Opostos Perfeitos
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Capitulo 10
Narrado por Enzo:
Na terça de manhã quando cheguei na empresa vi o jeito como a Rafa me olhou, me doeu por dentro ver que em parte eu tinha culpa por aquele rosto triste, Bianca tinha destratado a Rafa e eu não fiz nada, não movi um dedo para impedir. Ela com certeza devia estar chateada comigo também e com razão. Pensei em mandar um buquê de flores para ela, mas não fiz isso, era capaz dela querer me fazer engolir as flores.
Fui para a minha sala, fechei a porta e parei em frente a vidraça que funcionava como parede do meu escritório, fiquei olhando a cidade e pensando em uma maneira de consertar as coisas com a Rafa. Não tirava da cabeça o que havia acontecido ontem no térreo da empresa.
A manhã passou e a tarde tive que fazer umas coisas fora da empresa para o meu pai. Voltei perto das cinco horas. Saí do elevador e vi só a Rafa na recepção do andar, Beth não estava por ali. Me aproximei dela.
– Rafa...? — falei quando cheguei em frente a mesa dela.
– Sim, senhor Enzo. — ela disse formal sem me olhar.
– Rafa... olha, aquilo que a Bianca fez ontem... — ia pedir desculpas mas ela me interrompeu.
– Desculpa, mas eu não acho que devemos falar disso. Eu preciso acabar uns relatórios hoje ainda.
– Hum... — murmurei, sabia que ela só não queria falar comigo.
Rafa não ergueu o olhar para mim em momento nenhum e fingiu digitar no computador.
Voltei para minha sala, arrumei minhas coisas e desci, fiquei dentro do meu carro até o horário da Rafa sair, quando a vi saindo da empresa desci e fui até ela.
– Rafa, espera. — chamei.
Ela parou e esperou até que eu chegasse a ela.
– Será que a gente pode conversar agora?
– Não temos nada para conversar.
– A gente têm sim.
– Algum problema na empresa? — ela perguntou olhando para o lado.
– Não, não é nada na empresa. — respondi.
– Então não temos o que conversar. — ela disse e se virou para entrar no carro.
– Ei, espera. — pedi segurando o braço dela.
– O que foi? — ela disse me encarando e puxando seu braço das minhas mãos. — Acho melhor não tocar em mim, antes que sua namorada queira me agredir verbalmente outra vez por estar deixando minha pele sem significância tocar na sua. — Rafa disse olhando por cima do meu ombro.
– Enzo! — escutei a voz da Bianca perto e me virei para olhar.
A porta do carro da Rafa fechou e ela ligou o motor, colocando o carro logo em seguida em movimento.
– Bianca... — tentei não virar muito os olhos para ela.
– Porque você estava conversando com essa ai? — ela falou desprezando a Rafa outra vez.
– Rafaella. — corrigi a Bianca. — O nome dela é Rafaella.
– Dane-se o nome dela! — Bianca disse. — o que estavam conversando?
– Assuntos da empresa. Não é da sua conta. — falei sério.
– Claro que é da minha conta.
– Não, não é. E a propósito, o que você veio fazer aqui essa hora?
– Eu... bom, eu tenho que ir na agencia, ai passei por aqui para ver se você ainda estava ou se já tinha ido embora.
– Hum. Estou indo embora agora. — respondi seco.
– Quer ir comigo na agencia? Depois você pode me deixar em casa ai... — ela pediu.
– Tá, tudo bem. — falei.
Levei Bianca até a agencia de modelos Conceito, a tia dela era a dona e Bianca sempre estampava alguma capa de revista famosa. Além de sempre estar na própria revista da agencia.
Entrei com ela para cumprimentar Solange, a tia da Bianca.
– Enzo! Que bom ver você! — Solange disse puxando saco, ela fazia questão do meu casamento com a Bianca só porque as empresas Machiello poderiam trazer mais fama a Conceito...
– Oi, Solange. — sorri com as mãos nos bolsos.
– Então, Caio já chegou? — Bianca perguntou despreocupada.
– Sim, está esperando você no estúdio.
– Caio? — perguntei lembrando do namoradinho da Rafa, que também se chamava Caio.
– É, um modelo novo, ele leva jeito. Caio Trindade, conhece?
Aff. Era o tal ''amigo-ficante'' da Rafaella.
– Hum... é, um pouco.
Acompanhei elas até o estúdio e o carinha já estava lá. Bianca foi trocar de roupa, seria uma seção rápida, eles só precisavam de uma foto para uma matéria especial... Caio me viu e me encarou por uns segundos. Depois deu um leve sorriso como se me cumprimentasse e eu retribuí.
Preferi esperar no carro até Bianca acabar, em meia hora ela veio e eu a levei para casa. Não quis ficar por lá, fui para minha casa, tomei um banho, jantei e depois fui dormir.
Nos outros dias da semana a Rafa agiu da mesma forma comigo, chegou a sexta-feira e eu fiquei com um ponta de esperança porque veria ela na academia e talvez conseguisse puxar papo.
– Tá quieto hoje. — Gui comentou quando chegamos a academia na sexta de manhã.
– Só pensando... — respondi.
– Que milagre. — ele zoou.
– Não fode.
– Pensando em que?
– Umas coisas ai... Vai fazer o que hoje de noite? — mudei de assunto.
– Sem planos. Ia pra tua casa... mas tanto faz.
– Bora pra boate hoje de noite?
– Opa. Que horas?
– Onze.
– Fechou. Vou falar com a Fer.
– Aff, só faltava, vai pedir permissão agora?
– Cala boca ai mané. — Gui riu. — Vou chamar ela pra ir junto né.
– Ah, se fode. Não quero ficar de vela.
– Chama a Rafa pra ir com a gente. — ele riu.
– Com certeza... — murmurei sem animo. — Ela não vem nem que eu ameace despedir ela.
– Putz, ainda brigados? — ele perguntou.
– Aham.
– Ah, posso ver se o Leandro não topa ir...
– Ele não namora a Júlia?
– Não, os dois se pegam, mas não é nada sério...
Entramos na academia e fomos para a nossa sala, antes dei uma olhada por tudo e a Rafa ainda não tinha chegado.
– Relaxa, ela aparece logo. — ele disse me jogando uma luva.
Subimos no ringue e começamos os movimentos de aquecimento. Eu olhava para a porta quase todo momento para ver se não via a Rafa pela academia.
– Tá desatento, mano. — Gui disse ameaçando um soco.
– To de boa.
Em cinco minutos Gui me derrubou na lona.
– Daqui a pouco ela vem, relaxa. — ele disse estendendo a mão para mim levantar.
– Acho que ela não vem hoje. — respondi e voltamos ao treino.
– Mas você vacilou em ficar parado também né? — Gui falou depois de meia hora, quando sentamos no ringue.
– Eu sei, mas na hora não sabia o que fazer.
Peguei uma garrafinha de água e dei um gole.
– Ela ficou chateada contigo.
– Eu sei, só não sei como fazer ela ficar na boa de novo... — comentei.
– E porque você se importa tanto? Quer dizer... você nunca ligou. — Gui perguntou me pegando de surpresa.
– Ah, sei lá. Ela me ajudou com aquele negócio do meu pai lá...
– E só por isso você tá todo desatento? Nem foi você quem insultou ela...
– Mesmo assim. A Bianca não tinha o direito.
– Devia ter feito alguma coisa na hora, agora não adianta.
– Eu sei. — Normalmente eu discutiria com o Guilherme, porque não aceitava lição de moral de ninguém, mas nem vontade pra isso eu tinha.
– Tá me dando razão?
– Sei lá. Eu sinto falta de conversar com ela. — confessei.
– Como assim?
– Levei ela no térreo na segunda. Antes de acontecer aquilo.
– Você levou ela no jardim? — ele perguntou surpreso.
– É. E eu quase beijei ela lá.
– Você o quê? — Gui arregalou os olhos.
– É. — passei as mãos no cabelo e fiquei em pé. — Não quero ficar desse jeito com ela.
– Enzo... você está gostando da Rafa? — Gui ficou em pé e me encarou.
– Eu? Gostando? — ri disfarçado – não, que nada, não viaja.
– Parece.
– Não porra, ela é toda dona de si, é uma marrenta.
– Hum. E você não tá nem um pouco afim de pegar ela né? — ele sorriu malicioso.
– Eu não. Tenho coisa melhor por ai.
– Hum... quem por exemplo? A Bianca? — ele riu.
– Que Bianca o que. Tenho qualquer mulher dessa cidade comendo nas minhas mãos. Não fico afim de nenhuma. Sou de todas. — pisquei.
– Sei. — ele segurou o riso.
– Se fode viado. Não to nem ai pra Rafaella, tanto que hoje na boate to pegando todas que aparecerem.
– Se você diz. — ele deu de ombros. — Mas a Rafa não é de se jogar fora, se eu não tivesse com a Fer eu pegava. — ele mordeu o lábio e meu sangue subiu, acho que fiquei vermelho de raiva.
– Como é? — fechei as mãos.
– Ué, não foi você quem disse a pouco que não tá interessado nela? Então, qual o problema?
– É... é, que tu tá com a minha irmã, então se fecha ai. — disfarcei.
– Mas eu disse que se eu não estivesse com a Fer eu pegaria a Rafa, não que vou pegar ela. — Gui segurou o riso, tentei me acalmar.
– Hum... — murmurei.
– E isso ai não tem nada a ver com estar sentindo ciumes dela né? — Dessa vez ele riu.
– Eu não sinto ciumes de mulher nenhuma. — falei virando o rosto.
– Então se a Rafa aparecer hoje na boate e ficar com qualquer um você vai tá na boa?
– Claro que sim. — dei de ombros.
– Então você também não vai ter ciumes do carinha que tá ali nas bicicletas xavecando ela agora né? — Gui falou e eu olhei rápido para as bicicletas na outra sala quase pulando do ringue.
– Filho da mãe. — falei para o Gui, ele tinha tirado com a minha cara.
– Ué, não é você que não sente ciumes? — Gui riu e me deu as costas descendo do ringue.
Ele foi tomar um banho e eu fiquei ali sentado ainda olhando para a academia. Rafa não tinha aparecido. E que falta ela faz.
Fui para o outro chuveiro.
Eu e o Gui saímos da academia e fomos tomar uma coca no bar em frente a praia. Sentamos no quiosque.
– Olha a Rafa correndo lá na praia. — Gui disse apontando.
– Onde? — olhei e depois vi ela correndo na beira do mar. Logo ela parou e ficou de frente para o mar, esticando o corpo. Um cara chegou perto dela e eu percebi que era o tal Caio.
– Aquele é o Caio? — Gui perguntou.
– É. — falei de mau humor ainda observando os dois sentarem na areia.
– Tá todo mordido ai porque? — Gui zoou.
– Não enche. — resmunguei parando de olhar os dois.
Gui encarou os dois lá longe e depois desviou o olhar rápido, percebi que ele parecia estranho e virei para olhar pra Rafa, ela e o Caio estavam se beijando.
Fiquei puto de raiva vendo aquilo.
– Aff. To largando pra casa também. — levantei e saí dali.
Peguei o carro e fui embora, quando cheguei em casa fiquei sem fazer nada lá pela sala e quando eu vi já passava das dez da manhã, de novo. Nem estava com vontade de ir para a empresa e acabei não indo naquela manhã. Mas de tarde eu fui, já sabia que meu pai estaria pirado comigo, que se foda também. Peguei o número do Leandro com o Gui e liguei pra ele depois que cheguei na empresa.
… — ele atendeu.
– É o Enzo, e ai mano, de boa?
…
– Bora na boate de noite? Não to afim de ir de vela do Gui e da Fer.
…
– Fechou, beleza.
…
– falou parceria.
Desliguei e combinei a boate com Leandro, vamos tocar o terror nas novinhas de noite. Ele tinha ficado bem mais meu parceiro, a gente se falou algumas vezes pela praia e quando o pessoal se reunia, então já era parceiro.
Entrei na empresa e vi a Rafa no lugar dela. Ela me olhou, depois desviou os olhos. Ainda estava chateada.
A tarde passou devagar, depois fui para o estacionamento e parei na porta do meu carro, vi a Rafa saindo da empresa e vi depois o carro do Caio ali por perto.
– Oi, Caio! — ela sorriu quando viu ele e deu um selinho.
– Oi, amor. — ele disse e pegou na cintura dela.
Já chegava para mim. Eu ia ir lá interromper o casal, mas o Gui veio antes em mim.
– E essa cara ai? — ele disse fazendo um toque de mão que eu mau respondi.
– Não gosto daquele cara. — falei encarando o Caio de longe, o mané estava me encarando também enquanto abraçava a Rafa.
– Ei, tá encarando ele assim porque?
– Ele tá lá... com ela. — resmunguei.
– E o que tu tem a ver com isso? — Gui disse como que para me acordar. Eu estava encarando o Caio sem ter motivo nenhum, o que eu tinha a ver com ele e a Rafa? Nada. Desviei o olhar e entrei no carro.
– Vai querer carona? — perguntei ao Gui.
– Não, to de boa. De noite eu passo lá pra ir pra boate.
– Beleza.
Fui para casa e quando deu a hora fui me arrumar para a boate, vesti uma calça jeans, uma camiseta preta, nike e perfume, baguncei o cabelo e desci. O Gui já tinha chegado e depois a Fer desceu. Logo o Leandro chegou, fomos para boate e hoje eu ia pegar todas lá.
Eu e o Lê ficamos circulando pela boate e logo já fomos pegando umas meninas, eram bem lindas.
E ai, eu vi a menina mais linda, com um sorriso mais lindo ainda, entrar naquela boate e bebi mais um copo cheio de alguma coisa bem forte.
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