Que aqueles dois dias estavam parecendo uma eternidade na vida dos adolescentes, isso não era novidade, além de tentarem se adaptar à nova rotina que não era assim tão cômoda.

Tiveram a prova às três da manhã quando acordaram ao som estridente e insistente do choro de Daisuke, o pequeno ruivo estava molhado, Hikari acordou resmungando, sonolenta e sem entender muito o motivo do choro.

— Dai-Kun isso é hora? A castanha boceja enquanto reclama.

— Kami só falta acordar o outro. Miyako levanta achando que o bondoso tinha acordado.

— Será que é fome? Pergunta Takeru levantando coçando os olhos.

— Isso que eu chamo de não esperar o café da manhã, eu esqueci que bebês não tem costume de dormir a noite toda. Miyako abre o mosquiteiro e observa Ken dormindo com Wormmon.

— Pelo menos um continua dormindo… foi cedo demais pra violacea falar, o pequeno digiescolhido abriu os olhos e consequentemente o berro. — Ken! A violacea reclama, mas pega no colo.

—Nossa gente esses dois vão ficar fazendo isso todos os dias? Assim daqui a pouco estaremos cheios de olheiras. Mimi acorda e vai ao quarto. — Dessa vez vou ficar bem longe viu. Adverte se lembrando do jato de xixi. — Eles ficaram cuti, mas olha o tamanhinho. Mimi se referia as partes dos amigos e provoca risos entre as garotas.

— Creio que eu tenha encontrado a solução para um dos nossos problemas. Miyako balança a mamadeira e prova a temperatura.

— Miyako-Chan, o Kenzinho vai mamar de novo? Pergunta Wormmon.

— Segundo a pesquisa do Koushiro-San é comum esse apetite de madrugada. Miyako bufa e tenta dar a mamadeira, mas Ken se debate. _ Ah Ken um tete morninho vai fazer bem.

— Disse que tinha uma solução pra isso? Achou um jeito deles crescerem de novo? Pergunta Veemon com o nariz tampado devido ao cheiro de xixi.

— Queria eu baixinho, Eu me referi ao jantar.

— Então que desculpa vai inventar que tá gripada? Pergunta Mimi.

— Não seria assim tão infantil…

— “Miyako-Chan cuidado com o tipo de mentira que vai inventar, não quero preocupar meus pais ”. Adverte Ken tomando a mamadeira.

— Ligar de manhã para os pais dele e dizer que eu e o Ken vamos pra Colônia de férias dos meus tios. Miyako levanta Ken no alto.

— Cuidado com o gorfo Miya, pode dar certo, isso pode servir para todos, Kami nunca menti para os meus pais. Aponta Hikari.

— Prefere ir ao apartamento do Daisuke encarar os senhores Motomiya e a irmã dele? Pergunta Mimi.

— Quanto tempo será que isso dura? Pergunta Hikari preocupada balançando o ruivo.

— Desculpa gente, mas é a melhor forma de ganharmos tempo… Bom isso até meus pais ligarem para os meus tios e desmentir nossa chegada lá. Miyako pensava nas possibilidades.

Naquele dia mais tarde a turma começa a acordar.

Os bebês brincavam com seus Digimons, mas tapar os olhos se escondendo talvez não tivesse sido das melhores ideias, os dois se aproveitaram da distração dos amigos e dos monstrinhos e saem engatinhando o mais rápido que podiam, e se sentam no alto da escada.

— “Motomiya como vamos descer isso, mais parece um morro! Ken se vira de costas e desce os primeiros degraus de barriga.

— “É isso, continua desse jeito, logo estaremos lá em baixo”. Daisuke seguia o amigo.

— Prontos ou não ai vou eu! Veemon descobre os olhos e sai a procura dos bebês e de Wormmon, esse foi só olhar pro lustre e viu a sombra de suas antenas.

Passaram meia hora e Veemon é Wormmon se deram conta que os parceiros não estavam se escondendo até porque as primeiras vezes ambos só tinham coberto o rosto com as mãozinhas ou ido para debaixo da cadeira.

— Precisamos pedir ajuda! Wormmon se desespera.

— Tá louco, vão ficar bravos! Vamos atrás deles. Indaga Veemon.

Os dois Digimons se encostam na parede da residência do Gennai e rastejando como espiões saem pra floresta a procura dos bebês, obtém a primeira pista quando Veemon encontra uma chupeta branca e vermelha, indicando ser do Daisuke e mais pra frente encontram a fraldinha de pano com a chupeta presa na ponta.

— “Não creio que seja fácil assim chegar na caverna e voltar ao normal, mas não consigo ficar babando e molhando a fralda esperando o milagre vir do céu”. Alega Daisuke.

— “Tem esse jantar em família que não boto fé nessa mentira de fomos ao acampamento, isso vai acabar mal… Pelo menos poderemos saber com o que estamos lidando.” Ken sai engatinhando.

Os Digimons em treinamento saiam curiosos ao ver humanos tão pequenos, mas não só dos bebês Daisuke e Ken chamavam atenção, todos os Digimons que os viam ficavam curiosos com sua forma, seu cheiro, o som que emitem.

Ogremon pega Ken na mão e aproxima do seu rosto, o pequeno chora deixando o Digimon confuso.

— Que som estranho é esse quer parar de gritar. Ogremon da bronca fazendo ele chorar mais ainda.

— Solta ele Ogremon é só um bebezinho. Pede uma Lilimon.

Enquanto isso, os digiescolhidos estavam divididos pela casa procurando os amigos, até Gennai ajudava, Sora da um grito la da escada fazendo todos saírem correndo, a ruiva achou a chupeta e a fralda no último degrau.

— Você está bem? Rolou da escada? Pergunta o castanho preocupado.

— A uns dois dias eles estavam aqui, naquele dia que os levamos pra passear, eles estavam lá em cima acho que eles conseguiram escapar. Deduz A ruiva.

Acho que eles foram a tal caverna! Afirma Joe.

— Temos que nos dividir, quem encontrar avisa no digiterminal… Yamato dizia e foi interrompido por Taichi.

— E volta pra casa do velho com o bebê. Completa o castanho.

— O veemon e o wormmon também sumiram. Observa Gomamon com a nadadeira erguida.

— Creio que tenham ido procurar os parceiros. Supõe tentomon.

— Então precisamos olhar constantemente para baixo e torcer pra eles não estarem em perigo, afinal… Koushiro tira os D-3 do Daisuke e Ken do bolso.

— Então sem perder mais tempo… Yamato sai correndo em direção ao mais novo e leva um vácuo quando o mesmo entra em outra trilha com Patamon.

— Yamato-Kun, não fica assim… Takeru-Kun só quer um tempo sozinho ele volta logo. Gabumon conforta o parceiro.

Os bebês estavam passando por maus bocados, mesmo Digimons antes considerados pequenos pelo ponto de vista deles estavam enormes, um cheiro em particular chamou a atenção a fralda dos dois estava cheia, após um certo tempo eles caíram num choro inconsolável.

— Venham cá pequenos humanos qual é o problema? Pergunta Babamon.

— Não falam, o que faremos para esses gritos pararem? Pergunta Pumpmon. _ Espera eu tive uma ideia. O Digimon fez uma careta que acabou assustando os dois bebês.

— Grande ideia! Mais alguma? Questiona Babamon. _ Acho que precisam de um banho. Babamon retira as roupas e a fralda cheia de cocô e sem rodeio coloca um de cada vez na parte rasa do rio, mesmo rasa assustou os dois digiescolhidos.

— Temos que tirar esse cheiro de vocês. Babamon tirava os dois da água, já estavam limpos mas incomodados com o frio.

— “Começo a pensar que não foi uma boa ideia Motomiya, anda vamos”. Ken é seguro pela Digimon idosa que queria levá-los pra sua casa.

— “Ei seu esfregão solta ele tá achando que o Ken é um brinquedinho?” Pergunta Daisuke.

— Você vem junto conosco, não vou deixar você. A Digimon pega Daisuke que acaba chorando.

— “Agora eu não acho, tenho certeza… não escolhemos um bom plano”. Reclama Ken.

— Ken-Chan, Dai-Chan. A voz de Wormmon se fazia presente vinha ao longe.

— “Wormmon”.

Os digimons ofegavam, tentando recuperar o ar após a corrida.

— Babamon! Olha precisamos levar eles de volta, outros humanos estão desesperados atrás deles. Dramatiza Wormmon.

— Eles precisam dos digiescolhidos. Completa veemon.

Babamon olhava para os dois, a intenção era levar os bebês pra casa dela pra viver junto com Jijimon, demorou um pouco para atender os apelos dos Digimons.

— “Estranho! Essa Digimon me fez lembrar da minha vó”. Comenta Ken, ficando sem graça. _ Por esse grude todo e a voz.

— Eu também lembrei da minha vó, só que foi pelo coque, o colar enorme e a vassoura na mão”. Daisuke comenta arrancando risos do amigo.

— Esse som puro, é música para meus ouvidos. A Digimon aproxima ambos e os toca.

Enquanto os Digimons tentavam livrar os amigos dessa “adoção”, Takeru e Patamon procuravam juntos e tentavam chamar pelos nomes dos bebês, Takeru tenta dar um impulso, mas sem querer pisa na cauda do Darktiranomon o que faz o jovem sair em disparada com seu parceiro nos braços e acaba caindo no barranco só parando numa poça de lama.

Patamon ri muito .

— Isso não tem graça Patamon. Reclama o guardião da esperança.

— Você tá mau humorado. Ah anda nem foi tão ruim assim, ao menos ele não atacou. Patamon tranquiliza o loiro.

— Anda precisamos encontrar um lago que seja, não dá pra pegar os bebês todo sujo assim.

— “Na verdade nunca me incomodou tanto estar sujo de lama, ou terra, mas ultimamente estou me sentindo sujo por dentro, será que não tem nada que leve esses desejos sujos?” Takeru refletia.

— Takeru-Kun olha… uma casa, de quem será? Pergunta Patamon pousando na cabeça do loiro.

— Não custa nada verificar, lembra se ver uma cesta suspeita não come nada, o Koushiro, Iori e Miyako precisam de uma amostra. Adverte Takeru.

— Pode deixar, mas… Takeru-Kun os bolinhos encantados só fazem mal para vocês humanos não para nós Digimons.

Patamon fala enquanto voa para dentro.

— Pode parar Pata, não sabemos se não tem efeito atrasado em vocês… Nossa olha esse banheiro, bom é mais do que o suficiente pra nos limpar. O loiro joga uns sais na água e começa a se despir, ao mergulhar suspira e relaxa depois de se limpar, a mente do mais novo estava na arriscada brincadeira com Merry, queria que o tempo voltasse pra uma época onde esses desejos sujos não faziam parte de si.

— Takeru, não sabemos se aqui é casa de algum digimal, podemos ir? Pergunta Patamon, sentindo um leve incômodo.

Takeru levanta da enorme banheira e se veste, infelizmente as luzes começaram a ficar estranhas no banheiro e Takeru passou a emanar uma luz.

— Takeru o que… O Digimon não teve tempo de perguntar pois diante dos seus olhos Takeru deixou a adolescência como uma lembrança recente e regrediu, tinha agora oito meses.

— Essa não! Takeru? Pergunta O alaranjado levantando as roupas do parceiro, se deparando com um pequeno loirinho de olhos azuis que babuzeia algo fora do entendimento do Digimon.

— Que fria Takeru, e agora? Pergunta Patamon.

Uma risada foi ouvida e Patamon ficou confuso entre ir atrás e ficar com seu parceiro e optou pela segunda opção.

— Kami, você não tá com cara de que sabe gritar “vai digiovo”... Óbvio que não, já tá colocando o D-3 na boca, por favor não some como Ken e o Daisuke eu vou… É melhor mandar mensagem, eu escrevo pouco, mas a palavra Socorro é fácil, como isso aconteceu? Pergunta o Digimon.

Patamon envia o pedido de socorro pra Yamato, deixando o mais velho preocupado, enquanto Takeru esperava o irmão, Mimi e Miyako chegam a casa da Babamon e não saem de lá sem tomar umas xícaras de chá.

— Vê se não aprontem outra dessas viu, olhem o tamanho de vocês. Miyako advertia a dupla.

— Miyako-Chan você não quer levar os dois? Pergunta Mimi.

— Os dois? Mimi-Chan você veio pra me ajudar.

— E… que eles estão sem fralda. A sincera levanta o ruivo para mostrar.

— Eles aguentam até lá não aguentam Ken-Chan? Pergunta Wormmon.

— “Eu não acho que temos mais nada pra fazer, já fizemos na fralda e no rio”. Daisuke aponta pra trás fazendo as meninas olharem.

— Já não acham que passearam muito? Pergunta irônica a violacea.

— Acho que eles estão com fome e cansados. Veemon idaga.

Após meia hora caminhando, ambas chegaram a residência do Gennai e tem uma surpresa ao se depararem com o alvoroço em torno de Yamato que trazia um bebê.

— Esses passeios no bosque estão ficando perigosos, Takeru Aw meu kami que cuti. Hikari se derrete.

— Muito fofo, mas agora são três, Patamon que parte da ordem de trazer os bolos e doces pra cá vocês não entenderam. Bronqueia Iori.

— Eh… Não tinha bolhinhos nem doces algum, só nos limpamos após cair numa poça de lama fugindo de um Darktiranomon . Conta Patamon.

— Patamon o Takeru deve ter comido algo fora das suas vistas. Acusa Yamato.

— Ele tá com cheiro de banho tomado. Informa Gabumon.

— É melhor vestir algo que caiba nele. Sugere Hikari.

— “Takaishi, caiu no conto do bolinho”? Pergunta Daisuke.

— “Não tinha nenhum doce onde eu estava, eu vou ter que usar fralda?"

—" Provavelmente! Ken fala.

Os três bebês ganham um banho, fralda, roupinha limpa, e uma tigela de papinha, após um tempo no chiqueirinho os três são pegos no colo, Taichi quase não acreditou quando sua irmãzinha contou o porque das três mamadeiras e ficou fazendo caras e bocas enquanto o leite esfriar arrancando risos do loirinho.

— Como consegue… Eu quero ver o que eu vou falar em casa, meus pais tão a par de tudo o que se diz respeito a digimundo e digimon, mas terra do nunca é um pouco a mais. Yamato levanta o irmão na altura dos olhos e faz careta arrancando risos do caçula.

— Impossível resistir não é? Anda não podemos fazer muita coisa por enquanto, então o que temos até agora é dois bebês que comeram bolinhos e um que… Como isso aconteceu com Takeru se o Patamon disse que não havia nenhum bolinho?

Yamato põe Takeru deitado no colo e recebe um cobertor, e a mamadeira.

— “Isso não, uma mamadeira não”. Reclama Takeru tomando o mama.

Após todo o acontecido o único que não dormiu foi o loiro, já Daisuke e Ken dormiram como dois anjinhos, o dia foi exaustivo o bercinho parecia a melhor escolha.

Yamato passou mais umas horas brincando com seu maninho, até o mesmo começar a bocejar.