Opostos Perfeitos
33 Capítulo 32
Notas iniciais
Capítulo 32
Narrado por Enzo:
Jantamos e depois conversamos no sofá, antes de irmos deitar fomos até a sacada do apartamento, Rafa estava com os pensamentos perdidos vendo as estrelas enquanto eu passava de leve a mão em seu cabelo. Antes de entrarmos dei um beijo em cima de sua cabeça e olhei o movimento da rua outra vez. Na calçada do outro lado, parado perto de um banco, um homem olhava diretamente para onde estávamos. Ele percebeu que eu estava vendo-o e saiu daquele lugar, quando passou por um poste iluminado percebi que o conhecia.
Caio.
Não comentei nada com a Rafa porque sabia que aquilo estragaria nossa noite, eu sabia que ele trabalhava com a Bianca e como eles eram amigos eu acreditava que ela também soubesse. Teria que dar um jeito naquele cara ou ele estragaria nossas duas semanas. Se ele contasse para a Bianca... Mas ao mesmo tempo ele não tinha como ver meu rosto e saber que era eu quem estava ali.
— Vamos entrar? — olhei para ela perguntando.
— Vamos. —ela sorriu.
Entramos e fomos para o quarto, enquanto ela usava o banheiro peguei duas velas na sala e apaguei as outras, coloquei as duas no quarto uma em um bidê e outra perto da janela. Apaguei a luz e deixei o quarto iluminado só com as velas, depois esperei ela sair do banheiro e fui escovar os dentes também. Quando voltei ela estava em pé ao lado da cama com um sorriso no rosto e vestia somente uma langerie preta rendada.
Fui até ela e segurei seu pulso com uma mão e a nuca com a outra passando o nariz pelo comprimento do seu pescoço até o cabelo, senti ela se arrepiar e a beijei delicadamente nos lábios deitando nossos corpos na cama enquanto ela puxava meus cabelos.
No domingo de manhã meu telefone tocou cedo, eram oito horas. Atendi.
— Alô?
…
— Bianca?! — sentei na cama rápido, Rafa se mexeu ao meu lado ainda dormindo.
…
— Estou em casa. — respondi quando ela perguntou onde eu estava,
…
— Tá, tá, não estou em casa. Dormi na casa de um amigo porque saímos ontem pra beber um pouco. To aproveitando meus dias de solteiro. — menti.
…
— Na casa de quem? Por quê eu estaria na casa dela? — Como diabos ela sabia que eu estava com a Rafa?!
…
— Não estou na casa dela. Da onde você tirou isso?
…
— Então diga que o Caio precisa de óculos e que eu não tenho nada a ver com quem ela dorme ou deixa de dormir.
…
— Já disse que estou em um amigo.
…
— Não vou ir para casa agora, são oito horas da manhã e estou com sono. Tchau, Bianca. — desliguei o telefone.
Rafa estava acordada me encarando. Ela respirou fundo e voltou a deitar a cabeça no travesseiro fechando os olhos.
— Rafa... eu... — ia pedir desculpas por tê-la acordado e por ser a Bianca me ligando, estava com medo de que ela desistisse das nossas duas semanas.
— Como o Caio sabia que você estava aqui? — ela perguntou deixando a Bianca de lado, por um momento fiquei aliviado.
— Acho que ele estava te espionando ontem a noite. Pensei ter visto ele na rua quando estávamos na sacada.
— Por quê você não disse nada?
— Porque estragaria nossa noite.
— Droga. Ele falou para a Bianca, isso... isso. Ah, sei lá Enzo. Não quero bater de frente com a Bianca de novo, não sei o que vou fazer se ela me falar qualquer coisa que seja. — Rafa falou irritada.
— Não vou deixar que ela ofenda você. Não mais. — respondi olhando-a nos olhos.
Nos beijamos e ficamos na cama mais um tempo. Logo a campainha tocou.
— A Bianca sabe onde eu moro? — Rafa perguntou preocupada.
— Acho que não, a menos que ela tenha falado com o Caio.
— E se for o Caio? Quer dizer, nós não temos nada, mas ele tem um ciúme estranho, sempre deixei claro que somos amigos e não namorados, mas ele parece não entender as coisas. Não sei o que ele vai fazer se te ver aqui. — Rafa estava bastante preocupada agora.
— Vai ver quem é primeiro e se for ele não atende. — falei. O cara não derrubaria a porta.
Rafa foi até lá e voltou logo.
— É ele. — ela falou baixinho.
— Deixa ele lá então. — dei de ombros. O cara que esperasse até cansar.
Rafa sentou ao meu lado na cama e eu a puxei para os meus braços fazendo-a deitar no meu peito. A campainha tocou outra vez e mais duas vezes.
— Desisto. Vou atender e mandar ele embora. — ela levantou, vestiu um robe e foi atender a porta.
Vesti minha calça e fiquei perto da porta do quarto dela.
— Oi, Caio. — ela falou ao abrir a porta. — O que você quer? São oito e meia de um domingo!
— Vim ver se está tudo bem.
— Por quê não estaria?
— Bom, não sei. Você, a Jú e sua amiga se divertiram ontem? — ele pareceu irônico.
— Muito. — ela respondeu impassível.
— Ah, é? E onde vocês foram?
— Não é da sua conta o que eu faço ou deixo de fazer muito menos onde vou ou deixo de ir. — ela respondeu com calma algo que era óbvio. Caio pareceu perder um pouco o foco depois da resposta dela.
— É... hum... Eu vi você em casa ontem. — falou voltando ao tom irônico. — você disse que sairia... você mentiu. Estava me perguntando por que você mentiu?
— Você ficou de plantão na porta do meu apartamento por acaso?
— Não, eu voltei mais tarde para ver se estava em casa.
— Então por que você acha que eu não saí? Eu saí e voltei para casa mais tarde, algo de errado nisso? Você esperava que eu dormisse na rua? — percebi a voz irritada, porém controlada, da Rafa.
Outra vez Caio pareceu meio desconcertado, ele deveria ter vindo ali no impulso, sem pensar nas coisas.
— Eu vi um homem com você ontem, estavam na sacada.
— Bom, isso definitivamente não é da sua conta. — ela respondeu óbvia outra vez. — com quem eu durmo ou deixo de dormir só diz respeito a mim, você não é nada meu, e não faço ideia do que esteja fazendo aqui, se veio tirar alguma satisfação deveria saber que não te devo nenhuma, então se já tiver acabado pode ir embora.
— Eu te pedi em namoro! — ele falou alto.
— E eu disse não! — ela gritou. — saia da minha casa, agora!
— Não sem antes ver quem é o imbecil que está aí com você!
— Saia, da, minha, casa. Agora. — Rafa falou palavra por palavra.
Os dois ficaram alguns segundos em silêncio, se encarando eu imaginei.
— Tudo bem, mas você vai se arrepender. — ele cuspiu e saiu batendo a porta.
Rafa trancou-a novamente e voltou para o quarto, sentou na beirada da cama e respirou fundo.
— Me sinto horrível. Caio não tem o direito de controlar minha vida desse jeito, mas... eu... — ela fez uma pausa e depois olhou para mim. — Caio gosta de mim, Enzo. E eu estou magoando ele.
— Mas você não gosta dele, seria pior se ficasse com ele sem sentir nada. — falei isso e logo percebi que deveria ter ficado quieto.
— Quanta ironia, não é? — ela falou visivelmente magoada. — Nesse caso acredito que você goste da Bianca, senão não ficaria com ela.
— É diferente. — respondi tentando consertar aquilo.
— Diferente por quê? Em que aspecto exatamente? Eu não gosto do Caio e você diz que não devo ficar com ele se não gosto dele. Você não gosta da Bianca, mas vai se casar com ela.
— Mas você não tem ninguém te forçando a fazer nada, a escolha é só sua.
— E quem deve fazer as escolhas para a sua vida, Enzo? Não é você?
Ficamos em silêncio alguns minutos, eu deitado olhando para o nada e ela encarando o céu azul pela janela do quarto.
Alguns minutos depois coloquei minha mão no seu ombro e fiz com que ela se voltasse para mim.
— Você quer que eu vá embora? — perguntei com medo de que ela dissesse que sim.
Rafa apenas respirou fundo e balançou a cabeça negativamente.
— Eu gosto tanto de você. — ela confessou. — Só tenho medo, Enzo.
— Medo de que?
— De nunca mais sentir por outra pessoa o que sinto por você. — ela me encarou.
Puxei seu rosto e a beijei de um jeito doce. Eu sentia o mesmo medo. Medo de não tê-la mais nos meus braços, porque ela não aceitaria ficar comigo depois do meu casamento, eu sabia disso. Medo de não poder tocá-la mais. Medo de que ela não voltasse de sua viagem para a Itália. Medo de sequer vê-la mais.
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