— E ontem o mundo perdeu um de seus mais injustiçados heróis. — A mulher no noticiário falava com pesar na voz e expressão triste. — James Buchanan "Bucky" Barnes foi um conhecido Sargento que lutou ao lado do grande Capitão América clássico, Steve Rogers. Barnes foi dado como morto pela primeira vez em 1945, quando caiu de um trem em movimento em uma missão que visava derrotar a organização nazista conhecida como Hydra. Muitas décadas depois, viemos a descobrir que o Sargento Barnes foi, na verdade, mantido vivo e usado como cobaia em experimentos desumanos, até que sua mente fosse totalmente controlada, fazendo dele um assassino implacável, conhecido por muitos como o Soldado Invernal. Salvo por Steve, seu velho amigo de infância, Bucky foi injustiçado e perseguido pelo governo, acusado de atentados que não cometeu e julgado por muitos, mesmo sendo a vítima. Nos dias atuais, James Barnes, depois de um merecido perdão presidencial, ainda estava lutando contra Cabeças emergentes da Hydra e ontem foi assassinado em combate no meio das montanhas geladas do Canadá.

O rosto da jornalista saiu de foco e as imagens das câmeras de segurança do trem começaram a ser transmitidas. Bucky e Strovalenko em um embate corpo a corpo, até que o líder da Hydra jogava o soldado contra uma das portas do veículo e lançava uma faca no corpo do americano, a próxima cena o mostrava caindo do trem com uma lâmina fincada em seu peito.

— Chama atenção a frieza dessa organização terrorista em reproduzir a morte do Sargento Barnes dessa forma. Uma prova concreta de que eles sempre foram os verdadeiros vilões dessa história. — A mulher retomava sua narrativa. — A ameaça da Hydra vem sendo tratada como prioridade número um dos Governos aliados e Viktor Strovalenko está no topo da lista de procurados desde então.

As fotos do líder da Hydra apareceram na tela, em seguida imagens de um enterro feito para Barnes.

— Sam Wilson, nosso novo Capitão América, disse que ficou devastado com a perda de um amigo pessoal e está trabalhando ativamente em conjunto com as autoridades para caçar a Hydra desde então. — A reportagem continuava em tom respeitoso. — A nós, meros cidadãos, resta apenas fazer um minuto de silêncio por essa morte trágica de um herói de guerra, que dedicou sua vida a nos proteger e lutou ao lado dos Vingadores na batalha que restaurou metade da população de nosso planeta...

A televisão foi desligada. O rosto feminino agora refletido na tela escura.

— Nunca te disseram que é falta de educação entrar sem bater? — Bucky Barnes apenas deu um gole em sua vodca e ergueu seus olhos azuis em direção à loira.

— Não é falta de educação se o apartamento é meu. — A Mercadora do Poder declarou, cruzando os braços depois de colocar o controle novamente sobre a mesinha de centro. — Sabe que é bizarro ficar assistindo reportagens de seis meses atrás sobre sua própria morte, não é?

Barnes riu de canto, se espalhando um pouco mais no sofá sem deixar de encarar a loira. Faziam seis meses desde o incidente no trem, o mundo achava que aquele homem estava morto. Enquanto isso, ele estava vivendo em Madripoor, sob a proteção da Mercadora.

Tinha deixado o cabelo crescer, não o corte desgrenhado de muitos anos antes, algo charmoso que o deixava ainda mais bonito, não que Carter fosse dizer isso para ninguém, ou que tivesse qualquer interesse em outro supersoldado centenário, mas não era algo que passava despercebido. A barba rala combinava muito bem com aquela nova pose de conquistador barato.

Um homem que tinha perdido tudo e agora se agarrava nos corpos de qualquer um. Era o que os porteiros diziam para a Mercadora.

— As pessoas que eu trago aqui acham esse meu traço de personalidade muito sexy. — Bucky moveu os ombros em descaso. — O que você quer, Sharon?

A loira se encostou na janela, analisando a postura masculina para ver se havia algo mais ali. Mas não, Barnes era uma constante de desdém, sarcasmo e raiva naqueles últimos seis meses. Reação totalmente normal para alguém que havia sido apunhalado pela mulher que amava.

— Só vim ver como você está. — Ela disse uma verdade parcial. — Sam está preocupado com você.

Wilson havia telefonado dia desses perguntando de Barnes, Sharon deu uma resposta básica, não se importava tanto assim com o supersoldado, mas a pessoa que estava pagando por tudo sim, então ela cumpria o protocolo.

— Estou ótimo. — Bucky respondeu simples, fuçando atrás das almofadas até achar um maço de cigarros, pegando um deles e prendendo entre os dedos antes de acender o isqueiro e tragar longamente. — Quando a maior parte do mundo pensa que você morreu é fácil ficar em paz.

Sharon observou a fumaça subir para o teto do apartamento com ar de desgosto.

— Desde quando você fuma?

— E isso importa?

Ela odiava aquele novo Barnes, havia um jeito debochado na sua forma de falar, como se soubesse de tudo no mundo.

Mas não tinha como ele saber, Sharon foi muito cuidadosa em cumprir todas as exigências de sua contratante, nenhuma pista ficou para trás.

— Você diz que está bem, mas continua vendo esse vídeo. — Voltou a sondar, para averiguar se havia algo de preocupante para ser relatado.

— Eu gosto da homenagem. — Bucky soltou sem grande comoção. — Além disso, me ajuda a lembrar de algumas coisas.

— Que coisas?

— Que eu não posso confiar nas mulheres outra vez. — Ele soprou as palavras e olhou para a Mercadora com convicção. — A última na qual eu confiei colocou um rastreador no meu braço, me deu uma facada e me jogou de um trem.

Sharon respirou fundo e assentiu, fingindo que não tinha tirado aquele nanô-rastreador de Barnes apenas porque essas eram as ordens. A tecnologia foi extraída assim que o soldado chegou em Madripoor, afinal, com mundo pensando que ele estava morto, viver ali na cidade era mais seguro. Ele não precisaria fugir. E, se não fugiria, não precisaria ser monitorado por um rastreador.

— Pelo menos você ainda está vivo. — Tentou fazer com que o homem focasse no mais importante.

— Pois é, graças a você, que contou ao Sam o que estava acontecendo, não é? — A pergunta de Bucky ficou no ar por alguns segundos.

Não era verdade, mas Sharon foi instruída a ficar com os créditos e não reclamou disso.

— Eu não sou uma vilã. Só gosto de ganhar meu dinheiro em paz. — Repetiu sua motivação básica para ter ajudado Barnes.

— Boa sorte com isso. — Ele não pareceu se importar. Tinham chegado a uma trégua. Tanto Bucky quanto Sam sabiam que ela era a Mercadora agora e estavam neutros quanto a isso. — Mais alguma coisa?

Carter olhou o apartamento por alguns instantes; haviam algumas garrafas jogadas aqui e ali, alguma bagunça de quem estava vivo, nada realmente preocupante. Estava tudo bem.

— Mais nada. — Declarou, já caminhando para a saída. — Liga para o Sam de vez em quando.

Já estava com a porta aberta quando a voz masculina chamou seu nome.

— Sharon? — Ela virou o rosto para ver Bucky ainda sentado no sofá. — Da próxima vez bata na porta, você não quer me pegar pelado, quer?

— Ótimo argumento. — A loira revirou os olhos, tirando a chave reserva do bolso e a deixando na mesinha do hall.

Bucky estava bem, seguindo em frente, superando, com sorte não precisaria mais ficar espionando cada passo dele. Porque honestamente era um saco.

Entrou no elevador com o celular já na mão.

— Pronto. — A voz feminina de leve sotaque italiano atendeu rapidamente.

— Estive com ele como você pediu, Donna. — A Mercadora informou para a contratante. — Está tudo em ordem.

— Isso é bom... — A resposta veio com um segundo de silêncio. — Seria uma péssima hora pra uma americanisse dele.

Honestamente, Sharon Carter não entendia o desejo de Roxanne Domenichelli em manter Bucky Barnes a salvo. Toda aquela cena no trem, a morte falsa, o vídeo adulterado nas mãos da mídia. Todo o plano complexo do qual a Mercadora do Poder vinha fazendo parte não fazia muito sentido.

Mas estava pagando absurdamente bem, então...

Talvez Roxanne estivesse sendo misericordiosa, talvez não tivesse superado, difícil saber. O que importava era que ela queria Bucky seguro, tocando a vida e, principalmente, bem longe dos assuntos da Hydra e da Máfia Italiana.

Essa parte Sharon entendia, Roxanne estava prestes a se casar com Viktor Strovalenko, o homem podia estar fugindo do governo, mas, para todos os efeitos, tinha matado o Soldado Invernal, era um herói dentro da Hydra. Claro que a Donna não gostaria de ter seu grande dia arruinado por uma aparição repentina do ex-amante.

— É como eu disse em todas as outras vezes nesses seis meses; ele não está interessado em te encontrar outra vez, sequer está procurando. Parece ter raiva de você. — Explanou o resultado de suas visitas. — E tem saído com outras pessoas.

— Entendi. — Roxanne respondeu apenas, difícil decifrar qualquer sentimento em sua voz.

Será que ela tinha ciúmes ao saber que Barnes estava passando o rodo por toda a Madripoor? Será que nem se importava?

Sharon já havia reportado isso outras vezes, afinal os porteiros eram informantes valiosos e sempre repassavam o entra e saí no apartamento de Barnes.

Depois de seis meses, Carter passava para ver Bucky com muito menos frequência, sequer estaria ali hoje se Roxanne não tivesse pedido especificamente. Provavelmente o casamento estava muito perto.

— Eu vou enviar o seu pagamento mensal acordado. — A Donna declarou, no tom de quem está prestes a desligar. — Como sempre, é um prazer fazer negócios.

— Então, sobre isso... — Sharon falou antes que a ligação caísse. — Acho que continuar me mandando uma fortuna todo mês não é necessário.

— Foi o acordo; você me ajuda no meu plano, mantém sigilo sobre isso, dá asilo para o Ja... Bucky, e eu te pago.

— Sim, e você me pagou por seis meses, agora já está tudo resolvido. — A loira retrucou calmamente. — Eu vou continuar mantendo segredo sobre a forma como Barnes conseguiu a liberdade dele com essa morte falsa, mas ele não precisa mais ser espionado e não faz sentido você pagar as despesas dele aqui, sendo que não tem intenção de contar a verdade em algum momento.

— Está dispensando dinheiro, Mercadora do Poder? — A italiana questionou desconfiada.

— Na verdade, estou escolhendo gastar meu tempo com algo mais proveitoso, se eu receber de você terei que continuar monitorando o Barnes e, honestamente, a única coisa que existe para monitorar na semana é quantas garrafas de vodca ele toma, ou com quantas pessoas ele transa. Tenho mais o que fazer. — Foi honesta, já tinha gastado muito tempo de vida com supersoldados, precisava cuidar de suas próprias coisas. — Ele não está interessado em você, te superou, o trabalho com ele acabou. Mas por cortesia te manterei informada caso algo mude. Se acontecer, retomaremos nossas transações comerciais.

— Certo, parece justo. — A Donna concordou. — Obrigada pelos seus serviços, Mercadora, espero que possamos fazer negócios novamente em outra oportunidade. Adeus.

Sharon desligou em seguida, feliz por estar livre daquela chatice toda de espionar um supersoldado beberrão.

Bucky quase foi morto pela mulher que amava. Se fosse esperto aprenderia a lição, aproveitaria a paz que havia ganhado por acaso e nunca mais pensaria em Roxanne Domenichelli outra vez...

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Ela havia planejado aquele dia por muito tempo, havia visto em sua mente como ele seria, de novo e de novo, exaustivamente nos últimos anos. Desde o instante em que decidiu se aproximar de Viktor Strovalenko, Roxanne esperou pelo casamento dos dois.

No entanto, sua fantasia nunca foi romântica, todas as coisas que cercavam uma típica cerimônia jamais lhe preocuparam ou importaram.

Mas agora, olhando sua própria imagem refletida no espelho, usando aquele vestido de noiva tão bonito... Roxanne estava triste.

Porque, se casar com Strovalenko não era mais apenas o sinal de que ela havia alcançado seu objetivo e estava prestes a — possivelmente — ficar cara a cara com o sequestrador de seu irmão. Usar aquele vestido branco era também o lembrete de coisas que ela havia sonhado e chegou a acreditar que estavam na palma de sua mão.

Meses antes, ela fez planos para se casar com outro, ser uma noiva de verdade, entrar no altar de braços dados com alguém que ela amava, em casa, cercada dos amigos que havia escolhido para serem sua família.

Por isso, se encarar no espelho agora era como enxergar tudo que ela havia perdido. Sua cerimônia dos sonhos nunca existiria e tudo que ela teria seria esse teatro pomposo, que ela mesmo tinha armado, para que velhos nazistas atestassem o poder de seu novo líder.

Um líder forjado com mentiras.

Roxanne sequer teria o alento de se casar em terras conhecidas. Strovalenko estava sendo caçado por vários Governos. Então a cerimônia e festa aconteceriam nessa velha mansão secreta no interior da Rússia. Um lugar meio insalubre que estava sendo protegido por um pequeno exército.

A Donna havia deixado seu lar para trás, seus negócios estavam delegados, e toda sua equipe estava longe dela. Aqueles que tinham sobrado, é claro.

Porque até isso Roxanne tinha perdido; seus conseglieres não eram mais um trio.

Muitas vezes tinha pensado em trazê-los de volta. Pouco importava que fosse soar como fraqueza. Mas como pediria para Corinne largar sua paz recém adquirida? Como teria coragem de olhar para Frank e pedir que ele voltasse depois de tê-lo expulsado?

Sim, Francesco havia mentido e traído, decidido apoiar Barnes ao invés de sua própria Donna, mas... Roxanne sentia falta dele.

Ela sentia falta de todo mundo.

Até que ponto valia a pena ser irredutível e ficar sozinha por medo de ser traída? Era um erro sentir tanta falta de alguém que havia mentido pra ela?

Roxanne não sabia mais se estava fazendo a coisa certa, nem para si mesma, nem para a máfia. Havia perdido suas estruturas e sentia que todo o resto estava desmoronando.

Como era possível que todos os seus planos tivessem dado certo, mas que, mesmo assim, sua vida estivesse toda errada?

Alisou o vestido, era quase irônico que o noivo fosse um fugitivo no topo da lista dos mais procurados e ela, ainda assim, estivesse usando alta costura...

A peça totalmente alva era inteira feita de seda, o corpete bem ajustado ao corpo era todo drapeado e formava um decote coração com mangas de ombro a ombro. A saia longa e lisa tinha um corte que valorizava cintura e quadril, com duas camadas sobrepostas para formar uma calda natural. E, o destaque do vestido ficava por conta da grande fenda na perna direita que vinha desde o início da coxa.

Era uma escolha estratégica, Roxanne não sabia o que aquele dia lhe reservava. Se encontrasse o Representante não tinha ideia se isso seria amigável, além disso, com Strovalenko sendo um fugitivo nunca dava pra saber se seriam interrompidos por um pequeno exército governamental. A última coisa que a Donna queria era um vestido que limitasse seus movimentos ou fosse pesado demais.

Terminou de se arrumar, seu cabelo longo e escuro em um penteado simples meio preso. Maquiagem adequada para uma ocasião formal no meio da tarde e as joias que o próprio Strovalenko havia dado.

Ele vinha sendo extremamente atencioso nesses últimos meses, se a Donna fosse um pouco mais ingênua poderia ter esquecido quem aquele homem desprezível era de verdade.

Obviamente todo aquele carinho tinha um motivo; ele tinha chegado ao topo por causa dela.

Roxanne ajeitou o anel de noivado no anelar, logo haveria uma aliança ali em cima... Mas a única coisa que ela conseguiu lembrar foi do dia em que um certo americano arrancou aquela merda do dedo dela e jogou pela sacada, antes de beijá-la pela primeira vez.

Ou então, quando ela mesma tirou aquele anel, dizendo "sim" para um futuro que era bom demais para ser verdade.

Parecia a uma eternidade inteira agora, mas ela ainda se lembrava como se tivesse acabado de acontecer...

Porém, não importava mais. Agora esse homem estava bem longe, em Madripoor, seguindo em frente com outras pessoas. Logo ele encontraria outro alguém para fazer aquele tipo de gesto de amor bobo.

Roxanne devia estar feliz, tudo que ela planejou aconteceu e agora aquele americano traidor podia viver em paz.

Soltou um suspiro pesado, não devia sentir tantas saudades de uma mentira.

Talvez, agora que estava tão perto de reencontrar Damian, Roxanne também conseguisse seguir em frente. Não tinha muita escolha afinal. Três dias antes foi a última vez que falou com a Mercadora do Poder. Agora não possuía mais uma espiã em Madripoor, não receberia mais atualizações da vida dele.

Quase lamentou ter mandado Sharon tirar o rastreador. Mas era melhor assim... Ou, ao menos, era disso que a Donna estava tentando se convencer.

James Bucky Barnes tinha uma nova vida, novos amores ou casos de uma noite e... a odiava. Assim como tinha que ser.

Roxanne precisava esquecer.

Mas, tem algo sobre "esquecer" que ninguém avisa. As coisas ruins vão primeiro, então os motivos pelos quais houve raiva e rancor parecem pequenos e estúpidos comparados aos momentos bons. Chega um ponto em que simplesmente se esquece da razão pelo qual era preciso esquecer.

Roxanne esqueceu muito rápido, muito mais rápido do que ela pensou ser possível, e agora tudo que ela fazia era lembrar... Lembrar de cada segundo que eles haviam passado dentro de uma bolha de amor que sempre esteve fadada a explodir.

Mas não fazia diferença, porque ela nunca mais veria aquele americano de novo.

Assentiu para seu próprio reflexo e checou as horas; faltava um bom tempo para sua entrada, ainda mais se julgasse que era tradição que a noiva se atrasasse um pouco.

Se afastou para longe do espelho, seguindo para um dos cantos onde algumas garrafas caras de bebida estavam dispostas em um aparador. Escolheu um vinho bordô, mesmo sabendo que a bebida não chegaria aos pés da fabricada em sua vinícola.

Tinha acabado de dar o primeiro gole, quando uma brisa fria fez com que seus fios escuros balançassem. Olhou sobre o ombro e encarou a janela.

Não estava fechada?

Deixou sua taça sobre o aparador e caminhou até o beiral, olhou lá embaixo e não viu absolutamente nada de diferente. Os homens da Hydra ainda faziam rondas periódicas pelo entorno da mansão, por causa da ameaça eminente que vários Governos representavam.

Roxanne tinha acabado de fechar a janela quando notou que algo no clima do quarto havia mudado. Ela parou, o coração saindo do prumo no silêncio completo. Não estava sozinha. Engoliu em seco. Sabia quem era. Tinha certeza, mesmo antes de olhar.

Se virou devagar, perdida entre o desejar que fosse verdade e o querer estar errada. Mas, qualquer coisa que tivesse em mente simplesmente sumiu quando viu o homem parado ali no meio do quarto.

James.

Ele passou os dedos de vibranium pelo cabelo, jogando os fios castanhos, agora mais longos, para trás. Combinava com ele de um jeito meio selvagem e sexy. A barba estava rala, como se não fosse feita há uns poucos dias. Do jeito que Roxanne mais gostava.

Ela ergueu o queixo, tentando não se intimidar com o quão bonito ele estava naquele momento. Usava um sobretudo azul escuro por cima dos jeans e da camiseta de gola em V, que estava com três botões abertos.

Ele não devia estar ali.

Os olhos gélidos a mediram muito devagar e foi possível ver o maxilar dele travar, difícil dizer o motivo exato. Roxanne lembrou do que Sharon tinha dito: ele parece ter raiva de você.

Era justificável, a Donna entenda, mas a verdade era que não esperava ver Barnes outra vez...

Quando o encontrou naquele trem, ela sabia exatamente o que esperar dele. Conseguiu prever a maior parte das atitudes do americano naquele dia. Mas agora... agora Roxanne não tinha ideia do que ele poderia querer ali.

Talvez fosse hora de se vingar dela? Também seria justificável.

Barnes se moveu finalmente, dando dois passos para trás e tirando a mão de vibranium do bolso, para então girar a chave, trancando a porta.

Os olhos azuis encontraram os negros, e a saudade cortou o corpo de Roxanne como um raio devastador.

Ela não precisou se perguntar como ele havia passado despercebido pelo pequeno exército de Strovalenko. Barnes tinha passado décadas sendo apenas um fantasma, ele sabia exatamente como ser discreto.

— Se eu gritar, pelo menos trinta homens da Hydra e da Máfia Russa vão invadir esse quarto com as armas em punho. — Ameaçou, erguendo um pouco mais o queixo.

O americano riu de canto, caminhando até o aparador e recuperando a taça da Donna. Ele começou a se aproximar então e ela deu alguns passos para longe dele instintivamente, até que batesse contra a cômoda perto da cama.

— Então grita. — Barnes desafiou, estendendo a taça de vinho para ela.

Roxanne ainda não tinha conseguido decifrar a intenção por trás daquele encontro, mas o americano estava diferente, havia uma certa confiança nele agora. E isso era insuportavelmente afrodisíaco.

Ela aceitou sua bebida de volta, seus dedos roçando os dele quando pegou a taça, seu corpo correspondendo a esse simples contato de um jeito perturbador.

Os olhos azuis queimaram por um segundo, mas Barnes se afastou de volta para o aparador.

— Você deve estar pensando como foi que eu cheguei aqui, não é? — Ele comentou, como se pudesse ler a mente dela. — Como foi que eu te achei...

Se serviu de uma dose de whisky, encostando-se no móvel enquanto dava o primeiro gole, seus olhos gélidos voltando a focar na italiana.

— Ficaria surpresa com quantas pessoas talentosas existem em Madripoor. Gente que está disposta a fazer coisas incríveis por um preço moderado. — Ele explicou como se fosse nada.

Roxanne sabia que para alguém como Barnes, com o apoio certo, não seria difícil encontrar o paradeiro daquele lugar. Era um esconderijo básico da Hydra afinal, haviam muitos desses, mas se alguém soubesse deles, seria fácil pedir que um hacker descobrisse quais estavam ativos. Uma invasão na companhia de luz seria o bastante.

A única vantagem de Strovalenko era que os Governos não sabiam onde ou o quê procurar. Mas um espião treinado pela própria Hydra saberia.

No entanto, isso não explicava como um homem morto tinha conseguido chegar ali tão rápido. Sendo que três dias atrás ele estava em Madripoor, vivendo sua rotina normalmente.

— Além disso, eu sou amigo do Capitão América, voar não é um problema. Ele só teve que cobrar um favor. — A resposta veio sem que Roxanne tivesse que fazer a pergunta e as sobrancelhas dela se franziram. — Ah, pois é, você achou que eu e o Sam não estávamos nos falando tanto, não é? Sharon deve ter te contado isso. A mesma Sharon que você mandou me espionar.

Merda, devia saber que não podia confiar na Mercadora do Poder.

Enquanto lutava para manter suas emoções sob controle, Roxanne assistiu Barnes virar o whisky e colocar o copo vazio sobre o aparador.

— A Mercadora não te traiu, caso esteja se perguntando isso. — Era como se ele tivesse todas as respostas, antes mesmo das perguntas. — Eu a enganei pelos últimos seis meses. — A informação pegou Roxanne desprevenida. — Eles ensinam uma ou outra coisa útil no treinamento do Soldado Invernal, sabia?

A Donna tentou decifrar de onde estava vindo toda aquela confiança e segurança. Será que aquele era o Bucky Barnes de verdade? Aquele era o americano quando não estava apaixonado por ela?

Aquele era o homem que transava com metade de Madripoor?

Roxanne cruzou os braços instintivamente. Uma irritação repentina e infundada se apossando dela.

— O que você está fazendo aqui, James? — Questionou impaciente e só então se deu conta. Tinha acabado de dizer o nome dele no impulso.

Os olhos azuis bateram nela imediatamente, e o americano se aproximou tanto que foi sufocante.

— Diz isso outra vez, Italianinha. — Ele soprou em um misto de ordem e súplica que fez um arrepio quente correr o corpo de Roxanne.

Ela não pensou, sua mão atingiu o rosto masculino rápido demais em um tapa estalado. Doía ouví-lo chamá-la daquele jeito.

— Eu quase te matei uma vez, não pense nem por um segundo que eu não faria de novo. — Ela declarou, fingindo uma segurança que não tinha.

Não eram íntimos, não podiam ser. Barnes tinha que ir embora.

Em resposta o americano apenas sorriu, nada abalado com o tapa. O provável era que tivesse deixado acontecer, afinal seus reflexos eram bons demais para ser pego desprevenido.

— Quase matar alguém, implica que houve uma tentativa... — Havia um tanto de acusação naquela frase.

Ele não podia saber, podia?

— Eu apunhalei o seu coração e te joguei de um trem. — Roxanne relembrou de queixo erguido.

— Você me jogou do trem justamente no trecho onde a queda seria menor do que em qualquer outro ponto. — Barnes rebateu em tom perspicaz. — E você atingiu o lado direito do meu peito... — Ele puxou o sobretudo junto com a gola da camisa e mostrou a cicatriz quase imperceptível marcando sua pele. — Quer mesmo que eu acredite que alguém que fez medicina erraria o lado em que fica o coração? E você nem usou a lâmina de vibranium, só uma copia barata.

Ela focou na cicatriz, odiando a sensação de ter sido responsável por isso. Sempre soube que ele iria curar, foi um risco calculado, mas ainda lhe causava pesadelos todas as noites.

Mesmo assim, ela apenas ergueu o queixo, sem intenção nenhuma de falar a verdade. Não faria diferença.

— Você nunca quis me matar, Roxanne. — James declarou com convicção.

E ele estava certo.

Apesar de tudo, ela nunca quis isso. Sabia que devia querer, sabia que tinha o direito até. Mas nunca poderia viver com isso.

Barnes se afastou, encostando na penteadeira de forma despretensiosa. Enfiou a mão no bolso e sacou um maço de cigarros, acendendo um deles.

Desde quando ele fumava?

A Donna sabia que devia estar racionalizando o motivo daquele encontro, que precisava se preocupar com o fato de estarem cercados de Hydra por todos os lados. Ela sabia muita coisa. Mas se perdeu na forma como James apertava os lábios contra o cigarro e depois soltava a fumaça.

— Sabe... quando eu te conheci, você era um enigma completo pra mim, eu não conseguia te entender. — Ele comentou casualmente, encarando o nada por dois segundos antes de pousar os olhos muito azuis no rosto dela. — Mas agora eu te conheço, Donna, o bom, o ruim e, principalmente, toda a genialidade dessa sua mente extraordinária.

Ele começou a se aproximar de novo. Roxanne até soube que devia se afastar, porém não se mexeu, ainda estava presa naquela última frase. Será que existia alguém que realmente a conhecia? O lado bom e o lado ruim?

Barnes deslizou os dedos de vibranium pela lateral do rosto feminino, ajeitando uma mecha do cabelo escuro. A italiana ficou absolutamente paralisada com o contato repentino. Sentia tanta falta daquele toque que teve que se controlar muito para que seus olhos não enchessem de lágrimas.

— Mesmo assim, eu tenho que confessar que demorei um pouco pra ligar todas as peças de forma lógica. — A voz masculina ficou no ar por alguns instantes. Os olhos azuis presos nos negros, como se ele tivesse se perdido no meio do raciocínio por estar olhando para o rosto feminino.

Quando o americano voltou a se afastar, a Donna se sentiu repentinamente vazia. Incompleta.

— Você já sabia o que ia fazer desde o momento em que me mandou embora da Sicília. Você até me deixou escapar, mas eu não fiz isso. — Ele expôs casualmente, enquanto se servia de mais whisky, com o cigarro preso entre dois dedos. Estava certo de novo. — O rastreador no meu braço foi genial, inclusive. Nano tecnologia magnética que se infiltrou nos frisos do vibranium. Você pode ter colocado em qualquer lugar que eu toquei antes de deixar a Sicília, mas chuto que deixou nos controles do iate, porque sabia que se eu fugisse seria com ele. E eu nunca teria encontrado o rastreador sozinho. Mas depois que seu plano deu certo e eu não precisava mais ficar pulando de país em país, você disse para Sharon "encontrar" a tecnologia. Por isso, a Corinne disse que nunca me perdeu de vista. Você estava me rastreando desde o começo.

Roxanne bebeu um gole de seu vinho para disfarçar. Não esperava que Barnes tivesse entendido tão bem o plano. Queria que ele nunca entendesse.

Sempre soube que não seria capaz de matar aquele homem, porém, ele ainda era um traidor, não podia perdoar algo assim. Além disso, Strovalenko era um problema enorme, ele reviraria a Sicília atrás de Barnes e nada o pararia. Naquele fatídico dia, a Donna teve que pensar muito rápido sobre tudo.

Precisava mandar James para longe. Fez o que precisava fazer.

— Então teve a armadilha no trem; de primeiro parecia tudo sobre mim. Uma vingança perfeita, poética e irônica. Um jeito de fazer o homem que te traiu sofrer ao máximo. — Barnes continuou, dando um trago em seu cigarro e provando que havia pensado muito nisso. — Mas então, quando as notícias começaram a sair, vi que aquele teatro nunca foi sobre mim. Era sobre o resto do mundo... Você deu a eles uma história incrível para falar sobre; tecnologia Stark, Soldado Invernal, a tragédia do trem se repetindo com um herói de guerra injustiçado... Você expôs a Hydra como a grande vilã, de um jeito que ninguém mais poderia ignorar. — Ele riu meio sem humor, dando um gole em seu whisky calmamente. — Norte-americanos amam histórias trágicas e poéticas de heróis caídos e você deu a eles a melhor de todas.

Roxanne não disse uma só palavra. Jamais imaginou que ele conseguiria enxergar a real intenção dela, não naquela situação tão emocional. Barnes precisava pensar que ela tinha mesmo planejado a morte dele.

Sempre soube que teria que forjar isso, Strovalenko não daria paz para James, e ela não podia simplesmente deixar que o soldado ficasse pulando de país em país e morando em lugares insalubres. Foi o último pedido que fez a Corinne, encontrá-lo e contar sobre o trem.

Não foi fácil aceitar que o melhor jeito de fazer tudo aquilo dar certo, era reproduzindo um dos momentos mais traumáticos da vida de Barnes, porém a Donna sabia que os detalhes contavam muito, tanto para o show que estava dando para Strovalenko, quanto para a história que se tornaria pública.

Seguiu adiante, apesar de suas ressalvas, todo mundo tinha que acreditar naquilo, incluindo o próprio ex-sargento. A italiana torceu para que ele aparecesse, se não fosse por causa dela, então que fosse pela tecnologia Stark. Teve que pedir a ajuda da Mercadora pra isso, mas deu tudo certo.

Felizmente James era previsível.

Era, porque agora Roxanne já não sabia de mais nada...

— No caminho você ainda fez CIA e Hydra pararem de me perseguir e deixarem o Sam em paz. Porque é claro que você não deixaria uma família sofrendo assedio do Governo. — Ele sorriu meio melancólico e apagou sua bituca dentro de um copo vazio.

Lembrar o mundo todo de quem eram os verdadeiros heróis foi um jeito de colocar a CIA de volta em seu lugar. Não dava pra atacar a organização diretamente, mas foi uma forma de atrapalhar os planos de Valentina. Aquela mulher nunca colocaria as mãos em Barnes.

— Você me deu paz, ao mesmo tempo em que jogava Strovalenko para o inferno. — O comentário foi quase divertido. — Era evidente que você não perderia a oportunidade de colocá-lo no trono, o vídeo editado serviu pra isso. Ele é um grande vilão da Hydra agora, matou o Soldado invernal, a cúpula antiga jamais ignoraria uma coisa dessas. Você deu pra ele o poder máximo dentro da organização, porém, também o fez ser um alvo constante dos Governos no mundo, expondo o assassinato na mídia. Agora o idiota não tem como agir e usar seu novo posto. Ele tem que viver escondido. Tem tudo, mas basicamente não tem nada.

Roxanne quis dizer que Barnes quase estragou essa parte quando deixou Strovalenko à beira da morte depois do confronto dos dois. Mas isso não fazia diferença agora, porque Viktor estava vivo e, no fim, ele mereceu aquela surra bem dada.

— O que importa é que ele atingiu a liderança máxima e não tem hora melhor para um casamento secreto, com todos os antigos da Hydra, do que agora. — James foi certeiro novamente. — Você foi genial, Roxanne.

Era um pouco irritante ele ter descoberto tudo, mas muito sexy também.

Ninguém foi capaz de ver o plano da Donna daquele jeito, mesmo as pessoas que conheciam partes dele. Ninguém entendeu tudo que ela estava fazendo por completo. Era surpreendente que Barnes de fato a conhecesse tão bem. O bom e o ruim, como ele mesmo disse.

Mas isso ainda não mudava nada.

— Bom, parabéns. Você descobriu que foi um peão no meu jogo. — Ela apenas encolheu os ombros com desdém e deu outro gole em seu vinho.

O que ele estava esperando com tudo aquilo afinal?

— Sabe o que é mais engraçado? Tem uma parte do seu plano em particular que me surpreendeu quando descobri. — Barnes deixou seu copo sobre o aparador e voltou a se aproximar. — Você contou para o Strovalenko da gente... Você já tinha dado um tiro em si mesma pra forjar uma fuga minha, isso era disfarce o bastante. Não tinha que contar, principalmente porque sei que aquele idiota não deve ter recebido muito bem essa notícia. E eu não entendi isso no começo, pensei que fosse sobre deixá-lo cego de raiva. Mas ele já devia estar assim, desde que descobriu que eu nunca fui quem ele pensava. Contar sobre o nosso segredo não era necessário.

Roxanne prendeu o ar, lembrando das consequências que sofreu por isso. Não foi bonito, mas ela fez o que precisava. Motivações eram importantes afinal. Strovalenko tinha que entender as atitudes dela que viriam nos meses seguintes, mesmo que entendesse do jeito errado.

— Foi então que eu me lembrei que "uma boa mentira sempre tem um pouco de verdade"... — James estava há menos de dois passos, repetindo uma frase que a própria Donna dissera uma vez. — E pra você contar uma verdade desse tamanho, devia estar escondendo algo ainda maior. — O olhar dos dois ficou preso, a verdade pairando ali. — Você precisava que ele pensasse que suas atitudes eram passionais... Por que elas eram mesmo. Mas não porque você estava com ódio de mim.

A italiana não se moveu. Ele sabia então.

— Você escondeu um sentimento com outro, não é? — Barnes meio acusou, meio afirmou. — Você nunca quis me matar, só estava me protegendo desde o começo. Conseguir todo esse progresso com Strovalenko foi apenas um efeito secundário. Eu sempre fui sua prioridade. Você ainda me ama, Roxanne.

Sim. A mente dela concordou, mesmo que não tivesse sido uma pergunta. Barnes tinha certeza do que estava dizendo. Ele já sabia de tudo, era dali que vinha toda a confiança que ele exalava.

Roxanne cruzou os braços. Não tinha deixado de amar aquele homem nem por um segundo. Mesmo quando doía, mesmo quando estava se sentindo traída, mesmo quando queria afastá-lo. Ela sempre o amou. Descobrir todas aquelas mentiras não mudou isso.

Por isso nunca cogitou matá-lo, por isso só o afastou e planejou um jeito de deixá-lo em segurança.

Ela quis odiá-lo. Quis isso intensamente e muitas vezes. Mas não conseguiu.

Foi pior ainda quando, depois da discussão que teve com Frank, o expulsando da máfia, o ex-consegliere mandou para ela uma gravação feita no dia em que ele soube toda a verdade. Roxanne ouviu cada segundo, entendeu a história toda pelo ponto de vista de James. Descobriu o quanto ele a amava e tudo que estava disposto a fazer por ela.

Relutou para acreditar nisso, porque se acreditasse ficaria ainda mais difícil odiá-lo e esquecê-lo. Porém, depois de ter escutado aquela gravação tantas e tantas vezes, a ponto de decorar cada palavra dela, era impossível não ponderar uma questão crucial... o que teria feito se fossem situações oposta?

Se ela fosse a espiã que se aproximou com um objetivo e se apaixonou no caminho, o que teria feito no lugar de James?

Essa pergunta bagunçou tudo. Porque Roxanne era uma mafiosa, mentir sempre foi sua configuração padrão para basicamente tudo. Mentir enquanto se apaixonava por alguém não era algo tão absurdo assim de se imaginar.

O quão errado isso era na escala de coisas erradas que ela já tinha feito? E, se ela faria o mesmo, como podia julgar James por isso?

Era complicado. Mas Roxanne não estava preparada para dar o braço a torcer, porque, a verdade era uma só: ela estava com medo.

Medo de confiar na pessoa errada outra vez.

— Mesmo se você estiver certo, acha que isso vai mudar alguma coisa? Acha que só porque não te matei, eu vou te perdoar? — As perguntas foram jogadas de forma irritada. Roxanne bateu a taça na cômoda e se afastou para o outro lado. — Aproveita paz que eu te dei e vá embora, Bucky.

O braço de vibranium a segurou antes que fosse muito longe.

— O problema é que já faz algum tempo que eu não quero mais paz, Italianinha. — Ele confidenciou, com os olhos gélidos nela. — Eu quero você.

O coração de Roxanne saiu do prumo, sua pele formigando onde os dedos de vibranium estavam pousados. Odiou que aquilo fosse tudo que ela queria ouvir, tudo com o qual havia sonhado mesmo antes de se dar conta.

Alguém que escolhesse o caos dela acima de qualquer paz.

Barnes a puxou um pouco mais perto antes de continuar:

— E eu não espero que você me perdoe, só espero que me deixe passar a vida toda do seu lado, tentando compensar e reconquistar sua confiança. Pode me punir se quiser, me tranca no seu porão gelado e faça coisas terríveis comigo, mas faça com as suas próprias mãos, porque me mandar ficar longe de você é uma tortura que eu não estou disposto a suportar.

— Você está louco. — A Donna se esquivou, tentando não ceder.

Estava confusa demais, porque sentia tanta falta daquele homem que era quase ridículo. Mas era certo confiar de novo? Até que ponto era seguro? Estaria sendo idiota se fizesse isso?

— Você queria a verdade, Roxanne. Então aqui está ela... — James ergueu as mãos com as palmas pra cima. — Eu te amo.Te amo tanto que menti pra todo mundo só pra ficar roubando tempo com você. E, é, isso foi errado e babaca da minha parte, você acha que eu não sei? Eu sei. Matei pessoas por noventa anos para uma organização nazista que me controlava e, ainda assim, mentir pra você foi pior. Foi a coisa mais terrível que eu já fiz. Não tenho como consertar isso. — Ele respirou profundamente, olhando para o chão por um instante, antes de erguer as íris azuis de volta pra ela. — Mas a verdade crua... é que eu também estaria mentindo se dissesse que me arrependo de qualquer um desses momentos que roubei. Por isso, não estou aqui pedindo perdão, eu só estou pedindo uma chance.

Devia ser péssimo ele dizer que não se arrependia, mas Roxanne queria que se arrependesse? Queria que ele dissesse que teria feito diferente? Se fosse diferente, eles ainda seriam eles?

Talvez nunca pudesse perdoá-lo. Mas e uma simples chance, ela podia dar?

— Essa é a verdade que você tanto queria, Donna mia. Eu te amo desesperadamente. — Ele tinha lágrimas nos olhos agora e Roxanne quis de verdade acreditar nisso. — Te amo de um jeito feio que sangra e doí. Te amo de um jeito egoísta e nada heroico. Te amo com tudo que eu tenho, o bom e também o ruim.

Ela teve que desviar os olhos e piscar algumas vezes para não lacrimejar.

O que devia fazer?

Uma chance, era o que James estava pedindo. Mas Roxanne não sabia se isso também significava repetir um erro.

— Então, se você não vai me matar de verdade, pelo menos apunhale meu peito do lado certo dessa vez e diga que todos os sentimentos bons acabaram, que não sente falta dos nossos momentos roubados e dos nossos segredos. — Barnes estava ainda mais perto agora, suas duas mãos seguindo para o rosto feminino como se implorasse para que ela olhasse para ele. — Me fala que não acorda de noite pensando em mim e ardendo de saudade das minhas mãos no seu corpo, que não quer os meus lábios nos seus de novo... Diz, Roxanne, diz a verdade pra mim também.

Ela focou nos olhos azuis por alguns instantes. Vendo a resposta com clareza pela primeira vez.

— Eu te odeio, sabia disso? — Repetiu a única mentira recorrente que havia contado desde que haviam se conhecido.

Não só porque ele merecia uma mentira quando finalmente havia contado a verdade, mas também porque Roxanne Domenichelli sabia muito bem...

— Odeia nada, italianinha. — Ele sorriu finalmente.

....aquela era a única mentira na qual James Barnes nunca iria acreditar.

Ele a puxou para perto e cobriu os lábios dela com um beijo angustiado e aliviado ao mesmo tempo.

Roxanne não sabia se o laço da confiança viria a ser restaurado, mas ela decidiu que o americano merecia uma chance. Que ela merecia uma chance de ser feliz.

Não era um voto de confiança cega, mas tudo bem, a Donna havia desperdiçado bastante tempo da vida sendo noiva de um homem que odiava e no qual nunca confiaria. Dar para si mesma uma oportunidade de ter algo real com alguém que ela amava, e que poderia voltar a conquistar a confiança dela com o tempo, não parecia uma ideia tão absurda assim.

Na verdade, ela sequer sabia se estava cometendo um erro. Mas sentia falta daquele homem mais do que já havia sentido falta de qualquer outra coisa em sua vida. E, se fosse mesmo um erro, ela quis se dar ao luxo de cometê-lo.

Afinal, James ainda era exatamente isso; um luxo que a rainha da máfia sempre cobiçaria.

Ela finalmente o tocou, seus dedos se infiltrando nos fios castanhos, se nele segurando com força enquanto o beijo se tornava volátil e desesperado. A saudade tornando cada movimento mais frenético.

O braço de vibranium estava firme ao redor da cintura feminina agora, mantendo os corpos colados, como se qualquer distância entre eles fosse inadmissível naquele instante.

Roxanne foi erguida do chão e colocada sentada sobre a cômoda, sua taça de vinho indo parar no carpete sem que nenhum dos dois se importasse com isso.

Os movimentos de James eram febris, ele parecia angustiado para ter mais dela. Tudo dela. Abandonou os lábios femininos, descendo os beijos pelo queixo e pescoço da italiana, lambendo e chupando a pele dela como se precisasse disso para sobreviver.

— Porra, eu senti tanta falta do seu gosto.... — Ele chupou com tanta vontade, ao mesmo tempo em que seus dedos de vibranium se fechavam contra um dos seios de Roxanne, que ela teve que morder os lábios para não gemer alto. — Do seu cheiro... do seu toque... de você inteira.

Ele puxou o decote dela para baixo, expondo um dos seios e se curvando para poder beijá-lo.

— As pessoas em Madripoor não foram uma distração competente? — A Donna ainda teve a ousadia de perguntar, e se deliciou com a forma como Barnes riu contra o bico do peito dela.

Ele a mordeu de leve, perdendo os fios negros na mão direita e subindo os beijos de volta, até que o olhar dos dois se encontrassem.

— Não existiram pessoas em Madripoor, Roxanne, era tudo uma mentira pra enganar a Sharon. O que eu tive foram parceiros de negócios que estavam me ajudando a achar você. — Explicou, roçando os lábios nos dela, enquanto sua mão de vibranium subia pela coxa feminina que a fenda deixava exposta. — Porque você é a única pessoa que eu quero.

James não esperou uma resposta, capturou a boca feminina de novo, em um beijo apaixonado e intenso, enquanto seus dedos gelados subiam cada vez mais, até deslizarem acima da renta da lingerie que ela usava sob o vestido.

Encostou a testa na dela, a respiração de Roxanne saindo totalmente do prumo conforme era acariciada daquele jeito tão íntimo e quente.

— Cada vez que meu pau ficou duro em todo esse tempo foi pensando em você, Italianinha. — Soprou contra os lábios dela, afastando a renda para tocá-la sem impedimento.

— James... — Roxanne gemeu, tentando se agarrar a qualquer gota de autocontrole, enquanto seu clitóris era estimulado pelos dedos gelados. Tinha que dizer a verdade, mesmo naquele momento. — Eu ainda vou subir naquele altar hoje.

Não podia enganar Barnes, ele tinha que saber o que estava pegando de volta. A Donna não iria voltar atrás agora.

— Foda-se. — Ele xingou, como se aquilo não fizesse a menor diferença. — Você é minha, Roxanne. Nada vai mudar isso. — A penetrou lentamente com dois dedos, segurando os cabelos dela com a mão oposta. — Então se você tem que ir lá dizer "sim" para aquele maldito, eu entendo, mas você vai com a minha porra escorrendo pelas suas coxas. Porque eu vou te comer enquanto você usa esse vestido de noiva, entendeu?

A italiana gemeu em resposta, chegando perto demais do orgasmo com a simples imaginação daquela cena.

James se curvou sobre ela, dominando o corpo feminino com maestria, seus dedos trabalhando de um jeito enlouquecedor dentro dela, enquanto a boca se fechava contra um dos seios, chupando com tanta vontade enquanto friccionava o clitóris e penetrava em um ritmo hábil.

Roxanne se agarrou a ele, tentando se livrar das peças inoportunas que o americano ainda usava. Precisava sentir a pele dele.

As mãos masculinas tiveram que abandonar o corpo dela por alguns instantes enquanto sobretudo escorregava pelos braços fortes dele. A camiseta foi logo depois, revelando o tronco nu e os músculos bem definidos.

O puxou de volta para um beijo, envolvendo os quadris masculinos com as coxas, fazendo com que os corpos se chocassem. Barnes abriu as próprias calças, puxando sua ereção para fora da boxer e envolvendo a cintura feminina para acertar as posições.

Ele a penetrou rápido, sem delicadeza, quase desesperado. Como se não conseguisse mais aguentar um só segundo daquela agonia.

— Você está gostosa demais, sabia disso? — Perguntou contra os lábios dela, metendo forte e intensamente. — Senti tanta falta de estar dentro de você que chegava a doer.

Roxanne não tinha capacidade de dizer absolutamente nada naquele momento, suas unhas fincadas nas costas masculinas e seus lábios contra o pescoço dele, para abafar os próprios gemidos.

James soltou um palavrão carregado de tesão, quando ela chupou ali com volúpia o suficiente para deixar uma marca.

Não tinha mais nenhum controle na forma como ele investia contra o corpo feminino agora, sua mão de vibranium fechada contra a coxa dela, levando Roxanne cada vez mais perto do ápice.

— Olha pra mim, Italianinha, eu preciso ver você gozar. — Ele pediu rouco de desejo, e ela apenas obedeceu. Se deixando levar sem pensar em mais nada.

Ele alcançou o próprio orgasmo enquanto ouvia ela gemer baixinho. Tudo tão rápido e intenso que Roxanne se sentiu totalmente embriagada de desejo. Tinha sentido falta daquilo tudo muito mais do que havia imaginado.

Se abraçou a corpo masculino, descansando a cabeça no ombro de James enquanto ele acariciava as costas dela com suavidade.

— Eu te amo, amore mio. — Roxanne soprou baixinho. Aquela era a única verdade que importava.

— Anche io ti voglio bene, Donna mia. — Barnes respondeu com a pronuncia perfeita.

Os olhos negros se estreitaram de forma quase divertida e ela ergueu a cabeça no mesmo momento.

— Você já falava italiano né? — Meio acusou, meio afirmou.

— Desde o começo. — Ele confidenciou com pesar. — Me desculpa... — Segurou o rosto feminino entre as mãos a encarando com evidente sinceridade. — Eu nunca mais vou mentir pra você, Roxanne.

E, contra todas as probabilidades, ela acreditou nisso.

Acariciou o rosto masculino com carinho, sentindo a forma como ele curvava a cabeça em direção a mão dela, como se tivesse sentido extrema falta daquele toque tão simples.

— Gostei do novo visual. — Ela comentou com um meio sorriso.

— Eu estava cultivando ele pra minha nova fase de mafioso.

A resposta arrancou uma risadinha honesta da Donna. O coração dela se enchendo de algo bom, confortável e quente.

Os olhos escuros desceram pelo peitoral masculino e os dedos delicados pousaram suavemente na pequena marca já cicatrizada ali. Roxanne odiava ter machucado James, porém, quando os olhos azuis pousaram sobre ela e a mão dele se fechou carinhosamente ao redor do toque da italiana, ela soube que aquilo não tinha significado nada para ele.

— Nós vamos ficar bem. — Ele assegurou e suou muito como uma promessa. — Vai lá se casar com o idiota. Mas eu tenho que dizer que ele nunca mais vai tocar em você de novo, porque quando essa festa acabar eu vou matar aquele filho da puta, com ou sem Representante.

Roxanne podia ter dito não, argumentado que não era tão fácil assim, que precisaria de mais tempo, porém, ela apenas assentiu.

Também não queria ser tocada por Strovalenko nunca mais.

Beijou os lábios de James lentamente.

— Nós vamos ficar bem. — Ela repetiu, concordando com essa promessa.

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O Soldado Invernal vivia nas sombras, ele era um fantasma. Bucky nunca chegou a racionalizar o quão útil era essa habilidade, mas agora que estava escondido no piso superior do grande salão de festas, ficou até agradecido por todo o maldito treinamento da Hydra.

Além disso, estava de bom humor, então havia algo de ironicamente engraçado em usar o treinamento dos malditos nazistas desgraçados justamente para se esconder entre eles.

Roxanne estava lá embaixo agora, com aquele vestido de noiva enlouquecedor, no altar improvisado, junto com Strovalenko.

Barnes, honestamente, queria apenas quebrar o pescoço de todo mundo naquela propriedade, pegar sua mulher e ir embora. Mas sabia que devia permitir que ela tentasse do jeito dela.

Por isso estava ali escondido, observando enquanto o amor de sua vida se casava com outro... Mas podia ser pior, se ele tivesse assistindo aquilo sem ter conseguido se reconciliar com Roxanne, seria o dia mais devastador de sua vida.

Na verdade, nem ele acreditava que tinha mesmo mais uma chance com a Donna...

Passou os últimos meses tentando montar o quebra-cabeças que rondava sua suposta morte, porém, mesmo quando descobriu as motivações da italiana, ele ainda duvidou que a teria de volta. Era um maldito tiro no escuro.

Bucky teve que abraçar seu lado sombrio, teve que mentir, espionar, tramar, fazer alianças duvidosas. Mas ele não se arrependia de nada, aqueles seis meses em Madripoor não serviram apenas para entender os planos de Roxanne ou encontra-la de novo, eles também foram cruciais para que Barnes descobrisse algo sobre si mesmo. Ele podia lidar com a própria escuridão, desde que estivesse no controle.

Fazer as pazes com esse seu lado foi... estranhamente libertador. Sempre imaginou que os vestígios do Soldado Invernal tinham que ser expurgados, mas agora via as coisas de forma diferente.

Nunca conseguiria apagar o que a Hydra fez com ele, nunca conseguiria compensar. Ele tinha um poder que não queria, um treinamento que foi obrigado a fazer e um conhecimento que queria esquecer. Talvez fosse hora de usar tudo isso para ter a felicidade que haviam lhe negado por décadas.

Apostou tudo naquele reencontro, — afinal Roxanne era a única felicidade que ele desejava, — não sabia se daria certo, mas a verdade é que também não planejou um futuro, caso fosse rejeitado.

Mas agora ele tinha a mulher que amava de volta, e nunca mais ficaria longe dela outra vez.

Então, se ela tinha que se casar com aquele maldito nazista, Bucky assistiria sem reclamar. Mesmo porque, havia certo consolo em saber que mataria o idiota ainda naquele dia.

Enquanto o cerimonialista falava um monte de baboseira digna da Hydra, Barnes examinava o ambiente, prestando atenção na movimentação dos homens que faziam a segurança, para não ser flagrado. Mudava de lugar vez ou outra, mas no geral estava sempre de olho em Roxanne.

Lá embaixo, sentados assistindo a cerimônia, alguns rostos conhecidos e desprezíveis. Bucky não saberia dizer se o tal Representante estava entre eles, mas a julgar pela postura da Donna, provavelmente não.

Barnes focou os olhos nela e divagou um pouco no que tinham acabado de fazer... Sentiu falta daquilo, não via a hora de poderem sair dali e voltar pra casa, precisava arrancar as roupas dela e beijar cada centímetro daquele corpo sem nada impedindo.

Deu um suspiro entediado e mudou de posição para uma outra mais estratégica. Acenderia um cigarro se isso não fosse denunciar sua presença...

Não sabia quando havia adquirido o novo vício, talvez em algum momento daqueles seis meses solitários e caóticos, enquanto tentava montar o quebra-cabeças mais importante de sua vida. Não tinha vergonha nenhuma de admitir que Roxanne era muito mais inteligente, nunca teria entendido a linha de raciocínio dela, se não a conhecesse tão bem.

— E, antes de começarmos com os votos... — O cerimonialista finalmente declarou, saindo da parte de discursos vazios e iniciando a etapa final. — Se tiver alguém aqui presente, que seja contra essa cerimonia, fale agora ou cale-se para sempre.

Bucky teve o impulso de aparecer do nada na vista de todos, seria engraçado, mas, como se tivesse o poder de ouvir o pensamento dele, os olhos negros de Roxanne se ergueram para o segundo andar, focando no ponto onde o Soldado estava, mesmo que ele estivesse oculto pela escuridão. Ele não devia intervir.

Que pena...

Não se moveu então, mas as portas da frente lá embaixo se abriram repentinamente.

— Ah, que péssima hora para chegar em um casamento, não é mesmo? — O homem de meia idade adentrou o recinto, usando um terno cinza bem cortado.

Automaticamente toda a equipe de segurança se deslocou, dando a Barnes a possibilidade de se aproximar um passo do beiral que dava vista para o salão lá embaixo, assim tinha melhor visão.

Quem era aquele cara?

— Quem você pensa que é, interrompendo assim? — A voz irritada de Strovalenko se espalhou pelo amplo espaço.

Roxanne, no entanto, tinha uma postura dura e um olhar vidrado no recém-chegado. Bucky soube quem era imediatamente.

— Típico da nova geração não respeitar os mais velhos. — O homem sorriu de forma cínica. — Eu vou esclarecer as coisas pra você garoto, meu nome é Frederik Schmidt, meus amigos aqui com certeza me conhecem sob a alcunha de "Representante", mas, como pode notar por meu sobrenome, eu sou o herdeiro legitimo da Hydra. Neto do próprio Caveira Vermelha.

O que?

A revelação fez um arrepio de mau-agouro atravessar o corpo de Barnes. Roxanne nunca havia mencionado aquele detalhe, porém, a julgar pela expressão que tinha no rosto, ela também não sabia.

Aquilo era ruim. Muito ruim.

O homem que havia sequestrado Damian não era apenas um Cabeça qualquer da Hydra, ele era um herdeiro.

— E muito me espanta vocês, amigos. Dando confiança para um garotinho pedante que conta mentiras para chegar ao topo. — Frederik encarou Strovalenko com desdém.

— Ele matou o Soldado Invernal. — Alguém disse, como se isso fosse algo de extrema importância.

O Representante riu. As rugas em seu rosto ainda mais evidentes com esse gesto.

— Se alguém tivesse matado o Soldado Invernal, teria sido a garota vestida de noiva, não é Roxanne? — Focou na italiana com um olhar neutro, quase divertido. Porém o teor de suas palavras denotou um problema evidente. Ele sabia que Barnes estava vivo? — Você contou uma porção de mentiras só para me encontrar, querida, estou impressionado com o seu potencial.

Bucky se preparou para uma luta. Nunca deixaria aquele cara encostar em Roxanne.

— Olha aqui seu, velho desg... — Strovalenko começou, muito irritado, mas ele nunca teve chances de terminar essa frase, um tiro atravessou o salão e atingiu o meio de sua testa, fazendo com que sangue e miolos espirrassem diretamente na Donna, enquanto o corpo do pretenso líder da Hydra desabava no chão...

...totalmente sem vida.

Ninguém se mexeu, nem mesmo Bucky, ele até teria, mas a figura que estava atravessando as portas agora, com uma arma fumegante em mãos, era um déjà vu extremamente macabro.

Caveira Vermelha.

Ou uma versão mais atual talvez, não era o antigo inimigo de Steve, a pessoa vestida de couro marrom era mais baixa e menos musculosa que o vilão original, mas sua cabeça estava coberta com um capacete vermelho sangue, que em muito lembrava o fundador e primeiro líder da Hydra.

— Honestamente, esse era seu noivo? — A voz quase robótica voltou ao normal no meio da frase, quando o capacete foi tirado da cabeça, revelando o rosto de um jovem rapaz. Cabelos escuros e feições muito familiares. — Acho que precisa começar a escolher melhor seus namorados, maninha.

— Damian? — Roxanne soprou em um misto de choque e surpresa.

Ah, merda!