Opostos
2 Capítulo 2
POV Miguel
Eu não gosto da forma como as garotas me olham quando entro nessa sala. Elas me encaram com um olhar de fome, como seu eu fosse algum pedaço de frango ou coisa do tipo. Me sinto um pouco, na verdade muito, desconfortável. Não era assim na minha antiga escola, lá era tudo calmo. Ninguém notava a minha presença, o que era otimo já que eu não gosto muito de ser o centro das atenções.
Porém, de todas as garotas apenas uma me olha como se eu fosse humano e não um tipo de carne. Reparei isso ontem na sala de aula quando ela me lançou um terrivel olhar de desprezo. Acho que ela tentou me passar um pouco de medo já que lançou esse olhar logo depois do meu comentario sobre Hitler, mas o que conseguiu na verdade foi prender minha atenção.
Não me lembro o nome dela, só sei que vamos fazer um trabalho de historia juntos. Um saco né? Talvez nem tanto.
Fiquei a encarando por um tempo, ela se sentava bem a minha frente. Conversava alegremente com uma menina loira que sentava bem ao seu lado. Hoje ela usava uma calça jeans e o uniforme feio da escola. Mesmo estando vestida exatamente igual a todas as meninas da sala, ela tinha alguma coisa que a tornava diferente, mais brilhante que todas as outras.
Continuei perdido em meus pensamentos quando de repente ela se levantou, e ainda com um sorriso nos labios, veio até minha carteira. Ela tinha os olhos mais lindos que eu ja vira na vida, parecia conseguir sorrir com eles. Mergulhei naquele penetrante olhar.
– Para de me secar. — ela exclamou.
Fiz uma careta.
– Não estou te secando. Apenas apreciando a paisagem. — sorri
A garota morena, cujo nome eu ainda não me lembrava, apenas revirou os olhos. Pela sua beleza já devia estar cansada de receber cantadas bem piores que essa, então nem se assustou.
– É Miguel né? — concordei com a cabeça — Então Miguel, meu nome é Juliana sua parceira no trabalho de historia caso não tenha notado e...
– Eu notei. — a interrompi — Hitler certo?
Ela mordeu os labios do jeito mais sexy que eu ja vira em toda a minha vida. Tenho certeza de que ela só estava tentando controlar sua raiva pelo comentario da aula passada, mas ainda assim foi sexy.
– Talvez você não esteja muito preocupado, mas eu preciso dessa nota.
– Eu também preciso. Mas ainda temos um bimestre inteiro, podemos pensar nisso depois
– Não! — ela me encarou como se eu tivesse falado a maior besteira do mundo -Você pensa que temos muito tempo? Não ouviu o que o professor disse, ele quer um trabalho criativo, não temos tempo.
Ela falava em uma rapidez, tive que me concentrar para entender cada palavra.
– Tudo bem. — falei — Quando começamos o trabalho então?
– Hoje.
– Hoje? — repeti — certeza?
– Se eu tenho certeza? É claro que sim. Você não vai?
– Vou sim. — suspirei — Onde vai ser?
– Biblioteca, as tres horas. Não se atrase.
Nem esperou eu concordar, ja se virou e voltou para o seu lugar.
Balancei a cabeça e comecei a copiar a materia que o professor passava na lousa.
POV JULIANA
Olhei no relogio pela decima vez em menos de 10 minutos. Ele estava atrasado. Já deveria ter imaginado, ele não faz o tipo que chega no horario certo mesmo. Olhei novamente, já eram 15:30. Um teor de raiva percorreu todo meu corpo, odiava esperar, nunca tive paciência para isso. Peguei meu material que havia jogado em cima da cama e me preparei para sair quando Miguel finalmente entrou.
Assim que me viu ele soltou um sorriso, estava um pouco suado o que mostrava que tinha corrido, mas ainda assim estava atrasado.
– Demorei? — perguntou
– Não, que isso, afinal o que são 30 minutos não é mesmo? — respondi ironica.
– Foi mal, prometo chegar mais cedo da proxima vez. — se sentou em uma cadeira — E ai, vamos ou não fazer esse trabalho?
– Perdi a vontade. — continuei a andar até a porta, mas Miguel segurou minha mão. — Com licença?!
– Eu já estou aqui, então vamos começar tá?
– Eu te esperei por 30 minutos. Tem noção do que é isso?
– Sim, metade de uma hora. — ele brincou, porém eu não achei um pingo de graça.
Puxei meu braço com força, mas ele continuava a segurar.
– Eu tô brincando Jú . Juro que não vou mais atrasar ta bom? Agora vamos fazer o trabalho?
Com um pouco de esforço concordei com a cabeça e ele finalmente soltou meu braço. Me sentei na mesma mesa em que Miguel estava e coloquei novamente meu material la em cima. Achei legal ele ter me chamado pelo meu apelido, apesar deu não ter dado nenhuma intimidade pra ele !
– Tá, mas uma gracinha e eu juro que vou embora. — franzi a testa para ver se dava confiança de que eu falava serio.
Miguel levantou as mãos.
– Sem gracinhas, prometo.
Suspirei aliviada, estavamos tendo um progresso. Talvez ele não fosse tão criança quanto eu imaginava.
– Precisamos de ideias, tem alguma?
– O que? Você ficou aqui 30 minutos sem fazer absolutamente nada e não teve nenhuma ideia? Ficou fazendo o que? Contando unicornios? — debochou
– Te esperando! Se não tivesse atrasado não teria ficado trinta minutos sem fazer nada. — retruquei
Miguel balançou a cabeça.
– Tem alguma ideia?
Neguei com a cabeça. Sempre fora muito criativa, mas agora nada passava pela minha cabeça.
– Nenhuma, mas precisamos ser criativos, fazer algo que ninguém pensa em fazer. Preciso de pelo menos um 9.
Ele deu de ombros.
– Me contento com um 5. — fiz uma careta.
Como fazer um trabalho com alguém que pensa assim? Ignorei seu comentario, era a melhor coisa a se fazer.
– Eu tava pensando em fazer algumas maquetes sabe? Com alguns videos, eu pesquisei sobre a vida do cara e bom, ele era bem do mal, mas era muito inteligente, então tava pensando que talvezpudéssemosfazer alguns cartazes traçando os planos dele... — senti um pouco de vergonha quando vi que Miguel me encarava com a boca aberta.
– Pra quem não tinha nenhuma ideia até minutos atras até que você não está tão mal. — ele riu — mas se quisermos mesmo um 10, acho que poderiamos melhor um pouco.
O encarei com um olhar de curiosidade, estava mesmo a fim de ouvir suas ideias, por mais absurdas que pudessem ser.
– Vamos fazer um musical.
Por um momento a ideia até que parecia boa, mas depois de trinta segundos pensando percebi que de boa a ideia não tinha nada.
–Musical? — soltei uma longa risada — você só pode tá de brincadeira né?
Mas ele não estava. Continuou me encarando serio.
– Por que não? Grandes historias viraram musicais.
– Sim, porque eles tinham um grande elenco. Somos só dois.
– E dai? Podemos fazer vários personagens. Ninguém pensaria nisso Juliana. A gente faz o musical, grava em vídeo e depois mostra para o professor.
– Temos apenas um mês, não sei se da tempo.
– Claro que dá — Miguel estava todo animado — Vamos fazer?
A ideia dele era boa, na verdadeexcelente. Eu ia adorar cantar, dançar, atuar... Mas não sei se devia confiar nele para isso. E se ele desistisse no meio do trabalho, o que eu faria?
– Vamos ficar com a maquete — falei
– Por que? — ele enrugou a testa — a ideia é otima, você sabe disso.
– É, só que eu não sei se confio em você para isso.
– Por que?
– E se você desistir? Pelo menos fazendo a maquete eu consigo terminar o trabalho sozinha, agora um musical fica meio dificil não é?
Enquanto se levantava Miguel me encarou com um olhar frio.
– Foda-se. — falou antes de se virar para sair.
– Foda-se você! — rebati
Sem nem se virar ele continuou andando para a porta, mas antes de abri-la ele me encarou.
– Vai embora? — perguntei — tudo isso só porque eu me neguei fazer um musical Miguel ? Muito adulto da sua parte.
Ele deu de ombros.
– Já que não confia em mim para isso então faça sozinha.
Revirei os olhos enquanto o via indo embora.
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