Opostos Perfeitos
41 Capítulo 40
Notas iniciais
Capítulo 40
Narrado por Enzo:
Levei a Rafa para a casa de campo que era da minha mãe, ela adorou, eu podia ver em seus olhos que tinha adorado aquele lugar, cada pedacinho dele assim como minha mãe um dia havia adorado. Ela lembrava minha mãe olhando para longe no rio e contemplando o céu azul. Sempre parecia uma mulher apaixonada pela natureza, por cada detalhe bonito que muitas vezes passa despercebido as outras pessoas e a Rafa era exatamente assim. Via a beleza da borboleta que estava em uma flor e como uma nuvem podia ter a forma de um coelho se a gente quisesse. Ela era perfeita e amava a vida adorando cada pedacinho da natureza.
Estávamos deitados na grama quando virei o rosto para ela e a vi sorrindo para mim com os olhos cheios de lágrimas.
— Por que você está chorando?
— Nada... é só que isso... isso é perfeito.
— Perfeito é estar aqui com você. — falei puxando-a para perto e fazendo com que deitasse a cabeça em meu peito.
Ficamos no gramado a tarde toda e vimos um lindo pôr do sol ao entardecer.
— Nós vamos ter que ir embora né? — ela perguntou quando começava a ficar escuro.
— Podemos ficar até mais tarde... Vamos entrar?
— Vamos.
— Se você quiser podemos dormir aqui e ir amanhã cedo...
— Não vamos nos atrasar?
Eu queria responder que não me importava se nos atrasássemos, que por mim poderíamos ficar ali o resto de nossas vidas... mas balancei a cabeça negando, não iriamos nos atrasar.
Depois do jantar sentei com ela na sala e acendi a lareira, tomamos um vinho e depois deitamos no tapete da sala. Tê-la em meus braços era como segurar um anjo, sua pele macia e cheirosa me fazia querer segurá-la para nunca mais soltar, meus dedos deslizando pelas suas costas nuas, ela segurando meus cabelos e me beijando calmamente, nossos corpos unidos fazendo amor em meio ao calor, ao desejo. Nos amamos como se aquela fosse a última vez.
Acordei na segunda de manhã me perguntando se aquilo havia sido real. Descobri que era quando a vi em meus braços ainda nua, estávamos deitados no chão da sala, adormecemos ali. Fiz um carinho nos cabelos dela e ela se mexeu abrindo os olhos e sorrindo.
Enquanto eu fui preparar o café, Rafa foi tomar um banho, depois tomei um banho também e sentamos juntos para tomar café. Ainda era cedo. As sete e meia saímos da casa para voltar a cidade. Abracei-a.
— Eu adorei cada segundo aqui. — ela falou baixinho.
— Eu também. — passei a mão pelo rosto dela e nos beijamos.
Dirigi até o apartamento da Rafa e deixei ela em casa, fui para minha casa trocar de roupa, quando cheguei subi até meu quarto e me arrumei, fui para o escritório.
Não tivemos muito trabalho durante a manhã, então a maior parte do tempo fiquei dando beijos na Rafa e tirei mais algumas fotos. Depois do almoço voltamos para a empresa, Rafa e eu tínhamos ido almoçar juntos, Gui e Fer foram também.
Assim que sentei na minha mesa meu pai entrou na sala.
— Enzo, vá para casa e arrume suas coisas, preciso que faça uma viagem de negócios, é urgente.
— O que? Como assim? Para onde?
— Preciso que vá a Aspen outra vez, estamos com alguns problemas e você pode resolver, eu não vou poder fazer isso, então vá para casa e arrume suas coisas, sua passagem já está lá, seu voo sai as três e meia.
— Não, eu não posso ir para Aspen... Quantos dias? — perguntei atordoado, eu não podia viajar, era minha última semana com a Rafa! Eu não queria perder isso, não, não, não!
— Você vai ficar lá até sexta-feira, voltara a tempo para o jantar de noivado, não se preocupe.
Como se fosse isso que me preocupava!
— Não, eu não posso ir, você não pode mandar outra pessoa? Não quero ir para Aspen agora... Não estou preparado...
— Você está sim, se saiu muito bem da última vez.
— Me saí bem porque a Rafaella estava comigo. Espera... Vamos nós dois? Ela vai ir comigo? — perguntei olhando para a Rafa, uma luz de esperança brotando em mim.
— É claro que não, a Rafaella vai embora no sábado, não tem como ela ir para Aspen, voltar e já ir viajar para a Itália, Enzo, além de que Rafaella está saindo da empresa, porque ela participaria dessa transação? Vá para casa e arrume suas coisas.
— Não, eu... — mas meu pai já havia fechado a porta.
Encarei a Rafa, ela me olhou nos olhos também, estavam marejados. Teríamos que dizer adeus antes do tempo. Eu não estava preparado para dizer adeus, eu não queria dizer adeus.
— Enzo... — ela ficou em pé e me abraçou, pude ver suas lágrimas caindo.
— Eu... eu... não quero... eu...
— Eu sei. — ela sussurrou.
— Não quero ir, não quero dizer adeus.
— Eu sei. — ela sussurrou de novo.
Nos beijamos, eu não me importava se alguém entrasse ali, os lábios dela eram a única coisa que importavam naquele momento.
— Você precisa ir arrumar as suas coisas, Enzo... — Rafa falou quando nos abraçamos de novo.
— Eu sei. — respondi sem soltá-la.
A porta da sala se abriu e nós olhamos para a Beth que estava com um olhar confuso no rosto.
— Seu pai quer que você vá agora, Enzo... — ela falou e sorriu cordialmente.
Rafa se soltou de mim e mexeu em alguns papéis em sua mesa disfarçando.
— Já estou indo, Beth.
Ela saiu da sala.
— Então eu acho que é um adeus, não é? — Rafa falou olhando em meus olhos com lágrimas, um sorriso fraco em seu rosto.
— Rafa...
— Adeus, Enzo. — ela disse me fazendo perceber o que aquelas palavras significavam.
Rafa passou uma mão pela minha nuca e iniciou um beijo calmo, a segurei firme e correspondi até nos faltar o ar. Depois ela me soltou e saiu da sala. Respirei fundo e peguei minhas coisas em cima da mesa, desci até a garagem da empresa e peguei o carro, fui para casa.
Arrumei algumas roupas em uma mala e peguei o que precisava, desci e a empregada me deu a passagem, meu pai já havia mandado-a. Fui para o aeroporto e no horário embarquei.
Quando cheguei em Aspen um carro me levou para o mesmo hotel em que estive com a Rafa, fui para o meu quarto e sentei na cama, peguei o celular e tentei ligar para ela, não consegui ligação nenhuma vez.
Um tempo depois meu celular tocou e era a Bianca, estava deitado na cama então só coloquei no viva voz.
— Alô?
— Seu pai me disse que você está em Aspen a trabalho, está sozinho? Aquela secretária está aí com você?
— Estou sozinho, Bianca.
— Ah, que bom. Muito melhor assim. Pena que não pude ir junto com você, tenho muitas coisas para resolver ainda para o jantar do nosso noivado, amor, está tudo lindo!
— Hum.
— Vou desligar, bebê, tenho uma seção de fotos agora. Te amo.
— Tá, tchau.
— Seu filho está chutando, bebê, acho que está dizendo que também ama você.
Respirei fundo e ela desligou o telefone.
Peguei o celular de novo e tentei ligar outra vez para a Rafa, mas novamente não consegui, o celular dava como desligado ou fora de área.
A semana foi passando em Aspen, não consegui falar com a Rafa desde que dissemos adeus no escritório e isso estava me matando por dentro, depois de resolver o problema da empresa na sexta-feira, arrumei todas as minhas coisas outra vez, a semana tinha sido interminável, e agora estava chegando a hora de voltar para o Brasil e seguir com minha vida, minha vida sem ela.
Só de pensar que nunca mais a veria, que aquele adeus no escritório fora um adeus para sempre eu sentia meu corpo se dilacerando aos poucos. Uma semana longe dela foi mais do que suficiente para eu perceber que eu não conseguiria viver sem o seu sorriso, que eu não poderia seguir em frente sem ela, que nada teria sentido se ela não estivesse do meu lado.
No sábado embarquei no avião de volta querendo poder voltar no tempo e não ficar com a Bianca, não ter nada que me prendesse a ela, mas eu tinha, tinha meu filho e sabia que iria amá-lo todos os dias da minha vida e que mesmo assim um pedaço de mim estaria morto para sempre.
Fale com o autor