Opostos Equivalentes
3 Onibus
Eu não costumo pegar ônibus, eu quase nunca nem tenho a necessidade afinal eu tenho uma moto mas hoje me deu a súbita vontade de entrar em um e ir pra casa da minha avó e ela não era bem uma fã de motos já que foi por causa de uma que hoje ela está andando de muletas, o que não a impede muito de xingar todo mundo e sair por ai como se fosse a mulher mais jovem do mundo. Eu definitivamente amo a minha avó.
Mas hoje em especial, foi um dia bom, começando pelo fato de que meu irmão mais velho veio nos visitar e agora no ônibus eu posso ver a garota do café no banco a minha frente. Não posso reclamar da música alta que está ouvindo pelos fones porque essa é uma droga de uma música boa e ela parece gostar, bastante.
Tiro um dos fones do seu ouvido e sorrio quando vira para me olhar.
—ouvir música muito alta pode prejudicar a audição. – ela sorri e se ajeita na cadeira para ficar me olhando.
— na verdade minha audição já é afetada pela minha falta de atenção e para falar na verdade outra vez, a música é boa demais pra eu querer ouvir um mundo ruim.
— uoh – rio fraco. – gosta de filosofia? – percebo que está considerando a pergunta pelo jeito como está me olhando.
— bem, gosto, talvez mais que sociologia, ou talvez não, o professor faz a matéria ser boa. – ela sorri. –mas o que uma coisa tem a ver com a outra?
— é que, bem, o que disse pode ser como uma frase filosófica, com um sujeito estranho. – rio. – mas uma boa frase, e pessoas que conseguem fazer isso quer dizer que tem um bom conhecimento de teologias filosóficas ou seja, você gosta de filosofia. – ela sorri e morde o lábio inferior antes de falar.
— é um bom argumento, e algo meio complexo de se entender quando se ouve. – rio. – mas interessante, e verdadeiro é claro. – sorrio.
— não sou muito de errar.
— ah é senhor sei de tudo?
— basicamente. – rio. – então? Quando vai no café outra vez provar algo diferente.
— ah. – ela ri. – então é isso, eu te conheço do café, eu estava tentando me lembrar.
— nossa. – rio e passo a mão por meu cabelo comprido. – ninguém nunca me disse na cara que esqueceu quem eu sou...talvez seja porque é difícil me esquecer.
— não pra mim. – rio. – desculpe, eu tenho uma memória fraca. Eu me lembrava de você so não sabia de onde sabe? Isso acontece com frequência.
— entendi. – rio.
—mas respondendo a sua pergunta. Eu não sei, tenho que ter dinheiro para comprar o café e bem, eu não tenho ninguém para ir.
—mas da primeira vez você foi sozinha.
— eu não tinha nada melhor para fazer. – ela dá de ombros. – e bem, agora que eu sei que é bom, tenho que levar alguém certo?
— muito certo. – sorrio. – quanto mais clientes, melhor pra família.
— tudo bem. – ela ri. – vou dar um jeito de ir mais vezes e provar todos os cafés daquele cardápio.
— é isso o que você quer? – rio.
— é isso o que eu gosto. Eu sou apaixonada por café, e não são tão caros então da pro gasto.
— se for por isso, posso te ajudar a provar, eu posso falar com meu irmão e você vai la.
— o que isso significa exatamente?
— ahm...uma prova de graça?
— oh... então eu não quero. – franzo o cenho confuso.
— e porque não?
— porque eu prefiro pagar. Não gosto nem que paguem pra mim quanto mais me dar algo assim de graça.
— não vai custar muito.
— vai custar pra mim. – ela dá de ombros com uma careta. – não se ofenda. Eu sou orgulhosa assim mesmo.
— não, tudo bem. – eu sorrio. – não tem problema, você pode ir la quando quiser ainda.
— eu vou, pode apostar. – ela sorri e se levanta até se sentar ao meu lado e me oferecer o outro fone. – ah depender do seu gosto você vai gostar das músicas.
— então vamos ver se eu vou gostar mesmo, do seu estilo. – ela sorri.
— eu tenho um estilo de música muito boa so pra você saber. – ela ri e aperta o play e então a música The Scientist da Corinne Bailey Rae começa a tocar.
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