Opostos

7 Capítulo 7


POV JULIANA

Já se passava das 14:00 e nem sinal de Miguel, haviamos marcado para as 13:00 já que a minha mãe tinha ido buscar Roberta no aeroporto e depois passariam no shopping. Assim teriamos um pouco de paz para pensar no trabalho. Tá, era forçar a barra demais pedindo para ele vir aqui em pleno sabado, mas se fosse para furar por que não ligou né?

Por falar em ligação, nem sinal de Mel. Ontem um pouco antes deu sair da casa dela, ela estava com um pouco de dor de cabeça... Fui na farmacia comprar um remedio pra ela e depois fui embora


O som da campanhia atrapalhou meus pensamentos. Me levantei torcendo para ser ele.

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POV Miguel

Quando Juliana finalmente abriu a porta e me viu fez uma careta. Já me preparei para o sermão que viria em seguida.

– Por que demorou tanto? — deu um soco em meu braço e me puxou para dentro de casa

– Fiquei meio perdido, nunca andei por aqui. — menti e rezei para ela acreditar.

Na verdade eu havia demorado porque tinha ido até a casa de Aninha, Sandrinha, Fatinha, alguma coisa assim. Não sou muito bom em guardar nomes e como não haviamos conversado muito não precisei falar seu nome.

Ela é bem gostosa, tem um beijo fascinante e sabe bem o que faz, mas só serve mesmo para diversão.

Juliana soltou uma risada e eu percebi que ela talvez tivesse acreditado.

– Você é mesmo um idiota, como dá conta de se perder aqui?

– As ruas são todas iguais.

Ela riu mais uma vez e depois fomos mexer no roteiro.

Não tinha muita coisa que mudar, estava tudo otimo, bem escrito e facil de entender. Quem quer que seja essa amiga de Jú é muito talentosa.

Ensaiamos as falas a tarde toda. O roteiro era enorme e as maiores falas ficaram comigo. Como de costume discutimos muito, ela sempre implicava com minhas caras e bocas, dizia que estava forçando demais, como se ela fosse um otima atriz né?

Pegamos o violão de seu pai e eu mostrei algumas melodias que ficariam bem legais com as falas, formamos algumas musicas e sinceramente ficaram bem boas. Mesmo com tantas discussões a tarde foi bem produtiva.

– Por hoje é só. — Juliana disse quando terminamos o ultimo verso.

Dei graças a Deus por isso, olhei no relogio, já era quase 18:00. É, havia perdido meu sabado inteiro.

– Vou levar o roteiro, vou ver se consigo fazer mais umas duas musicas, pra ficar mais completo.

– Não esquece.

Peguei minhas coisas e pensei um pouco antes de dizer. Pensei bem em como fazer a pergunta que me levaria até a resposta que eu mais desejava ouvir. Não podia ir de imediato, tinha que ir abrindo as portas uma de cada vez.

– Er, notei que você está meio estranha nos ultimos dias. — falei com todo cuidado

Juliana me encarou com uma sobrancelha erguida.

– Você nem me conhece, como pode saber se estou estranha?

– Você não é tão complicada. — menti — Brigou com o namorado?

Juliana riu ironizando a palavra namorado, isso era um bom sinal pelo menos para mim. Esse foi o jeito que eu encontrei para saber se ela tinha um.

– Por que se importa? — dei de ombros, como sempre ele ia bancar a marrentinha — Não tenho namorado.

Não pude evitar que um sorriso se formasse em meus labios.

– É claro que me importo, somos amigos agora né. — ela balançou a cabeça

– No maximo colegas de trabalho.

– Ta bom chatice, a questão nao é essa. — mordi os labios — Sabe, eu queria saber se talvez você queria ir ao cinema comigo...

Juliana fez uma cara de surpresa e eu esperei por uma resposta. Estava com vergonha, droga eu nunca ficava com vergonha e agora até sentia meu rosto corar. Aquele silêncio estava me matando, ela apenas me encarava e nenhuma palavra saia de sua boca. Eu nao deveria me importar se ela não aceitasse não é? Quer dizer isso não seria um encontro, eu só estou a fim de ver um filme e não queria ir sozinho, apenas isso. Se ela disser não, foda-se.

– Não vai dar. — ela disse

– Por que? — merecia ao menos uma explicação.

– Não tô a fim.

– Ta me dando um fora sem nenhuma explicação né? — tentei de novo.

– Eu tenho uma explicação, não tô afim.

Revirei os olhos, ela como sempre bancando a chata.

– Chatice ambulante. — resmunguei.

Juliana riu.

– Vai assitir que filme?

Me animei com a pergunta, isso queria dizer que ela podia pensar sobre ir comigo. Agora só precisava escolher um filme que a agradace.

– Tem um de terror que saiu esses dias, possessão..

– Hum... Você vai pagar chocolate?

– Isso não é um encontro — falei — Mas sim, eu pago chocolate.

– E pipoca, adoro a pipoca do cinema.

Dei uma risada timida.

– Posso te pegar as oito?

Ela assentiu com a cabeça enquanto eu andava até a porta.

– Não se atrase, estou falando serio.

Concordei antes de fechar a porta.

Peguei Juliana as oito em ponto. Fiz de tudo para não me atrasar, isso não era um encontro, eu nem queria que fosse, mas a ideia de sair com ela pra ver um filme me agradava.

De repente me peguei observando suas roupas, mas diferente de como eu fazia com outras garotas apenas observava para ver como ela era linda e nao para descobrir qual peça tirar primeiro. Jú usava um colete xadres, um short jeans e um all star branco todo surrado. Como sempre estava linda.

Conversamos pouco o caminho todo, ela ainda parecia estar distante então tentei respeitar seu espaço. Como o shopping ficava perto de sua casa fizemos todo o caminho de a pé.

A fila para comprar os ingressos estava enorme, se tivessemos chegado um pouco mais tarde provavelmente não encontrariamos mais nenhum disponivel.

– Nossa, acho que todos tiveram a mesma ideia que a gente. — reclamei a fazendo rir.

– Pois é. — ficamos um pouco em silêncio — Por que me chamou Miguel?

– Por que eu gosto de voce. — falei simplesmente

Jú fez um careta.

– Gosta? Eu nem te trato bem, como pode gostar de mim?

Essa era uma pergunta que eu me fazia frequentemente durante esses ultimos dias. O que tinha essa garota que me fazia querer ser amigo dela, que fazia com que eu me importasse um pouco com ela?

Nem eu conseguia responder a essa pergunta.

– Talvez seja esse o motivo. Você é diferente das outras pessoas, gosto disso em você.

– Tá. — ela tinha uma cara de desconfiada, como se não acreditasse nem um pouco no que eu falava — Mas você gosta de mim como?

– Como amigo é claro. — falei

Juliana suspirou aliviada.

– Puxa ainda bem, já estava ficando com medo.

Balancei a cabeça segurando um pouco a risada. Aquela cara que ela havia feito era hilaria.

– Eu juro que não tenho segunda intenções — cruzei os dedos e como quem faz uma promessa os beijei — é apenas um filme.

E novamente ela sorriu. Mas esse sorriso foi o mais sincero e lindo da noite. Era uma mistura de alegria, doçura e sinceridade. Juliana olhou para o lado e então como em um passe de magica sua expressão ficou seria. Ela parecia surpresa e tinha um pouco de raiva também. Não entendi muito bem o por que dessa mudança repentina, segui seu olhar, Juliana encarava um casal afastadas da multidão. Eles estavam em um longo abraço, pareciam estar felizes pois riam de alguma coisa engraçada. Achei tudo aquilo normal, mas Juliana não.

POV JULIANA

Eu não conseguia acreditar no que estava vendo.

Tive que me segurar em Miguel para não ir lá e acabar com tudo aquilo.

Minhas pernas perderam a força e eu perdi o meu chão. Tudo o que eu conseguia sentir era a raiva crescendo dentro de mim. Ela havia mentido para mim, havia jurado de pés juntos que não tinha ninguém e agora a imagem que eu via dizia o contrario.

Em um canto mais afastado do cinema Melissa estava abraçada com Dinho.. Eles riam alto e não se importavam em mostrar sua felicidade a todos.

Meus olhos arderam de raiva, já ia começar a chorar, mas me lembrei que estava em publico e não podia deixar que ela nem ninguém me visse assim, então com toda força que tive segurei as lagrimas.

Sem desviar continuei encarando elas, Melissa desfez o abraço e pegando no braço de Dinho caminhou para dentro de uma sala de cinema, olhei o nome do filme, era o mesmo que eu e Miguel iriamos assistir.

– Ei, o que foi? — Miguel cutucou meu braço me fazendo olhar para ele.

– Eu quero ir embora.

Sem esperar alguma resposta sai da fila e comecei a andar depressa em direção a saida, não sabia quanto tempo mais eu conseguiria segurar as lagrimas.

Só quando sai para fora do shopping e senti o ar fresco em minha face foi que percebi que estava segurando a respiração. As lagrimas ja encharcavam meu rosto, meus olhos ardiam e meu coração doia mais e mais a cada batida.

Eu me sentia traida, enganada e usada. Ainda me perguntava como ela podia ter a coragem de pegar o namorado da minha melhor amiga, como tinha sido tão vagabunda a esse ponto... Eu a odiava e me odiava por confiar nela.

Me apoiei em uma muretinha que tinha ali perto, precisava encostar em algo se não acabaria caindo no chão. Eu não tinha forças para mais nada.

Miguel veio correndo atras de mim e colocando uma mão em minha cintura falou.

– O que foi Juliana? Por que saiu correndo? — ele tirou minhas mãos da muretinha e me obrigou a encara-lo — Por que está chorando?

Tentei limpar as lagrimas, ele não podia me ver chorando. Mas já era tarde demais.

– Eu não estou chorando. — falei tentando parecer convincente, mas a imagem de Dinho com Melissa não saia da minha cabeça e lembrar disso fazia com que me desse enjoo e com que as lagrimas continuassem a sair.

Sem falar nada Miguel apenas me abraçou. Me rendi ao seu abraço, era tudo oque eu precisava no momento um ombro amigo, alguma coisa para me sentir segura.

Fiquei com um pouco de dó dele, não tinha a menor ideia do que estava acontecendo e mesmo assim tentava me acalmar. Ele apenas me soltou quando percebeu que as lagrimas haviam cessado.

– Podemos ir embora se quiser. — sussurrou

Neguei com a cabeça, eu não podia acabar com a noite dele.

– Eu consigo ir sozinha, entra lá e assiste o filme.

– Não. Podemos fazer isso outro dia.

Suspirei.

Caminhamos em silêncio até chegar em casa. Agradeci por ele não tentar tirar nada de mim, me deixar assim quieta. Eu não queria falar sobre isso agora, na verdade não queria ter que inventar uma historia para explicar o porque de todo o chorro.

– Desculpa. — falei — Não queria estragar seu filme.

Ele sorriu.

– Não foi nada. Espero que fique melhor.

– Eu vou ficar. — beijei seu rosto — Podemos remarcar?

Miguel assentiu com a cabeça.

– Claro que sim.

Subi para casa e fui direto para o quarto, eu precisava pensar ocorrido, jamais pensei que Melissa poderia ficar com o namorado da minha melhor amiga, e só estava chorando também porque Lia é como uma irmã pra mim. Queria ficar sozinha. Eu queria e precisava ficar sozinha.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.