Operação Spemily
2 Capítulo 2 - Difícil de Entender, Difícil de Explicar
Notas iniciais
Aria estacionou em frente à casa das Marin e desceu junto com a amiga por saber que teria que explicar toda a situação.
— O que diabos foi aquilo no aeroporto? — Hanna finalmente se deixou explodir ao entrar no quarto e jogar a bolsa de qualquer jeito em cima da cama.
Montgomery sorriu e puxou a cadeira do computador para se sentar. — Pelo menos agora você entendeu porque a Em queria ir embora, né?
— Não. — Respondeu cruzando os braços.
Revirando os olhos e soltando um suspiro, tornou a falar. — A Em estava apaixonada pela Spencer, mas não se declarou antes por medo de contar e estragar a amizade, então ela ia embora pra deixar isso quieto.
— Então a Emily tá apaixonada pela Spencer? — Murmurou estreitando os olhos.
— Foi o que eu acabei de dizer. — Aria tentou não rir, mas um sorriso ainda brincava nos cantos de seus lábios. — E o que ela disse no aeroporto também.
— Mas que absurdo! — Hanna gritou de repente fazendo a amiga tomar um grande susto, se desequilibrando e caindo da cadeira.
— Porra, Hanna. — Aria se levantou com uma expressão irritada, batendo a saia para se certificar que não havia poeira. — O quê que é absurdo?
— A Em apaixonada pela Spencer. — A garota parecia realmente indignada.
— Por que isso seria absurdo? — Aria se sentou de novo e cruzou braços, curiosa.
— Como que ela pode ficar a fim aquela nerd magricela e sem graça ao invés de tudo isso aqui. — Hanna passou as mãos pelas laterais do corpo, rebolando de leve.
Como não poderia ser diferente, Aria caiu na gargalhada, mas a expressão da loira não mudou, deixando claro que a indignação dela era sincera. — Deus do céu, Hanna. Você é tão... Pretensiosa. Pra não dizer metida.
— É sério. Eu estou revoltada. — Replicou jogando-se na cama e cobriu os olhos com um dos braços.
— Isso tá com cheiro de ciúmeeeees. — Cantarolou rindo.
— O que? Eu com ciúmes da Em? Isso é ridículo! Aria você tá delirando. — Hanna disse com muita ênfase. Ênfase até demais.
— Cara, era brincadeira. — Aria franziu o cenho sem parar de sorrir. — Mas agora eu acho que é verdade, você tá com ciúmes sim.
— Não to nada. Cala a boca. — Hanna descobriu os olhos para fuzilar Aria com eles.
— Eu ainda tava brincando. Qual é a sua? — A confusão só durou um segundo antes de seu queixo cair com o entendimento. — Meu Deus Do Céu! Hanna Lauren Marin, você... Tá gostando da Emily.
— O que?! — A voz de Hanna saiu um pouco mais fina que o pretendido enquanto ela se sentava na cama. — Não, não, não, nãnãnãnão, não. Óbvio que eu não to gostando da Em, ela é minha melhor amiga.
— Claro que tá. — Aria concluiu com um sorrisinho cínico. — Dá pra perceber pelo seu esforço pra me fazer acreditar que não.
— O que eu to percebendo é que a queda dessa cadeira foi muito alta pra você, anã de jardim. — Marin ironizou. — Porque você tá delirando.
— Hanna, olha aqui. — Montgomery se inclinou para frente para olhá-la diretamente nos olhos. — Você não tá gostando da Emily?
— Não. — Hanna não fez questão de desviar.
— Mentirosa. — Porém, Aria a conhecia bem demais para saber que não era verdade.
— Tá bom! Eu to gostando dela. U-um pouquinho. — Confessou quase sussurrando a última parte.
— Nossa. Eu já tinha entendido, mas você dizendo assim... Parece mais louco ainda.
— E você acha que eu não sei? — Hanna saiu da cama e virou de costas para a amiga, chutando uma de suas pantufas que repousava no chão. — Eu tenho namorado. Um bem sexy, na verdade.
— Quando foi que isso começou? — Aria decidiu parar de zombar e tentar realmente ajudar, pois não devia ser fácil admitir algo assim.
— Sei lá. — Suspirou e voltou a se sentar. — Umas três... Talvez quatro semanas atrás.
— Hm. Deve ter sido mais ou menos quando a Emily contou pra gente que ia morar no Texas, certo? — Questionou de olhos semicerrados.
— Acho que sim. Por aí. — Hanna confirmou depois de um instante pensando.
— Então, parando pra analisar... Talvez você nem esteja de fato gostando dela. Quem sabe essa história de mudança tenha te deixado com medo de perder a Emily e os sentimentos acabaram se embaralhando, aí você ficou confusa.
— Acha mesmo? — Perguntou, mordendo o lábio inferior logo em seguida.
— Tenho certeza. Você não gosta de garotas. Se eu te beijasse agora, tu não ia sentir nada. — Aria sorriu e brincou. — Ou talvez sentisse, porque né? Eu beijo muito bem.
— Hahá, quem é a pretenciosa agora? — Hanna conseguiu sorrir junto.
— Não é pretensão, é constatação de fato. — Rebateu com convicção.
— Pretenciosa, pretenciosa, pretenciosa. E digo mais: Metida. Quer saber? Aposto que eu beijo melhor do que você. — Hanna a encarou com um brilho de desafio nos olhos.
— Nem em sonho. — Desafiou-a de volta.
— Tá a fim de tirar a prova? — Um sorriso malicioso surgiu nos lábios róseos de Hanna, chamando atenção para a área.
— O que? Como assim? — Aria se levantou da cadeira e se afastou um pouco da cama onde a loira estava sentada.
— Aria Gabrielle Montgomery, você me entendeu muito bem. — Hanna também ficou de pé, aproximando-se devagar.
— Acho que você conviveu tempo demais com a Em. — Continuou recuando até estar encostada na parede.
— Qual é, Aria? — A Marin se aproximou, deixando um espaço de poucos centímetros entre seus corpos, então ergueu a mão para acariciar as madeixas escuras da baixinha. — Não é como se a gente fosse namorar, é só um beijo. Amigas fazem isso, não é nada de mais.
— Um beijo? — Aria arqueou uma das sobrancelhas.
— Só. E ninguém precisa ficar sabendo.
— Pode ser interessante.
— Claro que vai ser interessante, né miga? Olha só a perfeição que você vai beijar. — Hanna sorriu e piscou.
— Olha a pretensão aí de novo. — Aria riu. — Sou mais bonita que a senhorita.
— Só que não. Sou mais bonita e beijo melhor que você.
— Veremos. — Aria desencostou da parede e a distância que já era pouca se tornou quase inexistente, mas não avançou.
— Veremos.
Hanna finalmente eliminou o espaço entre seus lábios e os de Aria, entretanto deixou que a próxima atitude partisse dela para o beijo se manter em algo que ambas quisessem.
Assim que uma das mãos da menor se embrenhou nos cabelos loiros e outra segurou com firmeza a cintura delicada, as línguas curiosas adentraram o espaço explorando a boca alheia, surpreendendo-se com a sensação deliciosa que descobriram.
“Nossa, a Hanna tem a boca mais macia que eu já beijei. E, caramba, que beijo bom, dá pra sentir minha pele toda se arrepiando”.
“Uau. Essa baixinha é um furação. Delicada, mas com pegada. Adorei. Céus, que boca”.
Os lábios apenas se separaram depois de vários e vários minutos, quando o ar deixara por completo seus pulmões.
— Bom... Isso... Até que foi interessante. — Mesmo que as tentativas de regularizar a respiração fosse falha, Hanna ainda mantinha um tom superior.
— Pela sua falta de fôlego eu me arriscaria a dizer que foi bem mais que “interessante” pra você. — Aria sorriu maliciosa.
— Hahá, olha quem fala. — Retribuiu o gesto com a mesma malícia na voz. — Agora já entendeu que eu beijo melhor?
— Até parece. Confessa, querida, o meu beijo é delicioso. Muito melhor que o seu.
— Parece que vou ter que provar o contrário mais uma vez. — Hanna sorriu de canto mexendo no pingente no cordão que Aria usava.
— Senhorita Marin, acho que você gostou de beijar uma garota. — Respondeu com os dedos brincando com as pontas do cabelo loiro. — E quer mais.
— Não vou negar, senhorita Montgomery. Mas me atrevo a dizer que a você gostou também. — O sorriso aumentou consideravelmente.
— Ah é? Tem certeza? — Aria roçou de leve seus lábios nos dela, provocando-a.
— Absoluta. — Hanna não aguentou muito tempo antes de transformar aquele toque em outro beijo de cinema.
E depois, aquele “só um beijo” se tornou três, quatro, cinco. Até virar um amasso bem quente com a menor sentada no colo da outra na cadeira no computador.
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