Opostos!
2 Capítulo 2- Campo!
Felippa
O lugar; tenho que confessar é lindo, cheio de arvores, pássaros cantados, as flores tem um perfume excelente, muito parecida com a fazenda que meus pais tem, na qual eu e meus irmãos íamos sempre. Pergunto-me todos os dias, porque será que Deus fez isso comigo, porque tiraram justamente as quatro coisas mais preciosas que eu tinha, as minhas bases, meu exemplos, meus melhores amigos de mim.
Eu queria apenas que o mundo entendesse que para mim a vida acabou que não faz, mas sentindo estar aqui sem eles; a maioria das pessoas me julga pela maneira que eu penso e ajo, mas nenhuma delas algum dia se importou comigo, nenhuma delas chegou até mim e me perguntou o que eu estava sentindo, se precisa de um colo amigo; apenas me julgam são as pessoas falsas moralistas. Não gosto das pessoas que me analisam pelo que aparento ser, fale de mim sabendo como eu me sinto.
Eu sei, tenho que admitir isso, o Dudu tenta me ajudar, não sei que experiência de vida aquele ser tem, mas ele tenta me ajudar, o problema é esse, quem disse que eu quero ajuda agora? Eu precisava dela há meses atrás quando tudo aconteceu, hoje, não tenho mais razão alguma para precisar de pena de alguém. Quero apenas poder terminar com tudo, viver em um lugar muito melhor do que este mundo, com pessoas fúteis e banais.
[...]
Dudu
Isso é de mais, além de eu ter que dividir uma cabana com a gótica Felippa, vou ter que dormir no chão ou no sofá porque na casa tem apenas uma cama, de casal, mas que eu sei que ela jamais vai dividir, mesmo sendo enorme. Estou vendo que essa semana via ser difícil.
Eu sei que pareço ser um cara chato, louco, ou mesmo que estou perseguindo ela, mas acho que em algum lugar daquela mente, existiu alguém cheio de vida, desejos, sonhos, fantasias, maluquices; apenas queria que ela desabafasse com alguém, que contasse para mim o porquê que ela vive querendo acabar com a própria vida, cheia de amarguras.
Eu vivo cheio de culpa interna, não demonstro nada do que eu realmente sinto. Mas do que seria útil eu viver triste, chateado, e tentando achar uma maneira de acabar com tudo, se tudo que aconteceu foi para que hoje eu estivesse vivo? Eu aproveito o máximo da vida, tudo que eu posso eu faço. Saio com todas as garotas, curto com os amigos, tiro o melhor da vida, enquanto o pior eu faço de conta que não existe. E eu acho que deveria ser exatamente o que a Felippa deveria fazer.
[...]
Felippa
Faz dois dias que eu estou aqui, presa com esse elemento, e o pior da situação é que choveu, logo após a nossa chegada, o que significa não poder sair da cabana em hipótese alguma, ô vida. Ele tem me chateado para contar toda a minha história, não suporto mais isso; todas as vezes que ele toca no assunto, a dor do que me aconteceu volta ainda mais forte.
- Felippa, desabafa comigo, sei que você está precisando de alguém, um obro amigo. Pode até ser que a gente não se goste, mas eu jamais contaria alguma coisa para alguém. Confie em mim.
- Dudu, eu já disse que não quero falar. Para que aumentar o que eu sinto? Você conseguirá resolver? Não, não conseguirá reverter o que aconteceu então me deixa. Deixa-me calada aqui no meu canto. Continue vivendo essa sua vida cheia de orgias, felicidade, amor; enquanto eu fico no meu mundo mórbido, frio, infeliz, sem ninguém!!!
Eu já estava cansada disso tudo, cansada de ouvir ele me pedindo algo que eu NÃO queria falar. Mas sabe quando você se cansa de uma situação? A famosa frase, clichê, de não sei quem: “Quando não se pode com o inimigo, una-se a ele”? Pois é, eu cansei, e resolvi jogar tudo que eu sinto, penso e sofri para cima do “rei-da-boa-ação”.
- Você quer saber de tudo mesmo? Pronto para ouvir todas as minhas lamentações? Os meus sentimentos? Problemas? Dramas?
- Se eu estou perguntando, pedindo para você me contar, é porque estou disposto a ouvir toda a sua história. Toda a sua vida sem te interromper, em momento algum. Mas quero que você tenha consciência de que direi tudo que eu pensar, quando você terminar.
Eu sabia que ele falaria um monte. Sabia que ele me daria uma lição de moral sem tamanhos. Ou quem sabe, ele entenderia a minha situação. Não sei, vindo dele, pode se esperar tudo. Maluco.
- Ok. Eu deixo você dizer tudo que quer desde que você julgue pelo que ouvir, pelos meus sentimentos, e não por algo que eu aparento ser. Ou por algo que você já tenha ouvido de alguém.
Ele concordou com o meu pedido, sentou na cama, ficando frente a frente comigo, respirei fundo, pois sabia que reviveria os meus medos, dramas, angustias; tudo que eu tinha escondido por trás das roupas e maquiagens que eu usava.
[Continua...]
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