Eu não costumo pegar ônibus, eu quase nunca nem tenho a necessidade afinal eu tenho uma moto mas hoje me deu a súbita vontade de entrar em um e ir pra casa da minha avó e ela não era bem uma fã de motos já que foi por causa de uma que hoje ela está andando de muletas, o que não a impede muito de xingar todo mundo e sair por ai como se fosse a mulher mais jovem do mundo. Eu definitivamente amo a minha avó.

Mas hoje em especial, foi um dia bom, começando pelo fato de que meu irmão mais velho veio nos visitar e agora no ônibus eu posso ver a garota do café no banco a minha frente. Não posso reclamar da música alta que está ouvindo pelos fones porque essa é uma droga de uma música boa e ela parece gostar, bastante.

Tiro um dos fones do seu ouvido e sorrio quando vira para me olhar.

—ouvir música muito alta pode prejudicar a audição. – ela sorri e se ajeita na cadeira para ficar me olhando.

— na verdade minha audição já é afetada pela minha falta de atenção e para falar na verdade outra vez, a música é boa demais pra eu querer ouvir um mundo ruim.

— uoh – rio fraco. – gosta de filosofia? – percebo que está considerando a pergunta pelo jeito como está me olhando.

— bem, gosto, talvez mais que sociologia, ou talvez não, o professor faz a matéria ser boa. – ela sorri. –mas o que uma coisa tem a ver com a outra?

— é que, bem, o que disse pode ser como uma frase filosófica, com um sujeito estranho. – rio. – mas uma boa frase, e pessoas que conseguem fazer isso quer dizer que tem um bom conhecimento de teologias filosóficas ou seja, você gosta de filosofia. – ela sorri e morde o lábio inferior antes de falar.

— é um bom argumento, e algo meio complexo de se entender quando se ouve. – rio. – mas interessante, e verdadeiro é claro. – sorrio.

— não sou muito de errar.

— ah é senhor sei de tudo?

— basicamente. – rio. – então? Quando vai no café outra vez provar algo diferente.

— ah. – ela ri. – então é isso, eu te conheço do café, eu estava tentando me lembrar.

— nossa. – rio e passo a mão por meu cabelo comprido. – ninguém nunca me disse na cara que esqueceu quem eu sou...talvez seja porque é difícil me esquecer.

— não pra mim. – rio. – desculpe, eu tenho uma memória fraca. Eu me lembrava de você so não sabia de onde sabe? Isso acontece com frequência.

— entendi. – rio.

—mas respondendo a sua pergunta. Eu não sei, tenho que ter dinheiro para comprar o café e bem, eu não tenho ninguém para ir.

—mas da primeira vez você foi sozinha.

— eu não tinha nada melhor para fazer. – ela dá de ombros. – e bem, agora que eu sei que é bom, tenho que levar alguém certo?

— muito certo. – sorrio. – quanto mais clientes, melhor pra família.

— tudo bem. – ela ri. – vou dar um jeito de ir mais vezes e provar todos os cafés daquele cardápio.

— é isso o que você quer? – rio.

— é isso o que eu gosto. Eu sou apaixonada por café, e não são tão caros então da pro gasto.

— se for por isso, posso te ajudar a provar, eu posso falar com meu irmão e você vai la.

— o que isso significa exatamente?

— ahm...uma prova de graça?

— oh... então eu não quero. – franzo o cenho confuso.

— e porque não?

— porque eu prefiro pagar. Não gosto nem que paguem pra mim quanto mais me dar algo assim de graça.

— não vai custar muito.

— vai custar pra mim. – ela dá de ombros com uma careta. – não se ofenda. Eu sou orgulhosa assim mesmo.

— não, tudo bem. – eu sorrio. – não tem problema, você pode ir la quando quiser ainda.

— eu vou, pode apostar. – ela sorri e se levanta até se sentar ao meu lado e me oferecer o outro fone. – ah depender do seu gosto você vai gostar das músicas.

— então vamos ver se eu vou gostar mesmo, do seu estilo. – ela sorri.

— eu tenho um estilo de música muito boa so pra você saber. – ela ri e aperta o play e então a música The Scientist da Corinne Bailey Rae começa a tocar.

Notas finais
Com amor, Nina Lovelace