Opostos Perfeitos
39 Capítulo 38
Notas iniciais
Capítulo 38
Narrado por Enzo:
Abracei a Rafa e respirei fundo, desde que minha mãe havia morrido era assim, ele nunca escutava nada do que a Fernanda ou eu falávamos, nunca dava chance para sermos nós mesmos.
— Sei que é difícil para você, mas não fica assim, Enzo. Sei que parece que ele não ouve você mas... talvez seja um dia difícil.
— Sim, são dias difíceis desde que minha mãe morreu. — falei me afastando dela e girando a cadeira para olhar pela parede de vidro. — Ele nunca mais foi meu pai e da Fer, a única coisa que existe pra ele é essa empresa.
— Ele quer o melhor para vocês.
— Talvez ele só devesse querer que eu e a Fer fossemos felizes.
Rafa passou a mão nos meus cabelos e ficou parada ao meu lado.
— Precisamos ir para a reunião... — ela disse depois de alguns minutos.
Pegamos nossas coisas e fomos para a sala de reuniões ouvir sobre investimentos, ações, dinheiro e economia por uma hora e meia.
Aquela era a vida que meu pai havia sonhado e construído para si mesmo, e para os filhos sem se dar ao trabalho de saber se eles almejavam o mesmo.
— Então, estamos todos entendidos, quero ver esses resultados nas filiais em no máximo três meses. — Meu pai terminava a reunião e todos começamos os cumprimentos. — Espero todos aqui na terça-feira da próxima semana para definirmos os detalhes da sociedade com a empresa do Senhor Ruchell, como todos sabem, será um grande negócio para os dois lados. E neste sábado, também teremos o noivado do meu filho, Enzo — ele estendeu o braço para mim — com a senhorita Bianca Ruchell, os convites se estendem a vocês e um acompanhante, senhores. Terminando de cumprimentar um dos empresários meu pai se retirou indo para sua sala.
— Então, que casamento hein, Enzo? — um dos sócios falou dando uma palmadinha em minhas costas.
— Realmente, a filha do Ruchell é muito bonita. — outro dos caras falou respeitosamente.
Rafa estava parada ao meu lado fingindo não prestar atenção na conversa.
— E você, Rafaella, fiquei sabendo que vai para a Itália... — o primeiro cara que havia falado comigo se dirigiu a ela. — Será uma pena não ter sua beleza para alegrar está sala! — ele segurou a mão dela e deu um beijo piscando um olho.
— É... meu pai não está bem então vou ir vê-lo.
— Você gostará de lá, vai viajar quando?
— No próximo final de semana.
— Quem sabe não nos encontramos em algum lugar por lá? Estou indo por esses dias também. — ele deu uma olhada cheia de significado para ela e se retirou.
— Idiota. — murmurei baixinho.
— Ciúmes? — ela me cutucou brincando.
— Não. — respondi de cara feia.
— Ok, então. — ela deu de ombros e percebi que estava segurando o riso.
Rafa saiu da sala na minha frente, todos já haviam se retirado.
— Você está zombando de mim? — perguntei andando atrás dela.
— EU? Imagina! — ela parou colocando a mão na boca fingindo estar ofendida, um sorriso brotava no canto de sua boca.
— Rafaella? — chamei quando ela ia virar o rosto para esconder o sorriso.
— Oi? — ela virou com as sobrancelhas levantadas e grudou os lábios, ela estava a ponto de rir na minha cara.
— Eu não tenho ciúmes de mulher nenhuma, você sabe muito bem que qualquer uma cai aos meus pés. — falei cruzando os braços.
— Aham. — ela falou e logo prendeu os lábios de novo, um riso baixo escapou de sua garganta.
— Dane-se.
Puxei ela para mim sorrindo também e a beijei no corredor. Rafa segurou meu cabelo e eu podia sentir o sorriso que ela tinha em seus lábios enquanto nos beijávamos.
— O que vocês... — alguém começou a falar e nos soltamos rápido.
— Fernanda! Que merda!
Rafa estava com a mão na boca de olhos arregalados.
— O que vocês dois estão fazendo se beijando no meio do corredor, e se o papai vê isso?! Isso seria um escândalo, Enzo, você não pode ser tão inconsequente assim, papai acabaria com qualquer carreira da Rafa se ele achasse que ela vai interferir no noivado!
— Eu...
— Entrem logo nesse armário, deem uns amassos e eu espero aqui no corredor! — ela falou como se aquilo fosse a coisa sensata e certa a se fazer.
— Como é? — Rafa perguntou para a Fer segurando o riso.
— Ué? Eu quero mais é que vocês dois sejam felizes, mas não no meio do corredor onde todo mundo pode ver e acabar com essa semana. — Fer deu de ombros como se fosse óbvio.
— É por isso que eu te amo, maninha. — falei e puxei a Rafa abrindo a porta do armário do corredor.
— Vocês dois acham que eu sou maluca? — Rafa perguntou olhando da Fer para mim. — A gente tem que voltar ao trabalho e...
Puxei ela para dentro da sala das vassouras e fechei a porta segurando seu rosto com as duas mão em seguida e dando um beijo nela para ficar quieta.
— Enzo... para de brincadeira...
Eu sorri e mordi o lábio dela de leve.
— Tudo bem. — falei e abri a porta para sairmos.
— Credo, isso foi muito rápido, durou o que, trinta segundos? — Fer falou quando saímos.
— Vou ter uma conversa com o Gui para saber o que ele anda colocando de ideias na sua cabeça, viu? — Rafa falou apontando pra ela brincando.
— Oh, querida... você se assustaria com o que EU ando dando de ideias para ele. — Fer afirmou piscando.
— Enzo, sua irmã é uma pervertida!
— Anos de observação. — Fer falou apontando para mim e riu.
— Hei!
— Ah, é? — Rafa me encarou ficando de costas para a Fer.
— Ei, eu não sou pervertido... — falei tentando me defender.
— Não é? — Rafa fez cara de desanimo. — Que pena.
Ela virou para a Fer e as duas começaram a rir.
— Você daria uma excelente cunhada!
— Vish menina, sou excelente em tudo, ok?
— E você anda passando tempo demais com meu irmão viu?
— Opa. — ela falou se tocando que tinha feito uma brincadeira se achando e ela sempre odiava que eu fizesse aquilo.
— O mestre sempre influencia o aprendiz. — dei de ombros me achando.
Rafa e Fer me encararam e viraram os olhos, as duas me deram as costas e saíram caminhando pelo corredor me deixando com cara de bobo.
Rafa e eu voltamos para nossa sala. Ela entrou na minha frente e foi direto até sua mesa, tinha um buquê de flores lá.
— Nossa, que lindo! — ela falou pegando o buquê.
Quem tinha mandado flores para ela?
Fechei a porta com as mãos no bolso e caminhei até ela parando atrás de seus ombros.
“Adorei o nosso jantar,
podemos repetir antes da viagem?
Estou feliz de ir com você,
mas não posso esperar até
sábado para te ver de novo.
Caio.”
— Ah, claro. — falei virando os olhos e indo para a minha mesa. Sentei na cadeira com raiva e coloquei uma mão no queixo pensativo. Ele estava dando em cima dela abertamente e mesmo assim ela deixaria que ele fosse com ela.
— O que foi? — ela virou para mim me olhando normalmente.
— Nada. — resmunguei.
Rafa deu de ombros e ajeitou as flores em cima de sua mesa, depois sentou e começou a trabalhar.
— Você vai deixar as flores aí?
— Vou. — ela me olhou confusa. — algum problema?
— Não.
Fiquei o resto do dia de cara fechada, eu sabia que estava errado mas eu sentia ciúmes dela e raiva daquele maldito cartão.
No final do dia Rafa arrumou suas coisas na bolsa e se levantou para ir embora, antes dela sair levantei e a chamei.
— Rafa... Espera...
Ela virou e me encarou confusa.
— Olha, desculpa, fui infantil... — falei dando de ombros. — Sei que não tenho o direito de... sentir ciúmes de você. — completei me aproximando dela.
— Então você sente ciúmes de mim? — ela falou brincando demonstrando que não estava braba.
— Um pouquinho talvez. — sorri. — Você... hum... quer ir comigo até o jardim?
— Claro! — ela sorriu.
— Então vamos esperar até todos irem embora e aí subimos... — sorri e passei uma mão no rosto dela.
— Vou deixar a porta trancada caso alguém queira conferir se já saímos.
Ela trancou a porta e sentou no sofá da nossa sala.
— Você... está pensando sobre a viagem? Com o Caio e tudo mais... você acha que tem alguma chance de vocês dois... quer dizer, de rolar alguma coisa mais séria, sei lá, namoro? — perguntei sentando ao lado dela e cuidando com as palavras.
— Sinceramente? Pensei um pouco sobre isso, Enzo, vou deixar a minha vida rolar, eu não sinto nada além de amizade pelo Caio e para mim não vai acontecer nada na Itália, mas eu não vou prometer nada, não vou prometer algo sobre o qual não tenho certeza. Não quero te magoar também, mas eu vou seguir a minha vida assim como você vai seguir a sua, nós já falamos bastante sobre isso.
— É, eu sei. — falei e puxei o corpo dela fazendo-a deitar no meu peito.
— Enzo, não importa o que aconteça, eu sempre vou ter um pedaço de você comigo. — Rafa falou ainda deitada no meu coração e levou o braço até o rosto, ela estava chorando.
— Ei, não chora. — levantei o rosto dela e pedi.
— Tudo bem, é... só... — ela deu de ombros sem completar a frase, nos abraçamos.
Esperamos um tempo ali sentados trocando carícias e depois que não havia mais barulho pelos corredores fomos até o elevador, apertei o botão e subimos para o jardim.
— Você não se preocupa mais com esse corredor escuro e estar sozinha com um homem aqui? — Perguntei quando descemos do elevador e entramos na escuridão do corredor que levava ao jardim.
— Eu estou com você, Enzo, vou ter medo de que? — respondeu segurando minha mão.
— Hum... então eu sou um homem forte e protetor que lhe passa muita segurança e você confia sua vida a mim? — falei me achando.
— Ok, não exagere, você é no máximo um garoto fortinho, tá.
— Ah, é mesmo? — falei puxando ela e a erguendo contra a parede, suas pernas ficaram em volta da minha cintura e ela, com certeza, pode sentir alguma coisa ali.
— Hmm... — murmurou no meu ouvido mexendo um pouco sua cintura.
— Hmm? — perguntei sussurrando, eu sabia o que aquele hmm significava.
Com a Rafa ainda agarrada na minha cintura abri a porta com um pouco de dificuldade para destrancá-la e depois fechei, atravessei parte do jardim com ela beijando e mordendo o lóbulo da minha orelha e a joguei em cima do sofá na salinha de vidro. Apertei um botão no rádio e uma música começou a tocar baixinho, ela ficou em pé no sofá e eu comecei a abrir os botões de sua blusa enquanto ela fazia o mesmo com a minha camisa.
Uma hora depois estávamos deitados em cima de um tapete e almofadas que levamos até o meio do jardim, perto das margaridas que eu havia plantado para ela há algum tempo, olhando as estrelas, sua cabeça estava deitada em cima do meu peito e eu acariciava seus cabelos.
— Sempre dizem que a felicidade dura pouco... — Rafa começou a falar — Eu acho que é por isso que essa semana tem sido tão perfeita.
— Eu nunca soube o que é o amor de verdade. — falei. — Mas realmente acredito que se existe, é muito parecido com o que eu sinto por você.
— Eu queria que a vida pudesse ser como nos contos de fada, sei que é bobo, mas eu sempre sonhei... com aqueles finais felizes das histórias encantadas, o beijo de amor do final, o eu te amo depois de cinquenta anos de casados. — ela falou dando de ombros com um sorriso bobo no rosto.
Não falei nada e nem poderia. Até conhecê-la eu nunca havia pensado naquilo, nunca sonhei em me apaixonar por alguém muito menos viver preso a alguém o resto da vida, sem poder aproveitar e ser o centro das atenções e agora... agora eu me pegava pensando em como baladas e cem bocas diferentes eram coisas estúpidas e sem nada de mágico. Mágico era se sentir como eu me sentia com ela, era imaginar nós dois em uma casa de campo, deitados em uma rede no final do dia tomando chocolate quente juntinhos enquanto nossos filhos corriam atrás do cachorro peludo e babão, o sol começando a se pôr por trás de uma colina verde, ela quente nos meus braços, seu cheiro, seu abraço, seu sorriso... nós dois e nossos filhos... felizes. Felizes para sempre.
Com ela eu podia imaginar tudo isso, eu podia até desejar tudo aquilo.
Ficamos até tarde lá e depois fomos para a casa da Rafa, a Júlia já estava dormindo quando chegamos, então fomos para o quarto, Rafa tomou um banho rápido e eu fui em seguida, então deitei ao seu lado na cama e passei o braço por cima do seu corpo a envolvendo.
— Bons sonhos, meu amor. — Sussurrei quando ela já havia adormecido.
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