Bucky acordou suavemente, sua mão de vibranium tateando o colchão em busca do corpo feminino, mas encontrando apenas um lugar vazio.

Ah, sim, ela tinha levantado pra fazer café da manhã. Ele esfregou os olhos e bocejou, se espreguiçando em seguida.

Um sorriso automático se abriu em seu rosto, nunca esteve tão feliz. Jamais imaginou que Roxanne aceitaria a ideia dele, não tão rápido ao menos. Acreditava que ela seria mais relutante quanto a acabar com o noivado com o Strovalenko.

Nem em seus melhores sonhos chegou a cogitar que ela diria "sim" para um pedido de casamento.

Pela primeira vez na vida, Bucky sentia que a felicidade estava na palma das suas mãos. A última vez que chegou a sentir esperança foi quando Steve o tirou das guarras da Hydra, lá em 1943. Desde então, qualquer pausa na guerra eterna que vinha travando com outros, ou contra a própria cabeça, nunca o iludiu de verdade. Ele sempre soube que nada ia durar.

Mas agora... agora o futuro parecia algo que ele podia esperar com alegria e esperança.

Aguardou Roxanne por mais um tempo ali deitado, mas começou a ficar impaciente, por isso se vestiu e desceu atrás dela. A casa estava silenciosa, nenhum único som vinha da cozinha ou de parte alguma.

— Roxanne? — Bucky chamou quando desceu o último degrau, mas ninguém respondeu.

Ele foi andando em direção a cozinha, mas algo do seu lado direito chamou sua atenção. A Donna estava no escritório, não mais vestia uma camiseta masculina, e sim peças pretas de seu próprio guarda-roupa.

— Ah, aí está você. Senti sua falta na cama. — Barnes sorriu ao entrar no cômodo. Ele podia notar a postura tensa, mas imaginou que fosse algum problema da máfia. — Achei que...

A frase ficou sem fim quando a italiana ergueu os olhos negros na direção dele. Bucky paralisou, atingido pelo sentimento inegável naquelas íris. A frieza, a dor e o ódio se misturavam nas íris abissais que ele tanto amava.

Ela sabia.

A realidade o atingiu como um golpe fatal. Barnes não precisou perguntar, ele teve certeza absoluta. Seu corpo ficou paralisado por um instante, muitas e muitas vezes havia temido aquele momento, mas agora que estava vivendo aquilo, parecia ainda pior.

Sentiu a dor se impregnar em cada átomo de seu corpo, haviam estalactites de gelo perfurando seu coração. Era pior que enfrentar a criogenia novamente.

Roxanne permaneceu parada, calada, apenas olhando para ele daquele jeito que o fazia desejar estar morto.

Queria que fosse um pesadelo, queria acordar na cama e puxar sua italianinha para perto, afundar o rosto no cabelo dela e perceber que toda dor era apenas uma mentira.

Mas isso não aconteceria...

Engoliu em seco e, reunindo toda a força que ainda tinha, se aproximou da mesa. O mesmo exato lugar onde tinham começado tudo aquilo, o escritório onde ela o flagrou no meio da madrugada, o lugar onde fez a proposta que estreitaria o laço entre os dois de maneira irreversível.

Era ridiculamente irônico que eles já tivessem feito amor em cima daquela mesa também...

Bucky puxou a cadeira e se sentou, seus olhos marejados, tudo que ele sonhou, toda a felicidade que ele achou que tinha nas mãos, estava escapando entre seus dedos como areia seca agora.

Seu corpo caiu no assento de forma trêmula, ele queria que a Donna dissesse alguma coisa, qualquer coisa, mas não estava preparado para as palavras que saíram da boca dela:

— Você me usou.

A frase pairou no ar por um instante, seca, fria. Sequer era uma acusação, era um fato.

— Roxanne... eu... — Bucky encarou o rosto da mulher que amava, mas não encontrou qualquer palavra.

— Todo esse tempo... Era tudo uma missão. — Ela declarou, sem desviar o olhar por um só segundo. Barnes quis levar um tiro, teria sido menos doloroso. — E você me usou.

— Eu... — Ele baixou os olhos para as próprias mãos, envergonhado, sem saber o que dizer. — Eu não tive escolha, eu...

— Você não teve escolha? — Um sarcasmo corrosivo pingou das palavras femininas quando Roxanne o cortou. — Tudo o que eu te dei desde que você pisou nessa ilha foram escolhas.

— O que eu quero dizer, é que eu me apaixonei por você, Italianinha e...

— Não! — Ela interrompeu de forma dura. — Eu não quero ouvir mais das suas mentiras.

Bucky engoliu o nó em sua garganta, desviando o olhar por um instante para controlar as lágrimas que queriam verter por seus olhos. O silêncio sepulcral se instalou entre eles novamente.

Será que alguém já havia ferrado tanto a própria vida? Não existia outra pessoa para culpar, era tudo ele, essa talvez fosse a parte mais difícil de digerir.

— Eu posso ter mentido sobre muita coisa, mas nunca sobre meus sentimentos por você, Roxanne. — Conseguiu dizer depois de vários segundos, sua voz embargada, mas firme. Ele até ousou olhar nos olhos que agora não tinham mais nem a sombra do amor de antes. — Tudo que a gente viveu foi verdade.

Precisava que ela entendesse pelo menos isso, que ele a amou com intensidade e devoção.

— Tudo que a gente viveu não passou de um jogo seu, e de um erro meu. — A Donna rebateu firme.

Não havia decepção ali, não havia nada. Ela estava vazia, desprovida de todas as emoções que agora consumiam Bucky.

Ele a conhecia bem, mas não conseguia decifrar se aquilo era apenas uma máscara, ou se o ódio havia levado todo o resto e deixado apenas uma frieza mais cruel do que aquela que estava presa à alcunha do soldado para sempre.

— Rox... — Tentou dizer, pensando em uma forma de consertar tudo, mesmo sabendo que não existia nada que pudesse fazer.

— Eu não quero ouvir a sua voz. — A italiana rebateu, o queixo erguido e a postura imperturbável. — Bucky Barnes você foi declarado culpado de traição, segundo as leis da Máfia Italiana.

"Bucky", aquilo doeu como um golpe certeiro, o veredicto de que tudo que eles tiveram um dia estava morto para ela. James não existia mais.

A primeira lágrima rolou pelo rosto masculino naquele instante.

— Sua sentença será dada na praia, em cinco minutos. — A Donna decretou, tão senhora de si que parecia irreal, suas mãos apoiando na mesa de forma calma e elegante.

Barnes já não sabia o que teria machucado mais, aquela quase indiferença ou ver a dor e o descontrole nos olhos que amava. Porque, se Roxanne estivesse sofrendo e desmoronando a culpa teria comido o homem vivo, teria corroído parte do coração dele. Mas aquela indiferença era como ácido. A ideia de que talvez nada bom tivesse sobrado deles para que Roxanne lamentasse era cruel e sufocante.

Em um ato de desespero ele colocou a mão sobre o tampo de madeira também, como alguém tentando se agarrar a um simples fio de esperança. Um toque, era só isso que ele queria...

Mas as mãos femininas se esquivaram para longe automaticamente.

— Não me obrigue a ficar olhando pra sua cara mais que o necessário. — A Donna soprou. E a ideia de que ela tinha nojo dele agora foi um golpe muito mais excruciante do que Bucky poderia ter esperado ou suportado. — Nós encontraremos na praia em cinco minutos.

Barnes se levantou, o coração aos pedaços, a lágrima que havia escorrido marcando seu rosto, seu corpo inteiro doendo. Não pensou muito no motivo de fazerem aquilo do lado de fora, apenas caminhou direto para o matadouro, batendo a porta do escritório atrás de si quando saiu.

O dia havia amanhecido nublado, como se o próprio universo soubesse que qualquer raio de sol destoaria da dor que havia tomado conta de Bucky. No pequeno porto da praia privativa o iate em que eles haviam escapado de Nova York ainda estava ancorado.

Ele se deu conta que não sabia como Roxanne havia descoberto tudo, não que isso fizesse muita diferença naquele momento. De todo o jeito o resultado final era o mesmo. Estava perdendo a mulher que amava.

Não se preocupou com a sentença por sua traição, conseguia imaginar que morreria ali naquela praia e no fundo estava agradecendo por isso. Só queria que aquela dor excruciante em seu peito fosse embora.

Por isso esperou ali parado, enquanto sua mente revivia cada um de seus dias ali na Sicília. De um jeito ou de outro, morrer por aqueles momentos roubados valia a pena.

— Você ainda está aqui... — A voz de Roxanne se espalhou pela praia silenciosa.

Ao virar para ver a Donna se aproximar, ele percebeu que poderia ter fugido se quisesse, teve tempo e oportunidade perfeita. Era isso que ela esperava?

— Você disse que ia me dar a sentença. Estou esperando. — Disse apenas, vendo a italiana parar mais de dois metros longe.

Jamais fugiria dela.

A jovem não carregava arma alguma em punho, embora houvesse uma visível presa na lateral de seu cós.

Eles se encararam, enquanto o vento movia a areia entre eles e o som do mar era a única coisa a cortar o silêncio. Bucky queria que acabasse logo, que o tiro viesse para que a dor fosse embora junto com o sangue que verteria dele. A paz nos braços da morte seria um alento.

Porém, ele também queria que durasse mais, mesmo que fosse apenas aquele olhar frio que recebia agora, mesmo que houvesse uma distância intransponível muito maior que aqueles dois metros entre eles. Barnes ainda assim teria ficado ali de pé, em agonia profunda, apenas para poder apreciar o rosto da mulher que amava por mais alguns instantes.

No fim, ele ainda estava roubando tempo com ela.

— Isso podia ter sido tão diferente... — A voz feminina soprou e, pela primeira vez, aquilo pareceu um lamento. Uma pequena rachadura se abrindo no autocontrole da Donna. — Mas isso não importa, não é?

Só então Barnes soube: doía nela também.

Ele se arrependeu de seus pensamentos anteriores, aquilo era muito pior que o olhar frio e a indiferença, suas pernas cederam tamanho o peso da angústia e arrependimento que tomou conta dele, seus joelhos atingiram a areia, os olhos azuis desviando por não suportar aquela visão.

Não podia viver em um mundo onde havia magoado a pessoa que mais amava.

— Apenas atire, Roxanne. — Implorou, sabendo que não aguentaria mais um só segundo daquela agonia.

Foi torturado por décadas nas mãos da Hydra, mas aquilo... aquilo era pior.

Ele ainda estava com os olhos no chão quando ela deu um passo para mais perto, o som da arma sendo destravada em seguida. Bucky ergueu a cabeça, queria encarar o rosto amado em seu último segundo.

Roxanne tinha a arma erguida na direção do americano, seus olhos frios outra vez, talvez apenas uma mascara bem montada para esconder seus verdadeiros sentimentos. Ele devia ter notado antes. Ela era a Donna afinal.

Mais um passo foi cortado. Ele mesmo moveu a cabeça os centímetros restantes para que sua testa encostasse no cano da arma.

O olhar dos dois se encontrou, mas Roxanne não se mexeu pelos próximos dez segundos, ela continuou parada ali, como se esperasse que o americano mudasse de ideia e fugisse. Ele não fez isso. Sabia que merecia a morte.

— Bucky Barnes. — Ela começou, o dedo indicador se movendo para o lugar certo. — Sua sentença é... — O som do gatilho fez o coração dele parar por um átimo, mas apenas o clique ecoou, nenhum disparo veio da arma. — ...o exílio.

As sobrancelhas se franziram sobre os olhos azuis de forma confusa, a realização daquilo vindo lentamente. A arma estava descarregada, Roxanne nunca pretendeu atirar.

— O que? — Ele murmurou incrédulo.

— Levanta. — A Donna ordenou, dando um passo para trás e abaixando a mão. Bucky obedeceu, ainda sem compreender o significado de tudo aquilo. — Desse momento, até o fim dos seus dias, você nunca mais vai pisar na Sicília ou mesmo na Itália outra vez.

Ela não quis tirar a vida dele. Simplesmente não quis. Era isso? A Rainha da Máfia estava mostrando misericórdia?

— E não pense nem por um segundo que isso é um ato de misericórdia. — Ela declarou firme, como se pudesse ler a pergunta nos olhos azuis. — Eu apenas estou usando você, exatamente como você me usou. A partir de agora você será caçado pela Hydra, um inimigo em comum que vai fortalecer meu laço com Strovalenko. A missão de encontrar você, vai fazê-lo ascender muito mais rápido ao comando definitivo da organização.

Bucky entendeu a linha de raciocínio, ela estava sendo uma líder, agindo estrategicamente. O transformando em um peão naquele jogo de xadrez. Ainda assim, ele quis ver aquilo como algo mais. Afinal, havia um jeito mais fácil de conseguir vantagem.

— Por que não me entrega pra ele então? — Perguntou, como se quisesse forçá-la a dizer a verdade.

— Porque você sabe demais. — Roxanne disse apenas.

Não era o que Barnes esperava. Em meio a todo aquele desespero e dor, ele quis enxergar uma fagulha de esperança que não existia.

— Da próxima vez que nos vermos seremos inimigos, e eu vou te matar, Bucky Barnes, eu prometo. — Ela declarou friamente de queixo erguido, e apontou o iate logo em seguida. — Agora vai.

Ele olhou para a embarcação na praia por um instante e a ficha finalmente caiu. Não morreria ali na Sicília.

Estava sendo mandado para longe de Roxanne...

— Não. — Disse de imediato, a voz trêmula de desespero. — Se você quer mesmo me matar, faça isso agora. Não deixe pra depois.

— Matar você aqui seria apenas um prazer momentâneo, não vai me ajudar a encontrar o Damian mais rápido. — A Donna respondeu encarando o mar, mas não o rosto dele.

Sabia que devia aceitar aquilo como uma pequena vitória, sair vivo dali, depois de tudo, seria um milagre para qualquer um. Mas para Bucky era apenas uma maldição.

Desde o primeiro instante em que decidiu roubar tempo com sua italianinha, ele já sabia que acabaria morto por isso. Estava disposto a pagar esse preço. Mas ficar vivo? Ficar vivo e sem ela?

Conviver com a solidão, as lembranças e a culpa seria uma tortura muito maior do que poderia suportar.

Mas, ao mesmo tempo, era o que ele merecia, não é?

Por mais que quisesse implorar misericórdia, ele sabia que não tinha esse direito. Sua vida era de Roxanne, se ela havia decidido torturá-lo daquela forma, então ele apenas aceitaria seu destino.

— Eu vou. — Assentiu conformado. — Mas saiba que vou ficar esperando o nosso próximo encontro, pra que você finalmente cumpra a promessa que acabou de fazer e me mate.

Talvez um dia ela tivesse misericórdia dele.

Bucky esperou um último olhar, um último adeus... mas nem isso ele teve. Roxanne se recusou a encará-lo de novo.

O americano virou as costas então, caminhando para o iate em passos lentos. Olhou para trás mais uma vez, porém a mulher que ele amava encarava apenas o horizonte.

Era o fim da bolha de amor, do tempo roubado, dos segredos que eles haviam cultivado. Bucky teve o mundo nas mãos e perdeu. Alcançou o paraíso e estava sendo expulso para o inferno.

E não havia ninguém para culpar, apenas ele mesmo.

Entrou no barco e ganhou o mar, sabendo que a partir dali estaria sendo caçado por toda a parte, pela Hydra e pela CIA. E, ainda assim, sabendo que era apenas um fugitivo outra vez, quando ele começou a chorar foi apenas por ela.

Sua italianinha.

A mulher que ele amaria até o dia de sua morte.

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Roxanne ficou parada na praia até que o iate sumiu no horizonte, só então ela se permitiu se mover, a dor saindo de seu corpo em um soluço estrangulado, as mãos correndo o rosto e o cabelo desesperadamente, tentando conter as lágrimas que ameaçavam verter de seus olhos.

Sabia o que tinha que ser feito, ela mesmo planejou cada passo daquilo. Mas nunca imaginou que seria tão difícil. Queria que James apenas tivesse fugido quando teve chance, não olhar nos olhos dele teria sido mais fácil.

Sua mente estava um caos, seu coração devastado. Não queria pensar nas últimas palavras que trocaram, não queria procurar verdades em meio às mentiras. Não podia.

Se quer tinha tempo para sofrer pela felicidade que achou que estava em suas mãos e apenas escapou por entre seus dedos. Strovalenko estava chegando e ela precisava se preparar para o que viria, teria que contar mentiras e suportar punições, estava ciente disso. Planejou assim.

Tentou voltar para a mansão de cabeça erguida, precisava ser racional e metódica para o que viria. Entrar naquele lugar vazio que tinha apenas o fantasma de James em todos os cantos agora, foi um golpe que Roxanne não estava preparada para receber.

A primeira lágrima rolou por seu rosto, o restante delas acumuladas em seus olhos, nublando sua visão.

Doía, rasgava por dentro mais que qualquer outra perda. Roxanne fechou o punho ao redor de uma das peças de decoração, e o objeto voou de encontro a uma parede enquanto o grito de profunda agonia escapava dela.

Aquilo não forneceu alívio algum, ela jogou outra coisa e outra, empurrou a estante, destruiu a sala, fez o caos reinar tentando colocar o que estava lhe dilacerando pra fora, mas nada fazia parar. Não era raiva, era apenas... dor. Simples, pura e palpável.

Não importava o quanto ela gritasse, chorasse ou quebrasse as coisas. Isso não mudou o que Roxanne sentia.

No fim daqueles longos minutos de profundo desespero e agonia, sua casa era apenas um reflexo de como ela estava por dentro. Destruída e vazia. Devia ter sido um lar, mas se tornou apenas um espaço abandonado onde a felicidade não podia habitar.

Roxanne estava encolhida em um canto agora, apenas uma garota ingênua com seus erros e decepções, abraçando as pernas e chorando apoiada nos joelhos.

Sozinha.

Não se sentia uma Rainha, não se sentia a Donna.

Ainda assim, quando seu celular vibrou indicando que Strovalenko estava pousando, ela vestiu sua máscara e empilhou seus cacos. Não queria mais nada daquilo, nem a máfia, nem o noivado, nem a vingança. Queria apenas ficar ali encolhida até que a dor passasse.

Mas a dor não passaria e Roxanne não podia se dar ao luxo de sofrer. Não podia desistir, não era justo com Damian.

No entanto, havia deixado o Soldado Invernal ir embora, Viktor Strovalenko não perdoaria isso. A Donna estava pronta para a punição, nada do que ele fizesse poderia machucá-la de verdade.

Ainda assim, uma história bem contada era necessária. Roxanne teria que voltar a usar aquela maldita aliança afinal.

Ela segurou a arma na mão por alguns instantes. Respirou fundo. Mirou para o próprio abdômen e apertou o gatilho.

Uma mentira bem contada era aquela que a comprometeria.

E ela teria que se comprometer muito para conseguir encobrir a maior mentira de todas...