Opostos Perfeitos
28 Capítulo 27
Notas iniciais
Capítulo 27
Narrado por Rafa:
Saí da sala do Enzo e fui falar com o senhor Augusto. Tinha tomado uma decisão e sabia que não poderia voltar atrás nela ou minha vida seria aquilo ali sempre. Eu gostava muito do Enzo, mas não poderíamos continuar daquele jeito e seria melhor ficar um tempo longe, se o que sentíssemos um pelo outro realmente fosse verdadeiro o sentimento perduraria. Mas ao mesmo tempo eu sabia que ir embora significava que o casamento de Enzo aconteceria de um jeito ou de outro, e com isso, nossa história teria um ponto final.
Bati à porta e Augusto mandou que eu entrasse.
— Senhor Augusto... será que posso falar com o senhor um minuto?
— Já conversamos sobre me chamar de ''senhor'' há muito tempo, não é? — ele sorriu. — sente-se, Rafaella. O que posso ajudar?
Sentei.
— Recebi hoje uma carta do meu pai... é uma história longa, ele mora na Itália, nunca o vi na vida, foi embora quando eu nasci... recebi a carta hoje de manhã, ele está doente e eu decidi que vou para a Itália, conhecê-lo e ajudá-lo no que ele precisar. Quero saber se como estagiária preciso dar aviso-prévio e todas essas coisas que envolvem um pedido de demissão... e se o senhor não pode me ajudar nisso porque quero ir o quanto antes para lá. Queria ir na segunda agora se possível.
Augusto estava com as mãos cruzadas em cima da mesa e prestava atenção no que eu dizia, pareceu um pouco decepcionado.
— Bom, quanto a você ir para lá na segunda eu acho que fica um pouco difícil, por lei você deve cumprir o aviso-prévio... mas sabendo dá situação posso dar um jeito nas coisas sim, será que você não poderia adiar a viagem, pelo menos por duas semanas? É um momento especial para a empresa, estamos fechando grandes contratos e bom... eu devo dizer que estou orgulhoso de ver a maneira como meu filho passou a se dedicar a empresa depois que você apareceu aqui, foi como uma mestra para ele... enfim... — ele pigarreou. — gostaria que ficasse essas duas semanas e como forma de agradecimento, faço questão de lhe deixar garantida uma vaga aqui na empresa caso retorne ao Brasil. Você é uma excelente profissional e será uma lástima não tê-la mais aqui.
Fiquei surpresa e feliz com os elogios de Augusto.
— Obrigada senh... Augusto. — sorri. — fico muito grata e permaneço as duas semanas então.
— Sinto muito também pelo seu pai... — ele disse.
— Obrigada.
— Bom, então peça a Beth para que organize seus papéis de demissão e se quiser indicar alguém de sua confiança e que tenha interesse em trabalhar aqui na empresa daremos prioridade a sua sugestão.
Concordei com a cabeça e saí da sala, fui falar com a Beth e expliquei toda a história a ela, tínhamos nos tornado amigas com o passar do tempo. Depois voltei a minha sala e Enzo estava sentado no sofá absorto em seus pensamentos
— E então? — perguntou assim que fechei a porta.
— Vou em duas semanas.
Enzo me olhou sem acreditar.
— E nós dois, Rafa? — ele veio até mim e perguntou triste. — tudo isso vai se perder assim?
— Eu não sei, Enzo. Não posso prever o futuro. Você faz suas escolhas, eu faço as minhas...
— Quanto tempo você vai ficar lá?
— Não sei. Na carta meu pai diz que está com alguma doença terminal, um tipo de câncer. Os médicos deram alguns meses e ao mesmo tempo corre o risco de ele ter algum tipo de recaída e esses meses serem reduzidos a semanas.
Enzo parou perto da janela e ficou vendo o movimento dos carros parecendo miniaturas na rua lá em baixo. Ele ficou minutos em silêncio e depois virou lentamente e me olhou no olhos:
— Então... acabou?
Aquela foi a pergunta mais dolorosa da minha vida.
Primeiro concordei com a cabeça, depois falei baixinho.
— Acabou.
Pude ver os olhos do Enzo úmidos quando ele passou por mim e saiu da sala me deixando sozinha. Sentei em minha mesa e não pude conter a lágrima que escorreu pelo meu rosto.
Ele não voltou pelo restante da tarde para o escritório e eu fui embora quando acabou o expediente.
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