Operação Roleta Russa
25 Pedido

A água quente caía sobre o corpo de Roxanne, relaxando cada músculo. Voltar para casa era sempre reconfortante. Claro que lá fora o mundo continuava a rodar, naquele instante seu nome certamente ocupava o topo da lista de interesse do governo americano, Strovalenko ainda era um problema, e Damian precisava ser resgatado. Mas Frank estava em casa e isso era uma vitória.
Então a Donna decidiu que podia tirar vinte e quatro horas para apreciar e comemorar. Corinne voltou para o abraço de sua família, Frank estava sob os cuidados de Nick e Benedetta, os negócios foram devidamente delegados e a vinícola ficaria em boas mãos. Tudo estava certo.
Ela merecia um dia de folga.
Sorriu enquanto lavava o cabelo, sabia muito bem que só queria aquelas vinte e quatro horas porque estava com saudades da pequena bolha de amor que havia cultivado com James.
Se não fosse por ele a Donna com certeza estaria mergulhada no trabalho.
A verdade é que Roxanne gostava de quem era ao redor daquele americano abusado, então, pela primeira vez em muito tempo, ela apenas deixou o passado de lado e se permitiu ter esse fragmento de felicidade.
Era ainda melhor, porque agora não precisava esconder dos seus consiglieres o que estava acontecendo. Eles descobriram e lidaram bem, pareceram até felizes. Isso fez Roxanne sentir que James era uma escolha certa.
Ela não esperava que Frank quisesse falar a sós com Barnes por um tempo tão longo, mas não era uma grande surpresa. Francesco sempre esteve por perto, sempre a protegeu e amparou, ele sabia de tudo e com certeza não deixaria que ninguém magoasse ou machucasse Roxanne novamente.
Pela primeira vez ela olhou para seu futuro e viu um vislumbre de felicidade real, porque mesmo quando imaginava Damian de volta, o que ela tinha era apenas a sensação de dever cumprido, era felicidade, mas também era conformismo e dever. Mas agora... James tinha mudado tudo.
Claro que Roxanne sabia que não podia tomar a presença do americano como garantida apenas porque ele havia invadido a CIA por ela. Mas tinha esperanças que James escolhesse ficar. Que ele quisesse isso.
Saiu do banho e procurou algo para vestir, na verdade estranhou não ver Barnes por ali, mas ele devia estar deitado no próprio quarto. Quando chegaram, ancoraram o iate na praia privativa em frente à mansão, mas a Donna ainda teve algumas coisas para resolver, ordens para delegar pra que nada a incomodasse na folga. Enquanto isso o americano foi tomar um banho, certamente já tinha ido dormir um pouco, porque os últimos dias foram muito cansativos.
Roxanne não se importou com isso, ainda teriam o dia todo juntos depois de algumas horas de sono.
Colocou uma camisola curta de seda na cor vermelho-sangue, que vinha com o robe, e a calcinha de renda que compunha o conjunto. Então desceu as escadas descalça, tentando não fazer barulho para não acordar James. A porta dele estava fechada, o que corroborou a teoria de que ele estaria dormindo.
Seguiu direto para a pequena adega abaixo da escada e abriu uma garrafa de vinho tinto, não podia desligar totalmente o celular, mas cortou a conexão com a internet para que não ficasse tentada a acompanhar cada notícia que saia. Se algo grave acontecesse alguém ligaria.
Serviu a bebida bordô em uma taça e deixou a garrafa na cozinha, antes de voltar para as escadas, talvez pudesse entrar silenciosamente no quarto de James e deitar ao lado dele para também descansar um pouco. Não queria estar sozinha se podia ficar com ele.
No entanto, logo que terminou de subir os degraus, avistou o americano encostado na porta fechada do quarto. Usava nada mais que uma boxer preta, que destacava todos os atributos certos do corpo masculino, desde as coxas grossas, passando pelos músculos do braço e abdômen.
O jeito que ele era bonito podia fazer uma mulher ficar sem fôlego.
— Pensei que estava dormindo. — Roxanne comentou, bebendo um gole do vinho em sua taça para umedecer os lábios.
Se aproximou em passos lentos, seu corpo arrepiando inteiro com a forma como os olhos azuis quentes a mediram de baixo até em cima, focando nos seios dela de um jeito tão intenso que foi como uma carícia.
— Eu estava esperando você. — A voz rouca soprou de volta, e o dedo metálico apontou para a taça. — Estamos comemorando?
— Estamos todos vivos em casa, acho que é algo digno de comemoração, não é? — A italiana respondeu, parando perto de James e apreciando aquele clima sensual que emanava dele.
— Todo dia do seu lado é digno de comemoração, Roxanne Domenichelli. — Ele a puxou para mais perto, a colocando contra a porta fechada e a devorando com os olhos, como se prometesse que faria as melhores coisas com o corpo dela em instantes.
— Quer? — A Donna questionou, depois de beber mais um gole de vinho, sem tirar as íris negras das azuis um só instante.
— Quero. — James pegou a taça com a mão direita, enquanto o braço de vibranium envolvia a cintura feminina. No entanto, ele não bebeu o líquido carmesim, ao invés disso, seus lábios capturaram a boca de Roxanne, como se quisesse provar o gosto do vinho direto do beijo dela.
Ela se deixou levar, o corpo masculino prensando-lhe contra a porta enquanto a língua de James a deixava sem fôlego, dominando os lábios dela como se aquele fosse o primeiro beijo deles, o mais apaixonado de todos.
Quando ele se afastou, ela já estava ofegante, suas mãos tremendo de excitação nos ombros dele, as pernas arrepiadas e o coração disparado. Meu Deus, será que era possível amar alguém daquele jeito?
— Gostosa. — James sussurrou no ouvido dela, antes de se afastar um pouco mais e finalmente beber um gole do vinho, para então devolver a taça. — Vem, tenho uma coisa pra você.
Ele começou a abrir a porta do quarto e Roxanne deu uma risadinha maliciosa.
— Tem é? Nem imagino o que seja... — Ela soltou insinuativa, mas seja qual fosse a ideia depravada que tinha em mente isso sumiu quando os olhos negros pousaram no quarto de James.
Haviam pétalas vermelhas por toda a parte.
Então era isso que ele estava fazendo enquanto ela tomava banho?
— Você me fez uma surpresa? — A Donna questionou, o coração batendo aos saltos. Nunca imaginou que algo tão simples a deixaria tão emocionada.
James sorriu de canto, encolheu os ombros por um instante.
— Dizem que essa coisa de pétalas de rosas vermelhas é romântica, então... — Ele apontou o quarto como um todo. Tinha feito uma surpresa linda, mas estava visivelmente sem jeito com isso.
Roxanne podia ter rido dessa ironia, se não estivesse muito emocionada naquele momento.
— Suponho que seja mesmo. — Ela lutou para não deixar as lágrimas bobas rolarem, recorrendo ao humor para não parecer uma menininha tola que se derretia por gestos amorosos. — Exceto que não são rosas, são cravos.
Ele com certeza tinha roubado alguns dos canteiros na frente do labirinto, não que Roxanne se importasse com isso.
— Sério? — James riu e a italiana assentiu calmamente. — Poxa, eu estraguei tudo então? Cravos tem algum significado oculto que eu não conheço, que os tornam péssimos comparados a rosas?
— Não. Acho que não. — Dessa vez foi Roxanne quem acabou rindo, enquanto cruzava a pequena distância até Barnes e apoiava os braços nos ombros dele. — É perfeito.
O beijou devagar e doce, focando nos olhos azuis por alguns instantes. Quis contar que nunca tinha ganhado uma surpresa romântica, ou rosas, ou qualquer coisa do tipo. Quis falar que os únicos presentes que ganhou de homens foram para enganá-la. Mas não disse nada disso. Guardou esse pequeno detalhe apenas para si mesma.
— Mas acho que agora é a minha vez de perguntar se estamos comemorando alguma coisa. — Comentou apenas.
— Eu espero que sim... — James a beijou de leve mais uma vez, tirando a taça da mão feminina e apoiando o objeto de cristal no móvel ao lado da cama.
Os olhos azuis pousaram nos negros e algo ali, na tensão e intensidade, fez com que a Donna tivesse um pressentimento ruim.
— Roxanne, eu te amo... — As mãos masculinas seguraram as femininas.
"Mas..." A Donna conseguiu ouvir em sua mente, ela sabia que era isso que viria a seguir; uma condição, um "isso não está dando certo". Ele iria deixá-la, o pensamento foi mais aterrorizante do que ela teria previsto um dia.
— Então não casa com ele. — O pedido de Barnes não era nada do que a italiana teria esperado. — Eu sei que você diz que precisa, por causa do seu irmão, é só que...
Ela deu um passo para trás, totalmente atordoada. James não estava partindo, não ainda. Mas sua permanência tinha uma condição.
É claro que tinha. Roxanne devia saber que brincar de amante secreto não seria o bastante, ela estava oferecendo migalhas para aquele homem, enquanto ele dava tudo de si pra ela. Droga.
E, não era que a Donna não quisesse atender àquele pedido. É claro que ela queria. Não via a hora de se livrar de Viktor Strovalenko para sempre. Seria um prazer poder simplesmente assumir o que sentia por James Barnes para toda a ilha. Adoraria ser feliz com o homem que amava.
Mas ela não podia fazer isso às custas da liberdade de Damian. Não era certo.
— James, eu... — Tentou dizer, mas a voz travou em sua garganta. Sabia o que aconteceria quando negasse o pedido de Barnes. Sabia que o perderia. — Não me peça pra escolher, por favor.
Roxanne nunca implorou por absolutamente nada na vida e, depois que se tornou a Donna, jamais imploraria. Mas naquele instante, ela quis implorar para que James lhe desse mais tempo, para que ele continuasse a fingir para o idiota do Strovalenko só mais um pouco. Para que ele não a deixasse.
— Eu sei que sempre vai ser o Damian, Roxanne. Jamais pediria pra você desistir de encontrar seu irmão. — Barnes segurou as mãos femininas de novo, dizendo aquelas palavras com tanta convicção que era como se o contrário nunca tivesse passado por sua cabeça. — O que eu tinha em mente é que nós podemos achar outro jeito de trazer o Damian pra casa. Eu juro que podemos. Nem que eu tenha que ir de base em base da Hydra eu mesmo, vou encontrar seu irmão Roxanne, eu prometo, e nós vamos destruir esses malditos juntos. Mas não casa com o Strovalenko.
Oh... Aquilo definitivamente não era o que a Donna esperava. Imaginou que James estivesse pedindo que ela desistisse de tudo, mas na verdade era quase o contrário. Ele queria ajudá-la. Ele queria assumir aquela missão com ela.
O peito de Roxanne subia e descia muito rápido, sua mente trabalhando freneticamente. Ela quis acreditar que podiam fazer o que Barnes dizia, quis muito que houvesse um jeito mais fácil, mas não podia ser irracional, continuar com o plano era a escolha lógica.
Tentou manter a calma, mas tentar e conseguir eram duas coisas que não coexistiam naquele instante.
— E... e se eu recusar? — Ela tinha que fazer a pergunta mais importante primeiro. — Você vai embora?
— O que? Claro que não, Roxanne. — James respondeu como se fosse óbvio. — Eu não vou a lugar nenhum, se você disser não, vou aceitar e continuar do seu lado.
A italiana respirou com certo alívio. Não queria admitir o quanto aquela possibilidade estava dilacerando seu coração de dentro para fora, mas talvez Barnes tenha visto isso no olhar negro, porque quando ele segurou o rosto feminino delicadamente, quando seus olhos azuis tão calmos a mantiveram cativa... era como se ele soubesse de cada dor, cada medo, cada desejo.
— Eu já te escolhi, Donna mia. — Ele declarou com segurança absoluta. — Você é a mulher da minha vida, não importa o que você decida. Eu nunca vou te deixar, Roxanne. Nunca.
James puxou o corpo feminino para mais perto, acolhendo Roxanne em um abraço apertado. Ela afundou o rosto no peitoral masculino, enquanto os dedos de vibranium deslizavam pelos fios negros. Aquilo era muito mais do que teria ousado desejar.
— Não vou mentir, eu odeio que aquele homem possa tocar em você, odeio que você tenha que fingir ser fraca perto dele. Entendo porque faz isso, mas odeio. — Barnes confidenciou baixinho. — É mesquinho e egoísta da minha parte dizer isso, mas tudo que eu mais quero na vida é te afastar dele. E sei que talvez seja mais fácil encontrar o Damian usando o Strovalenko, admito, mas eu não me importo de pegar o caminho difícil, se isso te mantiver segura.
— James... — Ela se afastou minimamente para que seus olhares se encontrassem. — Não é um casamento real, eu posso lidar com isso.
Entendia os pontos do homem, na verdade, em algum lugar em sua mente ela até concordava com ele. Odiava se sujeitar a Strovalenko, mas sempre pareceu o único jeito de encontrar Damian.
— Eu não duvido que você possa lidar, não duvido da sua força e da sua capacidade de conquistar o mundo. — Barnes respondeu compassivo. — Mas ainda assim, você não precisa fazer isso sozinha. Me deixa ajudar você.
Por um segundo Roxanne pensou em como seria isso... e a verdade foi que ela gostou demais do que visualizou. Não ter que fazer tudo sozinha seria um alívio, não precisar levar todo seu grupo por um caminho que ela já sabia que eles não queriam trilhar, poder contar com alguém para mais que conselhos, alguém que realmente desejasse encontrar o Damian.
Porque a Donna não duvidava nem por um segundo da lealdade de Frank, Corie ou Nick, mas sabia que eles tinham prioridades diferentes, mesmo com muita ajuda, resgatar Damian sempre foi uma responsabilidade que Roxanne carregou sozinha. Seria muito bom poder dividir esse objetivo com alguém, mas ela sabia que não era justo pedir isso.
— Eu não posso colocar esse fardo nos seus ombros, James. — Foi honesta, tocando a barba rala do americano com a ponta dos dedos. — Encontrar meu irmão sem usar o Strovalenko vai ser... sangrento. Não quero que faça isso por mim.
Não queria que Barnes tivesse que abrir mão de suas convicções para que os dois pudessem ficar juntos. Nunca quis. No fundo Roxanne tinha muito medo do que isso faria com a relação deles a longo prazo.
— Mas eu quero fazer, italianinha. — James garantiu. — Eu passei décadas sendo o punho da Hydra e odiei cada segundo disso. Jurei que não ia mais matar depois que me livrei deles. Mas por você... por você Roxanne Domenichelli, pra achar o seu irmão, eu torturo ou mato cada um dos membros restantes daquela organização.
Ela prendeu o ar por um instante, sentindo muito bem o peso e importância daquelas palavras.
— Por que? — Tinha que perguntar.
As pessoas a seguiam e eram leais por motivos distintos, mas o que Barnes estava oferecendo era muito mais do que lealdade. E Roxanne não se sentia digna disso.
— Porque eu te amo. — Ele assegurou com toda a certeza. — Me deixa trazer seu irmão pra casa, Roxanne, porque quando ele estiver aqui, eu finalmente vou colocar um anel no seu dedo e você vai subir em um altar de vestido branco, comigo.
— O que...? — Ela mal conseguiu conter o tom absolutamente surpreso.
— Eu quero que você case comigo, Roxanne, não com o Strovalenko. Quero que case comigo quando seu irmão estiver em casa, pra que você possa caminhar até mim de braços dados com ele, pra que você possa me dizer "sim" sentindo felicidade plena, sem culpa, sem preocupações. — Barnes explicou pausadamente. — Quero que se case comigo e seja minha rainha, minha Donna, minha mulher.
Roxanne mal tinha notado que eles estavam dois passos afastados agora, ela se encontrava parada no meio do quarto totalmente estática.
— Pensa nisso, 'tá bom? — O americano pediu com carinho e pousou um selinho nos lábios femininos. — Se você achar que é viável descartar o Strovalenko sem que isso seja prejudicial demais para os seus objetivos, então eu mesmo lido com ele, pra que aquele maldito nunca mais sequer pense em você outra vez.
Ele se afastou naturalmente e pegou a taça que estava sobre o móvel ao lado da cama.
— Mas não precisa ter pressa. — Declarou casual, abrindo um sorriso bonito. — Vou pegar a garrafa de vinho, a gente ainda tem o dia todo de folga.
Roxanne ainda estava parada exatamente no mesmo lugar, as palavras de James rodando em looping pela mente dela, de novo e de novo, as imagens se formando diante de seus olhos como se fossem um sonho bom, que ela jamais teria ousado sonhar. Meninas como ela não tinham finais felizes desse jeito. O máximo que a Donna tinha se dado ao luxo de desejar era seu irmão de volta, inteiro, bem, para que pudesse usufruir de tudo que ela tinha feito da Sicília. E talvez houvesse fantasiado de forma infantil com um pedido de desculpas do pai.
Mas aquilo...
Garotas como Roxanne Domenichelli não podiam ter aquilo. Não porque ela era uma criminosa, ser a rainha da máfia foi algo que cruzou o caminho dela, um legado que veio com seu sobrenome e que ela resolveu honrar de cabeça erguida. Fez daquela organização algo que fosse digno de orgulho, encontrou seu lugar ali, o mais perto da felicidade que se julgou digna de conseguir.
Mas aquilo...
Aquilo que James havia acabado de pintar diante dos olhos dela era mais. Era algo que apenas meninas dignas de serem salvas poderiam almejar.
Ela se virou minimamente, Barnes ainda estava girando a maçaneta para sair. Lembrou-se do que ele tinha feito nos Estados Unidos, ele a salvou.
E, de repente, Roxanne pensou que talvez... talvez aquele maldito que um dia disse a ela que ninguém viria salvá-la, que meninas como ela não eram dignas de felicidade ou amor de verdade, talvez ele estivesse errado...
Porque, pela primeira vez, ela se viu com tudo aquilo que nunca se julgou digna de ter.
Ela podia governar a máfia; podia resgatar Damian; podia ter James e o amor dele; podia ser feliz; podia usar o vestido branco de verdade e não apenas em uma farsa.
Ela podia, não podia?
— Sim. — Disse em um rompante, antes que Barnes desse o primeiro passo para fora.
— O que? — Ele se virou com confusão no olhar.
— Sim, James. — Roxanne declarou depois de respirar fundo. — Eu quero tudo o que você quer, então, sim.
O americano deu um passo na direção da Donna, como se ainda não tivesse acreditado no que ouvia. Ela começou a enumerar então:
— Sim, eu vou descartar o Strovalenko. Sim, eu vou te deixar me ajudar a achar o Damian... — Roxanne tirou a aliança que até aquele ponto tinha sido apenas um fardo e a deixou sobre a cômoda. — Sim, eu vou me casar com você.
— Sim? — James repetiu, exibindo um sorriso enorme.
— Sim! — Ela confirmou.
Ele cruzou o espaço até Roxanne, deixando a taça vazia em qualquer lugar no caminho e a puxando para perto de forma eufórica, apenas para colar os lábios dos dois em um beijo que era a explosão perfeita de todos os sentimentos que borbulhavam dentro do peito dela naquele instante.
A Donna cresceu e viveu com um único objetivo na mente, encontrar o irmão para que ele tivesse uma vida digna, para que ele fosse livre, para que ele tivesse futuro. Posteriormente ela acabou com a Máfia na mão e sua missão era então cuidar de todos na Sicília, garantir que eles estivessem bem, que eles pudessem ser felizes... Mas agora, pela primeira vez, Roxanne vislumbrou uma vida em que ela lutava e cultivava algo que era só dela e por ela. Um futuro próprio, uma felicidade exclusiva. Alguém que faria por ela tudo que ela estava disposta a fazer por todos sob sua responsabilidade.
E nada nunca pareceu tão certo assim.
Quando James fez com que ela se deitasse na cama coberta de pétalas vermelhas e beijou cada parte do corpo feminino com devoção e calma, Roxanne sentiu que cada uma das partes quebradas de si mesmo finalmente estavam se tornando inteiras de novo.
E quando ele fez amor com ela, com os olhos azuis focados nos negros o tempo todo, como se pela primeira vez ele acreditasse que aquilo podia durar pra sempre... Roxanne finalmente entendeu o que era ser amada. Porque ela nunca acreditou em palavras, as palavras já haviam a enganado antes, mas aquele olhar... aquele olhar era a definição de amor que todas as palavras humanas haviam tentado explicar no curso da história.
Pela primeira vez ela não duvidou que fosse digna disso; pela primeira vez ela não teve um mau pressentimento sobre o fim; pela primeira vez ela não lutou contra monstros antigos que se arrastavam por sua mente dizendo que aquilo nunca daria certo...
— Eu te amo, italianinha. — James sussurrou no ouvido feminino, logo depois que os corpos já estavam satisfeitos e ele a abraçava apertado.
E, pela primeira vez, Roxanne realmente acreditou nisso.
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