Opostos Perfeitos
24 Capítulo 23
Notas iniciais
Capítulo 23
Narrado por Rafa:
Aquilo tudo parecia um conto de fadas, e apesar de imensamente feliz eu me preocupava. Até quando seria um conto de fadas? Era maravilhoso estar ali ao lado dele e aproveitando aquele momento que mais parecia um passeio de férias perfeitas do que uma viagem a trabalho, mas, quanto tempo tudo isso duraria? E na quinta-feira, quando chegássemos ao Brasil? Como seriam as coisas? O meu conto de fadas podia não acabar a meia-noite, mas eu sentia que talvez Enzo e eu só tivéssemos aquela viagem. Eu não perderia o sapatinho de cristal, ele não precisaria me procurar, e a megera malvada estava grávida.
Depois de algumas taças de vinho deitamos e adormecemos.
Na terça ao acordar, Enzo e eu fizemos amor outra vez, tomamos um banho e fomos para uma montanha de neve onde tem um parque, eu não fazia ideia de como ficar em pé em um esqui, muito menos em uma prancha de surf na neve, ficamos uma hora numa escolinha para iniciantes e o instrutor era muito simpático, depois de descer um morro de no máximo dois metros de altura eu já me sentia satisfeita, tinha superado meus limites. E nem sob tortura que ia descer qualquer coisa mais alta que aquele morrinho.
Fomos para uma pista de gelo, Enzo iria me ensinar a patinar.
— Prende bem. — ele sorriu se referindo aos patins.
— Eu estou com um pouquinho de medo, e se cair de bunda?
— Eu te seguro. — prometeu me estendendo a mão.
Os primeiros passos foram difíceis e hilários, Enzo me impediu de levar tombos no mínimo dez vezes em nove passos.
— Caramba, é complicado! — falei emburrada.
— Vem, você consegue. — riu.
— Tá, tá, mas ajuda aqui.
E quando achei que estivesse indo bem... Puft. Caí de bunda no chão.
E o palhaço em vez de me ajudar ficou rindo da minha cara.
— Idiota! — gritei com ele braba.
— Calma, foi só um tombo. — ele continuou rindo em vez de me ajudar a levantar.
Segurei na beirada da pista de gelo e consegui ficar em pé, minha cara devia ser a do Incrível Hulk quando quer “smash” (esmagar o inimigo).
— Agora só falta você gritar: ''Hulk Smash!'' — ele continuou rindo.
— Eu vou gritar depois que tiver te esmagado, seu cretino! Volta aqui Enzo! — ele já tinha começado a patiar para longe de mim, fazendo “nananaaahnaah” com a língua porque era obvio que eu não conseguiria ir atrás dele.
Com esforço voltei para a entrada da pista, sentei num banquinho e comecei a tirar aqueles sapatos, Enzo viu que fiquei braba além de estar roxa de vergonha, para completar tinha crianças de sete anos dando pirueta no gelo e rindo da minha cara. Saí pisando forte na neve e o Enzo veio rápido atrás de mim.
— Rafa, espera! —gritou mais atrás. — Foi só um tombinho, relaxa. — e riu.
Enzo Machiello queria morrer. Ele estava pedindo para morrer. Ou era isso ou acreditava em superpoderes.
— Rafinha... — falou debochando.
Na mesma hora juntei uma bolinha de neve rapidamente e virei jogando ela sem mirar na direção da voz e a bola foi belamente bater em cheio na cara dele.
O sorriso que se formou no meu rosto foi tipo o do dia em que nos conhecemos: “Bem feito idiota, otário, palerma, você mereceu, cretino”.
Enzo ergueu uma sobrancelha e limpou a neve que tinha ficado no rosto, me olhou de um jeito sem vergonha e apontou o dedo:
— Eu aconselho você a correr, Belmontt.
Opa.
Pronto.
Era o fim.
Ele estava com o olhar assassino do Jack Nicholson no filme O Iluminado.
Nem esperei ele terminar a frase e saí correndo pela neve, o problema é que correr na neve não é nada parecido com correr na grama, ainda mais quando seus pés afundam um pouco a cada passada, não tinha corrido nem vinte metros e já estava ofegando.
—Peguei! — ele me agarrou pela cintura e falou no meu ouvido. — E agora, Belmontt?
— É... é... Enzo... lindinho... fofinho... querido... foi sem querer sabe...
— Sem querer? — ele repetiu devagar.
— Eu... eu... estava mirando numa águia que estava voando perto de você sabe, ela ia roubar... sua carteira...
Enzo me virou de frente para ele segurando o riso.
— Um águia? Querendo roubar minha carteira?
— É... é... ela era grande sabe...
— E queria roubar minha carteira? Assim... por curiosidade... com a águia sabia que eu tinha uma carteira no bolso, e, porque cargas d'água ela ia querer minha carteira, Rafa? — ele me olhava se perguntando se eu era normal.
— Ela queria... esquiar e não tinha dinheiro?
Enzo riu e me pegou nos braços, logo em seguida senti a neve gelada nas minhas costas, ele me deitou no chão e deu um beijo, estávamos afastados da parte onde sempre tinha bastante gente, depois de ficarmos nos beijando alguns minutos, Enzo sorriu e colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha, com a outra mão segurava meu rosto, olhou nos meus olhos.
— Você é a melhor coisa que já aconteceu na minha vida, Rafaella.
Eu sorri, completamente feliz e pensando o mesmo em relação a ele.
Ficamos deitados na neve olhando o céu azul e limpo e sentindo aquela brisa gelada no rosto apesar do casaco grosso e peludo e do cachecol que estava usando.
Depois de alguns minutos em silêncio fiz outra bolinha de neve discretamente com a mão, sentei e joguei nele que estava de olhos fechados. Enzo riu, depois me puxou para si e deu um beijo. Logo em seguida senti meus cabelos gelados, ele havia jogado uma bolinha de neve na minha cabeça.
— Ah, é? — sorri e fiz outra bolinha jogando nele e levantando em seguida.
— Prepare-se, Belmontt! — Enzo riu com bolinhas de neve nas duas mãos.
— É guerra! — desafiei brincando.
E ficamos por mais de uma hora como duas crianças brincando na neve, mas foi muito bom e eu jamais esqueceria os momentos em que declarávamos trégua para deitar na neve e nos beijar longamente.
Quando voltamos ao hotel trocamos nossas roupas e descemos para o restaurante, almoçamos uma sopa quentinha, depois fomos para uma outra sala, Enzo foi conferir e-mails e eu entrei no chat para ver se encontrava a Jú on, ela não estava, o celular do Enzo tocou.
— Alô?
…
— No hotel, Bianca.
...
Ah, claro, talvez o conto de fadas não durasse nem a viagem toda.
— Não Bianca.
…
— Tá, tchau...
…
— Tchau Bianca.
...
— Tá, tá, eu também. Tchau. — desligou.
Fiquei olhando para o Enzo, aquele “eu também” com certeza era retorno do “eu te amo” ou “estou com saudades” dela e mesmo que eu soubesse que ele tenha dito só para desligar o telefone, me magoou. Como eu era para ter esperanças de ficar com ele se ele mesmo não se desligava da Bianca?!
— O que houve? — perguntou vendo minha expressão.
— Nada. — falei e fechei o notebook. — Vou subir e deitar um pouco... Estou cansada...
— Rafa...
Fui para o elevador e subi para o quarto, tirei o casaco e a calça que estava usando e fiquei só com a camiseta de manga comprida, entrei no edredom quentinho, estava chateada mas também estava cansada mesmo, peguei no sono logo. Quando acordei senti os braços do Enzo em volta do meu corpo, sorri para mim mesma e me virei devagar...
Ele estava dormindo tranquilo, parecia um pouco preocupado, fiquei olhando-o até ele abrir os olhos e sorri.
— Oi.
— Oi. — sorriu de leve.
— Você é bonitinho dormindo, sabia?
— Sou lindo sempre... — ele brincou.
— Ah, é, esqueci que estou deitada ao lado do Super, Incrível, Maravilhoso, Enzo Machiello.
— Esqueceu do perfeito...
— Tá exagerando já sabia? — sorri e apoiei a cabeça no braço.
— E do gostoso também... — ele mordeu o lábio.
— Gostoso? Onde? Como? Quando? Não to vendo... — zoei.
— Ah, é? — ele levantou um pouco o corpo e ficou inclinado por cima de mim.
— É. — falei e dei um selinho rápido nele puxando o edredom e tapando meu rosto em seguida.
Enzo entrou no edredom também e ficou por cima de mim, me beijou com vontade apertando firme minha cintura e pressionando nossos corpos, seus lábios desciam pelo meu pescoço enquanto eu tirava sua camiseta, a mão dele já entrava por baixo da camiseta que eu usava e chegava aos meus seios e logo depois estávamos nos amando.
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