Notas iniciais
Boa leitura!
OPPRESSION AND TERDERNESS
Por: Nana
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EMÍLIA
Ela bateu decididamente na porta do quarto, tentando fazer com que o barulho produzido por seu punho sobressaísse o barulho da música. Bufou de irritação por ter sido acordada – se é que havia conseguido dormir – em plena madrugada, e para melhorar, por um estilo musical que tanto odiava: eletrônica. Olhou para os seus pés descalços, que davam chilique ao bater compassadamente no piso de madeira.
Ergueu a cabeça subitamente ao ouvir a porta abrir. O homem estava notavelmente bêbado.
—Ahn... Você é o proprietário do quarto? – gritou.
O homem bêbado não demonstrou reação, apenas ficou balançando de um lado para o outro, como um pêndulo. A garota cogitou ajudá-lo, mas quando ia dar o primeiro passo, surgiu um outro homem atrás do bêbado.
—Ei Josh, vai dormir, melhor evitar acidentes né? – bateu nas costas do amigo, impulsionando-o para o lado. Só então percebeu que alguém estava à porta. Ficou confuso momentaneamente, mas logo sua expressão adquiriu puro deboche. – Olhe só, quem decidiu dar as caras na festa, se não é a Emília Blake. Geralmente eu não impediria uma mulher usando pijamas entrar, porém o seu mais parece uma burca com ursinhos estampados. Foi mal aí.
Sentiu o rubor atingir seu rosto ao constatar as roupas que havia ido. Admitiu que seu conjunto de calça e blusa de frio estampado com os ursinhos carinhosos não havia sido a melhor escolha. Logo se recompôs. Humpf, como se eu fosse deixar meu conforto pra agradar alguém, principalmente se for do público masculino!
—Que engraçado Aidan, – forçou uma risada – sempre sendo babaca né? Me pergunto se um dia você vai acordar e perceber isso. Enfim, acho que você me conhece bem o suficiente pra saber que eu nunca pisaria meus pés numa festa com maior teor alcoólico que a Alemanha, muito menos num lugar ocupado por muitos tarados por centímetro quadrado. – Deu uma pausa, observando a face do homem, que parecia estar se divertindo muito com aquilo.
—Então o que veio fazer aqui? Me admirar? – dizendo isso, apoiou um dos braços no batente e se inclinou para ela.
—Ah claro, porque te admirar é meu hobbie! – suspirou alto – Só vim pedir pra você abaixar a música, não to conseguindo dormir com isso estourando em meus ouvidos.
—Entendo, então você é a nova vizinha chata que estraga as festas. Bom, se eu fosse você maneirava um pouco, senão nunca terá amigos aqui.
—Como se eu quisesse amigos.
—Ninguém vive sozinho, Blake. – fitou-a intensamente. Emília percebeu que a conversa havia evoluído para um tom mais sério e começou a se sentir acuada.
—Enfim... Só abaix... – foi interrompida por uma menina que chegou aos trôpegos perto de Aidan e puxou o mesmo para si, beijando-o vorazmente.
Emília fez uma cara de espanto, mesclando-a com nojo. Revirou os olhos e saiu batendo os pés com força no assoalho.
Girou a chave na porta de seu apartamento, evitando olhar para trás.
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EMÍLIA
O despertador soou como se estivesse irritado naquela manhã em particular. Os berros insistentes faziam a cabeça da garota pulsar. Consciente de que não havia escolha, desativou o alarme e levantou, despindo-se antes de chegar no banheiro, deixando uma trilha de roupas pelo caminho. A água quente era como um oásis para seu corpo cansado.
Escolheu meticulosamente a roupa que iria para a faculdade. Uma calça jeans azul-escura e uma blusa listrada em preto e cinza imensa, que passava do quadril e escondia suas curvas. Quanto menos chamar atenção, melhor, era seu lema.
Virou-se para o espelho, analisando-se. Seus cabelos pretos como piche estavam na altura de sua última costela, os fios grossos e lisos faziam com que a menina parecesse uma personagem de um filme de terror, juntando tudo isso com a pele alva, havia o estereótipo perfeito. Claro que seus olhos amarelados causavam em todos surpresa, já que se destacavam pela cor de ouro derretido que tinha. A garota encolheu os ombros e pegou as lentes de contato em cima da pia, colocando-as e se sentindo mais normal quando seus olhos adquiriram a cor amendoada comum entre a maioria das pessoas.
Deu uma última checada e saiu.
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AIDAN
Havia acordado atrasado, como sempre. Culpava a longa noite que tivera com a loira da festa, que havia drenado toda sua força vital, fazendo com que levantar da cama não fosse nada menos que pura tortura.
Descobriu-se, procurando suas roupas espalhadas pelo chão. Encontrou uma calça jeans surrada e uma camisa cinza com o logo de sua banda favorita – Led Zeppelin – estampado. Foi ao banheiro, sendo tentado constantemente a entrar no chuveiro e tomar uma ducha de água fria, para acordar. Concluiu que não tinha tempo para isso, apenas olhou-se no espelho, satisfeito com sua imagem. O cabelo loiro acobreado bagunçado, olhos cinzentos e traços fortes eram seus passaportes para qualquer garota.
Saiu do quarto, correndo para conseguir chegar à faculdade a tempo, ignorando totalmente a presença da loira sonolenta em sua cama.
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EMÍLIA
Chamou pelo elevador, irritando-se cada vez mais com a demora. Voltou a apertar insistentemente o botão.
Levou um susto quando alguém pressionou os dedos nos dois lados de sua cintura.
—Emília querida! Você está radiante hoje! – o sarcasmo destilava dos lábios do loiro, enquanto ele cedia seu sorriso mais angelical.
— Não enche Aidan. – formou a típica carranca que seria sua companhia pelo resto do dia. Deixou que por pura petulância, seus dedos pressionassem ainda mais o botão do elevador.
—Sabe, ele não vai acelerar só porque é essa sua digitalzinha de princesa que está apertando. Só espere, ou você não é capaz nem disso?
—Que saco! Por que você não some da minha frente, já que está tão incomodado comigo?
Um grupo de pessoas passou encarando com uma expressão divertida estampada. Emília lhes direcionou seu olhar que era capaz de congelar até o deserto. Todos desviaram os olhos.
O elevador chegou, abrindo suas portas com uma lentidão impressionante, deixando o humor da garota mais azedo. Os dois tentaram entrar juntos, se esbarrando no percurso. Aidan fez uma pose teatral, sinalizando para a garota entrar, num claro gesto de “as damas primeiro”. Emília apenas revirou os olhos.
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AIDAN
A expressão apática da garota apenas deixava claro o quão desagradável e infeliz fora a coincidência dos dois terem se encontrado no elevador. Inicialmente, Aidan surpreendeu-se pela presença de Emília no mesmo prédio estudantil que ele, já que a mesma possuía uma família abastada, que não mediria esforços para alocá-la em um condomínio de luxo próximo a faculdade, de onde desfrutaria de segurança máxima e todas aquelas coisas fúteis de ricos esnobes.
Ouviu rumores sobre uma pessoa nova no andar onde habitava, alguém que desde que chegou, fez o máximo para aniquilar todas as festas possíveis. Se fosse um garoto, Aidan já estaria organizando entre seus amigos o melhor dia para ensinar uma lição para o cara, porém, como era uma menina, ele calculou que a lição ainda seria dada, só que de outra maneira.
Virou-se para Emília, esquadrinhando o rosto da mesma enquanto a garota lia. Encarou-a até um rubor leve tingir as bochechas e pescoço da garota. Achou aquilo adorável.
—O que você quer, Aidan? – Tentou soar séria, sem tirar os olhos do livro, porém sua voz falhara, expondo seu real estado de nervosismo.
—Nada não, só queria saber se você é capaz de sustentar uma conversa agradável sem ter que esconder a cara num livro. – Sorriu vitorioso quando a garota olhou para ele, a vermelhidão se intensificando. Ela ruboriza como uma virgem.
Surpreendeu-se quando um sorriso mortífero possuiu os lábios da jovem, acompanhado de um muxoxo baixo.
—Eu até conseguiria se a pessoa que eu estivesse conversando não fosse você.
Um meio sorriso repuxou o canto esquerdo de sua boca e fechou os olhos por um instante. Agiu mais rápido do que a garota poderia processar. Quando Emília percebeu, duas mãos a prendiam à parede, fazendo um cerco em torno de sua figura. Aidan aproveitou cada segundo observando as expressões mudarem drasticamente no rosto da menina.
Ela arregalou os olhos e entreabriu os lábios, sugando o ar rapidamente. Logo, um esgar corrompeu o lindo rosto dela. Ele abaixou até que seus olhos ficassem ligeiramente no nível dos dela, mas ainda olhando-a de cima. Segurou a ponta do queixo dela entre o polegar e o indicador e obrigou-a a olhar em sua direção, até que os olhares se fixassem.
—Diga princesa, por que você me odeia tanto? Fiz algo que te deu motivos para isso? – Extasiado, viu a expressão dela novamente tornar a surpresa, a coloração avermelhada insistia em permanecer em suas bochechas. Patético.
—Nã.. Não é isso.. – disse enquanto tentava desviar os olhos, já que sua cabeça estava fixada pelo aperto férreo em seu queixo.
—Então o que é? – Aproximou-se mais da garota, deixando os rostos a uma distância de poucos centímetros.
Foram interrompidos por um chacoalhar súbito do elevador. Ele continuou descendo precariamente por alguns segundos, após isso, balançou novamente, quase levando ambos os jovens ao chão.
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EMÍLIA
A garota emitiu um grito sufocado. Arregalou os olhos e ficou olhando exasperadamente de um lado para o outro, procurando o cerne do problema. Novamente, o elevador deu uma guinada. Emília agarrou as laterais dos ombros do homem, consciente de que no lugar onde seus dedos exerciam um aperto férreo sobre a pele dele mais tarde resultaria em belas cicatrizes de unhadas.
Felizmente – ou infelizmente – o elevador parou de vez, as luzes pestanejando como em um filme de terror, até esmorecerem. Atônita, a garota ficou alguns segundos calada, notando o pânico tomar conta de seu ser.
—Aidan... Você está aí? – Sua voz fraquejou.
—Você está me segurando, sabia? – Ele parecia inabalável, como se tal situação fosse ordinária em seu cotidiano.
Emília tomou consciência do fato de suas mãos estarem quase fundidas nos braços fortes dele e o largou rapidamente, como se o mesmo tivesse uma doença altamente contagiosa. Reprimiu o desejo de limpar as mãos.
Seu coração ainda socava suas costelas num ritmo tão alto e rápido que pensou que Aidan seria capaz de ouvir. Pousou uma mão sobre seu peito, tentando acalmar o ritmo acelerado de seus batimentos.
Gritou quando sentiu uma mão em sua panturrilha.
—Caramba Emília! Sou só eu, se acalme. – Ele tocou novamente na panturrilha dela, dessa vez mais levemente – Sente aqui.
—Não, obrigada. – Emília percebeu que o garoto tentou abafar a irritação que sentia.
Começou a andar de um lado para o outro, soltando o ar em lufadas irregulares. Principiou a sentir a familiar onda de pânico que lhe acometia todas as vezes em que ficava enclausurada em um ambiente fechado. Normalmente, ficar por pouco tempo não representava um problema, porém nas circunstâncias em que estava, – sem nenhuma expectativa de sair do lugar – seu corpo tornava-se uma bomba relógio, esperando até entrar em colapso, o que não estava tão longe de acontecer, pois Emília logo notou que começara a hiperventilar.
—Ei, você está bem? – Escutou a pergunta proferida pelo homem, entretanto lhe soou como se estivesse ouvindo debaixo d’água.
Tentou encontrar sua voz para tranquilizá-lo, porém a mesma parecia estar longe dela, sua garganta seca também não colaborou nada com a situação.
Sentiu algo – alguém – puxando sua mão para baixo com força, fazendo com que suas pernas bambeassem e ela acabasse caindo sentada. Ao lado de Aidan.
Com a palma da mão, sentiu que ele trouxe a cabeça da garota para mais perto de si, até que encostasse em seu peito. Ficou acariciando os cabelos macios dela.
—Shhhhh, relaxe.
Emília sabia com toda a certeza que escutar Aidan ajudando-a não havia sido o principal motivo para que ela se acalmasse, mas sim, os batimentos do coração dele que reverberavam em seu ouvido, fortes, porém tranquilos, enviando-lhe uma sensação anestésica que percorreu todo o seu corpo.
Lutou contra a vontade de fechar os olhos e adormecer sobre o peito dele, já que a respiração ritmada de Aidan contribuía para que suas pálpebras pesassem.
Um barulho alto ouviu-se, seguido por um clarão. As portas do elevador foram abertas e Emília visualizou um homem com uma ferramenta que não conseguiu identificar.
—Vocês dois estão bem? Tivemos uma falha técnica aqui, podem ficar tranquilos que não se repetirá.
Num rompante, Aidan levantou-se, acenando para o homem e deixando uma garota confusa para trás.
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AIDAN
Não pensou que um dia demonstraria algum resquício de caridade por Emília Blake, a riquinha esnobe que fazia de tudo para por um fim na vida universitária em geral, já que a mesma não sabia aproveitar nada disso. Tinha asco por pessoas com o estilo dela.
Ajudá-la naquele momento confundiu momentaneamente seus pensamentos. Talvez vê-la daquele modo, tão fragilizada, despertou algo nele, algum instinto protetor primitivo.
Quando cortou toda e qualquer forma de contato que ambos tiveram naquele elevador, sabia que havia sido para que evitasse uma aproximação maior, para garantir o envolvimento de apenas uma das partes: a dela.
Saiu de seus devaneios quando percebeu que a garota acabara de entrar na sala de aula, provavelmente amaldiçoando o momento em que escolheu o curso de engenharia química, já que isso fez com que estivesse na mesma sala de Aidan. Como que aproveitando o momento, Aidan sorriu presunçosamente para ela, que desviou o olhar, envergonhada. Sentou-se nas primeiras carteiras e não desviou os olhos do quadro por um segundo sequer, como de praxe.
Quando o sinal tocou, juntou-se com seus amigos e saíram fazendo estardalhaço pelos corredores.
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EMÍLIA
Um dilema a perseguia: iria atrás dele e o agradeceria pela gentileza que havia prestado ou seguia seu rumo, dizendo que o ato dele nada havia significado, já que foi como uma obrigação imposta a ele por ser o único no ambiente quando ela surtou. Sua razão sem dúvida seguiria a segunda opção, porém Emília já estava farta de ser indiferente em relação aos outros, também concluiu que não custaria nada agradecer.
Andou pelos corredores, tentando localizá-lo. Aidan estava próximo de um grupo com umas dez pessoas rodeando-o, fazendo a garota pensar duas vezes sobre sua decisão. Droga, é só agradecer e sair, Emília! Aproximou-se.
—Ahn... Aidan. – disse olhando diretamente para o garoto, para evitar que seu rosto corasse ao ver toda a atenção do grupo direcionada a ela. Ele fitou-a de soslaio, como se desse permissão para a garota continuar. – Só queria agradecer pelo o que fez hoje, foi muito gentil da sua parte.
—Uau Dan, não sabia que você estava fazendo caridade para os riquinhos. – Comentou um homem do grupo, fazendo todos rirem.
O sangue subiu pelo seu corpo, concentrando-se no rosto e numa parte do cérebro que Emília tinha certeza de se tratar da área que a deixava fula da vida. Respirou fundo várias vezes e fechou os olhos. Com toda a dignidade que conseguiu reunir, virou-se e saiu, não antes de ouvir Aidan dizer que só havia feito um favor para ela porque “achou a garota gostosa”. Emília jogou um olhar fulminante por cima do ombro diretamente para Aidan, desejando que o mesmo entrasse em combustão espontânea bem ali. Ele captou o olhar e devolveu na mesma intensidade.
Não havia lhe custado nada ao agradecer, apenas seu orgulho.
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AIDAN
Bateu na porta levemente e encostou o antebraço no batente, esperando. Quando a menina abriu e viu quem era, transformou o rosto em uma carranca, revirando os olhos e fechando a porta. Ele colocou o pé antes que a porta batesse, segurando com o punho ao tirar o pé.
—Vou quebrar o seu braço se você não o tirar daí.
—Tente. –Provocou, mordendo o lábio inferior involuntariamente, tornando-o num sorriso logo após.
—Ah não Aidan, esquece, não vou cair nessa. – Emília forçou mais a porta, porém mal conseguiu mover o braço dele.
—Cair nessa? Do que está falando?
—Para de tentar me seduzir! Que droga...
—Não estou tentando te seduzir, é o meu charme natural. – Outro sorriso dançou em seus lábios. – Posso entrar?
—Não, fique plantado aí fora. – Quando foi forçar seu corpo sobre a porta para fechá-la, Aidan adentrou o apartamento, fazendo com que o corpo dela se chocasse contra o dele.
—Ops.
—Aidan! – gritou.
—Emília! – gritou com a mesma intensidade, imitando a voz da garota.
—Saia do meu apartamento agora!
—Ou o quê? Vai chamar seus serviçais?
Aidan viu a vermelhidão subir pelo pescoço da garota, a raiva brotando como lágrimas em seus olhos.
—Emí... – tentou se aproximar dela, estendendo a mão para tocar o ombro da mesma.
—Eu te odeio, eu te odeio, eu te odeio, EU TE ODEIO! – Estapeou na mão dele, afastando-a – Não quero você aqui, não quero uma pessoa que me humilha na frente do seu grupinho só para pagar de bad boy. – As lágrimas rolavam pelas bochechas dela.
Um sentimento estranho se apossou do garoto. Tinha certeza que já havia feito outras meninas chorarem, porém nunca ocorreu na sua frente. Imóvel, apenas assistiu a cascata de lágrimas que banhavam o rosto de Emília – que estava tentando vigorosamente enxugá-las com as costas das mãos.
Seu semblante adquiriu um tom preocupado quando começou a ouvi-la soluçar. Não sabendo o que fazer, tomou a primeira atitude sugerida por seus instintos. Passou seus dois braços pelas costas dela, trazendo-a para si delicadamente, não encontrando oposição para tal atitude. Afagou os cabelos da menina e enlaçou a cintura com o outro braço.
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EMÍLIA
Com o tempo, os soluços não cadenciados foram diminuindo e a respiração se estabilizando.
—Acho que já pode me soltar. – As mãos que estavam aninhadas no peito dele o tentaram empurrar. Aidan apertou o enlace no corpo dela, prendendo-a contra si.
—Acho que não hein. – Sussurrou, abaixando para que sua voz chegasse aos ouvidos dela.
—Por que, Aidan? – Ela encostou mais o rosto no peito dele, ouvindo-o suspirar.
—Não sei Blake... Acho que nunca consegui te engolir sabe.
—Que bom né?
—Engraçadinha – sentiu a risada suave dele reverberar dentro de seu ouvido. – você entendeu. Sempre foi uma garota difícil Emília, e isso me irritava, tão certinha... Pelo menos antes você estava longe, tudo piorou quando você decidiu mudar para cá, o que aliás, seus motivos são um mistério para mim.
—Quis sair um pouco da superproteção dos meus pais, achei que um prédio universitário seria uma boa escolha para iniciar meus conhecimentos de mundo.
—Seus conhecimentos de mundo dizem que você deve acabar com todas as festas universitárias do seu andar? – Disse enquanto a afastava para poder olhar em seus olhos, arqueando as sobrancelhas.
—Na verdade, eles dizem para eu acabar com todas as festas universitárias do prédio inteiro. – Observou o rosto dele ficar sério. – Estou brincando Aidan.
—Não duvido nada vindo de você.
—Haha, engraçado. Enfim, acho que minha tentativa de socialização não deu muito certo.
—Está se referindo a hoje de manhã?
—Hoje quando você me insultou dizendo que me ajudou porque sou “gostosa”? É, talvez tenha sido isso mesmo.
—Você é gostosa, não vou negar.
—Obrigada pela parte que me toca. Ei... Você não pretende me soltar nunca? – Os braços ele ainda rodeavam a cintura dela, mantendo apenas a distância necessária para que os dois se olhassem.
—E se eu disser que não? Vai fazer algo? – Aidan estava chegando perigosamente perto.
—Aidan... – Emília entreabriu os lábios, seus olhos percorrendo cada milímetro da face dele, pousando na boca, depois nos olhos novamente.
Ele exibiu seus dentes enfileirados ao perceber que o que quer que tentasse, teria o aval da garota.
Foram se aproximando até que os lábios de fundiram em um só, dançando no ritmo de uma música violenta e desejosa. Emília jogou seus braços em torno das omoplatas fortes dele, percorrendo com a ponta dos dedos toda a linha funda das costas de Aidan enquanto sentia uma mão pousada em sua cintura e a outra, insinuando-se na base de suas costas.
As línguas digladiavam, os movimentos provocantes aquecendo o momento. Emília gemeu baixa e involuntariamente quando sentiu que a boca que antes estava acoplada a sua, agora traçava beijos por toda a extensão de seu pescoço e clavícula. Aidan empurrou-a para trás, fazendo com que tombasse no sofá largo, caindo delicadamente em cima dela.
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AIDAN
As carícias continuariam se ele não impedisse. Era tentador passar os lábios por cada parte de pele descoberta, porém tinha ciência de que não era o momento apropriado para aquilo.
Afastou-se e observou atentamente a garota deitada no sofá, totalmente a mercê dele.
—Emília – sussurrou, sua boca quase colada a dela.
—Hum – murmurou em resposta.
—O que você acha de deixar a continuação disso para outro dia? Para um dia em que nós dois não odiemos um ao outro.
Ela abriu os olhos, fitando-o. Os semblantes de ambos eram de pura sinceridade, sabiam que naquele momento, qualquer limite extrapolado acarretaria em decepção no outro dia. Ela sorriu.
—Acho ótimo.
Notas finais
Obrigada por lerem!
Nome do usuário dela: Megumi
Até a próxima :D
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