Opostos Perfeitos
31 Capítulo 29
Notas iniciais
Capítulo 30
Narrado por Enzo:
Ela aceitou! Vamos passar as duas semanas juntos, aproveitando o tempo todo. Depois de beijá-la me encostei para trás no sofá e ela deitou a cabeça no meu peito.
— Como vai ser? Quer dizer... nós temos que trabalhar e tudo mais... você quer passar o tempo comigo...
— Quanto ao trabalho não vejo nenhum problema, ficamos juntos numa sala com quatro paredes mesmo. — olhei para ela e mordi o lábio reprimindo um sorriso.
— Ah! — Ela deu uma risada baixinho.
— É bom ouvir sua risada. — Falei no ouvido dela.
Rafa me olhou e dei um selinho rápido nela.
— Hum... bom... mas nessas duas semanas ninguém vai saber, não é? — perguntou.
— Tecnicamente, é. — respondi. — Tudo bem para você?
— Sim, foi assim até agora. — Ela sorriu mas parecia magoada.
— Rafa... tem outra coisa.
— O que?
— Meu pai... ele e o pai da Bianca marcaram a data do noivado... desculpe, eu nem sabia. — Falei sabendo que aquilo poderia mudar a ideia dela sobre as duas semanas, mas seria pior esconder.
Rafa ficou em silêncio por alguns minutos.
— Diga alguma coisa. — Pedi.
— Ok. Eu só preciso saber de uma coisa. — Ela me olhou e eu concordei com a cabeça pedindo que continuasse. — Você... gosta dela? Quer dizer, você sente alguma coisa pela Bianca? Porque se sentir, por favor, não esconda isso de mim, e não me peça para ficarmos juntos, seria muito errado. Se você tiver qualquer sentimento por ela, por favor, não me esconda. — Rafa pediu.
— Não. Eu não sinto nada por ela, e já disse isso a ela. Bianca está aceitando esse casamento mesmo sabendo que não tenho sentimentos por ela. E eu também duvido que ela realmente tenha sentimentos por mim.
— Então, tudo bem. — Rafa concordou.
Ficamos sentados juntos sentindo o ar fresco que entrava pela janela. O tempo estava para chuva.
— Está com fome? Que tal se prepararmos uma janta para a gente? — ela perguntou me olhando.
— Você quer que eu ajude? — Perguntei sem jeito.
— Óbvio. Acha que vou te deixar ai sentadão enquanto eu faço tudo sozinha? — ela brincou.
— Então, para a sua cozinha, chef.
Rafa sorriu e levantou me puxando em seguida. Ela parou em frente a pia, lavou as mãos e as secou, depois começou a pegar umas coisas na geladeira.
— O que vai ser, chef?
— Lasanha, a especialidade da casa. — sorriu.
— Hum, adoro lasanha...
— Que bom, agora trate de lavar essas mãos e pegar as cebolas.
— Cebolas?
— É, como daquela vez em que fizemos o almoço, você pode cortar as cebolas enquanto eu começo a fritar a carne. E não demora como da última vez, hein?
— Mandona você, e continua chata como da última vez. — Fiz careta.
— Você quer comer de graça, pague com seus serviços ué.
— Sim, senhora chef.
— Muito bem. — Ela sorriu. — Quer beber alguma coisa?
— Claro.
— Tenho cervejas.
— Ótimo.
Ela pegou duas latas na geladeira e me deu uma abrindo a sua e tomando um gole em seguida. Abri a minha e tomei um gole também, depois comecei a picar as cebolas como ela mesma havia ensinado na última vez.
— Muito bem, você é rápido. Pique o tomate também. — ela sorriu mandona.
Quando acabei Rafa colocou a cebola e o tomate com a carne para fritar enquanto mexia um pouco. Depois acrescentou o molho de tomate e o sal. Abriu o pacote de massas de lasanha e pegou um forma. Terminamos nossas cervejas enquanto a carne ficava pronta. Rafa colocou a panela na pia e começou a montar a lasanha colocando uma camada de carne e uma massa, acrescentando queijo nas etapas. Logo a forma estava completa, então ela colocou-a no forninho e ligou.
— Pronto, em uns quarenta e cinco minutos estará pronta.
Fomos para a sala e colocamos um filme, ela só tinha comédias românticas e romances com drama, colocamos Um Amor Para Recordar.
— Não acredito que vai me fazer ver esse filme. — Falei inconformado.
— Você vai gostar. — Ela sorriu.
— Não vejo como.
— Vamos... é lindo.
Suspirei.
— Tá, tá.
Ela correu até seu quarto e voltou com um edredom.
— Gosto de ver filmes com edredom.
— Essa é uma boa ideia. —Mordi o lábio.
Rafa mostrou a língua brincando e sentou-se ao meu lado, nos cobrimos e segurei sua mão por baixo do edredom. Ela sorriu e ligou o aparelho de dvd no controle.
Começamos a assistir e era um daqueles romances com drama que encantam as mulheres. Rafa quase dava pulinhos em algumas cenas “fofas” do filme.
Mulheres.
O tempo foi passando.
— Adoro essa parte! — Ela riu quando apareceram os dois personagens principais em uma sala.
O cara perguntou para a garota, que acreditava muito em Deus, porque Deus não lhe dava um suéter novo e a garota o encarou e disse que Deus estava muito ocupado procurando um cérebro para ele.
— Uuuh! — Falei rindo também, aquilo havia sido engraçado. — Parece alguém que eu conheço. — Falei olhando para a Rafa. — Sabe, ela vive me dando cortadas...
— Ah, sério? Quem será ela? — Rafa perguntou inocente.
Dei um selinho nela e sorri voltando a ver o filme.
Começamos a sentir um cheiro bom vindo da cozinha, Rafa pausou o filme.
— Acho que já está pronto, vem. — Ela levantou e me puxou pela mão.
Na cozinha Rafa pegou um pano e tirou a forma do forninho colocando em cima da mesa.
— Tem pratos naquele balcão, portas de baixo. — ela indicou e eu fui pegar.
— O cheiro está bom. — falei sentindo o aroma da comida.
Rafa sorriu para mim enquanto pegava os talheres na gaveta da pia.
— Toma alguma coisa junto? — perguntou.
— O que tiver está bom. — sentei em uma cadeira.
— Hum... tem vinho... — Ela pegou uma garrafa e duas taças e colocou na mesa sentando perto de mim, eu estava na ponta e ela na parte ao lado.
— Só faltam as velas agora. — ela sorriu brincando.
— Sabe que é uma boa ideia, tem alguma aí? — perguntei.
— Tem, naquela gaveta. — ela apontou achando que eu estava brincando.
Levantei e fui olhar na gaveta, achei duas velas inteiras, acendi e coloquei em cima da mesa, depois fui até o interruptor e apaguei a luz da cozinha, a luz da sala estava acessa e assim a cozinha ficava com uma luz fraca e um ar romântico com as velas.
— Melhor? —Perguntei baixinho para ela quando voltei para a mesa.
Rafa sorriu tímida e mordeu o lábio sem graça.
Nos servimos e jantamos, estava maravilhosa.
— Nossa, você cozinha muito bem. —murmurei antes de acabar com o que ainda restava no meu prato.
— Obrigada, Senhor Machiello. — ela agradeceu brincando.
— Senhorita Belmontt, devo reconhecer, é uma mulher completa. — tomei um gole de vinho olhando para ela que sorriu.
Depois de jantar começamos a lavar a louça. Eu sequei.
— Você molha mais o chão do que seca a louça, né? — ela riu.
— Ei, dá um desconto, ainda não quebrei nada pelo menos. É a primeira vez que faço isso.
— Está brincando né? Nunca secou louça na vida?
— Não, ué. — dei de ombros.
— Meu Deus. — ela riu. — você é um completo mimado mesmo!
— Nossa, obrigado. — ri da cara que ela fez.
Rafa já tinha lavado toda a louça e eu ainda estava secando os pratos. E la se escorou com um pé apoiado no balcão atrás de mim e ficou observando.
— Devo admitir, senhor Machiello, que esta visão de você aí, secando a louça... é... hum... excitante. — ela disse e eu virei para encará-la com uma sobrancelha erguida e um sorriso travesso no rosto, ela estava tomando um gole de vinho e me encarando quando virei.
— Excitante?
— Realmente.
Deixei o pano e o prato em cima da pia e a segurei pela nuca em seguida, puxando-a para mim e inciando um beijo intenso.
Rafa puxou minha camiseta e eu a sua, as duas caíram pelo corredor enquanto eu a levava para o quarto, fechei a porta com o pé e a beijei mais intensamente, a chuva caía forte lá fora e nos amávamos como papel sendo consumido por fogo, intenso, insano, maravilhoso.
Depois de nos amarmos, Rafa deitou a cabeça em meu peito e eu fiz carinho em seus cabelos até que ela pegasse no sono, abracei-a e adormecemos.
Acordei de madrugada e a Rafa não estava na cama, o relógio digital marcava três e dez, saí do quarto e fui até a sala, a luz estava ligada, ela estava sentada no sofá olhando a chuva que caía pela janela com uma caneca de café nas mãos.
— Rafa? O que foi? — perguntei sentando perto dela.
Ela balançou a cabeça negativamente como se dissesse que não houve nada.
— Ei, o que houve? — insisti.
— Enzo eu... eu só estou com medo disso tudo. Quer dizer... eu quero aproveitar, mas... parece errado.
— Não é errado. — segurei seu rosto fazendo ela me olhar. — nós nos gostamos e estamos vivendo esse amor, só isso. Não há nada de errado nisso.
— Enzo, você vai casar. Pelo amor de Deus. Como não há nada de errado?
— Então você... você vai desistir dessas duas semanas? — perguntei inseguro.
Ela virou o rosto para me encarar.
— Sempre fui uma pessoa... ética. Sei lá. Sempre vivi de acordo com meus princípios. Eu deveria desistir. Mas... eu simplesmente não consigo. — Ela sorriu triste. Eu adoro você.
— Eu também adoro você, sabia? — falei puxando-a para mim, Rafa deitou sua cabeça em meu ombro e eu dei um beijo em sua testa.
— Estou preocupada com a Jú e o Leê, ela não disse que dormiria fora... já é tão tarde...
— Ah... Hum... Bom... Ela vai ficar no Leandro hoje. — falei sorrindo.
— Como você sabe?
Fiz uma careta para a Rafa e ela sorriu.
— Acho que tenho que ter uma certa conversinha com meus dois amigos. Acho que eles estavam do seu lado hoje, não é? — ela botou o dedo no meu peito fingindo uma cara braba.
— É, pode ser que eles tenham dado uma forcinha. — confessei.
— Por isso que o Leandro me mandou tomar banho?
— ele mandou? — Perguntei confuso.
— Sim... eu estava meio... largada. — Ela deu de ombros. — Foi difícil dizer as coisas que te disse. Mas aquilo é verdade, no fundo. Eu vou embora e você vai casar. Não vamos ficar juntos. Nem todas as histórias têm final feliz, não é? Mesmo que duas pessoas se gostem muito.
— Eu não sei o que fazer. Não importa o que eu faça, meu pai vai dar um jeito de me casar com...
— Vamos fazer o que a gente combinou? Vamos fingir que só existem mais essas duas semanas, como se o mundo fosse terminar depois. Vamos esquecer o resto. Para ser uma história feliz não tem que ser perfeita e com o para sempre no final. Tem que ser sincera, verdadeira. Então...
— Então essa vai ser a nossa história. — completei.
Ela sorriu e nos beijamos.
Mais tarde voltamos para a cama e adormecemos.
Fale com o autor