Opostos Perfeitos

9 Capítulo 9


Notas iniciais
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Capitulo 9 – Dói, e passa.

Narrado por Rafaella:

Saí da sala do Enzo depois daquela patricinha mimada falar daquele jeito comigo. Foi horrível. Mas mais horrível ainda foi ver o Enzo escutar ela dizer aquelas coisas e nem se quer pedir para que ela parasse, pior que qualquer outra coisa foi ver ele me olhando nos olhos e não fazer nada, não mover um dedo. Era como se eu estivesse pendurada na ponta de um precipício, ele estivesse ali e ao invés de estender a mão simplesmente ficasse assistindo até que eu caísse. Eu sei que não deveria estar cobrando defesa, afinal ela é a futura mulher dele, mas e aquilo que quase aconteceu no jardim, não significou nada? Foi só o momento mesmo para ele? Eu devo ser muito idiota mesmo de me sentir assim em relação a ele. O que eu quero cobrar? Ele não me deve nada, mesmo assim, o buraco no meu peito só aumentou quando Enzo não disse uma sílaba sequer, pedindo para que Bianca se calasse.

– Rafa? Rafa? O que foi? Que cara é essa? — Beth levantou e veio em minha direção assim que cheguei na nossa sala de recepção.

– Eu... eu... estou tonta. — falei, minha cabeça girava com tantos pensamentos, eu não conseguia por nada em ordem, minha vontade era entrar na sala do Augusto e pedir demissão, mas só faria isso depois de dar uns tapas na cara daquela patricinha.

– Vem, vamos pegar uma água. — Beth pôs o braço em volta de mim e me levou até a salinha de café. — Senta aqui.

Sentei no sofá e tentei respirar fundo, não percebi que já estava chorando com tantas coisas na minha cabeça.

– Ah, droga! — falei quando notei finalmente as lágrimas.

– Calma, o que aconteceu, Rafa? — ela perguntou preocupada sentando ao meu lado.

– Aquela... aquela... garota – forcei para não dizer um nome obsceno – ela... — eu estava sufocada, mal conseguia respirar de tanta raiva.

– Quem? Bianca?

– É. Ela é...

– Desprezível. — Beth disse e assentiu com a cabeça.

– Ela se acha superior a tudo e a todos, meu Deus, que vontade de pegar essa garota pelos cabelos!

– Acalme-se, Rafaella, ela não vale a pena, você perderia seu emprego.

– Esse emprego que se dane! Só quero quebrar a cara dela! — falei enxugando as lágrimas.

– Rafa, me escuta. — Beth pôs as duas mãos nos meus ombros e me fez encará-la. — Ela não vale a pena, e tudo o que a Bianca quer é te ver fora daqui, porque ela sabe que você é linda e que o Enzo não resiste as mulheres, ela acha você uma ameaça para ela, porque é linda e acima de tudo muito competente, ela tem inveja de você e se você for demitida só vai fazer com que ELA se sinta bem. Rafa, minha querida, você tem que é lavar esse rosto e mostrar para aquele filhote de naja quem você é. Não deixe ela provar que está certa. Prove que você está muito acima de qualquer palavra que saia da boca dela. — Beth completou e sorriu.

– Ah, Beth! Obrigada. — falei enxugando as lágrimas não com raiva agora, mas com uma súbita vontade de fazer exatamente como a Beth falou, ignorar aquela lá.

– Isso mesmo! Agora passe uma água nesse rosto e volte a sua mesa.

– Tudo bem. — sorri, levantei e fui ao banheiro.

Quando estava voltando vi a Bianca parada perto do elevador conversando com o Augusto, ela me viu e me olhou depois deu um sorrisinho muito cínico. Se despediu do Augusto com um beijo na bochecha e eu fui direto a minha mesa sem olhar mais para eles, estava ficando difícil controlar a vontade de dar uns tapas nela ali na frente do Augusto mesmo. Ela finalmente foi embora.

– Rafa, desça até o quinto andar e traga uns documentos para mim, ok? Deixe-os em cima da minha mesa, depois eu dou uma olhada, estarei em reunião durante o resto do dia.

– Tudo bem. — falei tentando parecer normal. Fui até o elevador e desci pegar os papéis que ele havia pedido.

O resto do dia acabou passando rápido, eu tinha algum trabalho que ocupou bastante tempo, quando acabou o horário saí da empresa e fui até meu carro.

– Ei, Rafa! — escutei alguém chamando.

Virei para ver quem era e era o Gui.

– Oi, Gui. — sorri.

– Tudo bem? — ele perguntou vendo meu rosto.

– Ah, aham... — menti.

– Tudo bem mesmo? — ele ergueu uma sobrancelha desconfiado enquanto segurava meu queixo para me fazer olhar no rosto dele.

– Obrigada pela preocupação, Gui. Logo passa. — falei sem revelar o motivo.

– Se quiser desabafar... estamos ai. — ele sorriu.

– Valeu. — sorri. — mas... você queria alguma coisa?

– Hm... é, mais ou menos. Queria saber se pode me dar uma carona, deixei o carro no mecânico e é a duas quadras da tua casa... — ele disse sem jeito.

– Claro. — sorri. — entra ai.

– Valeu.

– Então, como está com a Fer? — perguntei enquanto tirava o carro do estacionamento.

– Tudo certo. — ele sorriu. — A gente briga as vezes, mas é normal... — ele deu de ombros.

– Sei como é.

– E essa carinha ai? Vai me dizer o porquê?

– Aquela... — me segurei para não dizer vadia. — a namorada do Enzo, nossa, como eu odeio aquela garota! — soquei o volante uma vez só de lembrar dela.

– Nossa. — ele riu. — Não sabia que você gostava do Enzo.

Freei o carro com tudo no meio da rua, sorte que não tinha muito movimento.

– Eu, não, gosto, do, Enzo. — falei pausadamente.

– Mas...

– Ela me ofendeu, me humilhou praticamente. — falei baixo, não queria nem lembrar porque sabia que minha raiva ia explodir.

– Ela fez o que?! — ele arregalou os olhos.

– Me chamou de ''gentinha'' e ''empregadinha de quinta''.

– Deixa eu falar isso pro Enzo... — ele disse.

– Enzo? — eu ri sarcástica. — O Enzo estava do lado dela e não mexeu um dedo, Guilherme. Nem perca seu tempo.

– Ele não fez... nada? — Gui perguntou como se não acreditasse.

– Além de ficar me encarando mudo e como se estivesse cego e surdo também? Não.

– Hum. — Gui murmurou e ficou pensativo. — A Bianca é muito mimada. Só porque tem de tudo se acha melhor que os outros.

– Eu odeio ela. — reclamei.

O Gui viu minha raiva e tensão e ficou meio pensativo alguns instantes, eu me perguntei o que ele estava pensando, mas depois acabamos mudando de assunto até chegar na oficina.

– Valeu mesmo, Rafa. — ele agradeceu ao descer.

– De nada. Manda um oi pra Fer. — sorri.

Fui para casa e quando cheguei fui direto para o banho, sentei no chão do banheiro e deixei a água correr sobre meu corpo por uns minutos, eu precisava daquilo. Terminei meu banho, vesti meu pijama e fui sentar na sala com uma tigela de sucrilhos com nescau. Fiquei vendo TV até a Jú chegar.

– Oi, vadia. — ela disse ao entrar.

– Opa. — dei um sorrisinho, não tinha como negar que eu ainda estava me sentindo humilhada pela Bianca, ou então... triste, porque o Enzo não tinha feito nada.

– Ei, vou tomar um banho rapidinho aqui, depois quero saber o porquê dessa carinha, viu?

Jú foi pro banho e logo voltou, sentou no outro sofá.

– Então, porque essa cara de novo? Não estava tudo bem com o patrão... — ela sorriu sabendo que eu tinha feito as pazes com o Enzo.

– A vadia da namorada dele me humilhou hoje. — falei.

– O quê?! — ela ficou em pé.

Contei tudo a Jú.

– Nossa cara, eu vou matar essa garota! E vou dar uns belos tapas no Enzo, porque ele tá sendo um completo idiota! Fica se submetendo aquela garota! — Jú estava com raiva, assim como eu.

– Não, calma, Jú. Quer saber? Eu já sei o que eu vou fazer. Vou ignorar totalmente a presença dela, em dois meses ele vai noivar com ela e ela vai poder ficar tranquila. — falei e senti uma coisa ruim dentro de mim.

– E você não está nem um pouco preocupada com esse noivado né? Essa reação é exclusivamente por causa do que ela te falou hoje, não é? — Jú me conhecia bem, talvez até melhor que eu mesma.

– Claro que é! — respondi. — Eu não tenho nada com o Enzo, não sinto absolutamente nada por ele!

– Em momento nenhum eu disse que tinha ou que sentia algo por ele, Rafa. — ela sorriu e se levantou indo para a cozinha.

Fiquei pensando por dez segundos e fui até ela.

– Eu não estou apaixonada por ele, se é isso que está tentando dizer Júlia Wollmer. — falei com as mãos na cintura.

– Eu nunca disse que estava. — ela deu de ombros ainda parecendo que queria dizer outra coisa.

–Quer saber? Eu vou dormir! — reclamei e saí da cozinha indo para o meu quarto.

Eu não estava brava com a Jú nem nada, só parecia que eu precisava pensar, fiquei mexendo no note um tempo e as dez horas fui dormir. Estava decidida a manter um relacionamento estritamente profissional com o Enzo, como havia feito durante todo o mês que se passou. Ele não gostava de mim e eu não gostava dele, ignorá-lo seria fácil. Como a Beth mesma disse, aquilo que aconteceu no jardim entre nós dois era só mais um dos milhares de casos que ele devia ter por ai. Eu era só mais uma que ele queria por na lista. Era com a Bianca que ele iria se casar. Bianca. Senti outra onda de raiva ao lembrar o nome dela. Mas por incrível que pareça, a imagem que me veio não foi ela me insultando e sim o Enzo estático sem dizer nada.

Terça. Acordei as sete da manhã sem sono algum, levantei e me joguei de pijama no sofá da sala. Logo depois de eu me jogar no sofá Jú apareceu ali.

– Bom dia. — ela disse bocejando.

– Bom dia. — sorri.

– Caiu da cama, foi?

– To sem sono.

– Ainda pensando nele? — ela riu brincando.

– Que pensando nele o que. — reclamei. — o Enzo que vá pra puta que pariu.

– Nossa. — ela riu de novo.

– Aff Jú, toma no cu você também. — fiz bico.

– Eu não disse nada ué.

– Aham, sei.

– To quieta. — ela segurou o riso.

– Para chata!

– Tu me ama, eu sei.

– Ih, tá dando uma de Enzo agora? Se achando ai?

– Depois sou eu que fico fazendo você falar nele né? — outra risada.

Joguei uma almofada nela.

– Cala boca, vadia. — ri.

– Então, como tá o coração? — Dessa vez Jú disse mais séria, sentando no outro sofá e ligando a TV, puxei uma almofada para o meu colo e respirei fundo.

– Tá no devido lugar. -respondi.

– Você entendeu.

– Eu não tenho absolutamente nada com o Enzo. — garanti.

– Mas rola química entre vocês dois. — ela disse.

– Não. Ele vai se casar, Jú, e a gente nunca...

– Ah Rafa, vai negar que quando vocês dois se encaram você não sente uma vontade de se jogar nos braços dele?

– Eu? Eu não. — menti.

– Eu te conheço melhor do que você mesma. — ela garantiu.

– Esquece, Jú. Nunca daríamos certo. Ele é um galinha e se acha.

– Ah, é? Quer dizer que eu to liberada pra pegar ele? — ela olhou para mim e eu encarei ela.

– E o Lê? — disfarcei.

– Ué, nós não namoramos ainda. Eu sou totalmente solteira.

– Mas...

– Viu. — ela disse rindo. — você tem ciumes dele, não quer ver ele com outra.

– Não é isso... Quer dizer... Ah. — suspirei e fechei os olhos. — Sem chances, Jú.

– Para de negar e pega ele logo.

– Quieta! — eu ri para a cara de safada que ela fez.

– Se você não pegar, eu pego. — ela disse.

– Você não... — eu abri a boca pronta pra dar umas almofadadas nela.

– Ué, se você não quer... Eu que não vou dispensar. — ela deu de ombros. — além do que, aquela Bianca tá merecendo um belo par de chifres.

– Você é má. — eu ri.

– Aprende comigo. — ela piscou.

–Ai, Jú! — dei risada alto e pulei nela. — o que seria de mim sem você baranga?!

– Um nada, com certeza. — ela disse convencida e nós rimos. — Agora levanta de cima de mim sua gorda, porque eu tenho que ir trabalhar daqui a pouco.

– Sou gorda nada. — fiz bico. — E se quiser, pegue o Enzo pra você, viu? Porque eu não quero. Não mais. — garanti.

– Hum... por causa de ontem?

– Claro. Ele não sente absolutamente nada, do contrario teria dito alguma coisa e não ficado quieto. Quero que ele vá a merda.

– Ah, pois é. Vacilo dele.

– Mais um vacilo você quer dizer.

– Ah, você quem sabe também. — ela deu de ombros. — de homem o mundo tá cheio. E por falar nisso, Vamos na boate sexta?

– Eu e você ou eu, você e o Lê?

– Eu e você. — ela fez cara de safada e riu.

– Opa, claro. Mas e se ele e o Caio aparecerem por lá?

– Ai apareceram ué. O Lê sabe que eu me considero solteira, e ele se considera também, por falar nisso, nem deve ter dormido em casa ontem. — ela fez careta.

– Ah, então de boa. A gente também não precisa dormir em casa na sexta. — falei e fiz cara de anjo.

– Safada! — ela riu levantando e indo pro banheiro se lavar.

– To aprendendo com você ué. — falei e ri.

Jú se arrumou e foi trabalhar, quando deu oito horas também me arrumei e depois fui para a empresa. Cheguei lá e a manhã foi passando normalmente, Enzo chegou atrasado como sempre e eu mal olhei para ele. Acho que ele viu que se me dissesse um ''oi'' eu era capaz de mandá-lo a merda. Beth também percebeu isso.

– Nossa, Rafa, que cara foi essa para o Enzo? — ela disse depois dele ter chegado atrasado e ido para a sala dele.

– Ele é um idiota. — reclamei.

– Ué, porque?

– Ah, nem sei explicar. Ele me irrita. — resumi em vez de contar tudo que estava sentindo.

– Algumas pessoas acreditam que quando você acha que uma pessoa te irrita, por ela ser seu oposto, significa que vocês são perfeitos um para o outro, sabia? — ela disse de um jeito filosófico e depois riu.

– Pode crer que essa pessoa estava completamente enganada. — afirmei rindo também.

– Nunca se sabe. — Beth sorriu e voltou a ficar afundada em seu trabalho.

Notas finais
O próximo capítulo aguarda ansioso para ser postado, assim que tiver comentários, favoritação e acompanhamento ele vem quentinho ;) Beeijão ;*