eu passar por essa porta! Mas você não. Você nunca saberá!

O albino suspirou.

–Vocês não vão me deixar em paz, não é?

–Nunca! – eu e o ruivo dissemos em uníssono.

–Fazer o quê – disse voltando até a porta e colocando sua pequena mãozinha branca na maçaneta.

–Você vai abrir assim, normalmente?

–Conhece outro jeito de se abrir uma porta?

–Não. Sei lá. Arrombando?

–E por que eu ia arrombar uma porta aberta?

E nesse exato momento o albino me fez eu me sentir um idiota. E o pior: ele tinha razão.

Lentamente ele girou a maçaneta e ouvimos um estalo. "Clic". A porta se abriu. E na mesma velocidade ele a empurrou.

O que tinha em nossa frente era o início de uma escada, em espiral. Não dava pra ver muita coisa já que era escuro demais lá dentro, mas a escada parecia muuuito longa.

–Vocês tem certeza que querem entrar nesse buraco aí? – o albino perguntou.

É claro que queremos. Pelo menos eu quero. Quem é que não iria querer? Só aquele albino esquisito mesmo.

Matt pisou no primeiro degrau.

–Isso responde a sua pergunta? – eu disse.

O albino não disse mais nada. Apenas suspirou.

Assim que entramos todos, a porta bateu.

–Vento? – o albino perguntou.

–Pode ser. – eu disse sem me importar.

E degrau por degrau fomos entrando mais naquele lugar. Cada degrau que se passava mais escuro ficava.

Eu estava certo, a escada era longa. Parecia nunca ter fim. E quanto mais a gente descia, mais parecia que a gente não ia conseguir voltar.

–Droga, devíamos ter trago alguma coisa brilhante – eu digo.

–A curiosidade de vocês era maior – disse o albino. Eu não podia ver seu rosto naquela escuridão, mas tinha certeza que sua expressão era irônica naquele momento.

–Eu só me pergunto o que ela faz aqui – Matt.

Finalmente, chegamos no final das escadas. Outra porta. Surpreso? Não. Eu só espero que essa aqui também esteja aberta.

Matt estava na frente, mas ele não queria abrir. Deixou que eu fizesse isso.

Assim que eu girei a maçaneta ouvimos um estalo. A porta se abriu.

A sala era completamente diferente do que vimos ao abrir a porta anterior. Era uma sala branca, imensa. Parecia que nem tinha parede. Se é que tinha. A sala era tão branca que parecia brilhar. Demorou um pouco pra nos acostumarmos com a claridade, mas quando isso aconteceu, entramos na sala. Desta vez o albino não reclamou. Sabia! No fundo era tão curioso quanto qualquer um no orfanato.

Assim que entramos todos a porta novamente se fechou, com tanta pressão que o barulho ecoou em toda a sala vazia. "Blam!"

–Aqui embaixo não tem vento... – comentou o de cabelos brancos.

–É... não tem... – Matt confirmou. Ele parecia assutados. Humph, dois medrosos.

–Querem parar de encher, vocês dois?

–Nós? Foram vocês que me arrastaram pra esse lugar sinistro aqui.

–Mas foi você quem deu a ideia!

–Eu não dei ideia nenhuma! Vocês me perguntaram onde ela tava e eu respondi.

–E você veio aqui porque quis!

–Não, não foi.

–Foi sim, Near, admite! Você é um curioso!

–Eu não sou curioso!

–É sim!

–Não sou não! – vi o rosto dele ficar vermelho, de raiva.

–Você é sim. Curioso!

–Gente! Não é hora de brigar! Vocês pararam pra pensar que a Aika pode estar trancada nessa sala desde ontem? Ela pode estar com fome, com medo. Mas não, vocês não ligam!

–E daí se ela tá aqui?

–É, o Near disse que ela vinha aqui todo fim de tarde, não disse? Então ela já tá acostumada com isso.

–Olha, eu não tô aqui pra ver vocês brigando. Tô aqui pra procurar a Aika. E é isso que eu vou fazer! – disse o ruivo andando pela sala branca e batendo os pés no chão bem forte em seus passos.

–Ei, Matt, espera! A gente tá aqui pra te ajudar, não é mesmo?

–Eu fico muito melhor sem o tipo de ajuda de vocês.

Suspirei. Como ele era teimoso! Se não precisava da minha ajuda por que não me deixou olhando a chuva na janela?

O ruivo agora já tinha uma distância longa de nós.

–O que fazemos? – Near perguntou. Eu sabia o que queria dizer. Nenhum de nós queria realmente procurar a garota.

–Eu não sei. Voltamos?

–Boa ideia. Mas e o Matt?

–Ele se vira. Fica muito melhor sem o nosso tipo de ajuda.

–Tem razão – disse ele colocando novamente suas mãozinhas alvas na maçaneta. Mas dessa vez não ouvimos estalo. Ele tirou a mão de lá e depois colocou de novo. Girando novamente. Não abriu. Dessa vez ele começou a girar a maçaneta feneticamente – Droga! Não abre!

Fui até o albino que tirou a mão da maçaneta na hora. Segurei a maçaneta e comecei a girar. Não abriu.

–E agora? – eu pergunto

–Não sei.

–Arrombar seria uma boa ideia.

–Seria se não tivéssemos oito anos e tivéssemos força suficiente pra arrombar uma porta.

–Me arrependo de ter entrado nessa sala.

–Que estranho. A porta abriu quando entramos. Agora parece que foi trancada. Será que tinha alguém nos seguindo?

–Eu não sei. Não faço ideia. O que eu quero saber é como vamos sair daqui.

–Se é que a gente vai sair.

–Quê?!

–Se tinha alguém nos seguindo e esse alguém trancou a porta, essa pessoa queria nos trancar, não é? Então quem garante que vamos sair daqui?

Eu começava a ficar com medo. O baixinho tinha razão. Droga! Droga! Droga!

–E agora?

–Vamos procurar o Matt e a garota e sair daqui o mais rápido possível Já que ela entra aqui quase todos os dias ela deve saber como sair.

–Boa ideia.

Andamos por aquele lugar branco. Parecia que estávamos andando no meio do nada. Não dava pra ver se tinha parede nem teto. Era tudo branco. Até que eu vi alguma coisa preta bem longe.

–O que é aquilo? – perguntei.

Corremos em direção à coisa negra. Mais uma porta. O que será que tinha lá dessa vez?

Notas finais
O que tinha na porta?
Quem os estava seguindo?
Cadê a garota?
E o Matt?
Descubra isso e muito mais no próximo capítulo.
Clichê? Também achei. Mas enfim. Reviews?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.