Opostos Perfeitos
17 Capítulo 16
Notas iniciais
Capítulo 16
Narrado por Enzo:
Parei de beijar a Rafa e fiquei olhando o rosto dela. Ela parecia preocupada com alguma coisa.
— O que foi?
— Enzo... a gente não deve ficar fazendo isso. Eu... eu sou só uma estagiária aqui, uma simples empregada... Por quê você insiste em brincar desse jeito? Eu não sou nenhum objeto para você usar como quiser.
— Mas eu não estou te usando. — respondi. O que ela pensava? Que eu a beijava só por quê ela era uma empregada da empresa e que eu fazia isso por quê ela não poderia me dar um tapa na cara? Eu não beijava ela por isso. Beijava ela porque... porque eu... eu nem sabia o porquê. Sem falar que se ela quisesse me dar um tapa na cara não seria o fato dela trabalhar na empresa que a impediria.
— Eu vou descer. — ela ficou em pé.
Rafa desceu e eu fiquei mais um tempo ali em cima. Depois desci e fui para a minha sala. Passei o resto do dia lá sem fazer nada praticamente.
De noite quando cheguei em casa Bianca ligou, falou um monte de besteiras e eu fiquei estressado. Ela era muito irritante. No jantar meu pai começou a incomodar outra vez por causa daquele maldito casamento.
A semana passou e eu não fiquei mais com a Rafa, ela se distanciou um pouco depois do nosso último beijo e passou a me evitar. Na sexta de noite chamei o Gui e a Fer para ir numa boate. Fomos e logo que chegamos vimos o Leandro por lá, o cara estava muito bêbado.
— Cala essa boca antes que eu te arrebente, seu merdinha! — Leandro gritava para um cara com o dobro do tamanho dele.
— Como é cara? Quer morrer hoje?
— Que se foda seu filho da puta.
— Eu vou estourar esse cara. — o homem disse rindo para os amigos, dois seguraram o Leandro pelos braços e ele tomou um soco na barriga se contorcendo todo.
— Parece uma bixa batendo! — Leandro retrucava muito bêbado, ele nem devia mais ter consciência direito. Se os caras largassem ele, ele cairia no chão de tão bêbado.
Outros dois socos e a cara dele estava cheia de sangue.
— Solta ele. — Falei chegando no meio dos caras, Gui tinha acompanhado.
— Olha, as mulherzinhas vieram defender a esposinha? — o cara provocou.
— Sai fora mané. — dei um empurrão no cara que queria vir para cima de mim.
— Violenta ela. — ele zoou.
— Vamos embora. — chamei o Gui e o Leandro e apontei para a saída com a cabeça.
— Isso, corre ai vadiazinha. — o cara queria mesmo brigar.
Meu sangue subiu. Fechei a mão e dei um cruzado no cara, ele cambaleou para trás, os outros dois soltaram o Leandro.
— Não preciso da ajuda de ninguém, vão embora vocês dois. — ele disse para mim e para o Gui.
— Cala essa boca aí. — Gui retrucou passando o braço do Leandro pelo pescoço dele.
— Vão a merda vocês dois também, não pedi a ajuda de ninguém.
— Cala a boca, Leandro. — mandei e peguei ele do outro lado.
Os caras deixaram a gente em paz e nós saímos da boate, Fer pegou o carro e foi dirigindo.
— Para onde a gente vai? — Fer perguntou.
— Sei lá, lá pra casa fica difícil. — falei.
— Quero a Jú. — Leandro pediu baixo.
— Vai para o Apê das meninas... — falei para a Fer.
Fer dirigiu até o Apartamento. Toquei o interfone e a Júlia atendeu.
— Jú, tem como a gente subir? É o Enzo, o Leandro brigou por aí e queria ver você...
— Como assim brigou? Por quê? Ele está bem? O que aconteceu?
— Calma.. Estamos subindo, pode ser?
— Tá, tá, subam logo.
Levamos o Leandro quase dormindo de tão bêbado lá para cima, assim que descemos do elevador a Jú veio correndo do apartamento delas.
— Leandro! Seu idiota! O que você fez?! Por quê brigou?! Eu vou te bater seu abestado! — ela falou braba e ao mesmo tempo preocupada segurando o rosto dele.
— Meus pais, Jú... — ele falou meio tonto.
Nós ficamos sem entender no início, levamos ele para dentro e ele acabou capotando no sofá, a Rafa apareceu ali e o Caio estava com ela. Não gostei daquilo.
— O que aconteceu? — ela perguntou confusa.
— Não sabemos direito... encontramos ele brigando numa boate...
— O Lê não é assim... não é de briga... alguma coisa aconteceu. — Jú disse preocupada e fazendo carinho nele. — Acho que vou dar um jeito de colocar ele no chuveiro para ver se passa um pouco...
Nós concordamos e ajudamos a levar o Leandro para o banheiro, Júlia deu banho gelado nele, ele reclamou um pouco, mas no fim acho que acordou.
Depois de meia hora os dois voltaram para a sala.
— Explica o que aconteceu, Lê. — Júlia pediu quando ele sentou.
Leandro ficou olhando fixo para a parede, cabisbaixo.
— Meus pais... eles... sofreram um acidente hoje a tarde, eles... estão mortos.
Nós todos ficamos paralisados com a notícia. A dor de lembrar da minha mãe em um caixão tomou conta. Eu fiquei sem resposta.
— Lê... — Jú abraçou ele.
— Eu sinto muito cara. — falei colocando a mão em seu ombro.
Leandro balançou a cabeça e ficou abraçado na Jú. Nós todos ficamos em silêncio com ele durante um bom tempo.
Mais tarde Júlia disse que ficaria com o Leandro. Fer, Gui e eu fomos embora, nem falei com a Rafa direito, não tinha gostado de ver o Caio lá com ela.
O final de semana passou bem calmo e quieto, nem saí de casa, não tinha muito ânimo, só fui ao enterro dos pais do Leandro, ele estava muito mal. O resto da semana também passou desse jeito, a Rafa parecia bem triste na empresa e nós quase não trocamos palavras. Duas semanas se passaram, resolvemos nos reunir no aparatamento das meninas para tentar animar o Lê um pouco, ele ainda estava triste. Era sábado. Me arrumei e depois fui para a casa das meninas. Cheguei lá e a Rafa abriu a porta.
— Oi – sorri. Não tinha percebido como olhar ela nos olhos fazia falta.
— Oi, Enzo, entra. — ela sorriu também.
— Nossa, quanta cordialidade. — brinquei, ela nunca era assim comigo.
— Prefere que eu te escurasse daqui? Porque se preferir vou adorar fazer isso.
— Eu hein... esse humor não melhora nunca? — passei por ela na porta.
— Para você? Dificilmente... — ela sorriu. — e a Fer e o Gui?
— Daqui a pouco eles vem... — sentei no sofá. — e o resto do pessoal?
— O Caio vem mais tarde e a Jú foi com o Lê pegar umas roupas na casa dele... — ela sentou no outro sofá.
— Isso quer dizer que estamos sozinhos? — perguntei malicioso.
— Rá-rá. — ela riu sem humor.
— Isso é bom sabia? — falei, ela me olhou estranho.
— E por quê seria bom?
— Porque eu estou sentindo sua falta. — encarei ela.
— Aff, conta outra, não caio nesses papinhos de adolescente, Enzo.
Rafa levantou e foi para a cozinha, levantei e fui atrás dela. Ela pegou uma panela e pôs no fogão. Não resisti e fui me aproximando devagar até fazer o meu corpo grudar no dela e prendê-la contra a pia, beijei o pescoço dela e ela soltou um suspiro leve.
— Sai Enzo... — falou baixo.
— Sair? Tem certeza? — falei no ouvido dela segurando seus cabelos de leve.
— Você não tem o direito de fazer isso... — ela disse baixo de novo.
— De fazer o quê? — puxei o cabelo um pouco mais forte, ela moveu a cabeça para trás de olhos fechados, fiquei beijando de leve o pescoço dela.
— Isso, você não devia ficar fazendo isso comigo...
— Quer que eu pare? — perguntei no ouvido.
— Não.
Ela ficou de frente para mim e agarrou minha nuca, eu segurei na sua cintura e as pernas dela enlaçaram a minha. Comecei a beijá-la com vontade e ela correspondeu do mesmo jeito. Peguei a Rafa no colo e fui em direção ao quarto, deitei-a na cama devagar e fui deitando por cima sem descolar nossos lábios. Senti suas unhas nas minhas costas e me arrepiei, puxei forte seu cabelo e mordi o pescoço de leve, ela suspirou no meu ouvido.
O clima esquentava cada vez mais e meu corpo parecia em chamas. Subi a blusa dela e joguei no chão, no mesmo instante ouvimos a porta da frente abrindo, Rafa me empurrou para trás e levantou rápido vestindo a blusa.
Nos olhamos e saímos do quarto, eu fechei a cara, ia mandar o Leandro e a Júlia descerem de novo. Rafa me deu um beliscão.
Pior foi quando chegamos na sala e o Lê estava por cima da Júlia no sofá, os dois no maior amasso. Eu e a Rafa paramos um do lado do outro com os braços cruzados e soltamos um pigarro com a garganta. Os dois pularam com o susto.
— Porra velho! Quer me matar do coração? — Jú disse para a Rafa com a mão no peito.
— Bonito hein, dona Júlia... se pegando no sofá onde eu deito para assistir TV né... muito bonito. Podia ir para o quarto pelo menos. — Rafa brincou.
— Achei que não tinha ninguém... a cozinha estava vazia... — ela fez uma pausa. — Hum... espera aí... a cozinha estava vazia... ninguém aqui na sala... Enzo do seu lado... Onde vocês dois estavam em dona Rafaella Belmontt? — Júlia fez uma cara de ''te peguei'' rindo.
— A gente estava... estava... — Rafa não sabia o que dizer.
— No quarto e vocês atrapalharam. — completei, Rafa me olhou matadora.
— A gente estava no quarto uma pinoia seu mentiroso. Eu estava no meu quarto, você estava é espionando. — ela disfarçou.
— Pior que eu estava... espionando e explorando tudo... — mordi o lábio.
Na mesma hora Rafa me deu uns tapas enquanto a Júlia e o Leandro davam risada no sofá.
— Não se incomodem viu... podem voltar para o quarto... — Leandro disse.
Rafa pegou a almofada do outro sofá e jogou no Lê que se defendeu rindo.
— Vão plantar milho no asfalto para ver se nasce abóbora e me deixem em paz, ok? — ela falou e foi para a cozinha.
— O bunda... Deus do céu... — mordi o lábio e ela virou com um olhar matador novamente. — quer dizer... nádegas belíssimas... — tentei consertar e a Júlia e o Lê não ajudaram nada se estourando na risada...
— Belíssimas e minhas, agora tira o olho que não é para o seu bico.
— Agora você diz isso né... — comentei ''baixo'' mas alto o suficiente para ela ouvir.
Rafa mandou o dedo do meio e saiu furiosa para a cozinha. Eu dei risada e fiquei no sofá.
— O que a gente vai fazer hoje então? — perguntei e liguei a TV.
— Ah, pensei em ver filme e depois fazer uma janta, aí a gente inventa alguma coisa e bebe alguma coisa também... — Jú respondeu.
— Opa, fechado. A Fer e o Gui vem também? — Leandro perguntou.
— Aham, e o Caio.
Eu virei os olhos.
— Ah, mas tem que chamar mais uma mulher então... e a Rafa vai pegar quem, o Enzo ou o Caio? — Leandro piscou.
— Nem um nem outro. — Rafa voltou para a sala e sentou no mesmo sofá que eu mas longe...
— Fica se fazendo de difícil mas adora quando o papai aqui pega ela... — mordi o lábio.
— Vai sonhando, moleque. — ela encarou.
— Confessa vai.
— Confessar o que? — ela se fez de desentendida.
— Que adora quando eu te pego. — nos encarávamos desafiadores.
— Aham. Nossa... — ela disse irônica. — Você nem pegada tem, Enzo. — ela desafiou.
Júlia e Lê fizeram aquele ''Huuu'' tirando onda.
— Tem certeza? — desafiei sem dar o braço a torcer.
— Parece um menininho beijando. Não sabe pegar uma mulher com jeito. — ela deu de ombros.
Não deixei que a Rafa falasse mais nada, fiquei em pé e puxei ela que ficou em pé no mesmo instante com meu puxão, agarrei os cabelos dela e puxei seu rosto para o meu, colei nossos lábios com desejo vontade, comecei a beijá-la segurando firme. Não interessava nem a Jú nem o Lê ali do lado. Só ela naquele momento.
No início Rafa me deu dois tapas de leve como se quisesse se soltar, mas no instante seguinte já tinha se rendido e agarrado os meus cabelos.
Um tempo depois soltei ela e ela sentou no sofá sem ar na mesma hora. Fiquei parado na frente dela encarando com um sorriso leve. Ela mordeu o lábio de olhos fechados ainda.
Júlia e Leandro estavam de boca aberta, literalmente.
— O que você disse antes mesmo? — perguntei no ouvido dela, Jú e Le ouviram.
— Que... eu... quer dizer.. você... eu... hum... — ela estava toda atrapalhada.
— Você... eu... hum...? — imitei ela. — Você e eu o que? O que era mesmo? Sobre pegada... alguma coisa assim? — provoquei.
Naquela hora a campainha tocou e despertou a Rafa do transe.
— É ... a porta.... eu abro! — ela ficou rápido em pé.
— Uau... — Ju disse e nós três demos uma risada cúmplice, Rafa mandou o dedo do meio pra gente e abriu a porta, meu sorriso caiu quando vi o Caio lá. Aquele cara é mesmo um pé no saco, só chega na hora errada.
— Oi, Caio, entra. — Rafa sorriu e ele deu um beijo na bochecha dela entrando.
— E aí... — nos cumprimentou.
— Oi! — Jú cumprimentou.
— E aí. — Leandro e eu cumprimentamos também.
Caio sentou e a Rafa sentou também.
— Onde a gente estava mesmo? Ah... é... o que você dizia Rafa? — Júlia olhou a Rafa e deu risada, Rafa olhou nervosa para a Jú. — Tá, tá, estou quieta. — Jú ergueu as mãos ainda rindo.
A campainha tocou de novo, Jú levantou e foi abrir, eram a Fer e o Gui. Ficamos jogando conversa fora um pouco e depois as meninas foram para a cozinha fazer alguma coisa de janta, nós ficamos na sala jogando PS3, que eu havia levado.
Duas horas depois já tínhamos jantado e a louça estava limpa, as meninas fizeram a gente lavar já que elas tinham cozinhado... Por sorte, não quebramos nada.
Fomos todos para a sala com dois copos grandes de bebida.
— E aí, vamos fazer o que? — Perguntei.
— Strip-pif! — Jú gritou mordendo o lábio e brincando.
— Nem fodendo! — Rafa gritou rindo.
— Estou dentro! — falei logo.
— Gostei. — Caio também se apresentou.
— Com certeza! — Leandro ajudou.
— Ah, não, Deus! — Rafa olhava desolada para todos.
— Se é assim. — Gui e Fer se olharam concordando.
— Pega as cartas Rafa, — falei para provocar.
— Pega você, infeliz. — ela resmungou.
— Onde estão?
— No meu qua... ah, eu pego. — ela mudou de ideia e foi buscar, eu ri.
Rafa voltou com as cartas, fizemos uma rodinha em volta da mesinha de centro da sala e eu dei as cartas. Strip-pif, é um jogo de pif, onde quem perde tira uma peça de roupa...
Começamos a jogar, eu bati a primeira e quem ficou por último foi o Leandro, ele teve que tirar a camiseta.
— Minha nossa, cara, você é ruim em Leandro. — reclamei, eu queria ver as meninas tirarem a roupa, claro...
Continuamos jogando e quem teve que tirar a roupa depois foi a Fer. Na terceira rodada foi a vez da Jú, depois o Caio, ai o Leandro de novo, depois o Gui e depois a Jú outra vez. Só a Rafa e eu que ainda não tínhamos perdido nenhuma.
— A Rafa está roubando cara, não vale. — reclamei fazendo bico.
— Estou nada, eu sou foda mesmo. E você está falando o que de roubar, também não tirou nada ainda... — ela deu de ombros.
— Quer que eu tire é? — mordi o lábio.
— Você bebeu demais, só pode. — ela riu irônica.
Eu ri. Continuamos jogando, Caio deu uma olhada meio estranha para mim, eu ignorei.
No jogo seguinte acabamos ficando eu e a Rafa por último, um de nós dois ia tirar uma peça de roupa...
— Bati! — ela gritou.
— Ah, merda! — reclamei.
— Tira a camiseta. — Rafa disse vitoriosa.
— Você quer tanto assim que eu tire? — provoquei, o pessoal já estava rindo, estávamos todos bêbados... Só o Caio não parecia muito alegre.
— Rá-rá querido. — ela mandou o dedo do meio e tomou mais um gole de bebida. — pode tirando, vai, e ainda quero ver rebolar. — ela fez bico meio bêbada. — No estilo strip mesmo.
— Só para você então. — fiquei em pé olhando ela.
Rafa estava do outro lado da mesinha, passei por cima e parei na frente dela, ela ficou olhando para cima e eu comecei a levantar a camiseta devagar. Ela ergueu o dedo como se fosse protestar e eu aproveitei para agarrar a mão dela e fazer ela passá-la na minha barriga. Rafa sorriu maliciosa disfarçando enquanto o pessoal ria de nós dois naquele estado. Levantei a Rafa e ela ficou parada na minha frente, segurei a nuca dela e puxei para perto iniciando um beijo quente. Ela não protestou dessa vez, puxou meus cabelos com força me fazendo sentir prazer e correspondeu o beijo.
O pessoal ficou zoando a gente ali falando que ia dar namoro e até casamento, nem dei bola. Quando paramos de nos beijar o Caio levantou e foi para a cozinha, depois ele voltou e sentou no lugar dele de novo.
Jogamos mais três partidas, nessas a Rafa acabou tirando a blusa também e o Lê ficou só de cueca, o Gui também perdeu mais uma.
Paramos de jogar e ficamos ali pela sala, estava passando um filme na TV, ficamos assistindo, sentei do lado da Rafa e no meio do filme ela cochilou no meu ombro.
— Ei, Jú, posso por ela lá no quarto? — Perguntei baixo para a Júlia, o pessoal estava cochilado ali, só a Jú, o Lê e eu estávamos acordados ainda.
— Sem problemas. — ela sorriu.
Fiquei em pé e peguei a Rafa no colo, passei com cuidado pelo pessoal e fui para o quarto dela, entrei e deitei ela na cama devagar.
— Tão linda... — falei para mim mesmo passando a mão no rosto dela.
Rafa deu uma mexida e eu parei a mão com medo de acordá-la.
Sorri, eu não sabia dizer ao certo o que estava sentindo, mas meu coração batia mais forte sempre que eu pensava nela, sempre que tocava ela.
Sempre fui o cara, o pegador, nunca acreditei em amor ou romance, e para mim a vida sempre foi curtição. E aí eu a conheci. E nenhuma balada, nenhuma festa, nenhuma outra mulher me faz sentir o que ela faz.
Fiquei em pé e dei um beijo na testa da Rafa virei e fui saindo do quarto, quando cheguei na porta ela chamou.
— Enzo... — ela estava de olhos fechados.
— O quê? — virei.
— Dorme aqui comigo? — Pediu ainda com os olhos fechados, fiquei em silêncio sem saber se ela estava sonhando ou realmente pedindo para eu ficar lá com ela.
Rafa abriu os olhos e eu sorri. Ela queria que eu ficasse.
Fechei a porta e fui até a cama, passei a mão no rosto dela de novo, ela sorriu de olhos fechados e virou o corpo de lado, deitei de lado como ela e a abracei por trás, senti o cheiro do cabelo, o calor do corpo, senti um arrepio; Dois corações batendo mais forte e a abracei mais. Rafa virou o rosto e nossos lábios se colaram devagar, dei dois selinhos nela e alguns beijos no rosto, ela apertou minha mão e chegou mais perto ainda. Virou de frente para mim e puxou minha nuca iniciando um beijo mais quente.
Segurei seus cabelos e comecei a beijar seu pescoço, ela se arrepiou e colou mais nossos corpos.
— Enzo... — ela falou baixinho.
— O quê?
— Não posso fazer isso... — ela se afastou um pouco e me olhou. — sei que você não quer casar com a Bianca, mas sei lá, não acho certo, vocês namoram e eu não sei se quero ser ''a outra''. Não gosto disso.
— Mas você não é a outra, Rafa. Eu não gosto da Bianca, não vou casar com ela.
— Você não quer se casar com ela, mas seu pai e o pai dela querem isso, você vai mesmo enfrentar eles?
— É a minha vida, não a deles. Eu decido o que quero para mim.
— Você fala isso agora, mas duvido que diga a mesma coisa quando suas mordomias estiverem em jogo, Enzo. — ela balançou a cabeça e eu olhei o teto pensativo.
— Eu não sei. — respondi sincero.
— Tudo bem. — ela disse e virou para o lado.
— Está chateada comigo agora?
— Não, Enzo. Eu entendo você, sei que é toda a sua vida que está em jogo. Tudo bem, mesmo. Só... Vamos dormir. Boa noite.— Suspirei.
— Boa noite.
Rafa deitou e eu a abracei, ela não recusou, adormecemos assim.
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