Opposite
17 Enígma
Notas iniciais

Sabe aquele dia que você acorda sem a mínima disposição para levantar? Aquele dia péssimo, tão péssimo que provavelmente você não sairia da cama. Passaria o dia pensando na vida e faltaria à aula. Ninguém lembraria da sua existência, ali, imperceptível no quarto. Bom, talvez com você não, mas comigo seria assim.
Seria assim se eu ainda pensasse ser humana, se eu ainda morasse no apartamento de New York, não tivesse um Oráculo para encontrar e nem uma missão para cumpir.
Acordo com os cochichos do lado de fora da barraca. Reconheço a voz de Peter, Serena e Jeremy. Eles discutem animadamente sobre a localização do Oráculo. Ou pelo menos acho que é sobre isso que conversam. Estou tão acabada que suas palavras não fazem muito sentido em minha mente.
Abro os olhos e a claridade os fere. Me sinto dez vezes mais cansada do que estava antes de dormir. Minhas mãos tocam meu rosto e percebo que está grudento por causa das lágrimas.
Lágrimas.
Isso me faz lembrar do acontecido da noite passada: O meu pesadelo, a declaração de Luke, o nosso beijo, a minha recusa e por fim, as minhas lágrimas.
Respiro fundo, tentando ignorar a exaustão e a profunda dor dentro de mim. Nunca pensei que fosse capaz de ficar tão triste por uma pessoa, mas minha escolha está feita. Eu já decidi não me envolver com Luke e não há como voltar atrás. Não até encontrarmos o Oráculo e voltarmos para Kingswood. Se voltarmos.
Nina está sentada ao meu lado e penteia seus cabelos avermelhados. Também deve ter acabado de acordar, porém, parece um milhão de vezes mais animada do que eu.
– Bom dia. – Diz sorrindo, ao perceber que estou acordada.
– Bom dia. – Respondo, sem vida.
Ela não pergunta sobre o meu desanimo e eu a agradeço mentalmente por isso. Acho que já está habituada ao meu mau humor matinal. Não sei se conseguiria contar à Nina, não sem deixar escapar nenhuma lágrima. E também não estou com cabeça para inventar algo que explique minha infelicidade.
Sento-me e conjuro uma fina camada de água, bem nas palmas de minhas mãos. As esfrego em meu rosto, tentando ser delicada. Acabo enxugando-o com meu lençol.
Nina oferece a escova de cabelo com um outro sorriso e eu a pego, sem hesitar. Escovo meu cabelo de qualquer jeito e sigo minha amiga para fora da barraca.
Andamos até nossos amigos que se encontram sentados ao redor da fogueira apagada, de ontem. Noto que estão todos lá, inclusive Luke.
Estremeço e me sinto tentada a voltar para a barraca, mas se vou ter de enfrentá-lo uma hora ou outra, então é melhor que seja agora.
Nos aproximamos e sentamos junto dos outros, que nos desejam um bom dia. Luke parece concentrado em afiar sua espada dourada. Nina senta-se ao lado dele e eu, ao lado dela.
Luke finalmente levanta sua cabeça e seus olhos encontram os meus. Em um primeiro momento, isso me fere. Tenho vontade de andar até ele e dizer para esquecer tudo o que eu disse na noite passada, mas é claro que não o faço. De repente me pego sem saber o que fazer. Não sei se desvio o olhar, ou fico séria. E para a minha surpresa é ele quem reage.
Um sorriso desanimado surge no canto de seus lábios e pela primeira vez, consigo entender o que sua expressão diz. Diz, para o meu alívio, que apesar de estarmos nessa situação totalmente tensa e, por enquanto, sem solução, está tudo bem. Apesar de eu tê-lo recusado, Luke ainda pretende ser meu amigo. Bom, pelo menos é o que parece.
Não deixo de devolver o sorriso, com uma certa procupação em meus olhos.
Por mais que me alivie que Luke não esteja demonstrando sua mágoa, isso me machuca, por que sei o que ele sente por trás do seu sorriso. Sente exatamente o que eu estou sentindo nesse exato momento.
Respiro fundo e desvio o olhar para a fogueira apagada, em nossa frente.
Nosso café da manhã se resume basicamente a restos de peixe assado e algumas frutas.
Comemos em silêncio e eu consigo sentir a agitação dos meus amigos. De repente me sinto levemente culpada por estar tão desanimada. Essa missão deve ser mais importante para mim do que para todos eles, afinal.
– Qual é a melhor maneira de chegarmos até a caverna subaquática onde se encontra o Oráculo? – Luke pergunta a Serena.
A sereia enrola um de seus cachos com o dedo indicador e responde sabiamente:
– Temos de ir até o litoral norte da ilha, por onde vocês chegaram. Vamos precisar do seu barco.
– E como você sugere que consigamos nadar até lá? – Nina pergunta de maneira preocupada. – Quer dizer, é você disse que é bem no fundo, e nós somos feiticeiros negros...
– Acho que conseguem nadar até lá, caso o contrário, Emily pode ajudá-los. – Serena diz tocando no meu nome, o que me pega de surpresa.
Balanço a cabeça, afirmando, mas acho que não passo muita confiança para os meus amigos, já que se entreolham pensativos. É claro que fico ofendida com isso.
***
Remamos de maneira uniforme seguindo Serena em meio ao mar. A sereia parece ainda mais bela diante da paisagem magnífica do Shadow Ocean.
Olho para a água escura e consigo ver, atráves dela, alguns peixes diferentes nadarem de um lado para o outro. De repente estremeço com a lembrança dos poisonies.
Serena para de nadar de repente e parece um tanto pensativa. Espero que não esteja perdida.
– Esperem um pouco. – Ela diz e depois mergulha, espirrando acidentalmente água em nossa direção.
Nos encaramos em silêncio, esperando pela sereia, que ressurge depois de alguns segundos.
– É bem aqui. – Informa com uma certa animação. – Podem descer, afastei as criaturas venenosas. O caminho está livre.
Luke se levanta e se atira na água, seguido por Jeremy. Vou logo em seguida e o mar me recebe de bom grado, como sempre. Já não me sinto mais tão apavorada em relação à água em grande quantidade. Podemos dizer que me acostumei com isso.
– Vou apenas guiá-los até a caverna, depois voltarei. Alguém precisa ficar de olho no barco. Também tentarei afastar as criaturas para quando saírem. – Serena fala com seriedade.
Até que Serena está sendo gentil conosco. Corrigindo: muito gentil conosco. Depois que tudo isso acabar, pretendo pensar em alguma maneira de recompensá-la pela ajuda. Talvez levá-la até outro reino de sereianos, eu não sei, mas decididamente irei recompensá-la.
Percebo que Nina também está no mar, mas Peter continua dentro da canoa. Olho para ele, meio curiosa.
– Você não vem?
Ele tem uma rápida troca de olhares com Serena e eu não sei bem o que isso significa.
– Vou ficar com Serena. – Diz, sendo protetor. – Queria muito conhecer o Oráculo, mas não posso deixá-la sozinha.
Não deixo de notar que Serena sorri com as palavras de Peter. Talvez ela já tenha sido recompensada por nos ajudar, só pelo fato de tê-lo conhecido.
– Só tomem cuidado. – Peter adverte.
– Tomaremos. – Luke diz, sério.
Serena faz um gesto para que a seguimos e então, mergulha. Vejo Luke, Nina e Jer prenderem a respiração antes de afundarem e sinto-me satisfeita já que não preciso fazer isso.
Afundo minha cabeça na água e deixo-me ser guiada pela sereia de cauda dourada em nossa frente. Ela vai nadando para cada vez mais fundo e eu tenho de bater as pernas com um pouco mais de força para conseguir acompanhar seu rítmo.
Vejo algumas algas, rochas e até pequenos peixes coloridos. É tão maravilhoso, que por um momento me esqueço do que estamos fazendo aqui. As cores e movimentos são vivos e me pego surpreendida, de repente. Então, passamos a conseguir ver o fundo, com diferentes plantas marinhas.
Sobressalto-me quando meus olhos pousam em um buraco poucos metros abaixo de nós. É exatamente como Serena nos contou. Uma luz cintilante vem de dentro da caverna subaquática e meu coração acelera com uma certa empolgação. Agora sim estou apreensiva!
Bato meus pés com rapidez e vou afundando para cada vez mais perto da caverna quando algo me puxa com força para trás. Isso me assusta e sou obrigada a virar-me.
É Luke. Ele está preocupado e aponta para Nina. Olho para a pequena feiticeira flutuando, que parece ter seu rosto levemente mais roxo e um tanto atordoada. Está perdendo o fôlego!
Algo dentro de mim diz que eu tenho de ajudá-la, só não sei como. Então me lembro que não controlo apenas a água, mas também o ar. E é disso o que Nina precisa.
Nado até ela, agarrando-a e com um impulso esquisito, crio uma bolha de ar, que fica presa à sua cabeça, como se fosse um capacete. Ela respira fundo com alívio e seu rosto volta à cor normal. Ela pisca rapidamente, como se estivesse se recuperando. Sorrio satisfeita em ter conseguido ajudá-la.
Olho para frente e percebo Luke e Jeremy já estão na caverna. Serena nos espera, ao meu lado. Seguro uma das mãos de Nina e nado, puxando-a para o fundo.
Vamos chegando cada vez mais perto da entrada e quando a alcançamos, nossos pés tocam a rocha desgastada do chão e a água simplesmente desaparece. Meus pulmões se enchem de ar, assim como os de Nina.
A caverna subaquática não é escura, devido à luz solar que ultrapassa a água. É pequena, e tem sua parede do fundo dividida em duas. E o mais esquisito nisso tudo é que estamos totalmente secos.
Examino o mar, do lado de fora, e é como se fosse um grande aquário instalado na parede.
Serena gesticula, sem entrar na caverna, querendo dizer que voltará para se juntar a Peter e Luke responde acenando com a cabeça.
Nina termina de se recuperar, enquanto nós a encaramos em silêncio, preocupados.
– Está tudo bem. – Ela diz. – Emy, obrigada por aquilo.
Dou de ombros não querendo parecer convencida demais, apesar de estar extremamente feliz por ter descoberto outra nova habilidade.
– Não foi nada, apesar de não saber como ter feito aquilo. – Digo, sorridente. – Para variar.
– Vai ser bem útil na hora de nos tirar daqui. – Jeremy observa.
Luke está quieto demais e então viro-me para encará-lo. Ele estuda cada detalhe do local. E finalmente seus olhos pousam na parede dividida ao meio.
Há realmente algo escrito em cintilante e eu me aproximo para conseguir enxergar melhor.
São símbolos misteriosos gravados na parede e eu os encaro, concentrada. Runas, como Luke havia dito anteriormente. Então, para a minha surpresa, os símbolos começam gerar palavras em minha mente.
Reconheço os vocábulos “sangue”, “Oráculo” e “brancos”, mas isso não faz sentido algum. Continuo encarando as palavras escritas, mas minha cabeça dói. Então eu desisto, e desvio o olhar.
– Minha cabeça... – Reclamo, massageando minhas têmporas.
– Sua cabeça dói porque você ainda não está acostumada a ler runas. – Nina explica. – Com um pouco mais de prática, vai conseguir. É da natureza dos feiticeiros entendê-las.
Ah claro, mais uma coisa para praticar. Quando tudo isso acabar e chegarmos em Kingswood, aparentemente terei muita coisa para exercitar e aperfeiçoar.
Luke fita as runas pensativo e uma de suas mãos as toca, como se apalpá-las fosse melhorar seu raciocínio. Ele fica ali encarando-as em silêncio e finalmente conclui.
– É um enígma. Um enígma para conseguirmos abrir a parede de rochas e podermos passar.
– O que diz? – Pergunto.
Nina se aproxima, estreitando os olhos para conseguir ler.
– “Para o Oráculo encontrar, vocês precisam se ajudar.” – Ela pronuncia, quase que sussurrando.
Nessa mesma hora Jeremy bufa, o que nos faz perder a concentração e olhar para ele.
– Droga.
– O que foi? – Pergunto.
– Odeio rimas.
Eu, Nina e Luke reviramos os olhos ao mesmo tempo. Tenho de admitir que seguro uma risada, certas coisas que Jeremy diz às vezes são um pouco desnecessárias.
– Não acredito que me interrompeu para isso. – Nina bufa, impaciente.
Jeremy parece ofendido com a impaciência de Nina e cruza seus braços chateado.
– Caramba, foi só uma piada.
Voltamos nossa atenção para o enígma novamente, como se Jeremy não tivesse dito nada. Nina volta a se concentrar e prossegue sua leitura, sem nenhuma interrupção desta vez.
– “Para o Oráculo encontrar, vocês precisam se ajudar. Negros e brancos se unirão e o seu sangue oferecerão.”
Assim que Nina termina de ler, nos entreolhamos, todos muito pensativos. Lembro-me de que Serena havia mencionado tentar abrir a passagem oferecendo seu próprio sangue, pois havia notado algumas marcas avermelhadas manchando a parede.
Percebo que Luke deduz tudo com facilidade.
– Faz sentido... – Ele murmura, concluindo o enígma. – Para a passagem se abrir é necessário sangue de um feiticeiro negro e de um feiticeiro branco. Entendem? Os feiticeiros devem cooperar entre si. Seria impossível apenas uma raça de feiticeiros chegar até o Oráculo.
Isso faz um grande sentido em minha cabeça e eu finalmente entendo que terei de fazer uma doação sanguínea. Desembainho minha adaga prateada e faço um pequeno corte em minha mão esquerda. Ignoro a dor e encaro o líquido vermelho contrastado na minha pele clara. Luke pega sua espada dourada e faz o mesmo.
Andamos até a divisão entre as duas paredes e juntos, pressionamos as palmas de nossas mãos, já sujas pelo nosso sangue, na rocha dura e fria.
Espero ansiosamente por algo, mas acabo me distraindo. Percebo, de repente, que eu e Luke estamos próximos demais. Próximos o suficiente para que eu sinta sua respiração em meu rosto e seu perfume amadeirado que me deixa completamente nas nuvens.
Luke também percebe o quão próximo estamos, já que olha para mim do mesmo jeito que olhou ontem. Do mesmo jeito que olhou para mim segundos antes de me beijar.
Uma vozinha irritante, que eu penso ser minha consciência, berra dizendo para me afastar. Se eu me afastar sei que vai doer mais do que já está doendo, então não o faço.
Luke fita meus olhos com atrevimento, exatamente do mesmo jeito que fito os seus. Estamos prestes a nós aproximarmos ainda mais quando algo acontece: um ruído grave e intenso me assusta, seguido por uma grande quantidade de poeira que enche a caverna. O chão começa a tremer, como se fosse um pequeno terremoto.
As paredes divididas começam a se mover e eu puxo minha mão na mesma hora. Luke coloca-se em minha frente, curvando-se e protegendo-me das pequenas lascas de rocha que se soltam da parede.
Baixo minha cabeça e fico esperando a passagem terminar de se abrir.
***
Andamos em silêncio pelo longo corredor que há por trás da parede dividida. Luke e Jeremy já estão bem à frente, enquanto que Nina e eu, ficamos para trás.
O mais interessante é que há várias tochas presas às paredes e o fogo ilumina o local. Nina me diz que o fogo deve ser mágico e nunca se apaga.
Aperto minha mão machucada, já envolta por um pedaço de pano rasgado da minha blusa.
Minha cabeça gira em um milhão de pensamentos. Quer dizer, ao mesmo tempo que estou extremamente ansiosa para descobrir quem são meus pais e de onde vim, me sinto envergonhada e chateada pelo que aconteceu entre eu e Luke, minutos atrás.
Quase nos beijamos, de novo, e eu não teria feito nada para impedir que acontecesse. Onde estava com a cabeça? Na verdade, eu tinha que ficar com ela na missão.
Depois da passagem se abrir, eu o agradeci de forma seca por ter me protegido e não disse mais nada. Ele também não. Não tem nada a ser dito, afinal.
É claro que Nina com todo seu instinto de curiosidade mórbida percebeu, afinal esteve fazendo de tudo para que ficássemos sozinhas. Ela está doida para poder arrancar a verdade de mim.
Luke e Jeremy conversam sobre cavernas e rochas antigas à minha frente e Nina está bem atrás de mim. Apresso-me, evitando-a, mas é inútil já que ela me puxa pelo ombro.
– O que diabos foi aquilo entre você e Luke? – Ela sussurra, extremamente curiosa.
Respiro fundo, tentando manter a calma e continuo andando. Ela se coloca ao meu lado ainda me analisando e esperando por uma resposta. Encaro-a de volta e junto o máximo de seriedade que consigo para dizer:
– Não foi nada.
– Nada? Vocês quase...
– Eu sei. – Interrompo-a, ainda sussurrando. – Mas não quero conversar sobre isso agora, tudo bem?
Acho que Nina pega o recado, já que balança a cabeça com obediência e não diz mais nada a respeito.
Luke e Jeremy param de conversar e tudo o que consigo ouvir são nossos passos. O corredor parece não ter fim nunca, o que me deixa ainda mais nervosa.
Chuto um pequeno sedimento de rocha ao andar. Acabo colocando força demais na minha perna e para o meu azar a pedra atinge as costas de Luke, que se vira confuso para me encarar.
Minhas bochechas enrubescem e eu fico completamente sem graça. Agora Luke deve pensar que sou completamente louca: Primeiro eu digo pro cara que é melhor não ficarmos juntos, depois eu quase o beijo e pra piorar, eu chuto uma pedra nas costas dele.
– Desculpa! – Gaguejo, quase que berrando. – Não queria... Eu juro que não tive a intenção...
– Tudo bem. – Ele me interrompe, com um sorriso debochado nos lábios. – Mas da próxima vez tente com uma pedra maior, seria meio difícil de me derrubar com essa coisa minúscula.
– Foi sem querer! – Digo, incrédula.
E para a minha surpresa, Luke começa a rir. Nina e Jeremy o acompanham. Que ótimo, agora virei motivo de piada.
– Relaxa, Emy. Eu só estava brincando. – Ele diz, entre risos. – Devia ter visto a sua cara.
Cruzo os braços, impaciente por ainda estarem tirando sarro de mim, mas não aguento e também começo a rir, principalmente porque Jeremy faz uma imitação forçada do meu breve susto.
– Da próxima vez vou chutar a pedra em você, garoto. – Ameaço-o, tentando parecer assustadora, mas sem qualquer sucesso já que estou rindo.
– Eu duvido que você me acerte com a pedra. Só acertou Luke porque não estava mirando nele. – Jeremy zomba.
– Com isso eu tenho que concordar. – Nina diz aos risos e me dá uma leve cotovelada. – Desculpa, Emy, mas você tem uma péssima pontaria.
– Nossa, é impressão minha ou vocês formaram um complô contra a minha pessoa?
– Só impressão. – Luke diz sorrindo e dá uma piscadela, o que faz meu estômago girar.
E então, meus amigos ficam quietos e param de andar de repente. Estão todos de olhos arregalados, encarando algo em nossa frente e então eu entendo. Meu coração acelera e eu mordo meu lábio inferior com ansiedade. Olho para minha frente e finalmente o avisto.
Sim, estamos diante do Oráculo Mágico.
***
Está preso na parede de rochas da caverna. Na verdade, parece fazer parte dela. É grande em altura, mas não muito em largura. É prateado e reflete nossa imagem. Parece um grande espelho pintado na parede. Um espelho meio líquido, como se fosse tinta prateada escorrendo pelas rochas.
Há uma pequena fonte de água cristalina entre nós e o Oráculo. O local possui bem mais tochas que o corredor. É sofisticado e misterioso, como se alguém tivesse decorado o lugar.
– Finalmente. – Nina balbucia, encantada.
Não consigo acreditar que estou tão perto assim de saber sobre minha origem, sobre meus pais. Estou tão nervosa que minhas mãos chegam a tremer. Mas para a minha surpresa, alguém entrelaça os dedos nos meus. Alguém que sempre segura minha mão quando estou nervosa, como tentativa de me acalmar.
Olho para Luke e seguro sua mão com firmeza, não me importando com mais nada. Se Deus quiser, tudo isso está quase acabando e finalmente poderemos ficar juntos.
– Eu vou com você. – Ele diz, protetor.
Se refere ao fato de ir até o Oráculo para perguntar sobre meus pais. Eu perguntarei, afinal, estamos querendo descobrir sobre o meu passado.
Nina e Jeremy ficam para trás quando eu e Luke damos a volta na pequena fonte e nos colocamos diante do Oráculo Mágico.
Sinto um pouco de receio, eu confesso, mas então lembro-me que Luke está bem ao meu lado e que ele não deixará nada me machucar. Não que o Oráculo vá realmente me machucar... Pelo menos espero que não.
Encaro a coisa prateada em minha frente e estremeço quando Luke propõe:
– Pergunte, Emily.
Respiro fundo e aperto ainda mais meus dedos nos de Luke quando eu digo alto e claramente:
– Emily Parker. Gostaria de saber sobre Emily Parker.
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