Opostos Perfeitos
22 Capítulo 21
Notas iniciais
Capítulo 21
Narrado por Rafaella:
Os meninos foram para o clube e a Jú e eu fomos para nosso apartamento, tomei um banho rápido e vesti a roupa que já havia separado para a viagem, sentei na cama e respirei fundo.
— O que foi? — Jú perguntou da porta vendo que eu estava nervosa.
— Não sei explicar Jú. Isso... isso que a gente fez é muita loucura.
— Rafa, já passou, já acabou, para de se preocupar, você está embarcando em um avião para o Colorado em poucos minutos, minha filha, para o Co-lo-ra-do! Você vai ficar esses dias lá, aproveitando ao máximo aquelas montanhas de neve, aquele frio gostoso e o cara que você adora, então, preste atenção: — ela me olhou séria. — Cala essa boca e aproveita a vida, mulher!
A Jú tinha um jeito muito louco de me colocar para cima em qualquer situação.
— É, você tem razão!
— Isso é óbvio, né. Sempre tenho. — falou se achando. Eu ri e joguei o travesseiro nela. — Ei! Ah, e vê se não esquece de me trazer algum presente, nem pense em tentar pôr os pés nesse prédio sem um suvenir americano. Se quiser me trazer algum loirinho de olhos azuis eu aceito também...
— Uau, e o Leê?
— Ele não é ciumento... — ela riu. — Deus me livre ele escutar isso. — rimos as duas, era brincadeira.
— É, tem alguém aqui que pelo jeito vai viver de sexo alguns dias não é?
— E desde quando eu preciso que você saia de casa pra fazer sexo?
— Oh, bitch! — demos risada e peguei minhas malas. — Bom, hora de ir!
Jú foi comigo até o aeroporto, não demorou muito, me despedi dela.
— Se cuida lá, e não esquece meu presente.
— Um loiro de olhos azuis... pode deixar.
— Isso, mas tem que ser bonito, decente e rico de preferência, ok?
— Jú, eu sou sua amiga não santa milagrosa tá?
Rimos.
— Boa viagem, amiga, se cuida lá e dá um alô quando chegar... deixei um presente para você na sua mala, ok? — ela piscou e o Enzo e o Guilherme apareceram ali.
— Como assim... presente? — olhei desconfiada.
— Vamos, Srta. Belmontt, a gente vai perder o avião... — Enzo falou chegando perto de mim e pegando na minha cintura.
— Vamos. — falei para ele ainda olhando desconfiada para a Jú que deu uma risada safada. Certo. Essa aí aprontou comigo.
Me despedi do Gui também e ele ficou de levar a Jú para casa. Fui com Enzo fazer o check in e logo embarcamos.
— Sabe, pela primeira vez estou morrendo de felicidade por trabalhar para o meu pai. — ele disse quando já estávamos sentados.
— Por quê?
— Porque estou viajando para o Colorado, com uma companhia extremamente agradável, sem deixar passar que ela é linda e que eu adoro. — Enzo olhou nos meus olhos.
— Que cavalheiro. Nem parece o tipo de homem que ri de mulheres ensopadas de água. — fiz bico.
— E você doce assim nem parece o tipo de mulher revoltada que ataca pobres coitados com uma garrafa de água... — ele fez uma carinha de coitado.
— Quase cheguei a ficar com pena dessa carinha, sabia?
— Pode me dar uns beijinhos então já que se sente culpada...
— Enzo, querido, eu disse “quase”, não que eu fiquei com pena. — sorri cortando ele.
— Valeu hein. — ele fez careta de ressentido.
— Ount, que coisa mais lindinha. — Segurei o rosto dele e dei um selinho.
Enzo segurou meu cabelo e me beijou com vontade.
— Quer fazer uma loucura comigo? — falou baixinho no meu ouvido com um jeito safado.
— Nem sonhe que vou com você no banheiro do avião, Enzo Machiello!
— Tá bom, tá bom. Não precisava se revoltar tanto... foi só uma ideia...
E esse cara de pau ainda tem a coragem de falar isso como se não fosse nada de mais.
— Olha aqui, seu, seu...
Enzo segurou meu rosto de novo impedindo que eu falasse e me deu outro beijo, senti meu corpo arrepiar. A ideia do banheiro nem parecia tão absurda agora.
E aquele maluco ninfomaníaco estava começando a me afetar.
— Eu estava brincando sua boba. Agora será que pode falar um pouquinho mais baixo, a velhinha do banco ao lado não está muito contente, eu acho. — ele sussurrou.
Olhei para a senhora no acento ao lado do meu e sorri sem jeito, devo ter ficado mais do que vermelha.
Fiz uma cara feia para ele e ele riu de mim, dei uns tapas no braço do Enzo — discretamente — e depois colocamos os fones de ouvido, o avião começava a decolar.
Enzo logo havia pegado no sono, eu levei um livro da Agatha Chistie para ler. Adorava aquela escritora, principalmente os livros do detetive Poirot, meu personagem fictício favorito.
Em alguma parte do caminho peguei no sono, acordei com a aeromoça dizendo que estávamos nos aproximando do aeroporto, me surpreendi quando levantei a cabeça do ombro do Enzo e o vi mergulhado na leitura de um dos meus livros preferidos. Ele me deu um beijo na testa rápido e voltou a ler o livro, ergui uma sobrancelha curiosa.
— Não sabia que você gostava de ler. — falei me ajeitando na poltrona.
— Não gosto, mas esse livro é muito bom, já passei da página em que você pegou no sono. — ele sorriu.
— Huum... — bocejei e deitei a cabeça no ombro do Enzo de novo.
O avião se aproximava da pista de pouso da cidade Aspen, no Colorado.
Desembarcamos e no salão do aeroporto um homem de uns cinquenta anos esperava com uma plaquinha com o nome do Enzo e o meu. Fomos até ele. Enzo apresentou um cartão que o identificava, o senhor se chamava Aron e era o motorista encarregado de nos levar ao hotel e as reuniões, falava português e espanhol, o que facilitou bastante as coisas. Logo estávamos indo para o hotel e eu fiquei fascinada com a beleza daquele lugar, era difícil acreditar que aquilo estava acontecendo, que eu estava nos Estados Unidos, a poucos centímetros de tocar a neve. Era como nos meus sonhos.
Dentro do carro Enzo pegou na minha mão enquanto eu olhava as ruas cobertas de neve com os olhos brilhando. Sorri para ele.
— Você está perfeita sabia? — ele passou a mão no meu rosto.
— Eu não consigo acreditar. — falei ainda sorrindo. — isso é perfeito.
— É perfeito. — ele sorriu também – e você está aqui comigo.
Aqueles dias ao lado dele realmente seriam difíceis de descrever.
Chegamos ao hotel, tudo já estava preparado, subimos para nosso quarto, a empresa havia reservado duas suítes especiais, mas houve um imprevisto e um governador não sei de onde se hospedou no hotel as pressas, então Enzo e eu ficaríamos no mesmo quarto, mas não tinha problema nenhum, se não fosse o imprevisto ele, com certeza, daria um jeito de nos colocar no mesmo quarto. E eu nem reclamaria.
Subimos e fui tomar um banho quentinho porque a neve podia ser linda, mas aquele lugar era gelado e eu queria um banho porque estava bastante cansada da viagem. Prendi o cabelo e entrei no chuveiro quentinho, nem notei Enzo abrir a porta. Tomei um susto quando senti as mãos levemente geladas dele tocarem minha cintura e me arrepiei quando seus lábios tocaram minha nuca.
— Posso? — perguntou baixinho no meu ouvido de um jeito rouco.
Eu mal consegui murmurar um “sim”, só o toque dele em meu corpo me deixava completa e loucamente perdida.
Enzo virou meu corpo e me beijou com vontade me prendendo na parede do banheiro, o corpo dele ficava em baixo da água e o meu contra a parede fria provocando mais sensações em mim, segurei seus cabelos já molhados firme enquanto ele erguia meu corpo, nossos lábios se desejavam assim como as mãos não tinham lugar certo para parar. Logo Enzo estava dentro de mim, provocando um prazer descomunal. E era apenas o primeiro dia da viagem.
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