Opostos Perfeitos

8 Capítulo 8


Capitulo 8 — Bianca

Narrado por Enzo:

Entrei na minha sala e a Bianca estava lá sentada em minha cadeira olhando para fora. Ela girou sob a mesma e ficou de frente para mim com um sorriso no rosto, se levantou e veio em minha direção de um jeito muito mimado. Passou as duas mãos pelo meu pescoço com um pulinho e me deu um selinho. Parecia uma patricinha de Beverlly Hills com aquela roupa totalmente fora de comum para uma segunda-feira qualquer e Minnie, sua gata, estava no meu sofá.

– Oi bebê! — ela sorriu ao me soltar.

– Oi, Bianca. — sorri um pouco.

– Onde você estava? Estou esperando a uns dez minutos.

– É meu horário de almoço. — respondi.

– Hum... Enfim, que bom que veio, precisamos conversar sobre nosso casamento.

– Que casamento?

– Não se faça de desentendido, Enzo, eu e você sabemos bem que em menos de dois meses você vai ter que dar sua resposta ao meu pai, e não acredito que o seu pai vá permitir que você mude os planos para o nosso futuro. Estaremos casados até a metade do próximo ano. — ela disse com um sorriso no rosto.

– Bianca, é muito cedo pra falar em casamento. — reclamei. — Nós mal namoramos ainda.

– Mal namoramos, Enzo? Nós namoramos desde o dia em que nossos pais se conheceram e firmaram sociedade!

– Não, nós ficamos desde aquele tempo, eu nunca te fiz pedido de namoro algum e você sabe disso. — dei de ombros.

– Eu sei que você sempre teve suas aventuras, mas nunca cobrei exatamente por isso. Mas, sabemos que as coisas vão ter que mudar, não é? — ela me deu um sorriso.

– Só porque os nossos pais querem isso. — retruquei.

– Não, isso é o que nós queremos também. — ela afirmou. — Ou vai dizer que você não gosta das noites que passamos juntos? — Bianca falou no meu ouvido provocando.

Isso eu não podia negar, ela era boa no que fazia.

Agarrei o corpo dela junto ao meu e apertei sua bunda, ela era gostosa.

– E você ainda acha que não vamos nos divertir sob quatro paredes todos os dias? — ela disse no meu ouvido seduzindo.

Coloquei a Bianca contra a minha mesa, ela puxou meu corpo e começou a me beijar, eu não nego fogo. Beijei ela. Bianca podia ser uma chata com essa história de casar, eu sabia que era só por causa do dinheiro, mas ela sabia deixar um cara louco, como qualquer mulher quando quer.

Senti a mão dela descendo e não me importei, de repente ela deu um gritinho e um pulo.

– Ah! Não! Minha unha! Droga! — começou a dar chilique porque quebrou um pedacinho da unha, eu quase dei um tapa na cara dela pra ver se ela parava de dar a louca.

– É só uma unha. — falei, ela me fuzilou com os olhos.

– Essas unhas vieram da França! O pior de tudo é que demoram mais de um dia para chegar! Ah, droga! Droga! — ela estava desesperada por causa da unha.

– Ai, Deus. — virei os olhos e me joguei na minha cadeira.

Uns dez minutos depois ela parou de lamentar, mas só depois de ter ligado para um salão de beleza e ter marcado uma hora de emergência.

– Pronto, resolvi meu problema. — ela disse. — Enzo, nós já podíamos começar a escolher um apartamento, não é?

– Fala sério, Bianca... — virei os olhos.

– É sério bebê! Podíamos escolher uma cobertura, ou até um prédio inteiro...

– Bianca, vamos com calma, ok? Eu ainda nem sei o que vou fazer daqui a dois meses.

– É claro que sabe! Você vai me pedir em noivado!

Eu sabia que não adiantaria nada ficar discutindo com ela.

– Bom, agora eu tenho que ir para o salão, você vai fazer o que hoje a tarde?

– Vou ficar por aqui, ué. — dei de ombros.

– Então depois do salão eu venho para cá de novo. — ela não perguntou, ela afirmou. — Tchau bebê. — me deu um selinho e saiu.

Me afundei na minha cadeira e fiquei lá um tempo pensando no que ia fazer pra escapar daquela doida. Chamei o Gui na minha sala, ele logo veio.

– O que tu quer folgado? Alguém trabalha de verdade aqui dentro, sabia? — ele falou entrando na minha sala e se jogando na cadeira.

– Sei, você trabalha muito aqui né? — Ri e joguei uma bolinha de papel nele.

– Claro, eu sou a alma dessa empresa. — ele zoou.

– Com certeza. — ri.

– Então, o que manda, patrão?

– Cala boca viado. — amassei outro papel e joguei nele. — Preciso de ajuda com a Bianca.

– Ah, e tem que ser eu? — ele reclamou, eu sabia que o Gui não gostava nenhum pouco da Bianca, ela também não gostava dele.

– Tenho que dar um jeito de fazer ela se tocar que não quero casar com ela, mas...

– Mas ao mesmo tempo não pode, porque senão seu pai perde a sociedade com o principal investidor e fornecedor do país.. — ele completou.

– É.

– Esse é um problema grande. Teu pai seria capaz de te deserdar se você se recusasse mesmo a casar com ela. — Gui riu.

– Eu acho que ele me botaria pra fora de casa sem direito nem a pegar uma cueca. — dei de ombros e ri.

– Não duvido, você só da desgosto pra ele. — Gui devolveu a bolinha de papel.

– Que nada, na sexta ele me elogiou.

Gui riu.

– O que você fez? Deu um carro de presente pra ele?

– Rá-rá. — devolvi a bolinha de papel com força, mas brincando ainda. — Entreguei as notas certinhas e separadas por dia. — ri.

– Você? — ele me olhou mexendo a bolinha de papel na mão. — E acha que eu, Guilherme Andrade, vou mesmo acreditar que você, Enzo Machiello, se prestou para perder uma tarde separando e dando baixa em notas? — ele riu. — Você acha que eu não te conheço? Quem tu pagou pra fazer isso?

– Eu fiz, ué. — ri.

– Que mentira. — ele riu.

– A Rafa me salvou. — falei com um sorriso estranho no rosto.

– A Rafa? — ele perguntou confuso.

– Ela deu baixa nas notas na sexta e quando meu pai estava pronto para descer o verbo em mim ela apareceu dizendo que tinha colocando em pastas separadas como eu pedi. — sorri olhando ele.

– Eu gosto dela. — Gui disse. — Mas não acreditei que ela fosse tão boa assim.

– Nem eu. — falei baixo.

– Quanto ela cobrou?

– Ela não quis nada. — balancei a cabeça.

– A Rafa é legal, gostei dela logo que conheci na praia.

– Uhum. Sei. — Não estava gostando do papo '' A Rafa é legal, gostei dela logo que conheci na praia''.

– Ciumes? — Ele me olhou com a sobrancelha erguida.

– Eu? Com ciumes? De quem? Eu não. Só to falando por causa da Fer.

– Com isso não precisa se preocupar, porque gostei da Rafa pra ter perto, como uma amiga. — ele me jogou a bolinha de volta. — Eu amo a Fer.

– É bom mesmo. — disfarcei.

Fiquei jogando conversa fora com o Gui, depois ele foi para a sala dele e eu fiquei fazendo nada na internet. Pelas três e meia a Bianca voltou.

– Enzo, a Bianca está aqui. — Beth disse entrando na minha sala.

– Manda ela entrar. — dei de ombros, ia ter que aturar ela mais um pouco.

– Ok.

Beth saiu e logo em seguida Bianca entrou com uma cara um pouco fechada.

– O que foi? — perguntei.

– Essa estagiária ai, não gosto dela. — Bianca sentou na cadeira em frente a minha mesa e cruzou as pernas.

– A Rafa? — perguntei confuso.

– ''Rafa''? — ela devolveu a pergunta. — espero que o nome dela seja só de quatro letras mesmo.

– Na verdade é Rafaella.

– E porque toda essa intimidade de chamar de ''Rafa''?

– O que você quer, Bianca? — perguntei irritado.

– Quero respeito do meu futuro marido.

Eu virei os olhos, não estava nem um pouco afim de começar uma discussão com ela sobre esse assunto. A única coisa que eu tinha certeza sobre ele era que esse casamento não aconteceria, está para nascer mulher que vá me fazer subir num altar para casar.

– E o trabalho, como foi? — mudei de assunto.

– Ah, fácil como sempre, só precisei de dez fotos para escolher cinco boas. — ela disse se achando, Bianca trabalhava de modelo para uma grife famosa.

– Nossa. — fingi estar interessado no que ela dizia.

– Estou fazendo os ensaios com um iniciante na agencia, mas ele já trabalhou em outras, ele tem um certo jeito. — ela deu de ombros.

Se ela queria me deixar com ciumes, com certeza não deu certo.

– E sua mãe, como está?

– Não sei, faz meses que não vou naquela clinica, aquele lugar fede.

A mãe da Bianca estava internada em uma clinica fazendo quimioterapia e a Bianca mau ia vê-la. Só ia quando seu pai realmente a obrigava a ir, o que acontecia pouco, já que o velho Ruchell também não gostava daquele lugar.

Minha mãe e a mãe de Bianca sempre foram amigas, e depois que minha mãe morreu, Irene cuidou de mim até ficar doente, eu ia vê-la de vez em quando na clinica.

– Ai, queria ir no shopping hoje. — ela fez bico.

– E porque não vai?

– Não consegui falar com meu pai e ele confiscou meu cartão até o final de semana. — ela virou os olhos.

Ela queria dinheiro, é claro.

– Eu tenho alguma coisa aqui, em dinheiro, se quiser. — é claro que ela ia querer.

– Sério bebê? Ai, obrigada! — ela deu a volta na mesa e sentou no meu colo.

Abri a gaveta da minha mesa e peguei notas de cem lá de dentro, aquilo não era nada... Dei a ela e ela guardou na bolsa, depois ficou no meu colo.

Bianca ficou ali uns dez minutos falando coisas que eu mal ouvia, sobre as unhas, salão e as fotos que tirou e não sei mais o que, ela ainda estava no meu colo quando bateram na porta.

– Entra. — ela mesma ''mandou''.

Rafa abriu a porta e tomou um leve susto quando viu a Bianca no meu colo, mas ela disfarçou.

– Enzo, você tem... — Bianca cortou ela.

– ''Enzo''? — ela encarou a Rafa, Rafa olhou ela e parecia se lembrar de alguma coisa, me encarou.

– Senhor Enzo, você tem uma reunião em cinco minutos.

– Obri...

– E você só vem avisar isso agora? — Bianca olhou com desdem para a Rafa. — Se fosse competente ele saberia disso a no minimo meia hora atrás. Realmente Augusto não sabe mais que tipo de gentinha coloca dentro da empresa.

Eu quase não acreditei que a Bianca estivesse mesmo falando aquelas coisas, o pior era a cara de esnobe dela olhando a Rafa de cima a baixo. Rafa também ficou sem reação.

– Está esperando o que? Um convite especial para sair daqui? Essas empregadinhas de quinta de hoje em dia... — Bianca virou os olhos.

Rafa me encarou e eu quase pude ver um nó de choro na garganta dela. Fiquei completamente mudo vendo seu rosto quase em lágrimas, aquilo tirou qualquer reação que eu poderia ter. Rafa virou as costas e saiu.

– Aff, que garota idiota. — Bianca falou.

– Eu preciso ir, Bianca. — falei tirando ela do meu colo.

– Onde? — ela me olhou com uma sobrancelha erguida.

– Para a reunião.

– A gente se vê de noite?

– Acho que não, Bianca.

Bianca ficou parada um instante e roubou mais um minuto de mim.

– Hum. Tudo bem bebê, vou ao shopping. — ela sorriu e me deu um selinho, depois saiu.

Respirei fundo e fiquei ali sentado pelo resto dos cinco minutos. Levantei e saí da minha sala e fui até onde a Rafa deveria estar, mas ela não estava lá, virei e dei de cara com meu pai.

– Vamos para a reunião, Enzo. — ele ordenou.

– Mas...

– Agora.

Segui meu pai até a sala da reuniões e não ouvi nem o primeiro ''boa tarde''. Bianca tinha praticamente humilhado a Rafa e lembrar do olhar dela foi tão doloroso para mim. Talvez eu não devesse me importar tanto, mas cada vez que queria mudar o pensamento o rosto segurando as lágrimas voltava a minha cabeça.

Notas finais
E aí? como estamos pessoal? E agora? Não percam o próximo capítulo e não deixem de comentar e favoritar *-* beeijão ;* PS: MIC 2 sendo postada aqui no Nyah já, não é necessário ler a MIC 1 para entender a 2 :D