Opostos Perfeitos
49 Capítulo 48
Notas iniciais
Capítulo 48
Narrado por Rafaella:
Eu não tenho palavras para descrever a noite do nosso casamento, a maneira como me senti... Foi lindo, como um sonho, ainda melhor porque eu podia senti-lo, porque estávamos nós dois ali, corpos colados em nossa música, eu podia senti-lo e naquela noite soube que ficaríamos juntos apesar de toda e qualquer dificuldade, que enfrentaríamos tudo um pelo outro e que nos amaríamos cada dia de nossas vidas.
Já era madrugada quando Enzo e eu nos despedimos dos últimos convidados, Fer, Jú, Leê e Gui ainda estavam ali, claro, mas também já estavam indo embora porque afinal, aquela era a minha noite e do Enzo... Augusto já havia saído a alguns minutos, ele levaria Beth para casa, depois das três valsas que ele a fez dançar. O tempo todo pude ver a felicidade nos olhos do Enzo, assim como nos da Fer, Augusto parecia ter voltado a vida, ele parecia feliz.
Depois que todos saíram e eu fechei a porta com Enzo agarrado a minha cintura ele me virou e me beijou apaixonadamente, sem dizer palavra, somente nos olhando nos olhos, subimos para o quarto, que como eu suspeitava ele havia preparado com rosas e luzes de velas. Sorri boba ao entrar lá, completamente apaixonada pelo homem que eu tinha em minha frente.
Sua mão deslizou pelo meu rosto e alcançou meu vestido, seus dedos começaram a me despir, num misto de ternura e desejo. Pelo quarto lentamente iam ficando nossas roupas até eu sentir o colchão sob minhas costas e o corpo quente dele em cima do meu. Fizemos amor.
Quatro meses depois:
— Enzo, sua filha quer morangos. — cochichei no ouvido do Enzo as 3 da madrugada. Eu estava esperando uma menina, muito comilona por sinal.
— Hum? — ele perguntou sonolento.
— Morangos Enzo, ela quer morangos...
— Amor, são três da madrugada...
— Mas ela quer...
Enzo que estava com a cabeça praticamente enfiada em baixo do travesseiro rolou na cama e ficou deitado de lado me olhando com um sorriso.
— O que? Você quer que ela nasça com cara de morango?
— Morangos são bons...
— Enzo! — falei fazendo bico. — ela quer morangos...
— Tá bom, tá bom. — ele disse reclamando e levantou.
— Com Chantili tá?
— Ok, madame.
— E rápido. — falei brincando.
Enzo desceu até a cozinha e logo voltou com morangos e chantili.
— Quer aviãozinho também?
— Adoraria. — sorri.
— Folgada.
Dei de ombros e ele me deu um morango na boca, estava uma delicia. Minha barriga já aparecia e estava redondinha, depois de comer os morangos deitei e Enzo me abraçou, adormecemos outra vez.
**
Os meses iam passando rápido e minha barriga crescia cada vez mais, minha menininha estava cada vez mais sapeca e saltitante dentro da minha barriga.
Quando dei por conta, os nove meses haviam passado e eu parecia ter uma jogadora de futebol dentro da barriga. Uma manhã acordei com dores muito fortes, estávamos na casa do pai do Enzo, a médica achou melhor já que o bebê estava por vir e assim chegaríamos mais rápido ao hospital, então senti um líquido e pensei na bolsa imediatamente. Era hora.
— Enzo! Enzo! — chamei por ele enquanto vinha uma contração.
— O que foi? O que houve? — ele acordou rápido e me olhou.
— A Camila quer nascer. — sorri.
— Meu deus! O que eu faço?! — ele pulou da cama e começou a procurar calças e camiseta, eu olhei para ele tentando colocar a minha calça de grávida e não sabia se ria ou se chorava.
— Enzo! — chamei por ele. — se acalma! Chama alguém e vamos para o hospital, a malinha está ali no roupeiro.
— Pai! Fer! Alguém! — ele gritou no corredor. — Minha filha está nascendo!
Ele estava tão nervoso que eu realmente não sabia se chorava com as contrações ou se ria daquele homem parecendo uma criança esperando para entrar em um brinquedo no parque de diversões.
Fomos para o hospital e logo a Jú e o Leê estavam lá também, entrei na sala de parto com tudo já preparado.
Depois de duas horas na sala de parto, peguei a minha menininha no colo, Enzo estava ao meu lado com um sorriso enorme e um olhar de papai coruja.
Uma enfermeira pegou Camila e levou-a para tomar os devidos cuidados, enquanto eu era removida para um quarto na ala maternal. A enfermeira disse que em pouco tempo Camila estaria comigo de novo. Enzo ficou comigo no quarto e os nossos amigos vieram com flores me ver.
— Rafa, Caio mandou estas... — Jú falou pra mim sem saber se devia jogar as flores no lixo ou colocá-las na mesinha. Senti um arrepio quando ouvi aquele nome e de repente, um sentimento de medo e perda.
— Enzo, onde está a Camila? — perguntei.
— Já irão trazê-la amor. — ele segurou minha mão.
Fer e Jú começaram a conversar mas eu quase não as ouvia. Aquele sentimento foi se tornando mais forte, eu não sabia explicar o que era, nunca tinha sentido algo do tipo. Como se estivessem afastando minha filha de mim.
— Enzo...
Enzo ia falar alguma coisa quando a enfermeira entrou no quarto.
—Senhor Machiello?
— Minha filha! Cade minha filha?! — me ergui na cama.
— Está tudo bem senhora. — Ela falou.
— Algum problema? — Enzo perguntou a mulher.
— O senhor pode vir comigo?
Enzo assentiu com a cabeça, me deu um beijo e depois foi até a porta, então saiu com a enfermeira.
— Jú, aconteceu alguma coisa com a Camila, eu sinto. Jú, minha filha... —falei com lágrimas vindo aos olhos.
— Ei, está tudo bem, devem ser procedimentos de rotina, fica calma, você não pode ficar assim agora Rafa, tem que ficar calma para poder amamentar sua menininha depois, ok? — ela sorriu.
Respirei fundo e olhei para o lado, as flores do Caio ali. Fechei os olhos.
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