Opostos Perfeitos
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Capitulo 1:
Narrado por Rafaella:
Acordei com o celular tocando, eram seis e trinta da manhã, tive que mudar o horário da academia por causa do emprego que consegui na Machiello, uma das maiores empresas de São Paulo, só começaria na segunda, mesmo assim deixei meus horários organizados. Levantei e fui para o banheiro, fiz um coque folgado, tomei um banho rápido para acordar, vesti uma calça de malha e uma blusa branca de academia, desfiz o coque e fiz um rabo de cavalo alto, coloquei os tênis, peguei minha bolsa, celular, toalhinha e uma garrafinha de água.
Eu moro com minha melhor amiga, Júlia, em um apartamento perto do centro em São Sebastião, São Paulo. Peguei uma maçã na cozinha e saí. Não demorei nem vinte minutos, o trânsito estava agitado, mas era perto.
– Oi, Jess. — cumprimentei a atendente da academia.
– Rafa, caiu da cama? Que milagre te ver essa hora por aqui. — ela disse.
– Pois é, mudei o horário com a Tereza semana passada, por causa do novo emprego. — Sorri.
Jess era legal, sempre atendia a todos radiante, mesmo aquela hora da manhã. Fui direto para a esteira, fiz caminhada de meia hora e um velho ficava olhando minha bunda, decidi ir pedalar, velho tarado, me deixou irritada. Estava indo em para a bicicleta e um idiota que vinha em minha direção, mas olhando para trás e gesticulando com outro cara, bateu com tudo em mim.
– Olha por onde anda! — falei brava, fiquei ensopada com a água da minha garrafinha que virou na minha blusa.
– Ah, você que devia ter desviado. — ele disse dando de ombros, se achando o dono do mundo.
– Olha aqui, seu estúpido, eu estou toda molhada por sua causa, um pedido de desculpas cairia bem! — falei encarando ele.
– Pedir desculpas? — me encarou dos pés a cabeça. — Eu não, azar o seu que está molhada. — ele riu.
– Ah, é? — falei devagar e encarei ele.
– É. — ele debochou.
Dei um sorriso cínico, e olhando em seus olhos ergui a garrafinha de água até sua cabeça e virei.
– Você está doida? — ele gritou com a água escorrendo pelo rosto e molhando a camiseta.
– Ah, o que foi? Está molhado? — falei irônica. — Azar o seu. — sorri.
Passei pelo idiota e fui para a bicicleta, ainda tinha quarenta minutos antes de voltar para casa. Pedalei durante meia hora e depois fui para a sala de alongamento, fiz uns exercícios para esticar os músculos e não ficar doída. Quando acabei, peguei minha bolsa e a toalhinha, me dirigi para a saída da sala e dei de cara com o mesmo cara de antes. Ele ficou parado me impedindo de passar.
– Será que eu posso passar ou está difícil? — resmunguei.
– Porque você não sai da frente e deixa eu passar? — ele retrucou.
– Muito cavalheiro você. — ignorei o idiota e botei a mão no peito dele para empurrá-lo. Era musculoso naquela camiseta regata preta ainda molhada.
Ele cambaleou dois passos para trás contra a vontade e eu saí sem olhar.
Passei pela porta da academia sem nem dar tchau direito para a Jess, entrei no carro e voltei para casa. A Jú já tinha levantado e estava limpando o apartamento, tinha folga nas sextas.
– Oi. — entrei mau humorada.
– Nossa que cara é essa? — Jú perguntou me olhando.
– Um idiota na academia... — falei virando os olhos.
– Bonitinho pelo menos? — ela riu.
– Hum... nem reparei. — falei porque não queria dar moral para aquele aquele... grosso!
– Sei. — ela riu e fingiu pigarrear.
– Aff, Júlia, por favor. — falei rindo e virando os olhos.
– Ok, ok, agora pode tratando de vir ajudar aqui.
– Ah... — reclamei e a Jú me jogou um paninho que ela estava usando para tirar o pó. — Ei!
– Vai, anda logo e não reclama. — ela mandou.
Fui no quarto e coloquei uma bermuda jeans velha e uma camiseta, voltei e passei a manhã toda limpando a casa com a Júlia. Aquela mula conseguiu cair de bunda dentro do balde com água para passar pano e me derrubou junto.
De tarde, depois de almoçarmos, ficamos jogando conversa fora, depois fomos bater perna no parque e de noite pedimos pizza, estávamos cansadas de mais para sair.
Sábado. Lindo e glorioso sábado! E fui acordar com a corda pulando em cima de mim. Oh.
– Cara, sai de cima de mim sua vaca gorda! — resmunguei brava.
– Ah! Credo! Não é pra tanto sua Orca!
– Cala boca, você me acordou, eu estava num sonho tão bom... — falei rindo da cara de besta dela.
– Vai, levanta aí,, vamos almoçar na casa do Lê hoje. — ela disse com os olhos brilhando, boba.
– Ué, ele vai te apresentar para os pais agora? — perguntei sentando na cama, Lê, ou Leandro, era um peguete da Jú.
– Não, os pais dele não estão esse final de semana, aí ele chamou a gente para ir lá, e de noite tem balada.
– Ah cara, vai você, não quero ficar de vela... — reclamei.
– E quem disse quem você vai ficar de vela? — ela me olhou piscando.
– Eu heim, nem me olha assim que eu não to afim de sexo a três, credo!
– Aff! Cala boca. — ela me bateu e riu. — Anda logo.
Levantei contra minha vontade e fui tomar um banho, coloquei um shorts e uma blusinha decotada, Jú já estava arrumando alguma roupa na bolsa para a noite.
– A gente vai se arrumar lá ainda?
– Claro, ele mora no outro canto da cidade cara.
– Ah, ok então. — concordei e coloquei na minha bolsa uma saia preta de cintura alta e uma blusa branca com alguns detalhes e um decote legal, sem ser vulgar.
Terminamos de nos arrumar e fomos de carro pra casa do Lê.
– Oi, princesa. — ele disse abraçando a Jú pela cintura e dando um cheiro no pescoço dela.
– Hm... — ela suspirou se agarrando com ele.
– Gente, tem quarto lá dentro. — falei depois de ter tossido umas cinco vezes.
– Opa, já é. — ele disse puxando a Júlia que riu. — Entra Rafa, sinta-se em casa.
– Obrigada. — falei e segui eles.
Cheguei lá dentro e como eu imaginava o Caio estava jogado no sofá, eu e ele ficamos algumas vezes já, pra não segurar vela pra Jú e o Lê, mas eu não sinto nada por ele, já ele eu acho que é meio fissurado em mim.
– Amor! — ele disse vindo me abraçar. Ok, vai ficar me chamando de amor toda hora, só faltava.
– Oi, Caio. — sorri e ele me deu um selinho.
– Eu disse que não ia ficar de vela. — Jú piscou.
Tomei uma nota mental para encher a Júlia de tapas em casa. Ri com essa ideia.
– Feliz? — Caio perguntou.
– Sempre. — sentei ao lado dele.
Leandro pediu pizza e nós almoçamos, de tarde ele e a Jú foram para o quarto, que novidade. Mas eu não estava nem um pouco afim de ir com o Caio também. Não que a gente nunca tivesse ficado juntos, mas de uns tempos para cá o Caio vem achando que a gente tem algo mais além de um rolo. E ele está enganado.
– Hm... Amor... vamos lá dentro? — pediu de um jeito doce piscando em seguida.
– Ah, Caio, nem posso hoje... — menti.
– Ah...
– Podemos ver um filme. — falei com dó da carinha dele.
– Hum, eu tenho que ir lá em casa antes... pegar... é... uma roupa para a noite.
– Sem problemas. — sorri.
– Mais tarde eu volto. — ele disse e saiu.
Estava vendo TV e enjoei, aqueles dois lá no quarto deviam estar dormindo. Deixei uma mensagem no celular da Jú e saí para dar uma volta. Acabei pegando o carro e indo parar na praia de Maresias, é linda. Cheguei lá e andei pela areia molhando os pés. Bati com um surfista. Talvez eu realmente devesse começar a prestar mais atenção quando eu caminho...
– Ai! — falei esfregando meu ombro.
– Ah, foi mal cara, não te vi. — ele disse se desculpando.
– Tudo bem. — sorri, parecia um cara legal.
– Ei, qual seu nome?
– Rafaella.
– Hum... Prazer, Guilherme. — ele sorriu.
– Vai surfar? — falei reparando na prancha dele.
– é, eu e uns amigos, quer vir junto?
Nossa, ele é rápido.
– Ah.. não, de boa, não sei surfar. — dei risada.
– Se quiser posso ensinar. — ele sorriu sem malicia nenhuma.
– Valeu, mas nem trouxe biquíni.
– Anda logo seu cara! — escutamos uma voz de longe chamando pelo Guilherme.
– Tenho que ir, a gente se vê. — ele disse.
– Aham. — falei e sorri, ele se inclinou e me deu um beijo na bochecha rápido depois saiu.
Andei mais um pouco pela praia e sentei na areia, em uma parte um pouco mais vazia. Fiquei lá um bom tempo vendo o mar, a vista era mesmo maravilhosa. Ficou ainda melhor quando vi um carinha saindo do mar com uma prancha em baixo do braço, uau, que abdômen definido, e aquela água escorrendo pelo corpo... O cara balançou os cabelos uma vez e depois deu um sorriso para o amigo. Logo reconheci o amigo dele, era o Guilherme, que eu havia conhecido a pouco. Os dois fizeram um toque de mão.
Espera.
Olhei melhor... aquele cara... junto com o Guilherme...
Não...
Sim.
Oh, sim.
Era o idiota da academia.
Vi ele voltar para dentro da água, o Guilherme me viu ali sentada e veio em minha direção.
– Ei! — ele disse se jogando ao meu lado. — te encontrei de novo.
– Pois é. — Sorri, eu ainda estava vendo o amigo dele, o idiota da academia voltar para o mar.
– Eu sei que você não me conhece, e eu também não te conheço, mas cara, está vendo aquele meu amigo lá? — ele apontou para o idiota no mar – então, eu estou afim da irmã dele, e hoje de noite tem balada na Sirena, eu quero ir e vou chamar ela, mas ai meu parceiro vai ficar sozinho... Será que você não quer ir junto, tipo, só para quebrar meu galho e eu conseguir ficar com a irmã dele? — ele começou a rir com a ideia maluca e eu também.
– Você é louco. — falei rindo. — Você fala com todo mundo que acaba de conhecer desse jeito? Quer dizer, chama a primeira pessoa que aparecer na sua frente para sair com seu amigo e você poder ficar com a irmã dele?
– Ué, só quero levar ela na boate... e esse chato não vai me deixar pegar a irmã se não tiver companhia... Ai você poderia distrair ele, fazer ele olhar pro lado... alguma coisa assim. — Guilherme disse provocando novas risadas.
– Na verdade, eu acho que já conheço seu amigo, e suponho que não iriamos nos dar bem. — falei rindo.
– É? Conhece de onde? — ele perguntou curioso.
– Da academia Estil, seu querido amigo é um idiota. — sorri e o Guilherme acompanhou.
– Isso não deixa de ser verdade, ele sempre foi... — ele concorda.
– E você iria me empurrar pra ele? — falei com irônia.
– Não disse que você teria que ficar com ele, só disse que tinha que distrair enquanto eu saía para o lado com a Fer. — ele deu de ombros. — Mas, voltando ao assunto, vocês fazem academia juntos?
– Não, quer dizer, a partir de agora sim, eu acho, eu tive que mudar meu horário, por causa do meu emprego, então passei a ir nas sextas de manhã, e ontem tive o desprazer de ficar toda molhada por causa dele. — virei os olhos.
– Era você? — ele pareceu surpreso.
– Eu o quê? — fiquei confusa.
– A garota da água... era comigo que ele estava falando quando vocês se chocaram, foi engraçado. — Guilherme segurou o riso.
– Aff, não acredito, a culpa foi sua! — falei empurrando ele e rindo.
– Foi nada, você que estava com a garrafa. — deu de ombros.
– Valeu hein. Fiquei toda molhada por causa do seu amiguinho e, ele é um idiota.
– Ele disse o mesmo de você. Ou quase o mesmo... — Gui disse refletindo.
– O que ele falou de mim?
– Disse que o que tinha de bonita tinha de chata.
– Aham, imagino o ''bonita'' que ele deve ter usado.
– Não, sério, ele usou a palavra bonita mesmo, não foi nada do tipo ''gostosa'', ''filé''... enfim... — ele deu risada.
– Sei, sei. — dei risada. — Mas ele ainda é um idiota.
– Quer conhecer?
– Ele? Não, obrigada. — ri. — já tenho que ir embora.
– Ah, que pena, ele falou de você hoje de novo. — Gui disse pensativo.
– É? — fiquei curiosa.
– Aham. Disse que era louca.
– Aff. — virei os olhos e dei risada. — Mas então, você disse que vai na Sirena de noite não é? A gente se vê por lá então, se eu encontrar seu amigo viro uma latinha de cerveja na cabeça dele para você poder ficar com a Fer...
– Opa! Adorei a ideia. — ele riu e levantou comigo.
– A gente se vê... — falei acenando enquanto ia embora.
– Até logo. — ele sorriu e depois correu para o mar.
Entrei no meu carro e voltei pra casa do Leandro.
– Oi sumida, onde você estava hein? — Jú me olhou safada.
– Aff! Deixa de ser safada mulher! — dei risada.
– Ih... ai tem! — riu.
– Fica quieta. — me joguei em cima dela no sofá. — tem nada.
– Conta. — ela cruzou os braços.
– Só fui na praia.
– E tinha coisa boa por lá?
– Se coisa boa significar corpos sarados, então tinha sim.
– Opa! Pegou quantos?
– Credo, Jú! — dei risada. — não peguei ninguém não, mas você não vai acreditar em quem eu vi por lá.
– O carinha da academia? — ela falou e mordeu o lábio.
– Como sabe? — perguntei intrigada.
– Será que é pelo fato de que ontem, o dia todo e a noite toda você ficou xingando o cara só porque se molhou por culpa dele? Hum... é, acho que é por isso.
– É, mas ele também saiu molhado. — retruquei.
– Tá, tá... falou com ele? — ela quis saber.
– Não, conheci o amigo dele.
–Bonitinho?
–Bastante, mas está interessado na irmã do idiota lá.
– Hum... mas não chegou a falar com o ''idiota''. — ela fez aspas com a mão quando disse idiota.
– Não, o Gui quis me apresentar, mas eu não estou afim de conhecer o mané.
– Gui é? Hum... quanta intimidade...
– Júlia, vai tomar no seu... — falei e dei um empurrão leve nela, depois rimos. — e o Leê?
– Foi no mercado, já vem.
– Ah, sabia que ele vai estar na Sirena de noite?
– Quem? — ela disse confusa.
– O idiota...
– E o amigo também?
– Aham.
– Sei. — ela me olhou desconfiada e nós duas começamos a rir.
O resto da tarde passou e começamos a nos arrumar para a boate.
– Passa mais perfume ai fedorenta. — Jú brincou.
– Júlia, estou fazendo sinais ofensivos para você mentalmente, ok? — dei risada guardando o vidrinho.
– Prontas, meninas? — Leê colocou a cabeça dentro do quarto.
– Prontinhas! — ela disse agarrando ele pelo pescoço e beijando.
– Vamos lá. — concordei.
Saímos. Leandro me disse que o Caio iria nos encontrar lá na frente, ele não voltou a tarde toda, teve que fazer alguma coisa para o pai dele. Chegamos na frente da boate e Caio estava esperando.
– Finalmente. — ele disse e me abraçou. — que delicia. — falou no meu ouvido.
– Vamos entrar? — virei os olhos por causa do comentário dele.
– Vamos logo gente. — Jú me puxou e fomos indo na frente dos dois.
Estava lotado, também, aquela boate é a melhor. Passamos logo pelo bar e começamos bebendo ice. Depois peguei uma latinha de cerveja enquanto Caio me agarrava por trás.
– Caio... — falei. — Eu quero curtir hoje a noite, ok?
– Como assim?
– Eu sou solteira, e quero aproveitar, então não fica agindo como se namorássemos...
– Ah, beleza então. — ele falou e saiu meio irritado eu acho, mas que se dane, não namoramos, não temos qualquer coisa que seja. Pensei e dei de ombros.
Acabei ficando sozinha ali, mas isso não ia me impedir de ir dançar, a Jú estava na pista perto do Leê, fui andando até lá quando esbarrei em alguém sem querer.
– Ah, foi mal! — falei levantando a cabeça.
Oh, saco.
Era o cara da academia, quase não acreditei. Os olhos dele estavam nos meus, e aquilo realmente era muito estranho, porque foi como se eu tivesse parado de ouvir a música eletro que tocava.
– Opa, aprendeu a pedir desculpas? — ele cruzou os braços.
– Aff, vai a merda você. — reclamei voltando ao normal e passando por ele que puxou meu braço.
– Ei, espera. — pediu.
– Que é?!
– É que... ah, esquece. — ele disse e saiu balançando a cabeça, garoto doido.
Cheguei perto da Júlia e comecei a dançar.
– Ei, valeu. — alguém pegou no meu ombro e ouvi uma risada.
– Hã? — virei para olhar e vi o Gui. — ah, oi Gui! — sorri.
– Vim agradecer por distrair o Enzo. — ele falou rindo.
– Quem? — eu estava confusa.
– O Enzo, o idiota. — ele deu risada outra vez. — Vocês se encontraram e ele deixou eu e a Fer sozinhos. — ele riu passando a mão nos cabelos.
– Ah... — dei risada – não foi nada.
– Quer conhecer a Fer?
– Hum... ela... não vai achar estranho você apresentar uma menina que mal conhece?
– Que nada, ela ouviu o Enzo o resto da tarde toda hoje, depois que eu falei que encontrei você. Mas não conta para ele que eu disse isso. — ele piscou, eu ri.
– Ok, vamos conhecê-la. — me dei por vencida.
Gui me levou até uma garota loira, muito linda.
– Fer, essa é a famosa Rafaella. — Gui apresentou piscando para a Fer, tinha coisa ali. Hm.
– Ei, olá! — ela sorriu e me deu um beijo no rosto. — prazer, Fernanda.
– Oi, Rafaella, Rafa... — sorri.
– A famosa Rafa! — ela e o Gui riram.
– Famosa porque? — arregalei os olhos.
– Nada... o Enzo que me encheu o saco a tarde toda... — Fer deu de ombros.
– Ah... eu e seu irmão não nos damos muito bem.
– É, eu percebi. — ela riu e eu também. — mas apesar de crianção, ele é legal.
– Falando nele, onde ele foi parar que eu não vi? — Gui perguntou.
– A gente se encontrou e depois ele foi lá pra fora eu acho... — falei.
– Ei, Rafa! — ouvi a voz da Jú e logo depois ela estava parada no meu lado, meio bêbada. — oi! — ela disse ao Gui e a Fer.
– E ai. — ele sorriu.
– Oi! — Fer disse sorrindo também.
– Jú, esse aqui é o Gui, e essa é a Fernanda, gente essa é a Júlia. — sorri.
Eles se cumprimentaram e o papo acabou fluindo legal entre nós. A Fernanda surfava e tinha voltado de Paris a uma semana. Fazia faculdade de moda e agora queria abrir uma loja de moda praia, com biquínis e tal... Gui trabalhava numa empresa, nem perguntei qual, começamos a beber e dançar juntos.
– Ei, olha quem está voltando. — Gui falou e eu virei para trás, vi o Enzo vindo lá de fora. Voltei a olhar para frente dançando com o pessoal.
Senti uma mão passando pela minha cintura e olhei para trás outra vez. O Caio estava ali me abraçando.
– Caio? — perguntei, afinal achei que ele tivesse ido embora.
– Aham, nossa, falei que você está cheirosa de mais? — ele disse beijando meu pescoço.
– Ah, pois é. — dei uma risadinha leve. Ele estava bêbado.
Enzo chegou ali.
– Estou indo embora. — ele disse para a Fer sem olhar para mim e o Caio ali.
– Ah, já? — ela reclamou. — queria ficar mais.
– Fica comigo, depois te levo. — Gui sorriu.
– Beleza. Estou indo então. — Enzo virou e saiu andando, mal educado, nem para dar tchau para a gente que estava ali.
– Nossa, ele está de mau humor. — Gui comentou.
– Foi mal ai gente. — fer deu de ombros se desculpando pela atitude do Enzo.
Leandro chegou ali com duas garrafinhas de ice.
– Aqui. — deu uma para a Jú que retribuiu com um selinho.
– Leê, esses aqui são Fernanda e Guilherme. Gente, esse aqui é o Leandro, meu... — ela parou de falar indecisa.
– O quase futuro namorado dela. — Leê disse e eu ri dos dois.
– Hã? — Fer perguntou meio confusa.
– É, eles vivem se pegando mas não se assumem. — dei de ombros.
– Ei, Leandro Rouch? — Gui perguntou curioso.
– Espera ai... Guilherme Andrade? — O Leê retribuiu na mesma curiosidade.
– Cara! Não acredito! — os dois se cumprimentaram com um toque de mão e depois um quase abraço.
– Ok, estou confusa. — Jú falou.
– Estudei com o Guilherme no terceiro ano... — Leê explicou.
– Nossa, quanto tempo! Eu saí daqui por um ano e quando voltei só tinha contato com o Enzo ainda.
– Que mundo pequeno! — Leê começou uma conversa animada.
– Nunca imaginei te encontrar de novo assim. — Gui disse e eles concordaram.
– E tem lugar melhor pra me achar? — Leê piscou.
– É, definitivamente, a gente sempre se encontrava nas baladas fugindo da escola a noite. — riram.
Os dois riram e ficaram conversando, Caio meio que ficou de lado, eu também estava numa conversa animada com as meninas.
Já passava das três da madrugada quando voltamos para a casa do Leandro. Logo que a gente chegou eu falei para a Jú dar um jeito nas coisas, porque eu não estava a fim de dormir com o Caio.
– Dorme no quarto dos pais do Leê, o Caio já deve estar no de hospedes. — Jú deu de ombros.
– Ok.
– Ei, o tal Enzo ficou com ciumes de ver você com o Caio? — ela perguntou se enganchando no meu braço e indo comigo até o quarto.
Cerveja realmente faz as pessoas perderem a noção do mundo, no caso da Júlia, completamente.
– O que? Você está maluca? Misturou cachaça com ração de gato? — dei risada – Nunca. Ele deve ter ficado irritadinho porque nenhuma deu bola pra ele.
– Ah, acho que não hein, só na hora que ele estava saindo eu vi umas cinco nele, isso no tempo que eu vi né. — ela deu risada.
– Aff Jú, ele nem é tudo isso. E por favor né, que motivo teria... a gente nunca sequer trocou duas palavras direito.
– Se você diz... — ela riu de mim e eu entrei no quarto.
Deitei na cama e não demorei para pegar no sono.
Domingo. Acordei bem tarde, já passava do meio dia, fui para a sala, a Jú e o Lê estavam nos amassos como sempre.
– Bom dia. — falei bocejando e me jogando no outro sofá.
– Amém. — Jú riu. — bom dia.
– E ai. — Leê disse também.
– Ué, e o Caio? — perguntei.
– Foi embora ontem mesmo, depois que você deixou o coitado dormir sozinho. — Jú fez bico.
– Ah... — dei uma risada e senti minha cabeça doer. — puta merda, que dor de cabeça.
– Da próxima vez bebe mais. — Leê riu.
– Vá plantar bananeira no jardim, Leandro. E aquela história de conhecer o Gui?
– Pois é, foi legal rever ele. Éramos parceiros.
– Humm.
Eu e a Jú passamos a tarde ali, depois fomos embora porque tinha que trabalhar amanha. Fui dormir cedo porque queria estar bem disposta no primeiro dia, tinha que agradar ao senhor Machiello.
Segunda. Acordei as sete horas, começava as nove a trabalhar, mas queria ter a certeza de que não me atrasaria. Coloquei uma roupa, tomei café e depois terminei de me arrumar, ajeitei minha bolsa, Jú já tinha saído para o serviço dela, fechei a porta e saí.
Parei na frente do enorme prédio de não sei quantos andares, estacionei o carro e depois fui em direção a porta de entrada.
Uma mulher loira de meia idade veio até mim.
– Pois não? — perguntou.
– Sou a estagiária do senhor Machiello. — sorri.
– Ah, sim, claro! Rafaella, certo?
– Sim.
– Bom, sou Maria, seu andar é o último. Parabéns pela vaga, é extremamente difícil ser escolhida como estagiária do Machiello.
– É, foi concorrido mesmo, os anos de faculdade e cursos de inglês e francês ajudaram muito.
– Boa sorte. Se precisar de algo, estarei aqui. — Ela sorriu enquanto eu ia para o elevador.
– Obrigada. — murmurei.
As portas do elevador se fecharam e havia umas sete pessoas comigo lá dentro. Fiquei quieta no meu canto enquanto eles conversavam.
Logo estava sozinha lá dentro e depois cheguei ao meu andar. Saí e fui em direção a mesa da secretária. Havia várias salas naquele andar, pelo que notei, era enorme.
– Bom dia, sou Rafaella Belmontt. — sorri me dirigindo a mulher que deveria ser a secretária chefe do andar.
– Ah! Olá! — ela sorriu. — Bem vinda, sou Betina.
– Obrigada. Então, começo fazendo o que? — perguntei para mostrar interesse.
– Calma, primeiro vou te levar até o Augusto, ele disse que faz questão de conhecer você.
– Ah sério? Que medo! — eu dei risada e ela também riu de mim.
– Se acalme, ele é um homem sério, mas é muito legal. — Betina deu de ombros, era uma mulher mais velha que eu, uns vinte e cinco anos mais velha talvez, mas era bonita.
– Ufa. — soltei o ar.
– Vamos lá.
Passamos por quatro portas, três entreabertas e eu vi pessoas trabalhando em seus computadores. Uma delas ainda estava fechada.
– Esta é a sala do filho do Augusto, esse menino já devia ter chegado... é um dorminhoco mesmo. — Eu ri do modo doce como a mulher falava, ela parecia intima, ou então da família.
– Você trabalha a tempo aqui? — perguntei.
– Há bastante tempo. Augusto sempre foi um excelente patrão.
– Hum. É bom trabalhar aqui?
– Você vai gostar, tenho certeza. É aqui. — ela parou em frente a duas portas juntas. Bateu duas vezes de leve e a abriu.
– Senhor Augusto, a senhorita Rafaella chegou.
Apareci atrás da Betina sorrindo.
– Olá. — falei.
O homem mais parecia um ator de cinema, cabelos já grisalhos e um olhar firme e sério. Ele tirou os olhos do papel que tinha nas mãos, olhou para nós ali na porta e se levantou. Um breve sorriso se formou em seu rosto e ele pareceu menos assustador, estendeu a mão para apertar a minha.
– Olá. Bem vinda, Rafaella.
– Obrigada.
Betina acabou terminando as apresentações, depois me levou de volta para a mesa que ficaria perto da mesa dela, no inicio daquele corredor.
– Viu? Ele é legal. — ela me tranquilizou.
– É sim. — sorri feliz por me sentir bem naquele lugar.
– Esta será sua mesa, qualquer coisa eu estarei sempre aqui.
– Ah, ok. — sorri e sentei na confortável cadeira.
Se passaram cinco minutos, Betina havia ido buscar alguma coisa em uma daquelas salas e tinha me mandado ir organizando minha mesa.
Estava tudo ajeitado, peguei uma caneta e fiquei girando distraída. Então, a porta pela qual eu havia entrado um tempo atrás para meu primeiro dia de emprego se abriu, fiquei em pé para ver quem era... ou sei lá... E congelei da mesma forma como ele congelou ao me ver.
O tapado da academia, o doido da boate... Enzo, ali na minha frente tão confuso quanto eu.
– Hum... veio pedir indenização por eu ter molhado sua blusa? — senti o tom de irônia dele.
– Ou você veio pedir alguma coisa por eu ter estragado seu cabelinho de gel. — devolvi.
Nessa hora Betina chegou ali.
– Enzo. — ela sorriu. — Esta aqui é a Rafaella, estagiária escolhida por seu pai.
Por seu o quê?!
Quase tive um ataque quando ela disse a palavra ''pai'', não acredito que esse idiota é filho do senhor Augusto.
– Ela? — ele perguntou ainda confuso.
– É, algum problema? — Betina pareceu confusa.
– E ela tem competência para isso? — me olhou de cima abaixo. ARROGANTE, CRETINO!
– Olha aqui, garoto, para a sua informação, eu tive a nota mais alta em uma prova com cinquenta candidatos, para falar a verdade, fui a única que conseguiu gabaritar a prova e isso em menos de três horas, ok?! — Não era o tipo de pessoa que se gabava de alguma coisa, mas ele estava merecendo.
– Hum. — ele riu se divertindo com a situação.
– Calma, Rafaella. — Betina me censurou com os olhos. Só então percebi que estava xingando o filho do meu patrão.
– Desculpa. — falei sem olhar nos olhos dele, afinal porque eu que tinha que me desculpar? Só porque ele era um riquinho metido?
– Tudo bem. — ele sorriu sincero e depois passou as mãos no cabelo com um sorriso travesso.
– Bom, vou ter que descer pegar um documento, você fica bem aqui sozinha não é? — Betina perguntou.
– Sim. Tudo certo. — sorri e voltei para minha mesa sem encarar o Enzo, confesso que fiquei com vergonha.
Betina saiu e nós ficamos a sós ali, ele tinha se escorado na parede e estava cuidando meus movimentos.
– O que foi? — perguntei olhando para ele.
– Nada ué. — ele riu e balançou a cabeça negativamente com aquele ar travesso ainda. Deu de ombros e foi caminhando para sua sala.
Deixei escapar um sorriso também.
Estava ali sozinha algum tempo já, de repente entrou um garota de óculos escuros, ela veio rápido e pareceu nem me notar ali.
– Ei, — chamei. — precisa de alguma coisa?
Ela me olhou de cima a baixo e depois me encarou.
– Quem é... você?
– Rafaella, estagiária. Deseja alguma coisa? — perguntei cortês.
– Avise ao Enzo que a Bianca está aqui. — ela disse dando um sorrisinho do tipo ''anda logo queridinha''.
Levantei e fui em direção à sala dele, eu poderia ter usado o telefone, com certeza havia uma linha direta, mas como eu ainda não sabia qual o numero, preferi ir até lá.
Bati na porta.
– Entre. — ele disse lá de dentro.
Abri a porta devagar e dei um meio sorriso ao ver que a sala dele não era cheia de jogos como eu havia imaginado. Ele estava atrás do computador e lia alguma coisa, me olhou.
– É... Bianca mandou avisá-lo que está aqui.
– Ah, não. — ele virou os olhos e suspirou.
– Hum... se quiser posso dizer que você está em reunião. — falei não sabendo se era uma boa ideia para ele isso.
– Sério? — ele levantou e veio até mim.
– É, tudo bem, quer dizer... por mim. — dei de ombros.
– Sabe que você não é tão chata quando pareceu.
– Já você continua me parecendo o mesmo idiota. — falei baixo mas percebi que não foi baixo o suficiente. — Opa. — segurei o riso.
– Só perdoo porque vai me ajudar a escapar da Bianca.
– Ok, vou lá antes que ela venha aqui.
Dei as costas e notei que ele demorou uns segundos até fechar a porta.
– Bianca... — ela me cortou.
– Dona Bianca. — corrigiu, eu quase olhei incrédula para aquela garota.
– Dona Bianca, o senhor Enzo está ocupado agora.
– Hum. Ele vai demorar?
– Talvez leve a manhã toda, está em reunião.
– Ok. Diga que estive aqui e que estou esperando ele para almoçar no Yorken.
– Direi. — sorri e ela saiu dali sem nem dizer ''obrigada''.
Fui até a sala dele de novo, bati e ele veio abrir.
– Oi, e ai? — perguntou quase passando por cima de mim para ver se a garota tinha ido embora.
– Bom, embora ela foi, mas disse que esperaria você no... Yor... Yorkun? Acho que é isso.
– Yorken. — ele corrigiu rindo. — é um restaurante. Nunca foi lá?
– Hum... Não. — respondi.
Ele riu de novo. Nossa, que sorriso lindo.
– Então, obrigado. — ele disse dando outro sorriso torto fascinante.
– Estou aqui para isso, eu acho. — segurei uma risada e a porta da sala do senhor Augusto se abriu.
Ele nos olhou e veio em nossa direção.
– Enzo, ao menos um dia poderia levantar na hora certa? — ele disse um pouco autoritário. — Rafaella, preciso que me traga duas cópias disto aqui.
– Sim, senhor.
Enzo tinha ficado meio rígido com a presença do pai ali. Augusto deu as costas e voltou para sua sala.
– Saco. — ele reclamou.
– O que foi?
– Nunca está bom pra ele. Me atrasei o que? cinco minutos?
– Hum... acho que foram vinte.
Ele virou os olhos.
– Talvez se você colocar o despertador para tocar vinte minutos mais cedo, não se atrase. — falei, dei as costas e fui fazer o que o senhor Augusto pediu.
Escutei ele bater a porta, não muito forte, mas bateu, dei uma risadinha e fui fazer as cópias.
Achei a máquina de xérox, liguei e quando coloquei o negócio lá, ela emperrou, eu acho.
– Droga! — falei alto.
– Ei, calma, te ajudo com isso. — eu conhecia aquela voz.
Virei e vi o Gui ali parado.
– Rafa?
– Gui? É aqui que você trabalha?
– É... mas... o que você faz aqui?
– Lembra que mudei o horário da academia por causa do meu novo serviço? Pois é.
– Ah, sério? Não acredito! — ele riu. — você é a estagiária do Augusto?
– Sim. — falei alegre.
– E você e o Enzo já se encontraram?
– Já. — virei os olhos.
– Interessante. — ele riu. — enfim... deixa que eu te ajudo com essa máquina ai.
Ele pegou os papeis e tirou cópias rapidinho. Me entregou.
– Ah, valeu mesmo!
– Que isso. — ele sorriu. — tenho que voltar para o meu trabalho.
Voltei para o meu também e fui levar as cópias na sala do senhor Augusto.
Bati e ele mandou que eu entrasse.
– Obrigado. — ele disse recebendo os papeis de minha mão.
– Mais alguma coisa?
– Bom, você fala francês, não é?
– Oui. — falei ''sim'' em francês e ele sorriu.
– Vou precisar que me acompanhe em uma reunião, hoje a tarde, pode ser?
Me assustei de começo. Mas concordei.
– Sim, senhor Augusto.
– Ah, por favor, nada de senhor comigo, isso faz eu me sentir velho. — ele disse e sorriu.
– Ok, então sim, Augusto. — dei um riso leve.
– Por favor, chame o Enzo aqui.
Saí da sala e fui chamar o Enzo. Bati ele mandou entrar.
– O Augusto mandou lhe chamar. — falei da porta.
– Augusto? — ele me olhou como se desse risada por dentro.
– Ai, que droga. O senhor Augusto então! Decidam-se.
– Hã?
– Ah, esquece. — falei. — Ele pediu pra você ir até lá.
Enzo levantou e veio na minha direção parando na minha frente.
– Vai me deixar passar ou está difícil? — ele disse me imitando, lembrando o dia na academia.
– Diferente de você, sou educada. — falei e dei passagem para ele.
Acompanhei Enzo até a porta da sala do pai.
– Rafaella, fique você também, por favor. — Augusto pediu.
Entrei e ele mandou que nós dois sentássemos nas cadeiras a sua frente.
– Enzo, esteja aqui no horário hoje a tarde, teremos uma reunião importante. Você também Rafaella, gostaria, se possível, que chegassem uns dez minutos antes. Tudo bem?
– Ah pa... — Enzo ia começar.
– Estaremos aqui. — cortei ele.
– Ótimo. Podem sair.
Saímos da sala e o Enzo impediu que eu passasse por ele.
– Que história é essa? — ele perguntou me encarando.
– O que?
– Desde quando manda em mim.
– Não mando em você. — dei de ombros.
– Então porque respondeu por mim?
– Porque provocar uma briga desnecessária com seu pai? — perguntei de volta. Ele me encarou, pensou por dois segundos.
– Valeu, de novo. — suspirou e disse sem jeito.
– Você tem que crescer um pouco e arcar com suas responsabilidades senhor Machiello. — falei dando um sorriso e andei em direção a meu local.
– Tenho é? — ele disse atrás de mim, me virei na hora e nossos corpos se chocaram.
– É... bom... quer dizer. — perdi a fala, perfume delicioso.
– Então, que tal almoçar comigo? Ai você me ajuda a chegar na hora certa.
Encarei aqueles olhos e vi uma pontinha de malicia naquela sugestão.
– Acho melhor não. — fui para minha mesa e ele não me seguiu, Betina já estava ali.
O resto da manhã passou rápido, fiz mais algumas coisas, ajudei Betina com outras. Doze horas era a hora do nosso almoço, até as duas da tarde.
Saí do escritório e tirei o leve casaquinho que havia colocado de manhã. Cheguei no meu carro e vi o pneu de trás murcho. Que maravilha, ficaria sem almoçar.
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