Oposição - Série Stellium [DEGUSTAÇÃO]
9 Capítulo VIII
A água estava gelada.
Era só o que ele conseguia pensar, cada vez que nadava mais para o fundo do rio de aparência leitosa, impossibilitando que os olhos mais sensíveis conseguissem enxergar as pedras, peixes e algas do chão. Embora tivesse condição física o suficiente para conseguir ver qualquer coisa naquele lugar, o seu objetivo não era aquele. O seu corpo havia ficado tão sujo que, somente nadando — para a pressão da água ajudá-lo a se limpar — ele conseguiria voltar à superfície totalmente limpo. Queria não ter pressa, poder ficar tranquilamente o resto do dia ali, nadando e sentindo a água arrancando cada evidência do que ele cometera, mas não podia. Tinha que voltar logo, Nathan estava esperando-o.
Soltou um pouco de ar, vendo as bolinhas brancas escaparem de seu nariz e subirem rapidamente. Resolveu seguir o exemplo delas e ir também, já ficara tempo demais ali. O seu corpo já estava limpo e, sua mente, relaxada. Nadou de volta, sentindo a pressão diminuir cada vez que ele chegava mais perto do reflexo do sol.
Assim que colocou a cabeça para fora da água, sentiu o ar invadir os seus pulmões agressivamente, mas não sentiu incômodo. Tanto fazia ficar submerso na água ou estar respirando ar puro.
— Achei que ficaria lá para sempre. — Uma voz o fez virar a cabeça para a beira do rio, onde havia pedras e uma pessoa sentada nelas.
Nathan estava de pernas cruzadas em cima de uma pedra lisa e o olhava divertido. Era um rapaz humano de rosto oval e de aparência frágil, o seu liso cabelo negro era curto, com alguns poucos fios cobrindo parte da orelha e tampando a testa em uma franja charmosa. Os olhos, grandes e sutis, eram de um negrume sem fim, quase impossível perceber que havia íris ali, escondidas na noite escura que formava o seu olhar. O nariz era pequeno e combinava harmoniosamente com o resto do seu rosto, a boca era normal, sem grandes atrativos, a não ser o seu sorriso bondoso, sempre rabiscado em seus lábios. O corpo era mais puxado para o magro e sem músculos. Um garoto bonito, mas de aparência comum. Não chamava a atenção e tinha o pouco do brilho que ainda possuía, ofuscado pela beleza do outro rapaz.
Seth sorriu para ele enquanto nadava para terra firme, já sentindo a aspereza das pedras em seus joelhos.
— Demorei tanto tempo assim? — Saiu da água, sentindo o vento frio atingí-lo por toda a extensão do corpo nu molhado. Ah, como adorava aquela sensação!
— Demorou. Quase uns trinta minutos — Nathan disse distraidamente e saindo de cima da pedra. — Acho melhor você se vestir logo, temos que ir.
— Desculpa — grunhiu Seth, pegando a calça jeans e a blusa penduradas no galho de uma árvore. — Mas demorou mesmo muito tempo até eu conseguir tirar todo o sangue daqueles humanos do corpo. — Rolou os olhos. — Você bem que podia ter me avisado, antes de eu matá-los, que a gente estava com pressa.
Nathan sorriu, encostando-se a pedra.
— Você parecia estar se divertindo tanto, não queria atrapalhá-lo.
— E estava mesmo. — Soltou o ar. — Mas prefiro fazer essas coisas com calma. Que graça tem matar humanos com pressa? Não consigo nem torturá-los do jeito que eu quero.
O garoto continuou sorrindo, sem dizer mais nada. Conhecia Seth o suficiente para saber que, quanto mais ele se alongasse no assunto, mais ele ficaria reclamando. Era melhor deixá-lo se vestir para irem embora logo.
Seth era um demno incomum, tanto em questão de força quanto de aparência. Seu corpo era alto, moreno e forte, com ombros largos, músculos e peitoral desenvolvidos. Seu rosto era alongado e másculo, rude e fechado. Os cabelos castanhos eram curtos e rebeldes, sem um corte definido, com algumas mechas caindo vez ou outra pela testa. A boca era fina, os lábios de uma cor neutra, o nariz reto e sem imperfeições. Mas o que chamava mesmo a atenção no demno eram os seus olhos. Seth possuía olhos verdes que, de tão frios e sem emoções, pareciam duas pedras de gelo mergulhadas em um mar profundo de absinto. Qualquer um que olhasse durante muito tempo para eles ficaria embriagado e logo se afogaria no tormento cruel que eles transmitiam. Era impossível olhar para aquelas rochas esverdeadas e algum dia esquecer os sentimentos sombrios e assassinos que elas passavam. Eles, assim como suas mãos, eram manchados de sangue e mortes.
Seth exalava charme e transpirava sedução, tinha a postura altiva e confiante, além de ser um demno extremamente poderoso. Por isso homens como Nathan não tinham como chamar atenção andando ao lado de um demno como aquele. Chegava a ser covardia!
Quando Seth já havia colocado a calça jeans e estava prestes a vestir a blusa, vozes começaram a surgir do meio das árvores, atraindo a atenção dos dois rapazes.
— Parece que tem alguém chegando — Nathan comentou, não parecendo se abalar.
Seth bufou. Tudo que ele queria agora era encontrar alguém do seu vilarejo. Ia sugerir para eles irem embora antes que os outros chegassem, mas não dava tempo.
No mesmo momento, apareceram quatro demnos, que conversavam animadamente antes de avistarem a dupla parada alguns metros à frente. Collet, Brunott e Isabelle, quando notaram quem eram os dois garotos na beira do rio, sorriram e acenaram.
— Oi, primo! Oi, Nathan! — falaram Brunott e Collet ao mesmo tempo, andando alguns passos em direção aos dois.
Seth contorceu a boca em algo que deveria ser um sorriso e acenou com a cabeça. Não era porque eles eram da mesma família que eles seriam amigos ou precisavam ser simpáticos uns com os outros. Agradeceria se os dois esquecessem que ele existia. Mas Nathan, que sempre era mais simpático, abriu um sorriso e saudou a todos:
— E aí?
Daniel fora o único que nada falou, nem sequer se mexia. Manteve a cabeça baixa o tempo todo, evitando olhar para frente.
Nathan o observou durante alguns segundos e, quando achou apropriado, disse simpaticamente:
— Oi, Daniel, tudo bem?
Ao ouvir seu nome, Daniel levantou a cabeça e encarou diretamente aqueles olhos negros que sorriam para ele. Forçando o semblante mais tranquilo que ele conseguia forjar, ele disse de volta, colocando as mãos nos bolsos da calça jeans para aparentar despreocupação:
— Tudo sim, Nathan. — E sorriu de volta.
Collet e Brunott se entreolharam. Aquela reação não era novidade, Daniel sempre ficava estranho e nervoso perto de Seth. Parecia que o demno tinha medo dele — o que não surpreendia ninguém, levando em conta o tipo de demno que Seth era — e acabava ficando daquele jeito, acuado. Nathan sempre agia como pacificador nesses momentos, deixando Daniel mais à vontade e menos ansioso. Eles não entendiam como um humano, e ainda por cima bonzinho como Nathan, conseguia andar com Seth. Ele repudiava a todos, até mesmo os demnos. Humanos então, ele tinha um nojo quase mortal. A amizade dos dois era um enigma, ninguém entendia como eles conseguiam se dar tão bem.
Isabelle olhava nervosamente para Seth, mesmo que ele estivesse evitando o contato visual com todos ali. Esperava uma brecha, uma única que fosse. Queria conseguir conversar com ele, mostrar para o demno tudo o que sentia. Ele era frio e distante, mas com certeza a ouviria, não ouviria? Se ela se declarasse para ele, talvez, quem sabe, ele passasse a amá-la também? O plano era ser simpática e sensual perto dele, mas a energia do demno a deixava completamente travada. Sentia-se desconfortável somente de olhá-lo. Era como se ele estivesse roubando as suas energias e forças. Engoliu em seco, fechou os punhos e se virou para ele com toda a convicção do mundo:
— Seth, eu poderia falar com você em particular? — Pronto, ela havia dito. Agora era só esperar a sua resposta. Isabelle tremia, não conseguia acreditar que tivera coragem para falar assim, tão abertamente com ele.
O demno olhou para o humano enquanto soltava o ar cansadamente. Torcia para que Nathan intervisse, falando que eles tinham que ir embora e já estavam atrasados. Infelizmente, a reação do outro fora completamente oposta.
— Vai lá, a gente ainda tem um tempo.
Seth o olhou de modo assassino, fazendo Nathan rir mais ainda. O garoto andou até ele e sussurrou discretamente em seu ouvido:
— Relaxa, pelo menos você se livra dela logo de uma vez. Seja cruel o bastante para que ela entenda o recado e saia logo do seu pé. — Olhou de rabo de olho para a demno. — Quebre o seu coração da pior forma que você conseguir, vai lá. Divirta-se.
Seth sorriu maldosamente para ele, de forma discreta, sendo acompanhado por Nathan, que logo se recompôs e voltou à sua expressão angelical de sempre. Fora tudo tão rápido e discreto que ninguém havia reparado, parecia que Nathan só batera em seu ombro, como se estivesse o estimulando a ir falar com a garota.
— Espero que a conversa de vocês seja proveitosa — o humano disse, olhando para Seth e para Isabelle.
A menina sorriu para ele, nervosa.
— Obrigada, Nathan.
Seth olhou para ela e indicou a floresta com a cabeça. Era para ela segui-lo.
Collet sentia o coração apertar cada vez mais. Se soubesse que Isabelle iria tomar coragem para falar com Seth naquele dia, teriam ido por outra direção. Evitava o máximo possível os seus encontros, qualquer coisa que pudesse tirar Seth do seu caminho. Gostar de Seth não era um privilégio de Isabelle, a maioria das demnos de seu vilarejo eram apaixonadas por ele, por ser bonito, forte e misterioso. Era praticamente impossível conseguir competir com um homem como ele. Por isso, preferia evitar o contato entre eles, quanto mais se pusesse no meio e desse atenção para Isabelle, mais fácil seria. Era o que achava.
Mas, pelo jeito, ele estava enganado.
Lá estava Isabelle, indo atrás de Seth, que já havia sumido no meio das árvores. Será que ela não notara que o demno não queria nada com ela? Como conseguia ser tão inocente? Se não fosse Brunott, que estava segurando-o pelos ombros, ele teria corrido atrás dela e a segurado, declarado o seu amor, a beijado... Tudo para que ela não fosse atrás do outro garoto.
— Isso não está em suas mãos, irmão. Melhor não se meter e deixar tudo se resolver — aconselhou Brunott.
Collet virou os seus olhos amarelos para Brunott e os baixou em seguida.
— Eu sei, mas... E se ele corresponder? E se eu a perder?
Brunott mordeu o lábio, pensando em sua resposta para o irmão. Não queria magoá-lo, mas também não gostava da ideia de enganá-lo. Precisava ser sincero, mesmo que doesse.
— Se você a perder é porque ela não era a mulher certa para você. Não se preocupe, deixe tudo nas mãos do destino.
Daniel ouvia e os observava, olhando de esguelha. Não entendia como Collet conseguia estar se preocupando com aquilo. Não estava óbvio para qualquer um que Seth não era o tipo de demno que se apaixona e mantém um relacionamento sério? Se ele aceitara conversar com Isabelle, era porque ele já planejara terminar com tudo, logo. Quanto menos pessoas em seu pé e vigiando-o, mais fácil para ele. Eles tinham é que estar preparados para entrar na floresta e salvar Isabelle de seu próprio desespero por ter o coração esfacelado. Pelo que ele já ouvira falar de Seth, a última coisa que ele seria era sensível com os sentimentos dos outros.
☆☆☆
Isabelle sentia-se presa por correntes invisíveis e amordaçada como um animal. Olhava para os próprios pés, cobertos até a metade pelas abas de seu vestido branco e elegante. Não conseguia criar coragem, levantar a cabeça e dizer a Seth o que ela realmente sentia por ele. Toda a coragem que ela tivera alguns minutos atrás parecia ter se esvaído e ficado junto com seus amigos, perto do rio. O cantar dos pássaros e o barulho de alguns insetos pareciam mais altos que o normal, tornando cada vez mais incômodo aquele silêncio entre eles. Ele estava há menos de dois metros de distância, mas mesmo assim ainda parecia muito perto, a sua energia pesada e perigosa a envolvia, deixando-a receosa até de olhar para cima. Não queria descobrir a forma que aqueles dois pontos verdes estavam censurando-a.
Mas não precisou que ela olhasse para o demno para saber.
— O que você quer? Me chamou para brincar de estátua? — cuspiu as palavras, colocando as mãos nos bolsos e avaliando-a. Não acreditava mesmo que Nathan o submetera a isso. Tudo o que ele realmente precisava agora era ficar ouvindo declarações de menininhas apaixonadas. Que maravilha! Tinha que se lembrar de se vingar do humano mais tarde. — Não sei se você ouviu, mas eu estou com pressa. Se não falar nada, irei embora — disse ríspido.
Queria virar as costas e ir embora, deixando-a sozinha com o seu silêncio, mas precisava acabar logo com aquilo. Quanto mais cedo se livrasse de Isabelle, melhor. Ela poderia trazer problemas mais tarde.
Agora tinha que falar, ela iria falar. Não poderia deixá-lo ir, não quando ela já dera o grande passo de chamá-lo para conversar. Engoliu três vezes, fechou os olhos com força e encolheu o corpo; uma forma inconsciente de proteção.
— Seth, eu... — balbuciava as palavras, tentando ser firme. — Eu gosto de você, de verdade. Como eu nunca gostei de ninguém... — E abriu os olhos arregalados, fitando o chão. O peito subia e descia, a respiração ofegante a deixava com um aspecto de quem havia corrido uma maratona inteira. Conseguiu. Conseguiu! Ela havia conseguido falar com ele! Havia declarado tudo o que sentia para ele, sem desistir, sem falhar!
Agora era só esperar a sua resposta. Ele poderia amá-la, não poderia? Talvez toda aquela frieza fosse só uma carapaça que ele usava para esconder os seus verdadeiros sentimentos por ela. Mas agora que ela havia dito o que sentia, ele não precisaria mais ser assim. Seth poderia declarar todo o seu amor de volta por ela agora, sem ter o risco de não ser correspondido. Ela era linda, não era? Era óbvio que ele sentia algo por ela, todos os homens de seu vilarejo sentiam!
O demno rolou os olhos e deu as costas, andando para fora da floresta. Não conseguia acreditar que perdera tanto tempo só para ouvir uma declaração ridícula como aquela.
Isabelle começou a ouvir o barulho de folhas sendo pisadas e a presença de Seth se afastando. Arriscou espiar por detrás da franja e não havia escutado errado: Seth estava mesmo indo embora!
— Ei, espera! — gritou Isabelle, impulsivamente. — Aonde você vai?
O demno parou, mas não olhou para trás.
— Estou indo embora. Já me falou tudo o que queria, não é? Ou tem mais alguma declaração linda de amor que me queira fazer? — A voz saía sarcástica e cruel.
Isabelle mordeu a língua com força e sentiu os olhos queimarem.
— Não... Eu só queria uma resposta... Não vai me falar nada? — Não sabia de onde estava arrancando forças para continuar falando. Jamais se sentira tão humilhada e rejeitada. O que era aquela dor forte no peito que parecia quase sufocá-la?
Seth bufou. O que mais aquela garota queria ouvir? Já não dera para perceber que ele não tinha mais nada para conversar com ela?
— Não. O máximo que eu tenho para te falar é que eu já ouvi declarações melhores.
Continuava de costas. Por que ele não se virava para falar com ela? A vontade que tinha era de ir até ele e gritar até que ele a olhasse de frente.
— Mas... E quanto a mim? Não gosta de mim? Nem me acha... Bonita? — perguntou baixo, quase sussurrando.
E então, como se tivesse ouvido o seu desejo, Seth virou-se para ela, olhando-a com aqueles olhos macabros que ela tanto temia. Agora, estando frente a frente com ele, preferia quando ele estava de costas. Dava-lhe menos medo.
— Gostar de você? É alguma piada? — Sorriu maldosamente, a voz fria e cruel. — Você se acha demais, garota. Consigo coisa melhor do que você em um piscar de olhos, não que isso seja muito difícil. — Ele alargou o sorriso quando percebeu que algumas lágrimas começavam a escapar de seus olhos violeta. — Está chorando? Quem deveria estar chorando sou eu, que perdi o meu precioso tempo para ficar ouvindo uma garota mimada fazendo declarações idiotas para mim.
O seu choro se intensificou e os joelhos de Isabelle começaram a perder força. Tremiam e começavam a ceder devagar, encontrando logo o chão úmido da floresta. Seu coração e autoestima estavam tão devastados que era impossível ela se manter de pé. Encolheu-se, encostando a testa nas coxas para deixar as lágrimas escaparem mais livremente.
Seth sorriu tão perversamente que seu rosto adquiriu feições demoníacas. Andou devagar até a demno, sentindo um grande prazer ao ouvir as folhas e galhos se estalarem assim que ele as pisava. Era como se estivesse fazendo isso com o coração de Isabelle.
Parou à sua frente, ficando de cócoras e chegando bem perto, até os seus lábios quase se encostarem aos seus ouvidos.
— Tem mais alguma coisa sentimental para me falar ou eu já posso ir embora? — sussurrou, sentindo Isabelle estremecer, mas nada responder.
Já fora bastante humilhada para ainda se dignar a falar alguma coisa. Preferia ficar quieta e esperar aquele monstro ir embora. Como algum dia acreditara que ele pudesse sentir algo por ela? Que boba ela era... Ele não tinha coração, suas ações sempre apontaram para isso. Ele se aproveitara de todo o seu amor por ele e o usara para acabar com ela, como qualquer ser cruel fazia. Queria entender também o que lhe passara na cabeça ao se apaixonar por um cara como aqueles tendo tantos outros aos seus pés. Deveria saber que acabaria daquele jeito, não tinha como ser diferente.
Ao não receber resposta, Seth se levantou e saiu andando sem olhar para trás. Deixaria Isabelle ali, e ela agora pensaria mil vezes antes de perturbá-lo.
Saiu do meio das árvores e andou calmamente até Nathan, que o olhava satisfeito. Somente ele conseguia enxergar as feições maldosas que o humano escondia por detrás daquela máscara que adorava vestir. O que não conseguia entender era como os outros não viam também, para ele era tão explícito! Virou-se para os três demnos que o observavam e sorriu cinicamente.
— A amiga de vocês resolveu ficar lá na floresta, acho melhor vocês irem buscá-la. — Dizendo isso, Collet soltou-se das mãos de Brunott e foi correndo até onde Seth havia acabado de sair, sendo seguido por Brunott e Daniel. Ele sabia, não deveria ter deixado Isabelle ir falar com Seth. Agora ela estava lá, jogada em algum lugar na floresta, sozinha e arrasada.
Seth rolou os olhos ao ver o desespero dos outros demnos.
— Que patéticos — disse, indo até Nathan e parando ao seu lado.
— E aí? Como foi? — perguntou, já começando a andar para longe daquele lugar.
— Foi ótimo, ela não irá mais me perturbar. — Cruzou os braços atrás da cabeça, relaxando.
— Menos uma fã desesperada para a sua lista, hein? — Riu.
— Ô... Nem sei como eu vou viver sem ela. — Revirou os olhos.
— Não se preocupe, logo aparece outra desesperada. É sempre assim com você.
— Infelizmente, você tem razão. — Soltou o ar pela boca. — Não que eu não goste, mas elas precisam mesmo estar sempre apaixonadas e loucas? Não dá pra simplesmente estar com tesão e falar algo como “Quero dar pra você. Agora!”?
Nathan riu sonoramente.
— Você fala como se gostasse de relações assim. Até parece que você gosta de mulheres se jogando aos seus pés... — Nathan o olhou de soslaio.
Seth sorriu malignamente. Que graça tinha quando humanos — homens ou mulheres — vinham facilmente para os seus braços? Gostava de coisas um tanto mais violentas e brutais, distante demais daquela fantasia de amor que demnos como Isabelle alimentavam. Para ele, aquele tipo de relação medíocre estava fora de questão.
— E então? O que quer fazer agora?
Seth se virou surpreso.
— Ué, achei que estávamos com pressa.
— Estávamos, mas acho melhor deixar para lá. Vamos encontrar alguma coisa divertida para fazer, a gente não para nunca para fazer algo legal — disse, olhando descontraído para frente.
— Tem razão. E esse assunto todo só me deixou com uma vontade...
— Caçar humanos? — palpitou Nathan. — Matá-los? Estuprá-los? Torturá-los? — Seth sorriu largamente.
— Ainda bem que você sempre me entende! — Continuou rindo. — É ótimo não precisar ficar falando toda hora o que eu quero.
O humano riu, achando graça da animação repentina de Seth. Definitivamente, eles precisavam fazer isso mais vezes.
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