Opostos
2 Entre a Luz e a Espada.
Notas iniciais
A primeira semana de primavera estava linda, o sol mantinha um calor aconchegante e as pessoas de Midien celebravam a alegria da nova estação. Allana, uma bruxa de 17 anos, cabelos na altura dos ombros lisos e negros, pele clara e de olhos escuros assistia com alegria a partida dos cavaleiros. Mil coisas se passavam em sua cabeça mas qualquer preocupação naquele momento se tornava irrelevante.
Apos a saída dos cavaleiros, Allana correu em direção ao templo da deusa Asha, entidade que era reverenciada pelos bruxos e o templo lhes servia de morada, a primeira semana do novo ano era de muita importância para os bruxos, pois no festival de primavera a primeira colheita seria oferecida a deusa. Allana tinha um papel muito importante nesse evento, pois nesse ano ela receberá o titulo de feiticeira e então seu treinamento como caçadora de vampiros estará completo. Allana corria o máximo que suas pernas lhe permitiam e como as ruas da cidadela estavam cheias de pessoas, ela continuamente dava tombadas nos outros.
Na floresta das lótus, o grupo de caça de Adrian havia conseguido comida o suficiente para alimentar as familias de Starfall durante a semana, os homens preparavam as carruagens para voltar a cidadela, quando uma presença muito incomum lhes chamou a atenção.
Um homem de estatura mediana, cabelos compridos quase chegando aos quadris, caminhava entre os cavalos de cabeça baixa. Seus cabelos eram impressionantemente brancos, o homem caminhava descalço, e sua única veste era um quilt esfarrapado com um brasão preso a ele.
Os cavaleiros olhavam curiosos para a figura que se aproximava e sorrindo lhes dizia:
– Ora, ora, ora.... Mas que surpresa! Acabo de sair para cuidar do meu jardim e o que encontro? Um bando medíocre de vândalos atacando meus preciosos animais...
Edmond sacou sua espada e foi o primeiro a se manifestar.
– Quem pensa que é para falar assim dos cavaleiros de Starfall? Estamos aqui em nome do rei e do santíssimo papa e esta floresta está muito longe da sua casa senhor, se retire se não quiser problemas!
O homem começou a rir insanamente e os cavaleiros olhavam uns para os outros imaginando que o homem devia estar louco.
– Problemas? Hahahahaha. São vocês que não sabem o que é se meter em problemas, por acaso sabem quem eu sou? Saibam que quem está longe de casa são vocês e que este é o meu domínio.
Os homens sentiram um arrepio lhes percorrer a coluna. Que tipo de louco teria poder para lhes fazer sentir assim? Seria esse homem um vampiro? Também não faz sentido, devem faltar pelo menos mais três horas para o pôr do sol. Os pensamentos começavam a se embaralhar na cabeça de Edmond, o suor lhe brotava na testa, a tensão fazia seus músculos contraírem e a dúvida não lhe saía da cabeça, quem é esse homem?
Enquanto Edmond se perdia em pensamentos o estranho homem movendo-se em uma velocidade impressionante, passou por Edmond e cravou suas presas no pescoço de Elton, um cavaleiro veterano que estava ao lado. Vendo a cena monstruosa que acontecia, os cavaleiros ficaram sem ação e enquanto o vampiro bebia o sangue que jorrava das artérias de Elton, seus olhos e cabelos se tornavam vermelhos como o sangue e o homem que antes tinha uma aparência frágil e inofensiva ganhava agora um físico como de um guerreiro, cheio de músculos.
– Ah... Dizia o vampiro ao se levantar. — Como é bom o gosto do sangue depois de tanto tempo longe dele. Quero mais!!
E após dizer essas palavras, o vampiro se lançou em cima de outro cavaleiro que estava ao lado.
Ângelo, um dos mais novos cavaleiros da tropa de Adrian, perguntou a Edmond:
– Se eu não estou enganado, vampiros não deviam morrer no sol?
Edmond meio desnorteado respondeu.
– Se deveriam ou não, de nada importa neste momento. Homens atenção! Bradava o guerreiro a todo pulmão — As armas! Vamos destruir esse demônio!!
Os guerreiros restantes sacaram suas espadas e escudos, colocaram se em formação de combate.
– Iremos sobreviver, não decepcionaremos o capitão!!
E a voz de Edmond inflamou os cavaleiros, que se lançaram ao combate como loucos.
Adrian voltava com Reinhardt e Alphonse na maior velocidade que seus cavalos podiam alcançar, e logo sons de batalha chegavam a seus ouvidos.
– Capitão, está ouvindo? Parece que está havendo um combate e o som vem da direção do acampamento.
– Estou sim Alphonse, só rezo para que seja uma luta contra saqueadores....
Sem entender a resposta que foi dada, a cavalgada pela floresta continuou.
Ao chegarem no local do acampamento, a cena não podia ser pior. Quase metade do regimento estava caída e os outros lutavam desesperadamente contra um único homem. Adrian avançou em direção ao combate e sacando sua espada mirou o pescoço do agressor e quando passou por ele tinha certeza que havia lhe decepado a cabeça.
Allana chegou no templo, e ao entrar encontrou suas amigas Igniz e Vreth a esperando.
– Nossa Allana, por onde andou? Já estava cansada de te esperar...
Dizia uma já transtornada Igniz.
– Me desculpem meninas, eu fui assistir a partida dos cavaleiros e perdi a noção do tempo.
– Tudo bem Allana, o lord Dargul ainda não está aqui, um mensageiro veio ainda a pouco e o levou para o castelo. Respondia um sorridente Vreth.
– Nossa que raro!? Um bruxo na frente do rei? Não é algo que vemos todo dia, será que aconteceu algo grave? Perguntava Allana se sentindo perdida.
– Espero que não, mas logo saberemos. O senhor Dargul disse que não demoraria. Dizia Igniz tentando tranquilizar a amiga.
– Ah sim...
– Meninas, vamos lá. Já está quase na hora de iniciarmos nossa preparação. Dizia Vreth ainda com o sorriso no rosto.
Allana, Igniz e Vreth, eram amigas de infância, cresceram e estudaram juntas o caminho da magia. Nenhuma delas jamais entendeu de fato o por quê de serem tratadas como lixo pelas outras pessoas, afinal elas eram poderosas. Se os bruxos se unissem poderiam governar a cidade, mas para elas parecia que os anciãos pouco se importavam com a vida dura que elas levavam. Sempre que questionavam algo a resposta sempre era o maldito tratado da lua, que prendia os bruxos a uma vida miserável.
Igniz, era a mais baixa das três, tinha cabelos negros e ondulados, e lindos olhos castanhos escuros, era dona de uma pele bronzeada e também de curvas que chamavam a atenção de vários homens por onde passava. Vreth era a mais alegre entre as três, sempre fazia suas amigas rirem e carregava sempre um sorriso aberto, era mais gorda que suas amigas e isso não a incomodava, muito menos diminuía sua beleza, era dona de uma pele clara, olhos castanhos e cabelos cacheados, seu carisma a fazia se destacar das outras pessoas e era ela sempre a mais solicitada para qualquer coisa, já que sua alegria sempre contagiava qualquer que fosse o ambiente. Já Allana era a mais inteligente entre elas, sempre se dedicava ao máximo nos seus estudos e seus talentos a fizeram alcançar grandes posições dentro do templo, foi iniciada na caça a vampiros muito nova e agora estava pronta para se tornar a mais talentosa caçadora do templo. Allana era a mais alta, tinha seios fartos e era muito tímida, sempre que alguém fazia um elogio, ela ficava vermelha e acabava por se afastar das pessoas, mas conseguia lidar com isso.
Ao entrarem no templo foram direto a sala de ritual, lá se encontraram com Zaha que lhes instruiu a aguardarem por Dargul na sala da deusa. Zaha era uma bruxa com mais de setenta anos, cuidava do templo e dos bruxos mais novos como se fossem seus filhos e sempre se mostrou muito gentil e prestativa. A sala da deusa era um salão amplo, em círculo. Com paredes decoradas com vários símbolos dos elementos e no centro havia uma grande estatua da deusa Asha, o ambiente era todo iluminado por velas e aromatizado por incensos. Assim que as garotas se sentaram, Dargul apareceu.
– Meninas, sinto não poder falar muito mas vou manda-las a seu último teste.
Dizia o velho com sua voz rouca.
– O que houve lord Dargul? Perguntava uma preocupada Allana.
– Um mensageiro me trouxe uma mensagem do rei, o grupo de caça que saiu pela manhã encontrou um homem ferido na floresta e dois cavaleiros o trouxeram para o castelo, fui chamado para cura-lo e ele está bem. Mas o que me preocupa é o tempo, os cavaleiros disseram que Adrian pode ter problemas lá se o sol se por, por isso vou envia-las para ajuda-lo agora mesmo. — Explicava Dargul calmamente.
– Nossa! Mas agora? Ainda falta muito para o por do sol, vamos chegar lá e ainda será dia. Reclamava Vreth inconformada.
– Eu acho que aqueles homens estão necessitando de vocês agora, estou com um péssimo pressentimento e o futuro está escuro pra mim, sinto que um mau muito grande está desperto, por isso vou envia-las agora. Assim que voltarem, vocês serão consagradas caçadoras de fato, e ai terão permissão para fazerem o que quiserem.
Assim que Dargul deu as instruções se retirou da sala e as garotas começaram a se aprontar, cada uma pegou duas adagas com lâminas de prata, o grimório e um pequeno colete feito com anéis de prata, vestiram para se protegerem. Fizeram suas orações e ao saírem do templo encontraram dois cavaleiros as esperando.
– Vocês são as caçadoras que o velho vai mandar? Perguntou Zack.
– Sim, somos nós. Algum problema? Questionava Igniz.
– Nenhum, só esperava alguém com mais experiência, mas se o velho acha que vocês dão conta eu vou confiar na palavra dele. Podem subir na carroça, faremos o percurso o mais rápido que pudermos.
E assim todos partiram, sem ter certeza do que encontrariam na floresta, mas todos esperando que o velho Dargul estivesse errado.
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