Opostos Perfeitos
19 Capítulo 18
Notas iniciais
Capítulo – 18
Narrado por Enzo:
Pode parecer clichê dizer que nunca senti o que senti tendo ela em meus braços, mas é verdade, nunca me senti daquele jeito com qualquer outra mulher, não sabia se isso significava que eu a amava, não podia ter certeza, só sabia que era a primeira vez em minha vida que fazia amor e não sexo.
Quando Rafa falou da estrela cadente, as palavras saíram sozinhas, era como se o meu subconsciente soubesse da resposta antes de mim.
Ela deu um sorriso tímido e deitou no meu peito, passei os dedos pelos seus cabelos acariciando e olhei para o céu, ela realmente era real e eu percebi que não poderia me casar com a Bianca, mesmo que fosse para salvar a vida do meu pai ou de qualquer outra pessoa.
Ficamos lá deitados por mais um tempo, depois nos vestimos, já começava a amanhecer e eu chamei a Rafa para vermos o sol nascer.
— Olha, está começando a nascer, vem, vamos ver. — Segurei a mão dela.
— Nossa, como isso é lindo! — Ela disse ao ficar em pé e ver a escuridão das ruas dando lugar ao brilho fraco do sol.
Chegamos mais perto da beirada do prédio e nos apoiamos no muro de proteção. Abracei a Rafa pela cintura e ela deitou a cabeça no meu ombro com um sorriso. Uma brisa balançava seus cabelos levemente.
Os primeiros raios iam surgindo lentamente, dando brilho a tudo que tocavam, eu a apertei um pouco mais contra meu corpo e senti um sorriso imenso tomando conta dos seus lábios. Em alguns minutos o sol já subia um pouco mais e quase ficava difícil de olhá-lo fixamente, Rafa então virou a cabeça para mim e vi lágrimas surgindo enquanto ela mordia o lábio inferior tentando contê-las. Eu sorri também, vê-la daquele jeito fez meu coração bater mais forte e descobri por que estava apaixonado por aquela mulher. Ela era verdadeira antes de mais nada, era inocente ao ponto de se encantar com o nascer do sol, era doce ao ponto de sorrir com lágrimas e era sincera ao ponto de olhar nos meus olhos.
Segurei o rosto dela entre as minhas mãos, extasiado com seus olhos.
— Eu amo você. — Sussurrei.
Uma lágrima escorreu por seu rosto fazendo o contorno pelo sorriso que nele havia se formado.
Beijei-a como se aqueles fossem os últimos segundos da minha vida. Seu rosto entre minhas mãos, uma brisa calma, um céu claro e nossos lábios unidos.
Um tempo depois nos separamos e voltamos a sentar no sofá onde de madrugada nos amamos. Rafa desviou o olhar e depois voltou a me olhar.
— Enzo, eu gosto muito de você, mas... mas eu não sei se podemos continuar com isso. Eu não sei se quero isso para mim.
— Como assim?
— Eu não pertenço ao seu mundo, você teria que abrir mão de muita coisa para ficar comigo e eu não quero ser a responsável por isso, e também não vou aceitar dividir você com ninguém, mesmo que não ame a Bianca, eu não ia conseguir ser uma amante.
— Eu não vou me casar com a Bianca, eu quero ficar com você.
— Seu pai não vai permitir isso, ainda mais eu sendo uma secretária. Não tem comparação, ele nunca vai aceitar que você fique comigo porque se trata do filho dele e do futuro da empresa. O que os amigos dele diriam se você namorasse a sua secretária-assistente? No mínimo que eu sou uma interesseira e que você só quer se divertir. — Ela riu sem humor. — É sempre assim, as pessoas ricas sempre desprezam as mais pobres, eles sempre vão dizer que eu não estou a sua altura. Eu não quero isso, não quero passar por isso. Não quero ser humilhada.
— Ninguém vai dizer isso de você, e eu não me importo, eu amo você.
— Mas eu me importo, Enzo. Desculpa.
Rafa levantou e foi em direção a porta. Parou no meio do caminho e me olhou com um sorriso leve no rosto.
— O que fizemos antes... eu nunca vou esquecer. Eu também amo você, Enzo, amo muito você.
Ela virou e andou até a porta, depois saiu, ouvi seus passos no corredor escuro.
Ela me amava? Rafa havia dito que me amava, que sentia o mesmo por mim. Naquele momento eu me sentia tão bem que não sabia explicar tamanha felicidade, a única coisa que pude fazer foi sair correndo atrás dela. O elevador ia fechar quando abri a porta, ela me viu e o segurou, corri até ela e a prensei contra a parede do elevador, as portas se fecharam e eu segurei seus cabelos firme enquanto a beijava.
— Promete para mim que vamos nos dar uma chance? — pedi.
— Enzo...
— Promete. Promete que não vai deixar isso estragar tudo que ainda podemos ter?
— Eu... eu não sei, Enzo.
— Você me ama? — a olhei nos olhos, ela sabia o que eu queria ouvir.
— Prometo.
Sorri. Era essa a resposta que eu precisava, dei um selinho nela e paramos no andar da nossa sala, era bastante cedo ainda, mas ficamos na empresa igual, liguei a TV e coloquei num canal de desenho animado, fizemos pipoca de micro-ondas na cozinha da empresa e depois ficamos assistindo Batman na nossa sala.
Rafa me jogou uma pipoca enquanto eu ria do desenho, joguei outra nela enquanto ela estava distraída e ficamos rindo.
Perto das oito horas começou o movimento na empresa, carros, elevadores, portas. Rafa e eu continuamos brincando e jogando pipoca um no outro, estávamos sentados bem perto e meu braço estava estendido atrás dela por cima do encosto do sofá.
A porta da sala abriu e meu pai nos olhou com uma cara nada boa.
— O que está acontecendo aqui?
Rafa ficou em pé e eu ajeitei os braços rapidamente.
— Nós... Bom... Nós...
— Eu cheguei um pouco mais cedo e fiz pipoca, e a Rafa chegou agora pouco... Não está acontecendo nada, não estamos atrasados nem nada do tipo, só estamos esperando o horário de serviço para começar a trabalhar. — Falei com calma.
— Esperando o horário... e comendo pipoca... os dois... Que bela festa. Aqui não é lugar de recreamento. Olha a bagunça dessa sala. E você Rafaella? Quando a recomendaram para esta empresa disseram que era responsável e eficaz, mas o que estou vendo é uma cópia feminina do Enzo. Onde está a responsabilidade com seu trabalho? E de onde vem o direito de fazer pipoquinha a esta hora da manhã e ficar se divertindo em vez de trabalhar? Isto é uma empresa e não um local de festas para crianças.
Desc...
— E nós trabalhamos nela de acordo com o horário. Não estávamos fazendo recreação nenhuma, já falei que a Rafa acabou de chegar, quem fez a bagunça fui eu, e o senhor não tem o direito de ofender as pessoas dessa maneira. Se estou aqui nesse horário saiba que é por causa dessa mulher. Se não me atraso, se faço as coisas e se ainda piso nessa empresa, saiba que é por causa dela.
Meu pai me olhou um pouco confuso.
— E o que isso quer dizer? — perguntou com ar superior.
— Quer dizer que ela me ensinou muitas coisas e que você devia dar mais valor a isso. Se nos der licença, vamos arrumar tudo como vossa majestade deseja e começar a trabalhar.
— Enzo... — Rafa me repreendeu baixo.
— Tudo bem, Rafa. Só tem uma pessoa nessa sala que precisa pedir desculpas a alguém e não é você. — falei olhando para ela.
— Arrumem essa sala logo e comecem a trabalhar. E você, Enzo, precisa aprender a respeitar seus superiores. Se não fosse seu pai e se essa empresa não fosse ser sua no futuro, estaria demitido agora. E quanto a sua amiga, eu não vou pedir desculpas. Se fosse responsável não participaria da sua festinha particular. Espero que isso não se repita ou tomarei as providências cabíveis.
Atrás de meu pai há pouco tempo Beth havia surgido, ela era como se fosse da família e quando meu pai se virou para ela, ela o encarou séria. Ele saiu e foi para sua sala.
– O que houve aqui? — Ela perguntou confusa. — Que bagunça é essa, Enzo?
— Eu só estava comendo pipoca. — dei de ombros.
— Você não tem jeito mesmo. — ela sorriu balançando a cabeça negativamente. Em alguns aspectos Beth lembrava muito a minha mãe. — Vamos, arrumem logo isso aí antes que o poderoso chefão volte. — brincou e saiu.
Rafa começou a arrumar as coisas e não me olhou, comecei a ajudar.
— Ei, o que foi?
— Viu o que eu disse antes? Ele nunca vai aceitar que fiquemos juntos. — ela balançou a cabeça. — É melhor esquecermos o que aconteceu.
Estávamos abaixados juntando os grãos de pipoca pelo chão, segurei seu rosto com uma mão e quando ia falar que as coisas dariam certo a porta se abriu de novo e Bianca apareceu.
— O que é isso aqui?! — perguntou alterada.
Bianca estava parada na porta com as mãos na cintura, tirei minha mão rápido do rosto da Rafa e ficamos em pé os dois.
— Você pode me explicar o que significa isso, Enzo?! O que esta... esta... isto aí faz na sua sala e porque estava segurando o rosto dela?! — Bianca estava nervosa — Espero que tenha uma boa explicação! E você sua... sua... secretariazinha, o que acha que está fazendo com o meu namorado?!
— Não está acontecendo nada Bianca, só estamos juntando as pipocas será que é difícil pensar antes e falar alguma merda. — Falei irritado, quanto mais eu conhecia a Bianca mais raiva sentia com o quanto ela era mesquinha.
— Eu... eu...
— Você nada. Eu estou trabalhando e você não deveria estar aqui.
— Trabalhando? Essa é boa. Virou a faxineira da empresa agora, Enzo?
— Não, juntar pipocas não mata ninguém e não é trabalho só para chamar uma faxineira. Se mexesse as mãos para fazer alguma coisa além de tirar o cartão de crédito da bolsa saberia disso. — falei sem dar muita atenção a ela.
— Você... você é um grosso! — falou fazendo drama.
— A verdade dói. — dei de ombros.
— Ah, quer saber, não vou discutir isso! Vim para falar com seu pai.
— Meu pai? Por quê?
— Quero adiantar o noivado.
— Quer o quê? — falei o “o quê” quase gritando.
— É, chega dessa enrolação toda sua. Seu pai está certo quando diz que você precisa crescer, está na hora de formar sua família.
— Mas que porra é essa?! Você tá louca? Não vai falar coisa nenhuma pra ele!
Eu estava em pé, Rafa continuava a arrumar a sala tirando as coisas do chão e fingia que não nos ouvia.
— Quem está fazendo drama agora em, Enzo?! Já cansei de aguentar essa sua enrolação com o casamento, vamos marcar a data e casar logo!
— E por quê eu faria isso?!
— Porque eu estou grávida e você é o pai.
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